07 Junho 2009

GNR apreende quase dois mil CD no mercado de Azeitão

"Jornal de Notícias", de 31 de Maio de 2009

A GNR apreendeu, este domingo, no mercado mensal de Azeitão, em Setúbal, 1 969 CD's de música e 863 DVD por suspeita de se tratar de material contrafeito.
Segundo informou o Comando-Geral da Guarda Nacional Republicana, foram constituídos arguidos três feirantes.
A acção de fiscalização contou com a colaboração da Inspecção-Geral das Actividades Culturais.
Segundo fonte da GNR, o material apreendido será alvo de peritagem para se confirmar se é ou não contrafeito.

Laurinda Alves (MEP) com convicção «cada vez maior» em eleição ao Parlamento Europeu

Jornal "Sol", de 2 de Junho de 2009

A cabeça de lista do Movimento Esperança Portugal (MEP) às europeias, Laurinda Alves, destacou hoje à agência Lusa a convicção «cada vez maior» na sua eleição ao Parlamento Europeu
A candidata europeia afirmou que a «campanha pela positiva» do partido tem tido repercussão no contacto directo com a população, quer através de acções de rua quer via Internet.
Rui Marques, líder do MEP, tem defendido que a eventual eleição de um eurodeputado do partido ao Parlamento Europeu, ao invés de um «oitavo ou nono» do PS, poderá representar uma «mudança», acreditando Laurinda Alves que a sua eleição, a suceder, «será uma conquista».
O MEP tem visitado e premiado durante a campanha europeia instituições de diversas áreas no sentido de «valorizar aquilo que de melhor se faz» em Portugal, afirmou Laurinda Alves no lançamento da campanha.
Durante as duas semanas de campanha, o MEP entregará um total de doze estrelas simbólicas para «valorizar aquilo que de melhor se faz» no país.
Hoje, o partido visitou a Artesanal Pesca, em Sesimbra, empresa «exemplo no sector», sustentou a cabeça de lista, criada em 1986 com o «objectivo de valorizar» os produtos captados na região.

Bettencourt: «Prefiro Paulo Bento»

Jornal "Record", de 30 de Maio de 2009

José Eduardo Bettencourt deu ontem à noite, em Sesimbra, o pontapé de saída de um fim-de-semana repleto de contactos com os sócios do Sporting. Um dos motivos de interesse da noite relacionou-se com a eventual resposta de Bettencourt ao anúncio feito, pouco antes, pelo seu opositor na corrida à presidência.
No auditório de Alvalade, Paulo Pereira Cristóvão prometera o sueco Sven-Goran Eriksson para treinador, em caso de vitória. A resposta de Bettencourt foi direta:
"Não tenho qualquer comentário a fazer. É uma escolha como outra qualquer. No entanto, prefiro Paulo Bento", sublinhou o candidato. E, como que querendo desfazer qualquer troca de argumentos, recordou que "Paulo Bento não foi um trunfo eleitoral da minha parte, mas sim um pré-requisito para eu avançar. É um treinador que conheço perfeitamente e com quem é muito fácil trabalhar".
Ainda em resposta a uma indireta de Paulo Cristóvão, Bettencourt diz que os seus contactos com os sócios não são "para me pavonear, mas para conviver com os adeptos".

Alexandre Carvalho

Europeias: Críticas aos "partidos do meio" na campanha do BE, com bloquistas de regresso ao Sul

Jornal "Expresso", de 29 de Maio de 2009

Depois de centrar as críticas no PS, o BE começa agora a incluir ataques ao PSD, denunciando as "mentiras" dos "partidos do meio", numa altura em que a campanha está a meio e os bloquistas voltam ao Sul.
"O problema da verdade na política é que não se pode andar eternamente a repetir as mesmas mentiras e andar ao mesmo tempo a pedir que votem nessas mentiras. Não pode ser assim, isto tem que ter um ponto final", sublinhou Miguel Portas, quinta-feira à noite, durante um comício em Leiria.
Sem esquecer Vital Moreira e as suas "trapalhadas" em relação à proposta de criação de um imposto europeu, Miguel Portas acabou, assim, por estender os ataques aos "partidos do meio", questionando como podem os eleitores acreditar, por exemplo, na proposta do PS e do PSD de alargamento do programa Erasmus, "se foram esses mesmos partidos do meio que aceitaram reduzir em 50 por cento os montantes previstos para esses programas não faz dois anos na Europa".
"Como é possível", questionou o candidato do BE, que durante o dia já tinha deixado críticas aos elogios de Vítor Constâncio à proposta de Vital Moreira sobre um imposto europeu.
"Quero dizer claramente, e sem margem para dúvidas, que entendo que o presidente do Banco de Portugal melhor seria que guardasse para si as opiniões pessoais neste momento", afirmou durante a tarde, em declarações aos jornalistas no final de uma visita à fábrica da SPAL em Valado de Frades, perto de Alcobaça.
Essa troca de elogios voltaria, aliás, à campanha do BE à noite, com o líder do BE, Francisco Louçã a comentar a "atrapalhação" do PS em lidar com o assunto, que levou mesmo os socialistas a terem de ir buscar o Governador do Banco de Portugal para entrar na campanha.
"Tão atrapalhado está o PS que tem que ir buscar um dos seus, Governador do Banco de Portugal, que clama a sua independência como Governador do Banco, para entrar na campanha eleitoral e ser a única pessoa do PS que vem dizer que concordava com a proposta de um imposto que Vital Moreira apresentou há dois dias atrás", afirmou Francisco Louçã, no comício de Leiria.
Em sintonia com as críticas que mais tarde Miguel Portas deixou aos "partidos do meio", Francisco Louçã deixou ainda uma nota sobre a proximidade entre PS e PSD, recordando um episódio com o ex-ministro Morais Sarmento.
Conforme contou, Morais Sarmento disse à hora de almoço que "afinal não vê diferença" entre os candidatos e as propostas do PS e do PSD, mas "à hora do lanche" desmentiu o que tinha dito à hora do almoço.
"Já percebemos como andam atrapalhados aqueles que são obrigados a desmentir-se a si próprios a todo o instante, atropelando-se a si próprios nas palavras que disseram sem nunca saber o que querem dizer", frisou Francisco Louçã, para depois concluir que "no essencial eles sentem que estão tão próximos".
As críticas aos "partidos do meio" deverão, entretanto, voltar hoje a surgir, em especial durante o comício que o BE irá realizar à noite em Faro.
Antes ainda, a comitiva do BE irá passar logo pela manhã pelo porto de pesca de Sesimbra, para um encontro com pescadores e uma visita a uma cooperativa de pescadores e produtores que transformam o pescado.
Durante a tarde, já no Algarve, Miguel Portas irá visitar de barco a Ria de Alvor, uma zona protegida que está ameaçada pela especulação imobiliária.

BE critica passividade do Governo face a concorrência espanhola na pesca

Jornal "Público", de 29 de Maio de 2009

O cabeça-de-lista do BE às europeias, Miguel Portas, defendeu hoje a união dos armadores de pesca para fazer face às dificuldades no sector, deixando ainda críticas à passividade do Governo português em relação a concorrência das lotas espanholas."Os produtores, quando se encontram em dificuldades, a linha tem de ser sempre a união e não a concorrência. Desta forma falam, inclusivamente, com uma voz muito mais forte para o Governo", defendeu Miguel Portas, em declarações aos jornalistas no final de uma visita à lota de Sesimbra e à cooperativa de armadores Artesanal-Pesca.Apontando esta cooperativa, que trata, congela e embala o pescado, como "uma situação única", Miguel Portas defendeu a multiplicação desse bom exemplo, porque "quando os produtores se juntam são capazes, não de concorrer entre si, mas de afirmarem a sua própria força, num mercado onde o intermediário é rei e senhor".Quanto às queixas que ouviu durante esta sua visita, Miguel Portas destacou a necessidade de garantir as compensações prometidas para os períodos de defeso, a questão da partilha das águas e o problema da modernização da frota.Por outro lado, acrescentou, há ainda problemas no que diz respeito à concorrência das lotas espanholas, que seguem regras de fiscalização muito menos apertadas do que as portuguesas, considerando que "não se justifica que o Governo português seja mais papista que o Papa".Porque, referiu, enquanto do outro lado da fronteira, que tem uma indústria pesqueira muitíssimo mais forte, "fecham os olhos", o Governo português quer ser "bom aluno" e aplica todas as regras que em Espanha não são aplicadas, "em prejuízo inevitavelmente do armador português".Contudo, acrescentou, tal não deve significar um fechar de olhos do Governo português."Acho que o governo português devia impor e discutir muito seriamente com o Governo espanhol, aliás, tanto quanto se sabe José Sócrates e Zapatero têm excelentes relações, podiam começar exactamente por discutir o preço mínimo nas lotas, o chamado preço da retirada", salientou.

Contos do Céu

Jornal "Público", de 26 de Maio de 2009

Actores e manipuladores vivem e interpretam três contos que têm em comum o Céu.Uma nuvem, a Lua e o Sol são os protagonistas do espectáculo apresentado no dia 3 de Junho no Cine-Teatro João Mota, em Sesimbra. Segue depois para outros espaços, inserido no Sementes 2009.
A companhia espanhol Xirriquiteula conta a história de dois amigos que se encontram e brincam ao faz de conta. Uma nuvem gigante não sabe onde ir chover, a Lua quer ser provada pelos animais e o Sol vai dar uma festa e ausenta-se de iluminar e aquecer a Terra. Ingredientes perfeitos para um espectáculo de encantar.

Homicida de jovem detido na Holanda

”Jornal de Notícias”, de 19 de Maio de 2009

O alegado autor do tiro que matou João Paulo Almeida, de 22 anos, no passado mês de Agosto, em Sesimbra, foi detido, este domingo, em Haia, na Holanda.
O homicida, de 29 anos, estava em fuga desde a noite do crime. Após a emissão de mandados de detenção de âmbito europeu, a Polícia Judiciária (PJ), com o auxílio das autoridades holandesas, interceptou-o.
Os factos remontam à noite do dia 31 de Agosto de 2008. Segundo a PJ, no cerne do desentendimento entre a vítima e o agressor estarão negócios de tráfico de droga.
O crime ocorreu no interior da residência da vítima, em Almoinha,Sesimbra. João Paulo Almeida estaria com o irmão quando foi abordado pelo agressor, que estaria acompanhado por outro indivíduo, alegados interessados em comprar produto estupefaciente.
Após um desentendimento, o provável comprador da droga atingiu João Paulo Almeida com um tiro, fugindo depois num automóvel que estava na rua, sequestrando para o efeito o respectivo condutor.
A PJ encetou as investigações que levaram a uma identificação rápida do agressor, após ter sido elaborado um retrato robô com base nos testemunhos dos familiares da vítima.
Ao que foi possível apurar, é agora aguardada a extradição do alegado homicida para território nacional para se procederem às diligências judiciais. De salientar ainda que o homem conta já com antecedentes criminais por tráfico de estupefacientes.

Susana Otão

A Ver Navios

Jornal "Público", de 10 de Maio de 2009

A companhia S.A.Marionetas remonta a Novembro de 1807 para relembrar a altura em que as tropas de Napoleão ameaçaram o rei às portas de Lisboa. No dia 24 de Maio no Cine-Teatro Municipal João Mota, em Sesimbra.
D. João VI reúne-se com os seus conselheiros para um decisão difícil: ou entra no bloqueio continental decretado por Napoleão contra os Ingleses ou parte numa viagem nunca feita por um monarca europeu (e aí conta com o apoio dos ingleses). A corte parte mesmo para o Brasil. "A Ver Navios" explica como foi e por que razão, através de 20 marionetas de fios.

Sesimbra «está a mexer»

Jornal “Avante!”, de 5 de Maio de 2009

Sob o lema «Trabalhamos para ti – Sesimbra está a mexer!», a CDU apresentou, no dia 25 de Abril, durante um jantar-convívio no qual participaram cerca de 400 apoiantes da coligação, os seus cabeças de lista nas próximas eleições para as autarquias locais – Augusto Pólvora para a Câmara Municipal; Odete Graça para a Assembleia Municipal, enquanto que Francisco Jesus, Vítor Antunes e Ana Cruz são os primeiros candidatos às freguesias do Castelo, Quinta do Conde e Santiago.
No final do jantar, tomaram da palavra, para além dos candidatos, Conceição Morais, responsável pela CDU no concelho de Sesimbra, João Favinha, mandatário da coligação e, em representação dos partidos, Margarida Botelho, da Comissão Política do Comité Central do PCP, e Álvaro Saraiva, dirigente do PEV.
Na sua intervenção, bastante saudada pelos presentes, Augusto Pólvora começou por dizer que «é necessário unir os sesimbrenses» em torno do projecto da CDU, «o que significa chamá-los a participar e intervir de forma a sentirem que estão a dar algo de si para o bem da comunidade onde nasceram, vivem e trabalham». Prosseguindo, o candidato afirmou estar convencido de que «estamos em melhores condições que quaisquer outros, para que a expressão “Sesimbra para ti” não seja apenas uma frase de campanha».
Augusto Pólvora salientou ainda a actividade da Câmara nos últimos quatro anos. Frisando que «as nossas portas estiveram sempre abertas ao diálogo com todos», o actual presidente da autarquia realçou que «todos os vereadores das diversas forças políticas foram convidados a aceitar pelouros e responsabilidades».
Sobre a obra feita neste mandato, salientou: «Sesimbra está a mexer. E a mexer bem. E é preciso que continue a mexer.» Por isso, continuou, «confiamos que a maioria de cem votos de há quatro anos se vai ampliar substancialmente».

Setúbal, Palmela e Sesimbra criam gabinete para preservar Serra da Arrábida

Jornal “Setubalense”, de 29 de Abril de 2009

Os municípios de Setúbal, Palmela e Sesimbra assinaram, ontem, na Quinta de São Paulo, um protocolo para o funcionamento do Gabinete Técnico Florestal Intermunicipal da Arrábida (GTFIA), que visa, entre outras acções, a prevenção de incêndios florestais.
Os presidentes das câmaras municipais de Setúbal, Palmela e Sesimbra rubricaram o protocolo para o funcionamento do GTFIA que reflecte o interesse comum dos três municípios na preservação da floresta, em particular a Serra da Arrábida. Apesar de só agora ter sido formalizado, o gabinete já está a funcionar desde Junho de 2008.
“O objectivo é trabalhar em rede e defender uma coisa que é comum aos três municípios, que é essencialmente o espaço da Arrábida”, exprimiu Maria das Dores Meira, durante a cerimónia de assinatura do protocolo.
Para a presidente da Câmara de Setúbal, o trabalho de parceria entre municípios “trás mais valias acrescidas”, nomeadamente no que respeita à rentabilização dos recursos no combate aos incêndios florestais.
No entanto, em termos financeiros, “as expectativas foram defraudadas”, manifesta a autarca. Para Dores Meira é “incompreensível” que o governo tenha atribuído a este gabinete intermunicipal “uma verba de funcionamento pouco superior à atribuída a um gabinete de uma única autarquia”.
De facto, a comparticipação governamental para um gabinete criado em determinado município é de dois mil euros, enquanto que, para um gabinete intermunicipal “há uma comparticipação de 80 por cento desse valor, multiplicado pelo número de municípios que aderem”, explica. O que, no caso do GTFIA soma um valor de 4800 euros, em vez de seis mil, “como seria normal”, indica a edil.
“Quer dizer que estamos a ser lesados em 1200 euros”, reiterou a presidente da autarquia sadina, alertando o poder local para “não se alhear às suas responsabilidades”.
Também a presidente da Câmara de Palmela revelou que o gabinete foi criado com o intuito de rentabilizar os recursos financeiros, mas “o tiro saiu pela culatra” dado que a criação do gabinete “penaliza os municípios que acabam por ter de suportar os custos de funcionamento do mesmo”, explicou Ana Teresa Vicente.
A autarca recordou que os gabinetes técnicos florestais surgiram “na sequência de um ano (2003) dramático em termos de fogos florestais no país”, sendo que, os municípios aderentes ao GTFIA “não se têm poupado esforços para que o gabinete funcione e que esteja ao serviço da população e da preservação do património”.
Em representação do município de Sesimbra, o vereador da Protecção Civil, Carlos Pereira de Oliveira, congratulou-se com a assinatura do protocolo que “simboliza o culminar de um trabalhão de vários anos”. “Auguro um futuro promissor, porque o gabinete foi sendo construído com boa vontade, cooperação e sabedoria por três municípios que querem defender a jóia da coroa: a Serra da Arrábida”, concluiu o responsável.
Ao gabinete compete, além do desenvolvimento de estudos, acções e medidas de prevenção, vigilância e combate a incêndios na Arrábida, a elaboração de um Plano Municipal de Defesa Contra Incêndios Florestais que apoie as respectivas comissões municipais de defesa da floresta.
Para o desenvolvimento das actividades do GTFIA podem ainda ser assinados protocolos com outras entidades, nomeadamente para a execução de actividades de silvicultura preventiva, faixas de gestão de combustível, vigilância e primeira intervenção, rescaldo e sensibilização florestal.

Vera Gomes

Gulbenkian vai criar orquestras com jovens desfavorecidos em seis concelhos da Área Metropolitana de Lisboa

Jornal “Público”, de 26 de Abril de 2009

A Fundação Calouste Gulbenkian anunciou ontem no Coliseu dos Recreios de Lisboa que vai apoiar a criação de orquestras de jovens desfavorecidos em seis concelhos da Área Metropolitana de Lisboa (AML) no âmbito de um projecto de inclusão social que envolve várias entidades.
A ideia para o projecto Orquestra Geração, da Gulbenkian, foi inspirada no "El Sistema" - um projecto social venezuelano composto actualmente por cerca de 250 orquestras de jovens de vários níveis etários oriundos de meios sociais desfavorecidos.
Nos quatro anos do projecto da Gulbenkian foram criadas três orquestras deste género, duas na Amadora e uma em Via Longa. Actualmente participam 180 crianças dos cinco aos 14 anos nas três orquestras existentes, e o objectivo para o futuro é criar mais seis no Barreiro, Sesimbra, Oeiras, Loures, Sintra e mais uma na Amadora (no bairro do Zambujal).
"Decidimos fazer uma intervenção numa comunidade urbana com problemas de insucesso escolar e desemprego", explicou Luísa Valle, responsável da Fundação Gulbenkian na área social.
"O insucesso ao longo das gerações não tem que ser uma fatalidade para os mais jovens. É possível, com projectos como este, criar janelas de oportunidades", sustentou.
O projecto para apoiar crianças e jovens de bairros problemáticos através do ensino de música envolve as autarquias, a Escola de Música do Conservatório Nacional, e conta ainda com o apoio mecenático da Fundação EDP.

Câmara de Sesimbra anseia por uma passagem pedonal superior entre a Quinta do Conde e a estação de Coina

"Jornal de Sesimbra”, de 2 de Março de 2009

No âmbito do Programa de Execução do Plano de Melhoria da Qualidade do Ar de Lisboa e Vale do Tejo a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional celebrou um protocolo com a autarquia de Sesimbra em que se exige a introdução de medidas mitigadoras da qualidade do Ar no concelho. Uma decisão que resulta de um estudo, elaborado pela CCDR - LVT, que aponta indicadores de má qualidade do ar, nomeadamente, na freguesia da Quinta do Conde. A autarquia de Sesimbra já tinha contemplado, no último orçamento, uma verba destinada à implementação de medidas para potenciar a qualidade do ar de todo o concelho mas “não tínhamos feito tudo, ainda, porque do nosso ponto de vista a qualidade do ar, no conjunto do concelho e mesmo na freguesia da Quinta do Conde, não justificaria a introdução imediata desse tipo de medidas”. O Presidente da Câmara Municipal enaltece que “algumas das medidas que estamos a propor agora já são feitas no concelho há vários anos. As lavagens de ruas, como é sabido, já são feitas na vila de Sesimbra e na Quinta do Conde”. Relativamente a outras medidas, como seja o desenvolvimento de um estudo e futura concretização da solução que daí resultar, relativamente à melhoria da acessibilidade à estação de Coina, Augusto Pólvora reporta para o facto “curioso” de a Câmara ter apresentado uma candidatura ao QREN, à própria CCDR, no sentido de obter financiamento para esse estudo, e essa candidatura não foi aprovada. “Se tivesse sido aprovada, provavelmente, já estaria em concretização ainda no ano de 2008”. Ainda assim a edilidade, descontente com a recusa da Comissão, “insistiu e ainda estamos em litigação, a aguardar uma resposta final, mas mantemos a intenção de fazer esse estudo e de mais tarde desenvolver uma solução”. Solução essa que passará, na perspectiva do Edil sesimbrense, pela criação de uma passagem superior pedonal entre a Quinta do Conde e a estação de Coina, associada a uma rede de autocarros eléctricos, ou a gás, amigos do ambiente, que façam o circuito urbano da Quinta do Conde e permitam que os residentes acedam à estação de Coina sem tirar os seus carros de casa, isso será um enorme contributo para a melhoria da qualidade do ar dentro da freguesia”. Esta será uma das medidas a aplicar no concelho de Sesimbra para a melhoria da qualidade do ar mas outras estão inscritas nas directrizes da CCDR – LVT, e que a autarquia de Sesimbra já tem programadas para os próximos quatro anos, considerando que os custos são significativos e não há qualquer financiamento. Vão ser instalados redutores de partículas nos carros de recolha do lixo, vão ser intensificadas as lavagens de artérias que constituam eixos principais de tráfego automóvel, será feito um estudo de implementação de ciclo vias e a melhoria de pavimentos e arruamentos. O Presidente da autarquia recorda que “a introdução de um circuito ciclável na Quinta do Conde será possível concretizar em 2009. Já temos um projecto feito e contamos pô-lo em prática e concretiza-lo durante este ano. O facto de não ter havido até agora outras iniciativas, mais de fundo, tem que ver com a consideração que tínhamos, e mantemos, de que Sesimbra, felizmente, é um concelho com uma excelente qualidade do ar. A razão da Quinta do Conde ter essa avaliação, aparentemente, negativa resulta da localização dos equipamentos medidores e estas medidas que vamos agora introduzir já estavam na nossa programação”. Augusto Pólvora refere-se à localização dos equipamentos que fazem a medição da qualidade do ar para justificar que o concelho surja na lista dos que, na área metropolitana de Lisboa, apresentam avaliação negativa. É que esse equipamento foi colocado, não junto ao aglomerado urbano, contrariamente ao que seria previsto, mas sim “num terreno anexo à auto-estrada”.
A celebração deste protocolo, decorrente do Plano de Melhoria da Qualidade do Ar na Região de Lisboa e Vale do Tejo, constitui uma obrigação nacional perante a Comissão Europeia, devido às ultrapassagens dos limites de poluentes perigosos para a saúde pública nas áreas metropolitanas. À semelhança de Sesimbra também Almada, Barreiro, Seixal e Moita foram chamados a “prestar contas” e a assinar documentos com a mesma finalidade.

Guardas Nocturnos para a freguesia do Castelo

“Jornal de Sesimbra”, de 2 de Março de 2009

Dias nove, 10 e 11 de Março as populações das zonas abrangidas pela primeira fase do projecto de implementação de guardas-nocturnos na freguesia do Castelo vão começar a ser contactadas para saber se “estão interessadas ou não” em suportar financeiramente este serviço que custar entre cinco e 25 euros. Os dois candidatos ao cargo, José Bragança Medeiros e Carlos Bragança Martins, já exercem esta profissão há quase 20 anos e têm andado ao serviço um pouco por todo o país. Viram agora, com o concurso da Câmara Municipal de Sesimbra, a melhor oportunidade de se fixarem perto de casa, já que têm residência familiar no Seixal. Quem vai “decidir” se os dois irmãos ficam por Sesimbra são os habitantes e os comerciantes de Santana, Carrasqueira, Cotovia, Sampaio, Maçã e Pedreiras que participarão na prospecção de viabilidade do serviço. Essa prospecção vai ser feita, directa e pessoalmente por José Medeiros, nos dias 9, 10 e 11 de Março, altura em que a população residente é convidada a pronunciar-se sobre a viabilidade, ou não, da existência de guardas-nocturnos já que é essa mesma população que assegurará os honorários mensais dos dois homens. A profissão é liberal e considerada como um complemento à actuação das forças de segurança. José Medeiros esclarece que “o guarda-nocturno não se sobrepõe a alguém, muito menos à autoridade implementada no concelho, neste caso a GNR, e é com eles que vamos trabalhar em estreita parceria. Administrativamente teremos, sempre, que prestar contas à autarquia, que tem sido incansável no apoio ao nosso trabalho no terreno, e em termos policiais teremos, sempre, que responder perante o comandante do posto”. Quanto ao trabalho que um guarda-nocturno pode desempenhar “vai um pouco além” da simples segurança. Uma deslocação à farmácia pode ser assumida pelos vigilantes sem qualquer custo acrescido. José Medeiros salienta que nos casos “de pessoas com alguma dificuldade de locomoção, ou pessoas idosas, elas podem requerer esse tipo de serviços e nós fazemos prontamente, sem cobrar mais por isso”. Uma vertente elogiada por Carlos Filipe Oliveira que acredita “possa ser uma mais valia para a vida dos munícipes e para a segurança no concelho”. O vereador da Protecção Civil, na autarquia de Sesimbra, está confiante na resposta positiva dos munícipes “que devem ponderar bem as vantagens deste tipo de serviço que visa zelar pela nossa segurança. Eles têm vontade de nos ajudar e nós também devemos de os ajudar a eles”, reforçou o vereador admitindo que “já pagamos muitos impostos, eu sei, e sei também que deveria ser o Estado a assumir as questões da segurança, mas uma vez que já comprovámos que isso não está a acontecer, acho que depende de nós dar um contributo para a restituição da segurança a que temos direito”.Os preços do serviço são estipulados pelos guardas, sendo que a autarquia se distancia desse processo, e podem variar entre os 5 euros para apartamentos e os 25 para o comércio. José Medeiros exemplifica que os preços variam mediante o bem que se vigia, “no caso dos apartamentos o preço ronda os cinco euros, para casas térreas/vivendas esse valor sobe para perto de 10 euros e duplica se o imóvel a segurar for um estabelecimento”. Valores que podem ser renegociados, dependendo da vontade de quem adere ao licenciamento. Os contribuintes e respectivos bens ficarão sinalizados e serão alvo de uma vigilância regular entre as 24h00 e as 06h00. Todas as informações sobre o trabalho dos guardas-nocturnos que se candidataram a exercer em Sesimbra, bem como o seu curriculum e especificidades da profissão, estão acessíveis no blogue http://gns-sesimbra.blogspot.com. Pode também obter esclarecimentos junto do serviço municipal de Protecção Civil, com gabinete no quartel dos Bombeiros Voluntários de Sesimbra, ou através dos números 21 228 05 21 / 93 740 59 10 / 96 901 38 81

José Medeiros

PCP contra portagens nas novas vias da Margem Sul do Tejo

Jornal “Sol”, de 4 de Março de 2009

A concelhia de Almada do PCP rejeitou hoje a introdução de quaisquer portagens na nova Circular Regional Interna da Península de Setúbal (CRIPS), considerando que essa medida irá prejudicar toda a população da Margem Sul
«Esta nova portagem que o Governo anuncia é mais uma medida que vem agravar as já difíceis condições de vida da população da Margem Sul» que «já é penalizada com a portagem na Ponte 25 de Abril e com os custos do transporte público que é dos mais caros da Área Metropolitana de Lisboa», defende o PCP, em comunicado.
O troço CRIPS/IC-32, assim como, o nó do Funchalinho do IC-20(Almada) e o nó de Coina(Sesimbra), incluindo a ligação à Trafaria(Almada) e a construção da estrada regional 377-2 entre a Costa da Caparica e a Fonte da Telha (Almada) são novas vias que integram a Concessão Baixo Tejo, anunciada no final de Janeiro.
Esta concessão tem como objectivos a concepção, construção, financiamento, exploração e conservação dos referidos troços.
A CRIPS/IC-32 irá ligar a Trafaria, Montijo e Alcochete e constitui «uma reivindicação antiga das populações, do PCP e das autarquias da região», referem os comunistas, recordando que o projecto já constava do Plano Inter-Concelhio de Ordenamento da Circulação mandado elaborar pelos municípios de Almada, Seixal e Sesimbra em 1983.
A concelhia de Almada do PCP diz que o projecto representa «na verdade uma subconcessão» da Rede Rodoviária Nacional, já que, quer as novas construções quer a conservação das vias actuais, passam agora da responsabilidade da Estradas de Portugal para a alçada de empresas privadas.
Quanto ao modelo de exploração, financiamento e manutenção das novas vias o PCP de Almada diz que este «compromete o futuro do serviço público» e que «penaliza» as populações da Margem Sul do Tejo com mais uma portagem (fonte de rendimento para a exploração privada destas estradas).
Os comunistas eleitos na Assembleia da república e nos órgãos autárquicos de Almada, «sempre» afirmaram «reiteradamente a exigência da concretização desta via» que actualmente «apenas» existe entre a Ponte Vasco da Gama e o nó de Coina e sem «qualquer cobrança de portagem».

No entanto, também é destacado o facto desta medida «não ter correspondência equivalente» à Margem Norte da Área Metropolitana de Lisboa uma vez que «não existe, e muito justamente, qualquer» portagem na Circular Regional Interna de Lisboa (CRIL/IC-17).
O PCP sustenta que esta decisão do Governo(introdução de portagens nos novos troços CRIPS/IC-32) «dá prosseguimento à discriminação negativa que ao longo dos anos os sucessivos governos têm assumido contra as populações da Margem Sul do Tejo».

06 Junho 2009

Rodrigo Leão & Cinema Ensemble

Jornal “Público”, de 3 de Março de 2009

Rodrigo Leão está a preparar novo álbum. Os escaparates aguardam a edição para Junho. Mas há um atalho para os fãs menos pacientes: a digressão que passa por Sesimbra, dia 14 de Março, deixa antever algumas novidades.
As páginas mais recentes da sua carreira dão conta da inclusão de um tema seu, "Comédia de Deus", na banda sonora do próximo filme do oscarizado realizador espanhol Fernando Trueba.
Rodrigo Leão tem, aliás, o dom de saber construir bandas sonoras para filmes, imaginários ou não. Não é por acaso que o grupo que o acompanha se chama Cinema Ensemble. "Cinema" é também o nome de um dos capítulos da sua aplaudida discografia.
Os palcos abrem-se invariavelmente a Rodrigo Leão. A memória dos Madredeus e Sétima Legião permanece, mas o principal estimulante está na forma como tem apurado o trabalho a solo, desde a estreia com "Ave Mundi Luminar". A sua música viaja delicadamente por géneros e ritmos, que se misturam com o respeito pelo silêncio e com o encontro sem complexos entre o clássico e o electrónico. Paixão e intemporalidade são palavras que ocorrem quando se ouve o disco ou se presencia um concerto de Leão. Outra palavra possível: genialidade.

24 Fevereiro 2009

Autarquia quer criar “área turística de qualidade”

Jornal "O Setubalense", de 7 de Novembro de 2008

A Ribeira do Marchante, em S. Lourenço, Azeitão, vai estar sujeita a um Plano de Pormenor que deve estar concluído em 17 meses. A elaboração do plano foi decidida anteontem em sessão de câmara e tem como objectivo principal desenvolver um empreendimento turístico naquela área, sem descurar as preocupações a nível ambiental.
O território onde se pretende aplicar o Plano de Pormenor, com 98,8 hectares de área, situa-se na fronteira com o concelho de Sesimbra, adjacente ao rio de Coina, também conhecido por Vala Real.
A proposta refere que a área de intervenção do Plano de Pormenor da Ribeira do Marchante apresenta algumas “restrições de utilidade pública” e “servidões administrativas”. Neste caso estão a Reserva Ecológica Nacional; a Reserva Agrícola Nacional; o domínio hídrico, associado às linhas de água; a linha eléctrica de média tensão; e a Rede Ecológica Metropolitana.
Na proposta votada anteontem, traça-se como finalidade principal a “estruturação de uma área turística de qualidade, assente num conceito inovador de oferta hoteleira e num modelo de ocupação do território com preocupações de natureza ambiental”.
O documento sustenta ainda que, no âmbito do Plano de Pormenor da Ribeira do Marchante se aspira “assegurar o aproveitamento racional dos recursos naturais, o respeito pela estrutura paisagística e a valorização das potencialidades do espaço rural”. Além da aplicação do “conceito de turismo sustentável” e a criação, a nível local, de “emprego qualificado na área hoteleira e serviços turísticos complementares”.

Doze pessoas constituídas arguidas durante operação de fiscalização da GNR em Azeitão

Jornal "Público", de 3 de Novembro de 2008

Doze pessoas foram constituídas arguidas ontem durante uma operação de fiscalização da GNR de Setúbal ao mercado mensal de Azeitão, por venda de produtos contrafeitos, pirataria fonográfica e comercialização de aves não autorizadas.
Fonte do Comando Geral da GNR adiantou que foram apreendidas um total de 15 aves, 24 tartarugas da Florida, 937 peças de calçado/vestuário contrafeito, 2031 CD e 1624 DVD, com um valor comercial total de mais de 84 mil euros.
A operação desenrolou-se entre as 11h00 e as 12h30 naquele mercado e foi realizada pelo destacamento territorial de Setúbal da GNR, em colaboração com a brigada fiscal da mesma cidade.
"Dos 22 feirantes identificados, 12 foram constituídos arguidos", acrescentou a mesma fonte.
Participaram ainda na fiscalização a Inspecção Geral das Actividades Culturais, técnicos do Instituto da Conservação da Natureza e Biodiversidade e um veterinário da Autoridade Florestal Nacional.
No mercado mensal de Azeitão, as autoridades encontraram, por exemplo, papagaios cinzentos, perdizes moruna, perdizes vermelhas e rolas turcas, espécies cuja comercialização não está autorizada.
Segundo fonte do Comando Geral da GNR, a operação decorreu "sem incidentes".

Autarcas do PSD denunciam problemas de saneamento básico

Jornal "O Setubalense", de 24 de Outubro de 2008

O PSD efectuou ontem uma visita guiada às freguesias de Azeitão, para denunciar casos de esgotos a céu aberto. O vereador Paulo Calado, o mentor de mais esta visita ao Concelho, considerou as situações de “inadmissíveis”, prometendo denunciá-las, agora, em sessão pública camarária.
Uma vala nas traseiras da nova Urbanização Foios, foi a primeira paragem da visita que os elementos das comissões políticas de Setúbal e do Núcleo de Azeitão, bem como de autarcas do PSD nas Assembleias de Freguesia de S. Lourenço e S. Simão, promoveram na manhã de ontem.
“Esta vala real é para escorrência de águas pluviais da Serra e Aldeia de Irmãos, mas nela são despejados esgotos, com a indesejada má vizinhança provocada por moscas, mosquitos, ratos e até cobras,” desabafaram, em uníssino, José Pedro e Álvaro Farelo, moradores ‘paredes-meias’ com esta vala, e que se juntaram à visita promovida pelo PSD.
À comitiva foi mostrada esta vala, visivelmente a precisar de limpeza e desassoreamento, “que compete à Junta de S. Lourenço e à Câmara,” considerou Álvaro Farelo que se apresentou bem documentado sobre a matéria. “Já em 2004, foi entregue um abaixo-assinado na Câmara, Junta de Freguesia e Ministério do Ambiente, mas nada de minimizar o problema.” A mesma forma de protesto, vai agora repetir-se.
Problema anexo a esta vala, diz respeito ao aquífero do sub-solo da urbanização dos Foios. “As análises feitas por quem pretende efectuar furos, têm revelado que a qualidade da água tem vindo a piorar, e já está imprópria para consumo humano,” garante José Pedro.
Ainda na freguesia de S. Lourenço, um pouco mais a norte, e anexo à nova Urbanização da Quinta das Várzeas, a comitiva social-democrata mostrou o perigo que representam os buracos abertos por falta de tampas, assinalados com ramos de pinheiros.
Fernando Monteiro, presidente do Núcleo de Azeitão do PSD, apontou os sucessivos buracos ao longo dos arruamentos de uma futura urbanização. Claramente, as tampas foram roubadas, tal como os cabos dos terminais das várias caixas de serviço.
“Este perigo está assim há meses e, apesar do acesso a veículos estar vedado, isto é muito frequentado por crianças, que, por mero acidente podem cair numa qualquer destes buracos, autênticas ratoreiras,” esclareceu aquele dirigente político azeitonense, para quem, “já era tempo do empreiteiro, ou Junta de Freguesia, terem minizado este iminente perigo.”
Já em território de S. Simão, Maria de Jesus Neves, ex-cabeça de lista do PSD àquela autarquia, levou a comitiva a visitar um atentado à saúde pública. Em Vila Fresca, e paralelo à escola primária, corre um esgoto que fica a céu aberto, do lado oposto da estrada nacional. É bem notório o seu caudal, cor e cheiro.
“Já coloquei esta questão, que é de saúde pública, à Assembleia de Freguesia, mas foi dito que o terreno é privado e não pode haver intervenção,” disse Maria Neves. A comitiva subiu entretanto à Rua Almirante Reis e, nem que por magia de coincidência, uma tampa de saneamento básico levantou devido à força das águas de esgoto, que correram rua abaixo, com um cheiro nauseabundo.
José de Sousa, morador na zona, desabafou ser “uma situação normal”, que acontece em pleno centro da Vila Fresca. “Às vezes, vêm cá um carro das Águas do Sado, desentope isto, mas o problema volta a repetir-se. É triste, mas nós vemos que isto nunca mais tem solução,” lamenta.
José Ferrão, morador parte de baixo da Rua Almirante Reis, explicou que “a canalização chega ali perto da estrada e não tem seguimento. Quando entope, tem de sair por estas tampas. E isto vai acontecer sempre, até que a canalização de saneamento básico tenha seguimento”.

Concerto contra o cancro

Jornal "O Setubalense", de 13 de Outubro de 2008

No próximo dia 25 de Outubro, pelas 21 horas vai realizar-se no pavilhão polidesportivo do Grupo Musical e Desportivo União e Progresso em Vendas de Azeitão um grande concerto de solidariedade com o nome de “Música contra o cancro”.
Neste espectáculo actuarão o músico iraniano Sharyar Mazgani em versão acústica, a banda portuguesa Hands on Approach também em versão acústica na qual incluem o conhecido tema “Wondermoon” unplugged, seguidos pelo conhecido grupo de violinos do conservatório regional de Setúbal “Os Paganinus”, Coro do Conservatório de Setúbal e Coro dos Alunos da Oficina Musical União e Progresso.
O concerto promovido pela Oficina Musical União e Progresso será apresentado pela actriz e directora do Teatro de Animação de Setúbal Célia David.
As receitas reverterão a favor de uma jovem a quem foi diagnosticado um Linfoma Cancerígeno.

Autarca quer outra universidade

Jornal "Público", de 11 de Outubro de 2008

A presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira, defendeu hoje a substituição do pólo universitário da Moderna, encerrado na semana passada pelo ministro do Ensino Superior, por outra universidade, pública ou privada.
"Não acho que seja impossível a substituição por uma universidade pública. Acho que depende da vontade do Ministério do Ensino Superior", disse Maria das Dores Meira, adiantando que está em negociações com uma universidade privada e a aguardar por uma reunião com o ministro do Ensino Superior, Mariano Gago.
A autarca setubalense (CDU) referiu ainda que o primeiro-ministro, José Sócrates, está sensibilizado para as consequências do encerramento do pólo da Universidade Moderna em Setúbal e que prometeu interceder no sentido de promover uma reunião da autarquia e o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.
"Na quarta-feira, em Azeitão, durante a assinatura de diversos protocolos do Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais [Pares], aproveitei para dizer ao senhor primeiro-ministro que estava preocupada com as consequências do encerramento da Universidade Moderna para centenas de alunos", disse Doares Meira, acrescentando que José Sócrates "também se mostrou preocupado com o problema".
"Disse ao senhor primeiro-ministro que não fazemos questão que seja a Dinensino ou a Moderna a estar na cidade de Setúbal, mas que não abrimos mão de uma Universidade no distrito de Setúbal", acrescentou Dores Meira, salientando que na altura ainda não havia negociações com outras universidades.
A presidente da Câmara de Setúbal lembrou também que a Universidade Moderna leccionava cursos de Investigação Social Aplicada, único no país, Direito e Arquitectura, sendo que estes dois últimos não existem em mais nenhuma universidade, de Almada ao Algarve. Enquanto a autarquia procura encontrar uma solução alternativa para o pólo universitário da Universidade Moderna de Setúbal, os alunos tentam, sem êxito, obter os certificados de habilitações que lhes permitiriam matricular-se noutros estabelecimentos de ensino superior.
Segundo revelou Dora Ferreira, aluna da Universidade Moderna de Setúbal, a secretaria daquele estabelecimento de ensino "exige pagamento de 200 euros" para emitir o certificado de habilitações, um documento com os conteúdos programáticos e o comprovativo da forma de ingresso dos alunos que ingressaram no ensino superior através do exame para "maiores de 23 anos", incluindo as provas a que foram submetidos e os resultados das mesmas.
"Já enviámos uma carta aberta ao senhor ministro do Ensino Superior pedindo que interfira no processo de entrega dos certificados de habilitações (...), pois receamos que os registos académicos se extraviem, deitando por terra todo o nosso esforço, empenho e sacrifício financeiro", disse Dora Ferreira. A carta aberta, assinada por um grupo de alunos da Moderna, pede também o ministro Mariano Gago para ponderar a possibilidade de manter o ensino universitário em Setúbal.

Em Azeitão, José Sócrates presidiu à assinatura dos contratos do PARES III

Jornal "O Setubalense", de 8 de Outubro de 2008

Acompanhado pelo ministro do Trabalho e da Solidariedade Social, o primeiro-ministro presidiu, ontem, à cerimónia de lançamento da primeira pedra da creche da Casa do Povo de Azeitão e também esteve presente na assinatura dos contratos do Programa de Alargamento da Rede de Equipamentos Sociais – PARES III. José Sócrates frisou a importância deste conjunto de novos equipamentos para as famílias portuguesas e principalmente para a população da Área Metropolitana de Lisboa.
“Estamos a recuperar o tempo perdido!”. Foi esta a expressão mais presente no discurso do primeiro-ministro, durante a cerimónia de assinatura dos contratos do PARES III, relativos à Área Metropolitana de Lisboa. Com o programa PARES “queremos construir cerca de 590 novos equipamentos e fazer um investimento de 400 milhões de euros, mas fazemos isso com a consciência de quem tem que recuperar o tempo perdido!”, sublinhou José Sócrates, referindo ainda que “não há memória, em trinta anos, de tanto investimento centrado em novos equipamentos sociais”.
Estes equipamentos sociais são, para o governante, “indispensáveis para o país se desenvolver, acentuando as suas marcas de solidariedade e justiça social”. Falando para uma plateia repleta de responsáveis por Instituições Particulares de solidariedade Social, Sócrates explicou que “a melhor forma de ajudarmos as famílias portuguesas é construirmos rapidamente este conjunto de equipamentos sociais”, destacando as creches, que revela constituírem “um sinal claro para as famílias jovens de que vamos investir numa área para melhorar a compatibilização entre a vida profissional e a vida familiar.
O primeiro-ministro evidenciou ainda a relevância deste investimento nas áreas metropolitanas (de Lisboa e Porto), porque são as áreas em que “temos as mais significativas dificuldades em obter um lugar numa creche”.
O secretário de Estado do Trabalho e da Segurança Social, Pedro Marques explicou que o objectivo desta terceira fase do programa PARES é “acentuar a taxa de cobertura de creches nas duas áreas metropolitanas”, nas quais se propõe a aprovação de 82 creches e de mais de 4 mil e 400 lugares em creches, num investimento de 50 milhões de euros.
Só na área metropolitana de Lisboa, vamos ter 45 novas creches com mais de 2500 lugares, que, para Pedro Marques, representam “2500 famílias que vão encontrar novas respostas no âmbito deste programa”.
O responsável adiantou ainda que, antes da implementação do PARES, o distrito de Setúbal tinha uma taxa de cobertura de creches de 21 por cento, e que, com esta terceira fase, “vamos atingir uma taxa de 33,6 por cento”. Algo que vai ao encontro do compromisso com a Comunidade Europeia de atingir uma cobertura de 33 por cento em creches até 2010, a nível nacional, uma meta que “acreditamos que seja possível atingir já em 2009”, indicou o Secretário de Estado.
O ministro do Trabalho e da Segurança Social frisou o carácter “especial” da assinatura daqueles contratos que representam “um compromisso firme e definitivo”. “Esta assinatura traz associada, um contrato de apoio ao funcionamento e não apenas ao investimento”, explicou Vieira da Silva. “Logo que a obra estiver concluída, o acordo de cooperação será imediatamente assinado, o que significa que, em média, cada criança que vai utilizar estas creches terá um apoio público que anda na ordem dos 233 euros por mês”, revelou o Ministro.
Também Maria das Dores Meira não quis deixar de mostrar a sua satisfação pela assinatura de tais contratos que constituem “uma resposta social que todas as instituições anseiam e que vai dar resposta a muitas necessidades que são sentidas pelas nossas famílias”. No entanto, a presidente da Câmara de Setúbal caracterizou esta resposta como “ainda insuficiente para as carências do nosso distrito”, mas que, “paulatinamente está a ser resolvida”.
Após recitar o poema “O sonho”, de Sebastião da Gama, o presidente da Casa do Povo de Azeitão, Francisco Almeida, revelou-se satisfeito “pela concretização deste sonho, a construção de uma nova creche e assistir ao aumento do número de respostas sociais”.
Foram cerca de 25 os contratos assinados ontem, entre algumas IPSS da Área Metropolitana de Lisboa, o Instituto da Segurança Social e o Ministério da Segurança Social, que correspondem à contratualização de 1433 lugares em creche. Entre eles esteve a APPACDM de Setúbal, que terá uma nova creche, com 33 lugares, daqui a dez meses; a Associação Baptista Shalom, na freguesia de Gambia, Pontes, Alto da Guerra, com um investimento público de 380 euros; a Associação Professores e Amigos das Crianças do Casal das Figueiras, que vai contar com 66 novos lugares e um investimento público de 350 euros. Assinaram contrato instituições de outros locais como Almada, Cacém, Barreiro, Cascais, Amadora, Sesimbra, Palmela, Sintra, Montijo, Oeiras, etc.


Vera Gomes

José Maria da Fonseca promove Curso de Vinhos

Jornal "O Setubalense", de 22 de Setembro de 2008

Após o sucesso e o elevado número de inscrições das edições anteriores, o departamento de Enoturismo da José Maria da Fonseca vai promover mais um Curso de Prova de Vinhos e Queijos, na Casa Museu (em Azeitão), no próximo dia 4 de Outubro, pelas 15.30 horas. O curso será ministrado por João Vila Maior, enólogo da JMF e o tema será “A relação do Vinho com o Queijo”.
De modo a que os participantes conheçam um pouco da história deste produtor, a visita terá início na Casa Museu da JMF, onde será efectuada uma breve descrição sobre a história da José Maria da Fonseca. Depois de uma passagem pelo jardim, os visitantes terão a oportunidade de visitar as Adegas: a Adega da Mata (onde estagia o vinho Periquita), a Adega dos Teares Novos (onde, anualmente, decorre a Confraria do Periquita) e a Adega dos Teares Velhos (local onde repousam os moscatéis mais antigos da casa).
Por volta das 17 horas, na Cave da Bassaqueira, terá início o curso onde serão ministrados os seguintes temas: Noções de Viticultura; Noções de Enologia; Introdução à Prova de Vinhos; Prova de oito vinhos JMF (Periquita Branco 2007, BSE 2007, Pasmados Branco 2006, José de Sousa 2005, Quinta de Camarate Tinto 2005, FSF 2004, LBV e Alambre 20 Anos), antecedida de Prova de Aromas; Prova de três queijos (Emental, Rocquefort e Queijo de Azeitão) e o aconselhamento da melhor relação Vinho/Queijo.
O dia terminará com visita ao Centro de Vinificação Fernando Soares Franco, seguido de um jantar vínico.

Festa em honra de Nossa Senhora da Saúde

Jornal "O Setubalense", de 5 de Setembro de 2008

A Sociedade Filarmónica Providência e Paróquia de S. Simão vão promover entre hoje e domingo a tradicional Festa de Nossa Senhora da Saúde, em Vila Fresca de Azeitão.
A festa começa hoje pelas 21 horas com um passeio nocturno BTT organizado pelo Núcleo de BTT de Vila Fresca de Azeitão. Uma hora depois dá-se a abertura do arraial com a Fanfarra dos Bombeiros Voluntários de Setúbal. Os festejos da noite terminam com um baile abrilhantado pelo “Grupo MP3”.
Amanhã, terá lugar pelas 16.30 horas cavalhadas à antiga portuguesa. Pelas 21.30 horas celebra-se uma missa. Segue-se um baile com o conjunto “Nova Fórmula”.
No domingo, último dia da festa, terá lugar pelas 9 horas um passeio BTT. Às 16 horas será celebrada uma missa seguida de procissão solene que percorrerá as ruas de Vila Fresca de Azeitão acompanhada pela Banda da Sociedade Filarmónica Providência. À noite, pelas 21.30 horas actua o Grupo de Cavaquinhos de Azeitão e uma hora depois realiza-se o desfile da marcha infantil daquela colectividade.
A Festa de Nossa Senhora da Saúde que se realiza desde 1723 é a mais antiga da região, mantendo-se ainda hoje, 285 anos depois, um programa muito tradicional como a prova a cavalo, a quermesse e os bailes junto à Igreja de Vila Fresca de Azeitão.
Segundo a lenda, no Verão de 1723, perante a ameaça da epidemia que atingia Portugal e Espanha, a população da freguesia de S. Simão rogou á Virgem Maria que intercedesse para que o flagelo não os afectasse. Num impulso colectivo e incentivados pelo pároco, o povo desceu a imagem de Nossa Senhora do altar e mobilizou-se para realizar uma procissão que percorreu a freguesia “livrando-se milagrosamente da peste”.

Setúbal: dois mortos e três feridos em despite automóvel

Jornal "Público", de 24 de Agosto de 2008

Um despiste automóvel ocorrido hoje de madrugada entre Setúbal e Azeitão provocou dois mortos e três feridos, informou a polícia.
As duas vítimas mortais eram de nacionalidade brasileira, uma delas com 26 anos, desconhecendo-se a idade da segunda, enquanto que os três feridos ligeiros têm idades compreendidas entre os 23 e os 24 anos, revelou a fonte.
O acidente deu-se na Estrada Nacional 10, entre Setúbal e o Azeitão, frente ao Hospital Português de Setúbal S.A.Os três feridos ligeiros foram conduzidos para o Hospital de São Bernardo em Setúbal.

Quatro mortos e seis feridos em dois despistes

"Jornal de Notícias", de 25 de Agosto de 2008

Dois acidentes de automóvel, ocorridos em Setúbal e Ourique, na madrugada de sábado, causaram a morte a quatro pessoas e feriram outras seis, apurou o JN junto de fonte dos bombeiros e da Brigada de Trânsito da GNR. O excesso de velocidade poderá estar na origem de ambos os sinistros.
O primeiro acidente aconteceu pouco depois das duas horas ao quilómetro 686,4 do IC1, perto da localidade de Santana da Serra, no concelho de Ourique. O carro, que era conduzido por um homem na casa dos 30 anos, entrou em despiste numa curva, causando a morte a duas mulheres, uma das quais companheira do condutor, que está entre os feridos.
O filho de uma das mulheres que faleceu, com quatro anos, também seguia no automóvel, mas ficou ligeiramente ferido, tal como a outra mulher. Os três feridos foram levados para o Hospital de Beja, mas não correm risco de vida.
No socorro às vítimas, estiveram 17 bombeiros, apoiados por seis viaturas das corporações de Voluntários de Ourique, Almodôvar e Castro Verde.
Cerca de duas horas depois, mas na Estrada Nacional 10, entre Azeitão e Setúbal, um automóvel com cinco passageiros, todos de nacionalidade brasileira e com idades entre os 20 e os 30 anos, também entrou em despiste. O condutor está entre as vítimas mortais, depois de ter sido cuspido do automóvel, com a violência do embate. O outro morto teve que ser desencarcerado, revelou fonte dos bombeiros. Os três feridos, todos ligeiros, foram transportados para o Hospital S. Bernardo.
Não são conhecidas as causas do despiste, apenas se sabe que aconteceu "depois de uma curva que até nem é perigosa", junto ao Hospital Português de Setúbal.


Telma Roque

Ourives assassinado com dois tiros na cabeça

"Jornal de Notícias", de 21 de Agosto de 2008

Um ourives foi assassinado a tiro por assaltantes que tentou enfrentar, ontem à tarde, em Setúbal. Os suspeitos do crime, que tudo indica serem estrangeiros, já terão sido identificados pela Polícia Judiciária.
A vítima, Fernando Correia, de 50 anos, foi atingida na cabeça com dois disparos de pistola e acabou por falecer já no Hospital de S. José, em Lisboa, para onde foi transportado desde o Hospital de Setúbal.
Fernando Correia estava sozinho, cerca do meio-dia, na ourivesaria "Jóias Bocage", na Rua de Santa Catarina, no centro de Setúbal, de que é proprietário. Casado e com dois filhos, o ourives foi surpreendido pela chegada de dois indivíduos, que usaram bonés para esconder os rostos.
O comerciante, que era também segurança num hotel em Azeitão, tentou resistir aos assaltantes, chegando a haver confronto, o que levou o duo a abrir fogo. Segundo testemunhas, Fernando Correia foi atingido com uma bala em cada têmpora, mas mesmo ferido ainda foi visto junto à porta do estabelecimento a correr na direcção dos assaltantes, que fugiam na direcção da Avenida 5 de Outubro.
Sangrando, ainda voltou à ourivesaria, onde acabou por desfalecer, mas não sem antes accionar o alarme, que está ligado a uma empresa de segurança. Poucos dias antes, o ourives e a mulher tinham tirado da ourivesaria uma série de objectos com mais valor, depois de saberem de um assalto ocorrido na Charneca da Caparica em que uma ourives e o marido mataram a tiro um dos assaltantes.
Só os dois disparos e o soar do alarme alertaram os outros comerciantes da zona para o assalto que tinha acabado de se desenrolar. A proprietária de um café quase contíguo à ourivesaria adiantou ao JN que, pouco depois de ter ouvido os tiros e o alarme, viu "dois homens a correr" na direcção da Avenida 5 de Outubro. Não se lembra, no entanto, de rostos ou indumentárias.
Uma outra comerciante viu os fugitivos com mais atenção. "Eu estava a atender uma cliente e a filha tinha ficado lá fora a brincar". De repente, num olhar, viu dois a correr bem e que "quase iam embatendo na garota. Foi por pouco". De acordo com a testemunha, "eram altos e usavam bonés. Não consegui ver o que levavam vestido", adiantou. Os dois suspeitos seguiam a pé e enveredaram depois para o Largo de Jesus.
Os dois assaltantes foram, no entanto, filmados pelas câmaras de vigilância e terão sido já identificados.


Carlos Varela

“Lidl” disponibiliza-se para oferecer obras de ampliação do complexo das piscinas

Jornal "O Setubalense", de 8 de Agosto de 2008

A “Lidl & Companhia” disponibilizou-se junto do município a entregar um equipamento, em benefício da população de Azeitão. A Câmara indicou a beneficiação/ampliação das piscinas da freguesia de S. Lourenço.
As piscinas de Azeitão, equipamento desportivo construído há uma década, vão agora ser alvo de obras de beneficiação e ampliação, nomeadamente com a inclusão de um pequeno solário, aumento do número de piscinas, alargamento do actual ginásio, criação de nova área de ginásio e criação de novos balneários.
Estas serão obras a suportar pela “Lidl & Companhia”, no montante total estipulado em 580 mil euros, na sequência da proposta “aceitação de imóvel a edificar” aprovada por maioria na sessão pública camarária de anteontem.
A proposta camarária salienta que a “Lidl” tem sido um “agente económico no município pela promoção de processos administrativos de licenciamento com vista à instalação de estabelecimentos de venda de produtos alimentares”, e que a Lidl tem sido também “no âmbito de políticas internas, parte activa no apoio ao reforço e infra-estruturas colectivas.”
Segundo consta no protocolo a celebrar entre estes e o terceiro parceiro - a Comprojecto - a Lidl tem em curso o licenciamento de um novo estabelecimento em Azeitão, tendo sido o Município abordado para a possibilidade de aceitação de um equipamento colectivo para satisfazer necessidades da comunidade local. A Lidl definiu o limite financeiro total de 580 mil euros, suportando igualmente o IVA.
A Comprojecto, salienta o documento, “assumirá a elaboração dos projectos, a empreitada das obras e executará os respectivos projectos, após aceites pelo Município,” sendo esta empresa “assessorada e fiscalizada por equipas designadas pela autarquia.”
Quando a presidente Maria das Dores Meira apresentou, anteontem, esta proposta na sessão camarária justificou que, sendo Azeitão o local do imóvel a edificar, “indicámos as piscinas, que precisam de ampliação particularmente para também servir os mais pequenos,” sugestão que, disse, “foi aceite pela Lidl”. A edil reforçou ser uma prática da “Lidl & Companhia” a construção de equipamentos públicos em locais onde esta cadeia do ramo alimentar se encontra implementada.
A oposição camarária (PSD e PS) lançou bastantes perguntas sobre aspectos de legalidade desta aceitação, face ao Tribunal de Contas. A jurista da Câmara que acompanhou todo este processo forneceu explicações nesta sessão, dando conta da “total legalidade” do mesmo.
DÚVIDAS Ainda assim, e alegando dúvidas, a bancada socialista absteve-se na hora da aprovação da proposta, mas já a bancada social-democrata, por intermédio de Paulo Calado, leu uma declaração de voto, justificando o voto contra do seu partido. “Não votamos contra pela finalidade desta obra, mas sim pela duvidosa interpretação da proposta, não vá estarmos perante uma obra com especificações de obra pública,” defendeu o vereador do PSD.

Sérgio Godinho (Sesimbra)

Jornal "Público", de 18 de Fevereiro de 2009

Lembra-se de "É tão bom", d' "Os Amigos de Gaspar"? E de "Com um brilhozinho nos olhos"? E de "Primeiro dia"? Estes e outros temas marcantes de Sérgio Godinho estão reunidos no álbum ao vivo "Nove e Meia no Maria Matos". O cantautor apresenta-o a Sesimbra no dia 28 de Fevereiro.
"Nove e Meia no Maria Matos" foi gravado no teatro lisboeta em Maio de 2007. Na altura, Sérgio Godinho estava a mostrar "Ligação Directa", o primeiro trabalho de originais em seis anos. Foi um sucesso perante a imprensa especializada, o público e os escaparates. Aliás, os cinco concertos que deram origem a "Nove e Meia no Maria Matos" estiveram esgotados.
O alinhamento do disco ao vivo destaca os temas de "Ligação Directa", mas coloca-os lado a lado com canções menos ouvidas em palco e com clássicos sobejamente conhecidos e acarinhados pelo público.
Sérgio Godinho é inigualável no traquejo de transformar palavras em canções. Teima em reinventar-se a cada disco. E é um exemplo eloquente do verdadeiro significado da expressão "cantautor". A longa e frutuosa carreira é uma fonte de distinções. Entre elas está o Prémio José Afonso.

Quaresma de Lemos é novo comandante dos Sapadores

Jornal "O Setubalense", de 6 de Fevereiro de 2009

O novo comandante da Companhia de Bombeiros Sapadores de Setúbal, capitão-de-mar-e-guerra Rui Fernando Quaresma de Lemos, vai tomar posse no próximo dia 21, nas cerimónias de aniversário da instituição.
Quaresma de Lemos substitui Mário Macedo, o oficial da Marinha que, desde 2004, ocupou o cargo.
O novo comandante dos Bombeiros Sapadores de Setúbal tem 54 anos, nasceu em Sesimbra e vive em Setúbal desde 1978, ano em que fez a especialização em submarinos. Antes, concluiu, na Escola Naval, a licenciatura de engenheiro maquinista naval.
Entre 1978 e 1988 esteve embarcado nos submarinos Albacora, Barracuda e Delfim, com funções técnicas e de gestão nos cargos de chefe do Serviço de Máquinas e chefe do Serviço de Limitação de Avarias. Entre 1980 e 1988 ensinou na Escola de Submarinos. Terminada esta missão foi destacado para o Arsenal do Alfeite, onde desempenhou funções na Inspecção de Reparação de Submarinos.
A partir de Junho de 2004 integrou a Missão de Acompanhamento e Fiscalização da construção dos novos submarinos portugueses na Alemanha, onde esteve de Novembro daquele ano a Setembro de 2007. Exerceu, ainda, funções de assessoria como adjunto ao director-geral de Armamento e Equipamentos de Defesa, entre Novembro de 2007 e Abril de 2008. Em 30 de Abril de 2008 passou, a seu pedido, à situação de reserva.
Durante a longa carreira militar foi condecorado com a Medalha Militar de Comportamento Exemplar de Prata, a Medalha Militar de Mérito Militar de 2.ª Classe, a Cruz Naval de 2.ª Classe, a Medalha Militar de Serviços Distintos de Prata e a Medalha Militar de Comportamento.

Uma Viagem Mágica ao Mundo da Dança

Jornal "Público", de 28 de Janeiro de 2009

O Quorum Ballet apresenta "Uma Viagem Mágica ao Mundo da Dança", uma peça de Daniel Cardoso dirigida às crianças. Uma viagem que começa pela dança barroca, passando pela clássica e chegando à dança contemporânea. Dia 10 de Fevereiro, no Cine-Teatro Municipal João Mota, em Sesimbra.
O espectáculo começa por uma introdução às origens da dança. Nesta parte, as crianças terão a oportunidade de interagir com os bailarinos, podendo mesmo subir ao palco e praticar "jogos de dança" para conseguirem sentir e acompanhar o ritmo da música.

GNR deteve assaltantes

Jornal "Setubalense", de 28 de Janeiro de 2009

A GNR de Setúbal deteve, ontem por volta das 12.20 horas, um de dois assaltantes que momentos antes haviam tentado assaltar uma residência, em Sesimbra. Com efeito, pouco antes os militares do posto da GNR daquela localidade haviam sido alertados, por vizinhos da residência, da presença na mesma de dois indivíduos suspeitos.
Pouco depois uma patrulha chegou ao local e constatou a presença dos mesmos no interior da casa. No entanto, os assaltantes ao verem os militares tentaram a fuga, tendo um deles conseguido escapar (mas acabando por ser encontrado, e detido, cerca de meia hora após a fuga), depois de saltar de uma varanda, enquanto que o outro indivíduo acabava detido.
Os dois assaltantes, de 24 e 22 anos de idade, são ambos residentes em Setúbal e já referenciados pelas autoridades, na prática de vários crimes, nomeadamente de tráfico de estupefacientes. Na hora de fecho desta edição, ambos estavam a aguardar, no Tribunal de Setúbal, ser ouvidos por um juiz de instrução criminal, para aplicação das medidas de coacção.

GNR realizou operação de fiscalização

Jornal "O Setubalense", de 28 de Janeiro de 2009

A GNR de Setúbal realizou, na madrugada de sábado, uma operação de fiscalização que contou com a participação de 48 militares e decorreu em vários pontos do distrito de Setúbal, nomeadamente em Azeitão, Palmela, Pinhal Novo, Sesimbra, Quinta do Conde e Alfarim.
No decorrer da operação, realizada entre as 23 horas de sexta-feira e as 5 horas de sábado, foram fiscalizados nove estabelecimentos de diversão nocturna e vias rodoviárias, tendo sido inspeccionados 107 condutores, dos quais 13 acabaram por ser detidos: oito por condução sob efeito de álcool e cinco por falta de habilitação legal de condução
Quanto aos estabelecimentos fiscalizados, os militares da GNR elaboraram nove autos de contra ordenação e identificaram 46 estrangeiros, dos quais cinco acabaram detidos por se encontrarem em situação irregular em território nacional.

GNR deteve três pessoas suspeitas de assaltos

Jornal "Sol", de 27 de Janeiro de 2009

A GNR deteve hoje um suspeito de roubo a uma pessoa que tinha levantado dinheiro numa dependência bancária em Palmela e dois suspeitos do assalto a uma residência em Sesimbra, informou fonte policial.
Segundo fonte da corporação, «cerca do meio-dia uma patrulha da GNR de Sesimbra deteve dois indivíduos, de 22 e 24 anos, ambos residentes em Setúbal, na sequência de uma tentativa de assalto a uma residência».
«Quando foi dado o alerta para o posto de Sesimbra, uma patrulha que se encontrava perto do local conseguiu deter um dos assaltantes no interior da residência, mas o outro saltou uma varanda e conseguiu escapar, mas acabou por ser detido pouco depois, junto à Estrada Nacional 10», acrescentou fonte, adiantando que um dos dois suspeitos já estava referenciado por crimes de furto e tráfico de droga.
Na localidade de Cabanas, concelho de Palmela, a GNR procedeu à detenção de um terceiro indivíduo por alegado envolvimento na perseguição e roubo a um homem que tinha acabado de levantar dinheiro numa dependência bancária.
De acordo com a GNR, um grupo de três pessoas que se faziam transportar em duas viaturas, terá observado o levantamento de dinheiro e perseguido a vitima até à localidade de Cabanas.
Na primeira paragem do veículo que perseguiam, um dos assaltantes ter-se-á aproximado da mesma, partiu um dos vidros laterais e roubou uma bolsa onde julgava, erradamente, que estaria o dinheiro levantado pouco antes numa dependência bancária de Palmela, e conseguiu fugir com outro individuo numa das duas viaturas envolvidas no assalto.
O terceiro suspeito, que terá parado a viatura um pouco atrás para observar a forma como decorria o assalto, acabou, no entanto, por ser interceptado pela GNR, tendo sido identificado e constituído arguido.
De acordo com a GNR, o detido já estava referenciado pela prática de diversos crimes de falsificação de cheques e furto de veículos.
No interior da viatura em que se fazia transportar foi encontrado diverso material para arrombamento de portas de veículos e residências.

Uma Escola Sem Água e 100 Barbatanas

Jornal "Público", de 6 de Janeiro de 2009

Espectáculo de dança infantil da Companhia DançArte, em que os personagens abordam os temas da reciclagem, o meio ambiente, a segurança, a vida saudável e a boa alimentação, factores fundamentais na formação ética e social de cada criança. Dia 18 de Janeiro, no Cine-Teatro Municipal João Mota, em Sesimbra.
Quatro animais especiais, que sabem pensar, falar e dançar encontram-se por acaso num lago sem água. Sozinhos no mundo, estes animais procuram uma família, um lar e amigos para viver em paz. Através da dança criam amizades. Divertidos, trocam passos de dança, partilham músicas, ensinam princípios mágicos e criam surpresas únicas aos olhos dos mais novos.

Operação Natal : Um morto e um ferido em Apostiça, Sesimbra

"Jornal de Notícias", de 24 de Dezembro de 2008

Um morto e um ferido é o balanço do único acidente grave ocorido hoje pelas 11:00, na EN-378, ao quilómetro 12, na zona da Apostiça, concelho de Sesimbra, conforme anunciou a Brigada de Trânsito da GNR.
O sinistro resultou da colisão de três viaturas ligeiras, sendo o primeiro acidente grave registado nas primeiras 24 horas da Operação Natal da GNR.
De acordo com a Brigada de Trânsito da GNR, foram registados 290 acidentes rodoviários entre as 00:00 de terça-feira e as 00:00 de hoje, mais 39 do que no mesmo período de 2007.
Apesar do aumento da sinistralidade, há apenas a registar a referida vítima mortal do acidente de Sesimbra, quando no período homólogo de 2007, registaram-se quatro mortos só no primeiro dia da Operação.
Da mesma forma, o número de feridos graves baixou de 12 para sete, tendo os feridos ligeiros diminuído igualmente de 112 para 80, isto excluindo o ferido desta manhã.
Por outro lado, fonte da GNR adiantou à Lusa que o "trânsito processa-se com fluidez por todo o País"
O reforço do patrulhamento nas estradas teve início às 00:00 de terça-feira, prolongando-se até dia 28, estando diariamente mobilizados 2.300 militares, 1.100 patrulhas e 1.000 veículos.
De acordo com a GNR, os militares vão estar particularmente atentos a infracções como excesso de velocidade, consumo de bebidas alcoólicas e substâncias psicotrópicas, falta de uso do cinto de segurança e utilização indevida de telemóvel.
No total, a Brigada de Trânsito dispõe de 40 radares de velocidade e de 1.200 alcoolímetros.

GNR terá comprado carros topo de gama com tráfico de droga

Jornal "Diário de Notícias", de 19 de Dezembro de 2008

O elemento da Guarda Fiscal da GNR que foi detido na quarta-feira por colaborar com uma rede de tráfico internacional de droga terá comprado dois carros topo de gama com o dinheiro obtido através da prestação de serviços nestas negociações ilícitas. "Este guarda exerce funções de base [o equivalente ao antigo soldado], cujo salário não daria para adquirir bens de luxo", disse ao DN fonte próxima da investigação que levou ao desmantelamento da rede que tem ligações à Camorra - a mafia napolitana.
No mesmo dia em que foi detido o GNR, a PJ apanhou também um empresário da Marinha Grande que trabalha no ramo automóvel e que, segundo fonte da Judiciária, é um dos cabecilhas desta rede que foi sendo des- mantelada em três acções integradas na "Operação Escorpião". Ao todo, foram apreendidas cerca de 15 toneladas de haxixe e detidos 18 indivíduos. Além destes dois portugueses, já tinham sido apanhados 16 sujeitos que ficaram em prisão preventiva.
Segundo a mesma fonte da Direcção Central de Investigação do Tráfico de Estupefacientes (DCITE) da PJ, dos 16 traficantes, "um pertence à Camorra napolitana e, para fazer parte desta organização, é seguramente um indivíduo com muito peso nesta organização da qual o empresário português é um dos cabecilhas".
A este homem de 36 anos, a PJ apreendeu nove carros que a investigação irá apurar se foram adquiridos com o dinheiro resultante do tráfico de haxixe ou não. O mesmo irá ainda ser confirmado em relação aos dois veículos de alta cilindrada que pertencem ao guarda a quem cabia o papel de fiscalizador das operações, no sentido de evitar que fossem abortadas pelas forças de segurança.
Mas nem este controlo feito pelo militar de 40 anos, que há 15 trabalha na Guarda Fiscal da GNR de Sesimbra, evitou que esta rede - constituída por indivíduos portugueses, espanhóis, franceses e marroquinos - se fosse desmoronando. As investigações prosseguem para apurar mais detalhes sobre esta organização, mas a PJ acredita que com estas duas detenções terá sido dada a machadada final na actividade desta rede.
Ao longo de mais de meio ano, a PJ contou com a colaboração das suas congéneres estrangeiras e das restantes forças de segurança portuguesas, nomeadamente da GNR que procedeu à detenção do militar.


Isaltina Padrão

Máfia italiana ligada ao tráfico de droga em Portugal

"Jornal de Notícias", de 18 de Dezembro de 2008

Uma rede de tráfico chefiada por um empresário de automóveis de Leiria a que está ligado um militar da GNR foi desmantelada pela PJ. A rede tinha ligações directas à Camorra, a mafia napolitana, a primeira vez que tal acontece no nosso país.
A acção de combate ao narcotráfico foi baptizada de "Operação Escorpião" e está integrada num conjunto de acções de investigação por parte da Polícia Judiciária, iniciadas no final de Abril deste ano e só agora concluídas, com a detenção, ontem, do empresário e do militar da GNR, em serviço na Brigada Fiscal.
No total, a Direcção Central de Investigação do Tráfico de Estupefacientes (DCITE) deteve 18 pessoas, dos quais vários estrangeiros, entre eles um italiano, apreendeu 15 toneladas de haxixe, no Alentejo e Algarve,quatro embarcações, das quais duas de pesca e duas "voadoras", dois veículos pesados e seis ligeiros.
Ontem à tarde, no entanto, a PJ apreendeu ainda mais 11 viaturas de luxo que estavam na posse do empresário - e que seriam para negociar - e estava a investigar as contas e os bens de que é proprietário, tudo no sentido de verificar até que ponto vão as ligações do detido ao dinheiro resultante do tráfico de droga.
As investigações, no âmbito de um inquérito que decorre no Departamento Central de Investigação e e Acção Penal (DCIAP), em Lisboa, deram conta de que o empresário era o cabecilha da rede internacional em Portugal, ligada à Camorra - a organização mafiosa napolitana - dedicada ao tráfico de haxixe a partir de Marrocos.
Ao empresário caberia toda a organização da logística de apoio aos desembarques de haxixe assim como ao encaminhamento da droga para Espanha e daí para o resto da Europa, fornecendo à rede armazéns, carros ligeiros, camiões, barcos e homens. As primeiras ligações foram logo detectadas em Junho, com a descoberta de um armazém onde estava armazenado haxixe, mas foi em Novembro, com a detenção de um italiano, que foram descobertos os mais fortes indícios de ligações à Camorra.
Ao empresário português cabia conseguir espaços para armazenar a droga, como foi o caso de Olhão, mas também a apreensão em Sesimbra de oito toneladas de haxixe, que eram transportadas num camião, depois de terem sido desembarcadas no porto a partir de um barco pesqueiro registado em Peniche.
A droga foi apreendida na estrada pela GNR em apoio aos investigadores da Polícia Judiciária. Uma apreensão de droga em Sines, com o apoio das Marinha de Guerra, ainda durante o Verão também teria como destino o porto de Sesimbra e seria igualmente controlada pela mesma rede.
Quanto ao militar da GNR e em serviço da Brigada Fiscal, em Sesimbra, o seu papel era de controlar a segurança dos desembarques, ao mesmo tempo que ia dando informações sobre os movimentos da Brigada Fiscal, em particular no distrito de Setúbal, envolvidas no combate ao tráfico de droga (ver texto ao lado sobre a acção da Brigada no combate ao tráfico de droga).
Segundo destacou fonte da PJ ao JN, o "Comando da Brigada Fiscal deu uma excelente colaboração para a detenção do militar". Ao que parece, o militar terá sido detido ontem no posto onde estava colocado e a sua detenção foi formalmente executada por oficiais da GNR, que entregaram o arguido à PJ. A GNR abriu entretanto um processo disciplinar ao militar, que está suspenso de serviço. Os dois homens serão hoje presentes ao Tribunal Superior de Instrução Criminal.


Carlos Varela, com Nelson Morais

Elemento da GNR e empresário detidos por tráfico

Jornal "Sol", de 17 de Dezembro de 2008

Um elemento da GNR e um empresário do ramo automóvel foram detidos por suspeita de pertencerem a uma rede de tráfico de droga, de que se encontram já em prisão preventiva 16 alegados membros, disse hoje uma fonte da Polícia Judiciária (PJ) .
As detenções ocorreram no âmbito da Operação Escorpião, cujas investigações, a cargo da Direcção Central de Investigação do Tráfico de Estupefacientes (DCITE), decorrem desde o início do Verão e levaram já à apreensão de 15 toneladas de haxixe.
O guarda detido pertence à Brigada Fiscal da GNR e o empresário, sedeado na região Centro do país, será um dos líderes da rede, acrescentou a fonte da PJ contactada pela agência Lusa.
A droga foi apreendida em acções policiais realizadas em Sesimbra, Olhão e Sines, durante as quais foram ainda confiscadas quatro embarcações (duas de pesca e duas lanchas rápidas), dois camiões e seis veículos ligeiros.
Entretanto, o Departamento Central de Informação Criminal e Polícia Técnica da PJ anunciou hoje a detenção de quatro pessoas, dando cumprimento a mandatos de captura internacionais.
Um português e uma alemã, com 29 e 30 anos, suspeitos de várias burlas na Alemanha, um português de 54 anos suspeito de abuso sexual de menores em França e um moldavo de 29 anos a quem são atribuídos crimes de rapto e violação são os quatro capturados pela PJ, que vão aguardar o processo de extradição em prisão preventiva.
Desde o início do ano, a Judiciária já deteve 53 pessoas ao abrigo de mandatos de captura internacionais.

Mão Morta

Jornal "Público", de 8 de Dezembro de 2008

Depois da extensa digressão dedicada a "Os Cantos de Maldoror", de Isidore Ducasse, os Mão Morta preparam-se para espalhar "Ventos Animais", numa série de concertos em que o mais importante é a visita ao seu vasto património poético-musical. É este o mote para o concerto de 19 de Dezembro, em Sesimbra.
Com mais de 20 anos de carreira, a banda de Braga é conhecida pela originalidade de um traço cru, cheio de arestas e cravado do negrume quase diabólico da poesia falada de Adolfo Luxúria Canibal. O percurso ímpar tem sido feito à margem da restante música feita em Portugal. Desconcertantes e intencionalmente desconfortáveis, os Mão Morta encarnam na perfeição a ideia de banda de culto.

Nem a bola faltou ao casamento no Bonfim

Jornal "Diário de Notícias", de 8 de Dezembro de 2008

O noivo ama o Vitória de Setúbal. A noiva passou a ser sócia do clube sadino por amor ao noivo. O noivo teve a ideia de dar o nó em pleno Estádio do Bonfim. A noiva aceitou. Ontem disseram ambos "sim" na sala de imprensa dos "verde e brancos" de Setúbal. Não faltaram "vivas" ao Vitória e uma sessão fotográfica em pleno relvado, que até meteu bola de futebol. O noivo marcou um penálti certeiro, mas a noiva fez muito pouco para defender. Afinal, era dia de festa e já tinha bastado a derrota por 0-3 frente ao FC do Porto no dia anterior.
Miguel Ângelo Reisinho, 39 anos é o sócio 1004 do Vitória, e Maria Lisabeta, de 33, tem o título 17 708. Já estavam casados e recebiam os parabéns de cerca de cem convidados, quando o noivo gritou a plenos pulmões: "És do Vitória não disfarces."
O slogan explicava, por si só, porque é que o casal tinha decidido contrair matrimónio no Estádio do Bonfim. "Tudo o que sirva para promover o nome do nosso clube vale a pena. O Vitória não tem tantos adeptos como os clubes grandes, mas em termos de paixão, nenhum clube tem adeptos assim", explicava o noivo.
A noiva chegou ao estádio, passando entre um cordão humano, ao som de O Sole Mio, pelas vozes de Luciano Pavarotti e Bryan Adams, mas à saída do casal ouviu-se a "Marcha do Vitória". Já antes o noivo tinha erguido e beijado a última conquista do clube. "Esta foi ganha à chuva no Algarve", disse, reportando-se à Taça da Liga, que os sadinos levaram para Setúbal nesta época, após uma final memorável frente ao Sporting. Miguel esteve lá, como tem estado em todos os campos onde o clube joga. "Somos um grupo de seis amigos que vai a todas, até ao estrangeiro."
E a Comissão de Gestão do Vitória reconheceu a paixão deste adepto. A cerimónia teve custo zero. O clube abriu todas as portas ao casal. O copo de água teve lugar na Quinta dos Sonhos, em Sesimbra, terra natal da noiva. As várias mesas foram baptizadas com o nome dos principais troféus ganhos pelos sadinos, cabendo, simbolicamente, aos noivos uma taça disputada entre o Vitória e o Sesimbra há mais de duas décadas. E o nome dos filhos? Maria Vitória esteve na calha, mas a noiva torceu o nariz. Será Afonso, ou Marta. Mas sócio do Vitória. De certeza.


Roberto Dores

Como rentabilizar o nosso património

Jornal "O Setubalense", de 3 de Dezembro de 2008

O projecto faz um levantamento dos equipamentos turísticos existentes na região e dos locais com potencial para compor circuitos turísticos, sugerindo também algumas utilizações para o património natural e arquitectónico que está sub-aproveitado.
No que diz respeito à hotelaria, a região “está bem”, mas “pode ser melhorada”, destacando-se as pousadas de São Filipe e de Palmela, revela o estudo.
Quanto à restauração, Sesimbra está “muito bem” e em Palmela, o restaurante da pousada e o “Retiro Azul” “cobrem as necessidades”. Setúbal também tem uma grande oferta de restaurantes médios e de muitas casas de pasto que servem bom peixe e marisco, no entanto, faltam os restaurantes de referência.
De acordo com a pesquisa, a nossa gastronomia, baseada no peixe e no marisco, tem qualidade e atrai muitos visitantes, sendo uma importante mais valia e um grande cartaz turístico.
Realçando a qualidade dos nossos vinhos e queijos, nomeadamente em Azeitão, Quinta do Anjo e Palmela, o projecto sugere que se criem caminhos do queijo e do vinho e a organização de circuitos turísticos especializados com visitas a adegas e queijarias. Sugerem também a organização de refeições em adegas e provas de vinhos, sem esquecer a nossa doçaria que também se deve incluir em circuitos turísticos.
Também as fábricas de azulejos e outro tipo de cerâmicas e trabalhos em pedra, em Azeitão e Quinta do Anjo devem fazer parte dos circuitos turísticos a criar, uma vez que constituem motivo de interesse para os visitantes, especialmente estrangeiros.
O estudo alerta para sítios arqueológicos nos três concelhos que necessitam de intervenção urgente, tal como as Ruínas Romanas nas duas margens do Sado e o Convento de Jesus, que “poderia ser o ex-libris da cidade” e que precisa de grandes obras, tanto no seu interior como no largo fronteiro.
Em bom estado estão dois castelos árabes e um forte espanhol, tal como a Quinta da Bacalhôa, “um exemplo do renascimento na nossa região” que atravessa um período de obras de conservação.
Para incluir em circuitos de visitas a pé, os alunos sugerem locais como a Porta de S. Sebastião, a Mouraria e a Judiaria, as Igrejas de Santa Maria e de São Julião, a Casa do Espírito Santo (Museu do Barroco) e ainda o Mercado do Livramento e a Casa das Cabeças, na rua Fran Pacheco. Esta visita é, presentemente efectuada pelo Museu do Trabalho. A área dos moinhos na Serra do Louro em Palmela e a Doca dos Pescadores em Setúbal são outros dos pontos dignos de visitação. Também a visita da zona antiga de Sesimbra é interessante e faz-se igualmente a pé, indicam.
As sugestões vão também no sentido de dar usos ao património que está actualmente em degradação. O Regimento de Infantaria nº 11, é, para os alunos, o espaço ideal para a criação de um núcleo museológico, juntando os museus Oceanográfico, Arqueológico e da Cidade. Dispondo ainda de um espaço para exposições temporárias, auditório cafetaria e biblioteca.
A localização invejável do Convento de Brancanes possibilitaria a instalação de uma excelente unidade hoteleira. De igual forma, o Convento de São Francisco que se encontra quase completamente destruído podia ser recuperado para ser aproveitado como pousada ou similar. Junto à praia, o Forte de Albarquel, poderia ser transformado numa pousada de juventude.
A Bateria de Artilharia de Costa, na Serra da Arrábida, cuja situação actual se desconhece, poderia ser aproveitada para fins turísticos, dada a sua localização privilegiada.
Relativamente ao Parque Natural da Arrábida, os alunos apelam à Direcção uma abertura diferente relativamente às comunidades circundantes e aos visitantes ocasionais, propondo a criação de serviços de recepção e interpretação do Parque, de onde partiriam os diferentes trilhos. Podiam ser construídos abrigos para observação da fauna local, assim como pequenas estalagens, cafetarias e instalações sanitárias.


Vera Gomes

"O que seria destas praias se não fossem vocês?"

Jornal "Diário de Notícias", de 23 de Novembro de 2008

Um fogareiro, acompanhado da respectiva grelha e do carvão foram retirados de uma cavidade rochosa na praia dos Coelhos. Ficou por ali desde a última época balnear. Além de um insuflável, guarda-sóis, cadeiras, fraldas e montanhas de sacos atirados para o meio de uma figueira-da-índia, o que mais impressiona é a quantidade de garrafas de cerveja acumuladas no areal
Armei-me em afoito e paguei cara a inexperiência de deitar mãos ao lixo que "jazia" entre os espinhos de uma viçosa figueira-da-índia. Longe de mim pensar que aqueles minúsculos "pêlos" que se tinham agarrado ao polar haviam de me atormentar o resto da semana. Depois de perfurarem a roupa, cravaram-se na pele e com o passar dos dias fizeram alastrar uma mancha de pequenas borbulhas.
Deve ter sido do entusiasmo pelo empenho pessoal que depositei como voluntário na limpeza das praias da Arrábida. Desde o princípio que estava curioso sobre que género de lixo se pode encontrar após mais uma época balnear. Lá me fiz pelo trilho abaixo, rumo à praia dos Coelhos. O acesso é difícil por se tratar de uma praia natural. Resvalar está à distância de um pequeno descuido. "Começamos já a apanhar aqui e vamos descendo até ao areal", ordenou Alda Silva, uma das vigilantes da Arrábida - são apenas seis para a faixa que se estende de Sesimbra até ao Litoral Alentejano.
Já caminhava pela vereda, em fila indiana, com outros voluntários, mas apesar de não retirar os olhos no chão, não encontrava lixo. "Mesmo assim parece que não está muito sujo", comentei, ao mesmo tempo que olho para trás e vejo as minhas colegas - eu e um menor éramos os único homens do grupo - de cócoras a encher os sacos.
Talvez por nunca ter estado atento ao fenómeno não apanhei o jeito à primeira e passei ao lado de algumas garrafas, maços de tabaco e fraldas. Até que comecei a olhar para o meio dos arbustos. Já está! Eis que encontro a primeira garrafa de plástico. Depois outra de vidro e mais outra. Acabou-se o prazo para ter a coluna direita. A cada passo surgia qualquer coisa à espera de ser recolhida.
Agora a praia já estava à vista, mas não foi fácil encontrar o caminho do acesso ao areal. Tínhamos seguido pelo trilho errado, porque quem conhecia o local perdeu a rota atrás do lixo. Tivemos de passar entre os arbustos para chegar ao destino, quando surgem sinais de presença humana com largas décadas, como testemunhava a marca de uma gasosa que já não se produz em Portugal desde os anos 70. As cápsulas encontravam-se enferrujadas. Não foi preciso peritagem para se perceber que nunca este local tinha sido limpo.
A chegada à praia é marcada pelo primeiro momento de bom humor e de cumplicidade entre o grupo, que até aqui se mantinha pouco falador. Ainda não tínhamos posto os pés no areal, quando avistei um objecto colorido sobre os ramos. Estiquei-me o mais que pude e percebi tratar-se de um insuflável. "Se calhar é uma boneca das tais, tem cuidado", alertaram-me. Era mesmo um colchão de ar já furado que alguém não teve paciência para carregar até ao carro.
Na mesma zona perdia-se a conta às garrafas de cerveja. Minis, médias e de litro, acompanhadas das próprias embalagens. Em segundos, o meu saco ficou empanturrado. Já precisava dos dois braços para o carregar. Foi o primeiro a ser atado. Já na areia surge um balde repleto de mais garrafas - sempre de cerveja - denunciando uma farra recente. "Há gente que vem aqui pernoitar e enche estes recipientes de gelo para manter as bebidas frescas. Depois deixa aí o que sobra da festa", explicava uma das voluntárias mais familiarizadas com a limpeza de praias.
"Não seria mais fácil pôr aqui um contentor?", pergunto. Mas fico a saber que por ser uma praia com estatuto de natural tal não é possível. Tenho para mim que é burocracia contraproducente, sobretudo quando sou confrontado com o que vejo a seguir e descubro que as pessoas, afinal, até juntam o lixo e o guardam-no em plásticos. Mas por não terem onde os despejar, simplesmente, atiram os sacos para o meio de uma figueira-da-índia que separa o areal do início da encosta.
E eis que entro na missão mais "espinhosa" da manhã. Fui eu e Alda Silva que retirámos dezenas de sacos, guarda-sóis e as cadeiras, sendo que momentos depois comecei a sentir picadas por todo o corpo. Logrei escapar aos espinhos maiores, mas acabei traído pelos mais pequenos. À vista desarmada parecem pêlos minúsculos, mas cravados na pele têm o efeito de alfinetes.
De repente ouve-se um grito, deixando perceber que apareceu algo verdadeiramente imperdível. O grupo parou por instantes para assistir à retirada de um fogareiro, minuciosamente limpo, que estava guardado numa cavidade entre as rochas, acompanhado de uma saca de carvão, sal e da própria grelha. Também lá estava uma chávena. "Isto é de gente que costuma vir aqui, ou já cá está para o próximo Verão?", questiono. Mas as duas possibilidades são admitidas pelos mais experientes do grupo.
Só que aqui Alda Silva acciona o alerta máximo, para recordar o incêndio que consumiu a serra da Arrábida no Verão de 2004 e que inviabilizou o acesso as estas praias durante dois longos anos. Sobretudo, a partir daí, os vigilantes da natureza passaram a ser ainda mais intransigentes com qualquer fogueira na zona, embora admitam ser impossível controlar o local 24 horas por dia.
Quem conhece o fenómeno assegura que as novas gerações já não são tão adeptas de fazer lume, mas as faixas etárias mais avançadas ainda mantêm a tradição. Também as comunidades estrangeiras passam noites na praia e acendem fogueiras. Algumas manchas pretas no areal confirmam a tendência. E as garrafas de vodka vazias também...
Um colchão de esponja é, entretanto, descoberto entre os arvoredos. "Quem terá trazido isto para aqui e para quê?", pergunta uma voluntária, entre sorrisos, ao mesmo tempo que arrasta o "exemplar" pela areia para próximo de mim, numa altura em que já tento atar os sacos, à espera do barco semi-rígido, tripulado por outro vigilante da natureza, que há-de carregar o lixo pelo mar até ao Portinho da Arrábida. É lá que os serviços de limpeza da autarquia passam diariamente.
De resto, convenhamos que seria uma tarefa árdua carregar os sacos pela encosta acima, até à estrada, onde nem há contentores. Estamos a falar de uns bons 300 metros, sempre a subir, pelo que só através do mar a operação se perfila verdadeiramente viável.
Também subo a bordo e acompanho a viagem de três minutos sobre as águas do "rio azul" para desembarcar entre os inertes do Portinho, onde ajudo a descarregar os primeiros dez sacos. Os mergulhadores que tinham acabado as aulas dão gargalhadas quando me vêem com o colchão, completamente rasgado, em direcção aos contentores. "Ninguém leva para ali um colchão desses para dormir", ironizam, mas não poupam críticas à "falta de civismo de quem lá o deixou", dispara Samuel Alegria.
Confrontado com a chegada a terra firme do lixo, um dos mergulhadores não se ficou. Desceu até ao barco e ajudou a transportar os sacos. Já passava do meio-dia e ouvimos os primeiros elogios da população que se preparava para almoçar nos restaurantes lá do sítio. "Se não fossem vocês o que seria destas praias?", comenta Amélia Rijo, uma idosa que até ao ano passado também participou em algumas campanhas de recolha, justificando sentir a Arrábida como sua, mas que se viu agora forçada a parar, porque as artroses já não permitem ajudar.
A jornada terminou com um lanche de convívio em pleno Museu Oceonográfico, oferecido pela organização, que juntou os participantes, onde cada um foi relatando a sua experiência. Fiquei a saber, por exemplo, que os voluntários que ficaram na Figueirinha tiveram uma missão menos musculada do que a minha, mas certamente mais monótona. Que o diga a própria governadora civil, Eurídice Pereira, que levou a manhã a apanhar beatas de cigarros enterradas na areia. Nos dias que correm a praia mais frequentada de Setúbal ainda não tem cinzeiros.


Roberto Dores

Ciclos de filmes servidos com história e curiosidades

"Jornal de Notícias", de 16 de Novembro de 2008

A formação académica em Belas Artes parece não rimar com a actividade de director comercial que hoje exerce. Por isso o voluntariado é um dos caminhos encontrados por António Proença para alimentar o gosto que sempre teve pelas artes e pelo audiovisual. Colabora com a Biblioteca de Sesimbra "praticamente desde a primeira hora em que foi inaugurada", há três anos.
Fazer a ponte com artistas plásticos e propor exposições à biblioteca é uma das suas missões. Ainda ontem à tarde mais uma das suas propostas viu a luz do dia, com a inauguração de uma mostra da artista Cristina Leiria.
Sem este carácter ocasional, a sua principal colaboração consiste na projecção de filmes que António Proença assegura contarem com um público fiel. "Como costuma dizer-se, não são muitos mas são bons", brinca. Por considerar que "o voluntariado não deve ser feito à toa, mas com enquadramento", apresentou desde início uma espécie de "caderno de encargos" que tem procurado cumprir com rigor. A biblioteca tem um serviço de voluntariado "bem organizado", em áreas que vão da promoção do livro e da leitura à educação para a saúde, e todos os participantes assinam uma proposta que enquadra os direitos e deveres de cada parte. Está igualmente previsto o pagamento de seguro em caso de acidente.
Quinzenalmente, aos sábados são projectados - habitualmente em vídeo - filmes que já estão fora dos circuitos comerciais. Por temas ou por realizadores, António Proença encarrega-se da escolha, mas não só. "Faço uma pequena história do realizador, do filme e actores e de algumas curiosidades a que as pessoas acham graça, como por exemplo episódios ocorridos durante as gravações".
Aos 56 anos, o director comercial tem a juntar ao "currículo" outras actividades voluntárias. Já trabalhou com crianças de rua, mas a mais recente foi uma iniciativa de apoio domiciliário a idosos. Terminou há pouco, "porque o tempo estava mesmo esgotado", com a certeza de ter saído mais rico do que entrou. "Contactei com pessoas com quem aprendi imenso", recorda, dando como exemplo um maestro de "cultura invejável".
Apesar dessa certeza de que o voluntariado beneficia quem dá, António Proença considera não ser correcto que alguém se envolva numa actividade à espera de compensações, nem que sejam emocionais. "Acontece muito as pessoas praticarem acções de voluntariado como terapia e nesse caso há o risco de abandonarem os projectos rapidamente, logo que se sentem equilibradas".

Traineira ‘Taínha’ bateu em zona rochosa, afundou-se mas tripulantes alcançaram terra

Jornal "O Setubalense", de 12 de Novembro de 2008

Ontem, dia festivo de S. Martinho, o azar bateu à porta de uma das mais carismática embarcações de pesca da arte do cerco da nossa Região.
A traineira ‘Tainha’, do porto de Sesimbra, afundou-se ao início da tarde de ontem, concretamente às 14.15 horas, presumivelmente minutos depois de largar amarras do porto sesimbrense para mais um dia de faina à sardinha.
Em plena navegação, mas sob condições adversas de visibilidade – estava nevoeiro - o pesqueiro de Sesimbra, com 17 metros de comprimento, e oito tripulantes a bordo, terá batido naquela que é conhecida como “Pedra do Leão”, a leste da vila piscatória, e a cerca de cem metros da costa, afundando-se em escassos três minutos, devido ao forte rombo provocado no casco de madeira.
Com o rápido afundamento, os oito tripulantes da ‘Taínha’ só tiveram tempo para largar à água, pela popa, a pequena embarcação, vulgo ‘chata’, na qual chegaram ao porto sesimbrense e anunciaram a tragédia no posto da Polícia Marítima.
O Capitão do Porto de Setúbal confirmou a «O Setubalense» esta tragédia marítima, confessando não ter em seu poder, durante a tarde de ontem, dados indicadores se o pesqueiro estaria a sair ou a chegar a Sesimbra. “Os oito sobreviventes do naufrágio alcançaram terra, a bordo da pequena embarcação de apoio, e foram eles que comunicaram o acidente às autoridades,” disse-nos Duarte Cantiga, que confirmou, ainda, não haver qualquer pescador ferido na sequência desta tragédia marítima.
De acordo com o Capitão do Porto, ainda na tarde de ontem, o armador mandou colocar bóias de marcação em redor da embarcação afundada. “É um procedimento indispensável, para salvaguarda da navegação naquela área”, referiu, adiantando que, para o local, como medida de apoio, foi feito deslocar o salva-vidas de Sesimbra, e a embarcação “Espadarte”, de Setúbal.
Instado sobre a possibilidade de derrame de combustível no mar, Duarte Cantiga assegurou não haver registo de poluição, pelo que “não há, neste momento, motivo para accionar qualquer meio de combate à poluição no mar”. Procedimento complementar será o testemunho do mestre da traineira ‘Taínha’, logo que possível, em sede de Capitania, para transmitir os dados relativos a este acidente no mar.
Fontes fidedignas, contactadas por «O Setubalense» explicaram que esta mítica traineira da nossa Região, esteve inactiva entre dois a três anos, no porto sesimbrense.
“Já este ano, a senhora, proprietária daquela traineira, fechou negócio, vendendo a ‘Tainha’ a um armador de Sesimbra”, confidenciou-nos um antigo armador e mestre da arte do cerco de Setúbal, que revelou ter “sido convidado para governar aquele barco”.

Atelier O Mistério da Floresta (Sesimbra)

Jornal "Público", de 26 de Outubro de 2008

Integrado no programa dedicado exclusivamente aos mais novos, este atelier da XVI Quinzena de Dança de Almada parte da nova criação da Companhia de Dança de Almada, baseada num conto de Julieta Franco e com reportório musical inédito assente na diversidade rítmica. A 1 de Novembro, em Sesimbra.
Sem um carácter teórico ou moralista rígido, segundo as coreógrafas o espectáculo O Mistério da Floresta "acaba por despertar corações e sorrisos" quer pela doçura, cores e cheiros; quer pela relação entre música e dança; quer, sobretudo, pela riqueza dos figurinos e movimento dos bailarinos que, ora a solo ora relacionando-se, comunicam emoções e sensações. "Uma fábrica de felicidade, sorrisos e de um futuro público de dança".

APSS vai investir 3,9 milhões de euros

Jornal "O Setubalense", de 22 de Outubro de 2008

A Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS) apresentou uma candidatura ao Programa Operacional Pesca (PROMAR) tendo em vista conseguir apoio financeiro para o projecto de ordenamento do Porto de Pesca de Sesimbra, com um valor de investimento superior a 3,9 euros.
O conjunto de intervenções que integram a candidatura assume um carácter estruturante na organização dos espaços, quer em terra, quer no plano de água. Estas intervenções inserem-se no Plano de Intervenções Prioritárias, que reúne as principais propostas indicadas pela comunidade piscatória local para a resolução de problemas/carências de curto prazo, incluindo o aumento da capacidade do porto.
A melhoria que se espera obter no ordenamento deste porto incide sobre os seguintes aspectos: o abrigo de embarcações à agitação marítima proveniente do quadrante Sul; o parqueamento das embarcações e a entrada ou saída de bordo das mesmas; a definição e separação de áreas para actividades ligadas à pesca e para actividades relacionadas com o lazer e recreio náutico.
O aumento da capacidade de estacionamento e zonas de descarga de pescado, o reordenamento dos espaços em terra e no plano de água para a pesca local, artesanal e industrial, resultará numa melhoria da qualidade do serviço prestado e num aumento da competitividade do Porto de Pesca de Sesimbra.

04 Fevereiro 2009

Recolha subaquática e reciclagem de lixos arrancam em Sesimbra

Jornal "Expresso", de 18 de Outubro de 2008

A recolha de resíduos sólidos do fundo do mar para reciclagem arranca amanhã nas águas do Porto de Abrigo de Sesimbra. Trata-se de uma iniciativa conjunta da Sociedade Ponto Verde (SPV) e da empresa de mergulho Divetek, que marca o início do ProjectMar.
O ProjectMar é um projecto de âmbito nacional que tem como objectivo a recolha de todos os resíduos sólidos encontrados por mergulhadores no decurso das suas actividades recreativas subaquáticas, promovendo a limpeza do meio ambiente no fundo do mar e a preservação das espécies e da biodiversidade.
Além da SPV e da Divetek, estão envolvidas no projecto a Liga para a Protecção da Natureza (LPN), o Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), o Parque Natural da Arrábida, a organização ambientalista Quercus, a Professional Association of Diving Instructors (PADI) e a Project Aware.
"A permanência de resíduos em meio aquático tem um impacto incalculável na qualidade de vida das espécies marinhas e dos seus habitats", afirma Luís Veiga Martins, director-geral da SPV.
Segundo a Associação Portuguesa de Conservação dos Cetáceos (Cetus) e a LPN, calcula-se que a quantidade de lixo despejado por ano nos mares seja três vezes superior ao total do peixe pescado.
Por outro lado, 66% do lixo encontrado no mar é constituído por produtos plásticos, em especial sacos. Estima-se ainda que, das 100 milhões de toneladas anuais de plástico produzidas em todo o mundo, cerca de 10% (10 milhões de toneladas!) vá parar ao mar.


Virgílio Azevedo

Apreendidas mais de nove toneladas de pólen de haxixe em Sesimbra

Jornal "Público", de 16 de Outubro de 2008

Mais de nove toneladas de pólen de haxixe foram apreendidas num camião frigorífico que circulava na Cotovia, concelho de Sesimbra, durante uma operação da Polícia Judiciária e da GNR, foi hoje anunciado. Três pessoas foram detidas por tráfico de droga, tendo ficado em prisão preventiva
.A apreensão e detenções ocorreram depois de a Polícia Judiciária (PJ) ter detectado anteontem movimentações no porto de Sesimbra, que indicavam a possível chegada de uma embarcação de pesca com droga a bordo e da descarga do estupefaciente.
Em comunicado, a PJ indica que depois de o barco atracar a carga, que se assemelhava a fardos de haxixe, foi descarregada para um camião frigorífico, que iniciou em seguida viagem em direcção a Lisboa.
O veículo, com três ocupantes, acabou por ser interceptado na Cotovia com 196 fardos no interior, com cerca de 50 quilos de pólen de haxixe cada um. Os três indivíduos foram detidos por suspeita de tráfico de droga, que após terem sido submetidos a primeiro interrogatório judicial ficaram em prisão preventiva.
Também a embarcação de pesca foi apreendida, bem como 20 bidões de combustível e documentação que irá ser analisada pela Judiciária.
Segundo a PJ, o crime terá sido praticado por uma rede criminosa internacional que, “face à enorme quantidade de produto estupefaciente em questão e ao ‘modus operandi’ utilizado, demonstra uma enorme capacidade logística/financeira” que caso conseguisse levar a droga até ao seu destino obteria um “retorno financeiro muito elevado”.A Judiciária indica que vai continuar a investigar o caso e a rede suspeita.

Sesimbra: Embarcação de pesca desportiva capturou espadarte azul com mais de 500 quilos

Jornal "Público", de 18 de Setembro de 2008

Uma embarcação de pesca desportiva é esperada cerca das 13h30 em Sesimbra com um espadarte azul, também conhecido por marlin -, com mais de 500 quilos, disse hoje à Lusa fonte da Câmara Municipal.
"Trata-se um exemplar de grande dimensão, um espadarte ou um marlin, que foi capturado pelo Jocanana, uma embarcação de pesca desportiva do porto de Sesimbra", confirmou Lino Correia, do Clube Naval.
O espadarte azul é um dos peixes mais invejados pelos pescadores desportivos de espédies de grande porte, celebrizado pelo romance "O velho e o mar", do Nobel Ernest Hemingway, também ele fá da pesca de marlin.
Caso se confirmem as informações transmitidas ao Clube Naval de Sesimbra pelo skipper (função equivalente à de mestre nas embarcações de pesca tradicional), o Jocanana pode ter capturado um dos maiores exemplares de sempre a nível europeu.
Em 2004 o campeão de pesca desportiva João Brito capturou um exemplar de espadarte azul de 335 quilos em portimão. Mas o recorde nacional está fixado nos 594 quilos de um exemplar capturado em Vilamoura.

Homem caiu de falésia com 90 metros

Jornal "Expresso", de 15 de Setembro de 2008

Um homem caiu ao mar cerca das 18h00, numa falésia com cerca de 90 metros de altura no Cabo Espichel, em Sesimbra, disse hoje à Lusa fonte do Centro Distrital de Operações de Socorro (CDOS) de Setúbal
"Cerca das 19h00, a vitima estava à vista, aparentemente já cadáver, mas ainda vai demorar algum tempo até que as equipas da Protecção Civil consigam descer a falésia", disse a fonte, salientando que as autoridades ainda não esclareceram se o homem "se atirou ou caiu" do cabo.
De acordo com o CDOS de Setúbal, foram mobilizados para o local 15 elementos dos Bombeiros Voluntários de Sesimbra, apoiados por quatro viaturas.

Segurança: GNR deteve 10 pessoas em operação contra criminalidade em Sesimbra

Jornal "Expresso", de 14 de Setembro de 2008

A GNR deteve dez pessoas numa operação de combate contra a criminalidade durante esta madrugada na vila de Sesimbra, disse hoje à agência Lusa fonte do Comando Geral da GNR.
Dos 10 detidos, cinco não tinham habilitação legal para conduzir e os restantes cinco conduziam sob o efeito de álcool, segundo a mesma fonte.
A operação, que envolveu um efectivo de 75 militares, implicou a montagem de pontos de fiscalização em todos os acessos da vila, ou seja, todas as saídas da vila foram fechadas pelas autoridades que controlaram um total de 193 viaturas e identificaram cerca de 70 pessoas.
A acção da GNR decorreu entre a 01:00 e as 06:00 de hoje e tinha como objectivo a procura de armas, de substâncias ilícitas e de estrangeiros ilegais.
Dezoito estrangeiros foram identificados, dos quais dois foram detidos e 12 foram notificados para sair do país, referiu à Lusa a mesma fonte do Comando Geral da GNR.
Foram também identificadas e notificadas sete pessoas por posse de estupefacientes e apreendidas 23 doses individuais de haxixe.
Ainda nesta operação, foram apreendidas três viaturas por falta de seguro e elaborados 26 autos de contra-ordenação ao Código de Estrada.

Lloyd Cole

Jornal "Público", de 10 de Setembro de 2008

É um dos maiores "songwriters" de sempre das Ilhas Britânicas. Nos últimos anos, tem revelado uma predilecção especial pelos palcos portugueses, o que não retira, em nenhuma altura, a aura de imperdível. Regressa para um concerto em Sesimbra, a 12 de Setembro, para mais uma injecção de "Antidepressant", considerado um dos melhores álbuns da sua discografia.
Se o registo anterior, "Music In a Foreign Language" (2003), era apontado como o mais intimista da sua carreira pós-The Commotions, o novo seguiu um caminho ligeiramente diferente. Em "Antidepressant", Cole é menos um "crooner" e mais um músico ligado aos amplificadores. O melhor das suas duas faces funde-se: a melancolia que lhe conhecemos associa-se ao tom positivo de quem apresenta o álbum como um antídoto para estados de espírito menos construtivos. Nada de demasiado radical e nada que ponha em risco a envolvência dos concertos de Cole. Pelo contrário: nesta digressão, o músico sobe ao palco em regime acústico, acompanhado "apenas" por estas novidades e por uma cuidada busca ao baú dos clássicos, dos Commotions à carreira a solo. Para uma rápida actualização da memória, basta consultar o álbum triplo que lançou no ano passado: uma colecção das canções gravadas ao vivo para a BBC.

Um Lago Sem Água e 100 Barbatanas

Jornal "Público", de 2 de Setembro de 2008

Quatro animais especiais, que sabem pensar, falar e dançar encontram-se por acaso num lago sem água. Sozinhos no mundo, estes animais procuram uma família, um lar e amigos para viver em paz. Através da dança criam amizades. Divertidos, trocam passos de dança, partilham músicas, ensinam princípios mágicos e criam surpresas únicas aos olhos dos mais novos. Dia 6 de Setembro, em Sesimbra.

Duo deixou várias pistas após matar jovem a tiro em Sesimbra

Jornal "Diário de Notícias", de 2 de Setembro de 2008

O autor dos disparos que mataram João Paulo Almeida, de 22 anos, na noite de sábado em Almoinha, Sesimbra, continuava a monte ao fim da tarde de ontem, mas o DN apurou que a PJ já tem em sua posse "vários elementos" que poderão permitir identificar o principal suspeito do crime nas próximas horas. Segundo fontes próximas do processo, já terão sido ouvidas todas as testemunhas, tendo sido lançada uma autêntica "caça ao homem" na Margem Sul, envolvendo as várias forças policiais.
Depois de balearem João Paulo e obrigarem, sob ameaça de uma pistola, um vizinho que estava dentro de um Renault Clio a conduzi-los durante mais de um quilómetro, os dois indivíduos terão deixado para trás várias pistas, que estão a ser aproveitadas pelas autoridades.
Um dos elementos terá mesmo dito em voz alta que queria che- gar depressa ao Barreiro. Uma fra- se ouvida pelas testemunhas que terá sido proferida pelo homem que se encontrava ferido, após ter sido esfaqueado num braço por João Paulo, antes dos disparos.
O Clio ficou com várias marcas de sangue, além de inúmeras impressões digitais, tendo ainda o duo utilizado o telemóvel do proprietário da viatura para pedir o apoio de um segundo carro - Opel Astra preto - onde se encontrava um terceiro indivíduo.
Segundo a versão policial, está em causa um ajuste de contas, devido ao negócio de um automóvel, que terá sido feito pelo irmão de João Paulo, Bruno Almeida, que trabalha numa oficina como pintor de automóveis.
Os dois suspeitos tocaram à campainha do apartamento que os dois irmãos dividem há mais de três anos em Almoinha e foi Bruno quem lhes abriu a porta, sem ver de quem se tratava. Eram dois homens armados que pediam a Bruno Almeida a "chave do carro". Ao se aperceber que o irmão estava a ser ameaçado, João Paulo, que trabalha como barman no Hotel Meridien, em Lisboa, surgiu no hall de entrada com uma faca de cozinha e atingiu um dos elementos por duas vezes, antes de ser baleado no pescoço e no peito.


Roberto Dores

Morto a tiro em casa por causa de carro

Jornal "Diário de Notícias", de 1 de Setembro de 2008

Os estranhos contornos que rodearam o homicídio de João Paulo, de 22 anos, baleado no peito e no pescoço por dois indivíduos, na noite de sábado, em Sesimbra, levam as autoridades a admitirem como "muito provável" ter-se tratado de um ajuste de contas, sendo que a Polícia Judiciária (PJ)já tem em sua posse elementos que podem levar à identificação do autor dos disparos, que estará ferido. O negócio de um automóvel poderá estar na origem deste crime, sendo que apesar do irmão da vítima afirmar nunca ter visto os indivíduos, as conclusões preliminares da investigação indicam que a vítima e o autor dos disparos se conheciam.
A PJ vai agora passar a "pente-fino" a vida da vítima e das três pessoas que a acompanhavam na hora do crime. A GNR chegou a fechar os acessos a Sesimbra, mas das 15 detenções efectuadas nenhuma estava relacionada com este crime, segundo revelou o porta-voz da Guarda, Costa Lima. Os suspeitos continuavam a monte à hora de fecho desta edição.
Eram 23.30. Localidade de Almoínha, às portas de Sesimbra. João Paulo, que, segundo os vizinhos, trabalhava num hotel em Lisboa, acabava de entrar em casa, no primeiro esquerdo do número 18 da rua Alfredo César Andrade, juntamente com o irmão Bruno e mais dois amigos. Tinham assistido juntos à transmissão televisiva do Benfica/Porto, no café Papagaio Verde. "Só tinham bebido sumos e foram logo para casa a seguir à bola", garantiu o proprietário do estabelecimento, que fica a escassos 20 metros da casa que João Paulo dividia com o irmão há mais de três anos.
Apesar da hora, os quatro jovens terão subido o volume da música no interior do apartamento, o que não os impediu de ouvir a campainha tocar. Bruno abriu a porta, sem ver de quem se tratava, tendo sido surpreendido pela abrupta entrada de dois indivíduos para o hall. Segundo o relato feito às autoridades por Bruno, os dois indivíduos pediam uma chave e apontaram um revólver. João Paulo, que estava no seu quarto, surgiu então e lutou com um dos indivíduos, agarrando-o por trás e imobilizando-o. Foi nessa altura que o segundo elemento apertou o gatilho por três vezes, acertando no peito e no pescoço da vítima, tendo uma terceira bala atingido a parede.
A vizinha do lado ouviu o barulho e ainda quis abrir a porta. "Mas o meu filho disse-me que ainda levava um tiro e fiquei-me". Já Bruno gritava por socorro à janela e pedia uma ambulância. O irmão estava esvaído em sangue no hall de casa.
Já na rua, a dupla viria a roubar um automóvelde um casal que tinha ido entregar o filho bebéà vivenda dos avós, por baixo do número 18. Começaram por apontar a arma à mulher, que já não tinha a criança consigo, mas acabaram por entrar no Renault Clio exigindo ao proprietário que conduzisse. Andaram cerca de um quilómetro até a um local onde os aguardava uma segunda viatura de cor escura, com um terceiro elemento (presumivelmente cúmplice) no seu interior. Depois de atirarem o telemóvel e as chaves do dono do Clio para o chão fugiram.
Quando os bombeiros de Sesimbra chegaram ao local, João Paulo já se encontrava em paragem cardiorespiratória, tendo sido accionado o INEM do Hospital Garcia de Orta, cuja Viatura Médica de Emergência e Reanimação se encontrava inoperacional, sendo substituída por uma VMER de Lisboa. A reanimação foi feita até perto da 01.00, mas João Paulo não sobreviveu aos ferimentos. A PJ de Setúbal ouviu as testemunhas que estavam no local na altura em que ocorreu o crime e está encarregue do caso.


Roberto Dores

Jovem de 22 anos assassinado a tiro

Jornal "Expresso", 31 de Agosto de 2008

Um jovem de 22 anos foi assassinado a tiro por dois indivíduos pouco depois das 23h00 de sábado, no bairro da Almoinha, em Sesimbra, disse hoje à Lusa fonte policial.
As circunstâncias do crime estão a ser investigadas pela Polícia Judiciária. Um negócio de um automóvel terá sido a origem da desavença que terminou com a morte de um jovem de 22 anos, assassinado a tiro, indicam também as conclusões preliminares da investigação, segundo fonte policial .
O autor dos disparos e a vítima "conheciam-se e terá havido agressões recíprocas". Fonte ligada à investigação do crime adiantou que o autor do homicídio estará ferido e há elementos que podem levar à sua identificação.
A Polícia Judiciária de Setúbal ouviu as testemunhas que estavam no local na altura em que ocorreu o crime.
A GNR desencadeou de imediato uma operação de fiscalização de viaturas, tendo fechado, temporariamente, todos os acessos a Sesimbra.
Segundo revelou à Lusa o comandante do Grupo Territorial de Setúbal da GNR, Major Tavares Belo, na sequência da operação policial, que já estava a ser preparada há alguns dias, e que decorreu entre as 2h00 e as 6h30 da madrugada de hoje, foram efectuadas 15 detenções, mas nenhuma elacionada com o referido crime de homicídio.
Cinco dos detidos são suspeitos de furto de veículos, sendo que um deles, já referenciado por este tipo de crime na zona de Lisboa, se fazia transportar numa viatura de alta cilindrada furtada ou roubada. Antes de ser detido, o condutor da viatura de alta cilindrada terá ainda tentado atropelar dois militares da GNR.
Na mesma operação, a GNR efectuou ainda uma perseguição a uma viatura suspeita, entre a Quinta do Conde e o nó do Fogueteiro, que culminou com a detenção de um individuo sem carta de condução e que também está indiciado pela tentativa de atropelamento de militares da corporação, condução perigosa e posse de estupefacientes. Este indivíduo estava também referenciado pela prática de diversos crimes de furto na zona de Lisboa.
A GNR deteve ainda seis indivíduos por condução sob influência de álcool (com taxa acima de 1,2 gramas de álcool por litro de sangue), dois por tráfico de cocaína e condução ilegal (um deles tinha também uma arma proibida) e um por condução sem habilitação própria.
Foram ainda identificados quatro estrangeiros que se encontram em situação ilegal no país, que foram notificados para comparecerem no SEF (Serviço de Estrangeiros e Fronteiras), e cinco indivíduos suspeitos de consumo de drogas. A GNR apreendeu ainda cerca de 73 doses de cocaína e 48 de haxixe.
Na operação em que participaram cerca de 50 militares de diversos postos do Grupo Territorial de Setúbal da GNR, com o apoio do Regimento de Infantaria e Brigada Fiscal, foram levantados quatro autos por infracções leves e um por infracção grave, tendo sido fiscalizadas mais de 180 viaturas e abordadas e revistadas mais de 200 pessoas.

Nova acção cautelar para impedir co-incineração

Jornal "Diário de Notícias", de 30 de Agosto de 2008

"O Governo só está preocupado em fazer desaparecer da vista de todos os resíduos perigosos e não pensa nos perigos". A acusação é de Castanheira de Barros, o advogado das autarquias de Setúbal, Sesimbra e Palmela, que na quinta-feira interpuseram mais uma acção cautelar para tentar travar a co-incineração na fábrica da Secil do Outão.
Entretanto, "vamos aguardar pela marcação do julgamento da acção principal, para anular a decisão que autoriza a co-incineração", explica o advogado das câmaras. A sessão chegou a estar marcada para Julho, no Tribunal Central Administrativo do Sul, mas foi adiada porque surgiu a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) que esta nova acção quer ver suspensa. O caso decorre no Tribunal Administrativo de Almada.
A acção visa suspender a DIA, por se considerar que esta "não faz sentido" e deve ser "suspensa". A acção cautelar alega que o projecto de co--incineração de resíduos industriais perigosos apresentado pela Secil para a fábrica do Outão não poderia ter recebido uma DIA vantajosa, porque não foi aprovado um plano de pormenor favorável à co-incineração naquela zona. O facto de a fábrica não estar licenciada para fazer gestão de resíduos e a zona onde se encontra (em pleno Parque Natural da Arrábida), são outros dos 15 fundamentos que sustentam a acção das três autarquias, conforme explica ao DN Castanheira Barros.
Mas, o advogado lembra que o objectivo é travar a co-incineração de uma vez. "O principal fundamento é a produção de dioxinas e furanos, que são substâncias altamente cancerígenas", frisa.Algumas destas substâncias vão fazer parte do cimento, "um material com o qual fazemos as nossas casas, por isso é um problema nacional e não local", alerta Castanheira Barros. "Querem-nos pôr a dormir no meio do lixo tóxico", critica.


Ana Bela Ferreira

Setúbal, Sesimbra e Palmela interpõem nova acção cautelar para impedir queima de resíduos na Arrábida

Jornal "Público", de 29 de Agosto de 2009

Os municípios de Setúbal, Sesimbra e Palmela apresentaram no Tribunal Administrativo de Almada uma acção para suspender a Declaração de Impacte Ambiental, alegando ser “condicionalmente favorável” à co-incineração de resíduos industriais perigosos no Outão, na no Parque Natural da Serra da Arrábida, contestada pelas autarquias.
Em declarações hoje à Lusa, o advogado Castanheira Barros, que representa as três autarquias, adiantou que os municípios decidiram apresentar ontem uma nova acção cautelar, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada, por consideraram que a Declaração de Impacte Ambiental (DIA) proferida no final de Maio pelo secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa, “não faz sentido” e deve ser “suspensa”.
O advogado explicou que o facto de a DIA ser “condicionalmente favorável” significa que está sujeita ao cumprimento de determinadas condições impostas na Declaração de Impacte Ambiental e nas três licenças (ambiental, de instalação e de exploração) concedidas à Secil em 2006.
Castanheira Barros adiantou que, entre outras condições, impõem-se algumas medidas de minimização que visam minorar os eventuais efeitos nocivos da co-incineração.
“Entendemos que, não obstante a Declaração de Impacto Ambiental ser condicionada, ela não faz sentido e deve ser suspensa porque da co-incineração de resíduos perigosos resultam graves danos para a saúde pública, para a fauna e flora”, sublinhou.
Na acção cautelar, os municípios invocam 14 fundamentos, entre os quais alegam que o projecto de co-incineração de resíduos industriais perigosos apresentado pela Secil para a fábrica do Outão não poderia ter recebido uma Declaração de Impacte Ambiental favorável porque não foi aprovado um “plano de pormenor” favorável à co-incineração naquela zona.
Defendem ainda que a fábrica se situa numa zona destinada, segundo o Plano Director Municipal (PDM) de Setúbal, à indústria extractiva e, segundo o Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida, à indústria de fabrico de cimento, não sendo, por isso, permitido “o exercício da indústria de gestão de resíduos”.
“É manifesta a ilegalidade da DIA por ter sido condicionalmente favorável à aprovação do projecto de co-incineração de resíduos industriais perigosos na fábrica da Secil do Outão sem que do respectivo processo de Avaliação de Impacte Ambiental conste qualquer documento comprovativo de que aquele estabelecimento industrial estaria licenciado para o exercício da actividade industrial de gestão de resíduos, sendo por conseguinte nula a DIA de 28.05.2008”, sustentam as autarquias no documento.
Castanheira Barros lembrou à Lusa que esta é a terceira acção cautelar interposta pelos municípios contra a co-incineração no Outão.
A primeira visou a suspensão de eficácia do despacho do ministro do Ambiente de 2006, que dispensou a Secil da Avaliação de Impacte Ambiental, e a segunda a suspensão de eficácia das três licenças que foram concedidas na sequência do despacho da avaliação de impacte ambiental.
No passado dia 6, as autarquias de Setúbal, Sesimbra e Palmela anunciaram que iam recorrer para o Tribunal Central Administrativo do Sul da decisão do Tribunal Administrativo de Almada que rejeitou a providência cautelar contra a co-incineração de resíduos industriais perigosos na Secil.Em Janeiro, o Supremo Tribunal Administrativo (STA) já tinha dado “luz verde” à co-incineração no Outão, em resposta à Secil e ao Ministério do Ambiente, que recorreram da decisão do Tribunal Administrativo do Sul no sentido de suspender a queima de resíduos no Outão.

Sesimbra: queda de viatura em ravina faz um morto

Jornal "Público", de 28 de Agosto de 2008

Uma viatura despistou-se e caiu ontem ao início da noite numa ravina junto a Sesimbra, provocando a morte do condutor, disse fonte da Marinha.O acidente ocorreu cerca das 20h00 horas, junto à Falésia da Califórnia. O Serviço de Informação e Relações Públicas da Armada confirmou o acidente em que "morreu o condutor da viatura". O corpo foi resgatado pelos bombeiros.

Câmaras vão recorrer para Tribunal Central Administrativo do Sul

Jornal "O Setubalense", 8 de Agosto de 2009

Os municípios de Setúbal, Sesimbra e Palmela não aceitam a decisão do juiz do Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada e como tal vão recorrer. É mais uma batalha contra a co-incineração na Secil do Outão, no Parque Natural da Arrábida.
As Câmaras Municipais de Setúbal, Sesimbra e Palmela vão recorrer para o Tribunal Central Administrativo do Sul tendo em vista travar a co-incineração de resíduos industriais perigosos (RIP) na Secil do Outão, em pleno Parque Natural da Arrábida.
A decisão foi anunciada anteontem em conferência de imprensa conjunta, realizada na Câmara de Setúbal e é a resposta ao facto do juiz do Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada ter rejeitado a providência cautelar interposta pelos três municípios.
A decisão do juiz do Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada, a 30 de Julho, considera improcedente a acção cautelar daqueles municípios que pretendiam a suspensão da eficácia das licenças ambiental, de instalação e de exploração concedidas à fábrica da Secil, no Outão, para a co-incineração de RIP.
Segundo o advogado das autarquias, Castanheira Barros, o prazo para entrega do recurso no Tribunal Central Administrativo do Sul termina a 19 de Agosto.
As autarquias e o advogado estão também a preparar uma nova providência cautelar para pedir a suspensão da aplicação do parecer do estudo de impacto ambiental, apresentado pela Secil em Maio de 2008 cujas alegações foram utilizadas pelo juiz do Tribunal de Almada para sustentar a decisão, destacou Castanheira Barros.
Os autarcas sublinham o facto de o acórdão do tribunal referir o perigo que representa para a saúde pública a libertação de furanos e de dioxinas “que são cancerígenos e que podem provocar más formações ao nível dos fetos”.
Contestam ainda o facto de a co-incineração ficar localizada numa zona sísmica - com risco sísmico «muito elevado” de 9, 10 - o que, sustentaram, agravar “ainda mais” os riscos para a saúde pública.
Assim nas alegações a apresentar no Tribunal Central Administrativo do Sul vão invocar a “violação do princípio da precaução, a ausência de licenciamento industrial” (dado considerarem tratar-se de uma unidade industrial) e os elevados riscos para a saúde das substâncias orgânicas persistentes que são libertadas pela queima.
Castanheira Barros referiu ainda que vão alegar a contradição das duas decisões proferidas pelo mesmo juiz que em Janeiro tinha decidido a favor dos três municípios impedindo a co-incineração e que seis meses depois decide a favor da co-incineração.
“Em Janeiro do ano decidiu a favor dos três municípios na primeira acção cautelar, tendo ordenado então a suspensão da eficácia do despacho do ministro do Ambiente que dispensou a Secial da necessidade do procedimento de avaliação de Impacte ambiental” disse Maria das Dores.
Desta vez, e passado ano e meio, continua a autarca, “mudou de opinião, mesmo depois de ouvir oito testemunhas”, incluindo professores catedráticos e cientistas de renome a nível nacional, que de forma contundente alertaram para a elevada perigosidade para a saúde pública e para o meio ambiente da co-incineração de resíduos perigosos. “De pouco ou nada valeram os depoimentos de tão prestigiadas testemunhas”, afirmou.
Baseando-se no parecer da Comissão de Avaliação, o juiz decidiu então julgar improcedente a acção cautelar interposta por aqueles municípios com vista à suspensão da eficácia das licenças ambiental, de instalação e de exploração concedidas à Secil para a co-incineração de RIP.
Uma acção que visava impedir a queima de resíduos perigosos em pleno Parque Natural da Arrábida, uma área protegida por lei e sujeita a um vasto conjunto de restrições.
Além das iniciativas processuais, os representantes dos municípios de Setúbal, Palmela e Sesimbra, asseguraram que serão adoptadas outras formas de luta.Os municípios de Setúbal, Sesimbra e Palmela não aceitam a decisão do juiz do Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada e como tal vão recorrer. É mais uma batalha contra a co-incineração na Secil do Outão, no Parque Natural da Arrábida.
As Câmaras Municipais de Setúbal, Sesimbra e Palmela vão recorrer para o Tribunal Central Administrativo do Sul tendo em vista travar a co-incineração de resíduos industriais perigosos (RIP) na Secil do Outão, em pleno Parque Natural da Arrábida.
A decisão foi anunciada anteontem em conferência de imprensa conjunta, realizada na Câmara de Setúbal e é a resposta ao facto do juiz do Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada ter rejeitado a providência cautelar interposta pelos três municípios.
A decisão do juiz do Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada, a 30 de Julho, considera improcedente a acção cautelar daqueles municípios que pretendiam a suspensão da eficácia das licenças ambiental, de instalação e de exploração concedidas à fábrica da Secil, no Outão, para a co-incineração de RIP.
Segundo o advogado das autarquias, Castanheira Barros, o prazo para entrega do recurso no Tribunal Central Administrativo do Sul termina a 19 de Agosto.
As autarquias e o advogado estão também a preparar uma nova providência cautelar para pedir a suspensão da aplicação do parecer do estudo de impacto ambiental, apresentado pela Secil em Maio de 2008 cujas alegações foram utilizadas pelo juiz do Tribunal de Almada para sustentar a decisão, destacou Castanheira Barros.
Os autarcas sublinham o facto de o acórdão do tribunal referir o perigo que representa para a saúde pública a libertação de furanos e de dioxinas “que são cancerígenos e que podem provocar más formações ao nível dos fetos”.
Contestam ainda o facto de a co-incineração ficar localizada numa zona sísmica - com risco sísmico «muito elevado” de 9, 10 - o que, sustentaram, agravar “ainda mais” os riscos para a saúde pública.
Assim nas alegações a apresentar no Tribunal Central Administrativo do Sul vão invocar a “violação do princípio da precaução, a ausência de licenciamento industrial” (dado considerarem tratar-se de uma unidade industrial) e os elevados riscos para a saúde das substâncias orgânicas persistentes que são libertadas pela queima.
Castanheira Barros referiu ainda que vão alegar a contradição das duas decisões proferidas pelo mesmo juiz que em Janeiro tinha decidido a favor dos três municípios impedindo a co-incineração e que seis meses depois decide a favor da co-incineração.
“Em Janeiro do ano decidiu a favor dos três municípios na primeira acção cautelar, tendo ordenado então a suspensão da eficácia do despacho do ministro do Ambiente que dispensou a Secial da necessidade do procedimento de avaliação de Impacte ambiental” disse Maria das Dores.
Desta vez, e passado ano e meio, continua a autarca, “mudou de opinião, mesmo depois de ouvir oito testemunhas”, incluindo professores catedráticos e cientistas de renome a nível nacional, que de forma contundente alertaram para a elevada perigosidade para a saúde pública e para o meio ambiente da co-incineração de resíduos perigosos. “De pouco ou nada valeram os depoimentos de tão prestigiadas testemunhas”, afirmou.
Baseando-se no parecer da Comissão de Avaliação, o juiz decidiu então julgar improcedente a acção cautelar interposta por aqueles municípios com vista à suspensão da eficácia das licenças ambiental, de instalação e de exploração concedidas à Secil para a co-incineração de RIP.
Uma acção que visava impedir a queima de resíduos perigosos em pleno Parque Natural da Arrábida, uma área protegida por lei e sujeita a um vasto conjunto de restrições.
Além das iniciativas processuais, os representantes dos municípios de Setúbal, Palmela e Sesimbra, asseguraram que serão adoptadas outras formas de luta.

03 Setembro 2008

Manuel Adelino Bernardino é o novo Provedor da Santa Casa da Misericórdia

"Jornal de Sesimbra", 12 de Agosto de 2008

A instituição foi a votos no sábado, dia 28, depois dos corpos sociais em exercício terem apresentado a sua demissão, no seguimento de várias controvérsias que em nada dignificaram o nome ou sequer prestigiaram o trabalho da Santa Casa.
A concurso, no último acto eleitoral, apresentaram-se duas listas, uma encabeçada por Júlio Gomes, outra por Manuel Adelino. A um dos actos eleitorais mais concorrido de sempre acorreram 745 irmãos sendo que 406 deram um voto de confiança a Manuel Adelino, e à sua equipa, contra os 339 que se mantiveram ao lado de Júlio Gomes. Este último, um dos elementos dos anteriores corpos sociais da Santa Casa.
Manuel Adelino já esperava que “a votação fosse concorrida dadas todas as incidências, que até o presidente da Assembleia falou, dizendo que vamos ter que fazer algumas alterações, nomeadamente ao compromisso da Misericórdia. Temos de evitar, e não queria usar aqui um adjectivo muito forte como golpadas ou oportunismos, mas qualquer coisa nessa área, para se evitar aquilo que se passou que resultou nesta corrida, fazerem-se irmãos à última hora, pessoas que não têm nada a ver com o espírito da misericórdia, para virem aqui votar numa lista para fazer com que as pessoas se mantivessem cá”, refutou. Naquela que foi a sua primeira declaração, depois de conhecidos os resultados da votação, Manuel Adelino realçou que o sentimento que reconheceu de imediato nem foi de felicidade ou contentamento, foi “o peso da responsabilidade” acrescentando que vai “ atirar-se ao trabalho com muita vontade”. O recém eleito Provedor espera “uma oposição forte, que participe, que dê ideias e que não seja posta de parte como era a prática que até aqui se vinha a constatar”. Manuel Bernardino vai mais longe para afiançar que, com a sua equipa, não haverá falta de transparência. Qualquer documento estará disponível para consulta dos irmãos porque, na sua óptica, “ a Santa Casa é uma instituição naturalmente aberta à comunidade e nós agora vamos administrar a Misericórdia com entusiasmo, vamos dar o nosso melhor”. Apontou ainda Manuel Adelino que não vai “esconder nada de ninguém” pois “não somos proprietários da instituição”. Congratulando-se com a dignidade com que decorreram as eleições o provedor acredita ser possível chamar mais irmãos à Santa Casa para uma participação mais activa já que, nas sua palavras, “os corpos sociais, por si só, não conseguem fazer o que a Misericórdia precisa”, alertou.
Durante todo o acto eleitoral Manuel Adelino Bernardino fez-se acompanhar por outros elementos da sua lista, como Guilherme Rasteiro, enquanto que a lista de Júlio Gomes esteve representada por Carlos Palmela e Florindo Paleotes, entre outros. Por motivos de ordem profissional Júlio Gomes não conheceu “in loco” o resultado da votação, que foi comentado ao Jornal de Sesimbra por Florindo Paleotes que não o encarou como uma derrota, entre outros aspectos, pelo número de irmãos que votaram. Apesar de não terem ganho a possibilidade “de gerir e aplicar o seu projecto” os elementos da lista A “vão continuar atentos”. Florindo Paleotes lembrou que o programa da sua lista “era bastante extenso, tinha bastantes formas de avançar com a Santa Casa para outro estádio de qualidade que se iria reflectir nos serviços a prestar aos utentes e aos trabalhadores”. Pela vontade que tinham em agir em prol do desenvolvimento da instituição, o candidato deu os parabéns aos elementos da lista concorrente mas lá foi afirmando que “vamos estar muito atentos, vamos estar presentes em todas as assembleias e vamos solicitar a todos quantos votaram em nós que façam o mesmo. Não para lutar mas para participar activamente e contribuir com propostas para a melhoria da Santa Casa”.
Naquele que foi o seu penúltimo acto enquanto presidente da Assembleia Geral, Sebastião Patrício foi parco em palavras referindo, ainda assim, que saia do cargo com sentido de dever cumprido. “Da nossa parte estamos satisfeitos e penso que nesta altura, independentemente do resultado ser por uma diferença de sessenta e sete votos, penso que o que é necessário é que a instituição acalme. Que trabalhe e que as pessoas encarem isto como um sinal de que a Misericórdia é importante para os utentes, para a área social e para o concelho. É isso que ressalta da minha intervenção, durante a qual desejei à lista vencedora que trabalhe bem, que retire ilações daquilo que os corpos sociais e a mesa administrativa demissionários passaram ao longo do mandato que não terminaram”. Sebastião Patrício afasta-se, agora, do trabalho na instituição de solidariedade social para dar lugar a Fernando Horácio de Jesus Oliveira que assume a mesa da Assembleia Geral. António Justiniano Chagas Alves que ocupará o cargo de presidente do Conselho Fiscal. E Manuel Adelino Bernardino que volta a assumir a Provedoria da Santa Casa da Misericórdia.
Quanto ao compromisso assumido em campanha, pela lista vencedora, recordamos aspectos fundamentais como: a auditoria financeira; a apresentação de planos de formação profissional; a implementação de um sistema de qualidade e de um programa de inovação de processos; a criação de uma comissão de obras; a preparação de um programa de conservação dos bens imóveis e a preparação de projecto financeiro e de construção de um novo lar para a terceira idade com recurso a fundos estatais.
A Tomada de posse dos novos corpos sociais da Santa Casa decorreu perante a presença do Presidente do Secretariado Regional da União das Misericórdias, da presidente da Assembleia Municipal de Sesimbra e do Presidente da Junta de Freguesia de Santiago, entre outros. No seu primeiro discurso, Manuel Adelino começou por fazer alusão ao artigo primeiro do Compromisso da Irmandade da Santa Casa, que é uma associação de fiéis, constituída na ordem jurídica canónica (...) para dizer que “quase tudo isto deixámos infelizmente de ser por diversas ocasiões no passado recente. Entre um rol de situações lamentáveis, onde avultou o desrespeito pelos irmãos e pelas decisões das Assembleias Gerais, foi o aproveitar das fragilidades do nosso Compromisso que mais nos chocou”. Continuou o Provedor que considera prioritário “rever esse compromisso com o objectivo de proteger a instituição de todas e quaisquer intenções à margem da ética”. Num plano mais futurista Manuel Adelino não esqueceu de salientar alguns dos pontos do seu programa eleitoral que faz questão de cumprir a curto prazo. É o caso do “reforço dos cabazes alimentares distribuídos com o apoio da Câmara Municipal, a quem vamos solicitar a actualização do respectivo protocolo”. A formação das funcionárias é um item com relevância para os novos corpos sociais tal como a revitalização do voluntariado. Também a garantia da continuidade da valência de ATL foi uma das bandeiras de candidatura de Manuel Adelino que o recém eleito Provedor não vai descurar.
Quanto à auditoria financeira às contas da instituição, o provedor, já em exercício desde dia 1 de Julho, reforça essa intenção acrescentando que vai estender a análise “ao sector administrativo conferindo todos os processos e englobando as decisões de investimento que esqueceram o recurso a subsídios estatais”. Programas esses que a Santa Casa vai tentar candidatar-se para a construção de um novo Lar. Antes dos agradecimentos, Manuel Adelino manifestou também uma palavra de apreço todos os irmãos que depositaram confiança em si, e na sua lista. Dirigindo-se “às pessoas de boa vontade, das quais todo o apoio será bem vindo”, concluiu.


Eloísa Silva

Motoclube de Cezimbra promove 1ª Concentração Motard em Sesimbra

"Jornal de Sesimbra", de 19 de Agosto de 2008

O Motoclube de Cezimbra realizou nos passados dias 30, 31 de Maio e 1 de Junho a 1ª Concentração Motard no concelho de Sesimbra. O evento teve lugar no Parque de Campismo do Forte do Cavalo e serviu para assinalar os nove anos de existência da associação.
Durante três dias os responsáveis proporcionaram aos visitantes muita animação e alegria com concertos, jogos tradicionais e um espectáculo de freestyle, entre outras actividades. Com um programa bastante diversificado houve ainda espaço para a presença das escolas e grupos de samba do concelho, algo que não é habitual acontecer em eventos do género mas que se justificava “pelo facto de Sesimbra ter boas escolas de samba e, talvez, as melhores do país”, explicou ao Jornal de Sesimbra Eurico Rodrigues, vice-presidente do Motoclube de Cezimbra.
O evento contou com alguns apoios, nomeadamente da Câmara Municipal, Junta de Freguesia do Castelo e comércio local que, na perspectiva do responsável foram “bastante importantes. Não conseguimos contactar todos, como é normal, mas cerca de oitenta por cento dos comerciantes abordados deram-nos força e apoiaram-nos a cem por cento. A maioria concordou que um evento deste tipo fazia falta em Sesimbra porque traz muita gente para a vila”. Organizar uma concentração motard “não é fácil e sem apoios ainda é mais complicado. O Motoclube é uma associação sem fins lucrativos, vive das quotas dos sócios e do pequeno bar que existe na sede e que está aberto a qualquer pessoa”. Mesmo com os apoios “foi muito complicado organizar tudo”, lamentou, “não só a nível burocrático como pessoal, é preciso muita gente e contávamos ter mais adesão por parte dos sócios”.
“Fazer algo diferente que nunca foi feito em Sesimbra” foi o principal objectivo do evento que, Eurico Rodrigues espera que tenha servido para “limpar a imagem que as pessoas têm dos motoqueiros”. A 1ª Concentração Motard de Sesimbra contou com a presença de sócios, amigos e familiares do clube, bem como de outros Motoclubes do país. O vice-presidente da associação espera que tenha sido “a primeira de muitas” e explica ao Jornal de Sesimbra como tudo começou.
ENTREVISTA
Jornal de Sesimbra (J.S.): Como é que surgiu a ideia de criarem um Motoclube?

Eurico Rodrigues (E.R.): O Motoclube surgiu há dez anos, durante um jantar. No primeiro ano éramos apenas um grupo de amigos amantes de motas e ainda fizemos algumas festas só como grupo motard. Só depois começámos a pensar a sério na ideia de formarmos um clube.
J.S.: E começou com quantas pessoas?

E.R.: No início eramos à volta de cinco pessoas, mas quando formámos o clube já eramos cerca de 12 elementos.
J.S.: Tiveram a ideia de criar o Motoclube porquê? Pelas motas?

E.R.: Pode-se dizer que sim. Praticamente todos tínhamos mota e, como não existia no concelho uma sede ou um ponto de encontro dos amantes das motas, achávamos que era preciso fazer alguma coisa para mudar isso. Tínhamos previstas algumas actividades e então começámos a juntar alguns amigos numa sede provisória, onde fazíamos as nossas reuniões e organizávamos tudo.
J.S.: Actualmente quantos sócios têm?

E.R.: Somos cerca de 118. Temos alguns sócios fora do concelho mas a maioria é de Sesimbra.
J.S.: Quanto é que custa fazer parte do Motoclube de Cezimbra?

E.R.: Trinta euros por ano com uma jóia de inscrição como qualquer colectividade.
J.S.: Quais são as vantagens de ser sócio?

E.R.: O sócio tem descontos nos passeios e actividades que realizamos, nos jantares e no almoços. Funcionamos como uma associação e há sempre beneficios que o não-sócio não tem.
J.S.: Têm sede própria?

E.R.: Sim, a nossa sede está situada na estrada das Pedreiras.
J.S.: Têm sede própria e funcionam como uma associação. Nesta altura há alguma coisa que vos faça falta?E.R.: Falta os sócios comparecerem mais e ajudarem mais nas actividades. Temos sempre um plano de actividades, que é feito no início de cada ano, onde estão todas as actividades que o Motoclube vai realizar durante o ano. Claro que quando as organizamos contamos com a participação dos sócios e uma grande maioria não aparece e não colabora como devia. Somos realmente poucos elementos a gerir a associação.
J.S.: Também participam em actividades de outros Motoclubes. Há algum tipo de parceria com as outras associações?

E.R.: Temos muitos conhecimentos e amizades com sócios de outros Motoclubes e há concentrações em que participamos todos os anos. Nos últimos dez anos posso salientar uma que vamos todos os anos, cerca de trinta pessoas, que é a concentração de Góis. Também vamos à de Faro e da Vidigueira. De norte a sul do país acontecem cerca de 400 concentrações e temos de escolher as melhores ou as que gostamos mais. O Motoclube de Cezimbra com sede na estrada das Pedreiras foi fundado a 28 de Maio de 1999 e realizou, este ano, a 1ª Concentração Motard no concelho de Sesimbra.

Sofia Mendes

Castelo de Sesimbra recebe terceira edição das Jornadas Medievais

“Jornal de Sesimbra”, de 19 de Agosto de 2008

O Castelo de Sesimbra volta a ser palco, durante os fins-de-semana de Julho, de uma viagem no tempo até à Idade Média, com a realização de mais uma edição das Jornadas Medievais.
A iniciativa, da Junta de Freguesia do Castelo em parceria com a Câmara Municipal de Sesimbra, pretende, segundo Francisco Jesus “aliar o que de melhor existe na freguesia em termos de património, o Castelo de Sesimbra, e a vertente cultural, dando um enfoque especial à música medieval”. Concertos, recriações históricas, animações de rua e exposições fazem parte do cartaz. A Igreja de Nossa Senhora da Consolação do Castelo será o palco das actuações das bandas Axabeba, Mediae Vox e Mediterranea Medieval nos dias 5, 12 e 19 de Julho, a partir das 22 horas. Destaque ainda para a inauguração da exposição permanente na Torre Nova do Castelo.
Para além dos concertos, a terceira edição do evento vai contar com algumas novidades, entre elas uma exposição de instrumentos de música árabe e medieval, patente no Centro de Documentação Rafael Monteiro e que vai estar aberta entre 5 e 19 de Julho. Outra das inovações passa pela “reprodução de um festim medieval, no dia 25, na Torre de Menagem”. O evento vai contar com música e animações de fogo, cenográficas e cénicas, que ficam a cargo dos grupos Bando de Menestréis, AnimaMundi, Bailarinas Zambara ou o Grupo Art’Encena.
As Jornadas deste ano têm ainda o seu ponto alto na inauguração da exposição permanente da Torre Nova, que retrata o quotidiano do Castelo de Sesimbra durante a Idade Média.
Ao contrário das edições anteriores, este ano as entradas vão custar três euros a fim de evitar situações que, no ano passado, chegaram a ser condicionantes para a actuação dos próprios grupos devido ao excesso de público. “É uma forma de organizar melhor os concertos”, salienta o autarca. Os ingressos vão estar à venda em diversos locais do concelho e será, novamente, disponibilizado transporte gratuito em autocarro de Sesimbra para o Castelo para evitar alguns problemas de estacionamento. O orçamento final deste projecto, financiado pela Junta do Castelo e pela Câmara de Sesimbra, é de 14 mil euros, mais 1.500 euros que no ano passado.
As terceiras Jornadas Medievais de Sesimbra começam no dia 5 de Julho e prolongam-se até dia 26 no Castelo de Sesimbra, com um regresso ao passado na música medieval.


Sofia Mendes

05 Agosto 2008

Tribunal não rejeita queima de resíduos perigosos na Secil

Jornal “O Setubalense”, de 4 de Agosto de 2008

O Ministério do Ambiente anunciou, no final da passada semana, que o Tribunal Administrativo e Fiscal (TAF) de Almada rejeitou uma providência cautelar apresentada pelas câmaras de Palmela, Sesimbra e Setúbal, destinada a impedir a co-incineração de resíduos industriais perigosos na cimenteira da Secil.
Em comunicado o ministério do Ambiente anunciou que o Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada recusou os “pedidos de suspensão de eficácia da licença ambiental, da licença de instalação e da licença de exploração que permitiam queimar lixo perigoso naquela unidade industrial”.
Aquele tribunal considerou ainda improcedentes os pedidos feitos pelas autarquias, que queriam impedir o ministério de atribuir novas licenças à fábrica da Secil e travar a realização de testes e operações de queima na cimenteira.
"Os efeitos suspensivos da providência cautelar já se encontravam anulados por via da Resolução Fundamentada apresentada pela Agência Portuguesa do Ambiente (entidade que emite as licenças) em 14 de Fevereiro de 2008", pode ler-se naquele mesmo comunicado.
O advogado Castanheira Barros, que representa as três autarquias, disse não ter tido ainda conhecimento da decisão e que, "se assim é, essa decisão é completamente inesperada"
Recorde-se que em Janeiro deste ano, o Supremo Tribunal Administrativo (STA) já tinha dado "luz verde" à queima de resíduos industriais perigosos no Outão, em resposta à Secil e ao Ministério do Ambiente que recorreram da decisão do Tribunal Administrativo do Sul que confirmou a sentença do Tribunal Administrativo de Almada no sentido de suspender a co-incineração no Outão. Em Novembro do ano passado, o STA também autorizou a co-incineração em Souselas, Coimbra, contrariando duas decisões de instâncias inferiores.

Nudistas querem mais praias no Algarve

Jornal “Expresso”, de 3 de Agosto de 2008

Querem andar como vieram ao Mundo, mas por enquanto os naturistas têm apenas duas praias oficiais na região algarvia. Em breve, poderão ser cinco.
As praias de João Arens, em Portimão, Meia-Praia (parcial), em Lagos e Praia das Furnas, em Vila do Bispo, podem vir a tornar-se, muito em breve, praias autorizadas para a prática do nudismo, juntando-se assim à Praia do Barril e à Praia das Adegas.
O Clube Naturista do Algarve (CNA) requereu, na semana passada, autorizações junto dos respectivos municípios, e embora não haja ainda resposta oficial, ao que tudo indica as respostas deverão ser positivas, afiança ao Expresso Álvaro Campos, presidente do Clube Naturista do Algarve. "Há receptividade e de facto não se percebe como é que um país como Portugal não tem investido quase nada nesta área quando há milhares de pessoas de classe média-alta na Europa, em zonas naturistas", diz.
"Há, de facto, um nicho de mercado interessante", afirma António Pina, presidente da Região de Turismo do Algarve (RTA). "Não podemos ter virtudes públicas, e vícios privados, isso é típico das hipocrisias", critica Pina, que adiciona questões estratégicas de mercado que o fazem pender a favor do sim. "Estima-se que haja cerca de 400 mil naturistas na Europa, e por isso se as autarquias nos pedirem um parecer nós diremos que sim, desde que sejam praias oficializadas", refere.
Por estas razões, a RTA poderá vir em breve a editar um Guia de Praias Naturistas, de 28 páginas, intitulado "Algarve ao Sol", com informação sobre as praias naturistas, oficiais e não-oficiais, e adicionar um link para o site do CNA na página da RTA (ver link no fim do texto) propostas a discutir proximamente no órgão executivo da Região de Turismo, e António Pina não descarta a hipótese de divulgação além-fronteiras, através da Associação de Turismo do Algarve, mais virada para a promoção externa.
Mas o tabú dos banhistas pelados tem demorado bastante a ser vencido. No Algarve, existem apenas duas praias onde o naturismo é oficialmente permitido, apesar de várias onde ele é tolerado. É o caso da Praia João Arens (Portimão), Ancão (Vila Real de Santo António), Fuzeta (Olhão), Trafal (Loulé), Praia Grande (Silves), Meia-Praia, Pinheiros e Canavial (Lagos), Cabanas Velhas, Furnas e Zavial (Vila do Bispo) e a Praia da Bordeira, em Aljezur.
Em Portugal existem cinco praias oficiais: uma na costa alentejana, em Porto Covo, uma em Almada e outra em Sesimbra, a Praia do Meco e ainda duas no Algarve, a Praia das Adegas, em Odeceixe (concelho de Aljezur) e a Praia do Barril (Ilha de Tavira) numa extensão de 750 metros, isto para além de dois parques naturistas, um em Oliveira do Hospital, outro em Santiago do Cacém e um outro parcial, na Quinta dos Carriços, em Vila do Bispo, no Algarve.
Três quilómetros para ir ao WC
Apesar de permitido naturismo, ainda há um longo caminho a percorrer, sobretudo para aqueles que o querem fazer na Praia do Barril e são assolados pela necessidade urgente de ir ao WC.
É que a área onde é permitido tirar a roupa na totalidade dista cerca de 1,5 kms do apoio de praia mais próximo. "Temos de vestir a roupa e ir a pé pelo areal. Normalmente até nem nos importaríamos de o fazer, que os naturistas gostam de andar, mas agora no Verão, com o calor torna-se muito complicado", critica Álvaro Campos. "Nós achamos bem que os outros tenham parques de estacionamento, apoios de praia e tudo isso, o que nós não aceitamos é ser tratados como portugueses de segunda", acrescenta.
Seguramente pela falta de apoios, numa recente recolha de lixo na Ilha do Barril aquilo que os naturistas mais encontraram foi... papel higiénico.
Apesar de tudo, Álvaro reconhece que as coisas estão a melhorar e desde há 5 anos para cá, altura em que foi criado o Clube Naturista do Algarve, se alguma coisa mudou foram as mentalidades: "Já não se nota os mirones, por exemplo, pessoas a quererem tirar fotografias ou filmar, isso acontece ainda mais para o Norte como a Praia do Meco", reconhece, admitindo que hoje em dias as praias naturistas no Algarve mais parecem praias "têxteis", vocabulário com que os naturistas habitualmente caracterizam os outros, aqueles que vestem fatos de banho, caso de António Pina: "Não é uma tentação para mim, mas respeito", diz, com um sorriso, o presidente da Região de Turismo do Algarve.

31 Julho 2008

Chama-me Fado (Sesimbra)

Jornal "Público", de 30 de Julho de 2008

Falar de Fado através da dança. Este é o desafio a que a Companhia de Dança Contemporânea de Sintra se propôs responder. Quatro bailarinas e cinco músicos dão vida a uma interpretação do Fado, não só enquanto música, mas enquanto sentimento, forma de estar e viver. Dia 9 de Agosto, no Cine-Teatro Municipal João Mota, em Sesimbra.

29 Julho 2008

Sesimbra: Vitória de Obama vai provocar viragem política - Mário Soares

Revista “Visão”, de 26 de Julho de 2008

Mário Soares defendeu na sexta-feira, em Sesimbra, que a vitória do candidato democrata, Barak Obama, nas eleições presidenciais dos Estados Unidos, pode representar uma viragem nas políticas neoliberais que têm sido seguidas nos países ocidentais nos últimos anos.
"O que se passou ontem (quinta-feira) em Berlim é uma coisa fabulosa. Cerca de 200 mil pessoas foram ouvir um candidato à presidência dos Estados Unidos porque sentem que é ali que está a esperança", disse o antigo Presidente da República.
Para Mário Soares a vitória de Barak Obama também é fundamental para a União Europeia, que, na opinião do antigo dirigente socialista, tem vindo a privilegiar as questões económicas em detrimento de um projecto político.
"Sou a favor de um projecto político europeu, não de um projecto económico", disse Soares, muito crítico em relação a alguns líderes europeus, como Gordon Brown (Inglaterra), Silvio Berlusconi (Itália), mas também de Nicolas Sarkozy (França), que acusou de não terem projecto político.
Mário Soares falava a cerca de 200 pessoas no Clube de Sesimbra durante o debate sobre "A Importância da Política", promovido pelo Observa -- um grupo de cidadãos sesimbrenses de diversas áreas políticas.
Numa abordagem directa ao tema proposto para o debate, em também participaram o renovador comunista Carlos Brito e o deputado do Bloco de Esquerda Fernando Rosas, Soares disse que "a política é da maior importância desde que tenhamos convicções".
"Não podemos é pensar que a política serve para ganhar a vida, fazer negócio ou lobby", acrescentou.
Para Fernando Rosas, deputado do Bloco de Esquerda eleito por Setúbal, a política está na ordem do dia em toda a Europa, onde ocorre "um ataque civilizacionalmente regressivo" aos direitos adquiridos pelos trabalhadores.
"A desregulamentação do trabalho, as privatizações da água, da energia", bem como o "agravamento drástico das desigualdades entre países e dentro de cada país", foram algumas das críticas de Fernando Rosas ao neoliberalismo dos países ocidentais nos últimos anos.
O renovador comunista Carlos Brito preferiu fazer uma outra abordagem do tema proposto para o debate, optando por enunciar algumas das razões que têm contribuído para um "afastamento cada vez maior dos portugueses da actividade política".
A inflexão para políticas de direita, que não correspondem aos anseios da população, as falsas promessas dos políticos e o funcionamento dos partidos, que considerou excessivamente condicionado pelos aparelhos partidários, foram algumas das justificações apresentadas pelo renovador comunista.
Carlos Brito acabou também por surpreender ao afirmar que defendeu o apoio do PCP à continuidade do então primeiro-ministro António Guterres, quando este pediu a demissão depois da derrota nas eleições autárquicas de 2001, em que o PS perdeu as principais câmaras municipais, incluindo Lisboa e Porto.
"Defendi que o nosso secretário-geral, Carlos Carvalhas, quando foi chamado a Belém pelo Presidente da República, deveria ter dito perante as câmaras de televisão que o PCP estava disponível para viabilizar um novo governo do PS", disse Carlos Brito, adiantando que este facto terá sido a gota de água que o levou a afastar-se do Partido Comunista.

Quinzena do peixe-espada preto em Sesimbra

Jornal “Margem Sul”, de 8 de Julho de 2008

O lançamento do livro “Peixe-espada de Sesimbra – A Preto e Branco”, da autoria de António Reis Marques, no próximo dia 19, é o grande destaque da Quinzena Gastronómica dedicada ao Peixe-espada Preto, organizada pela Câmara Municipal, ArtesanalPesca e associações de comerciantes locais, que decorre entre os dias 12 e 27 de Julho, em 50 restaurantes do concelho.
O arranque da iniciativa teve ontem lugar, com uma mesa redonda dedicada ao impacto da espécie na economia e gastronomia locais. O restaurante Barca Delta, um dos participantes no certame, foi o palco escolhido para esta conversa, que contou com a presença de José Polido, vereador das Actividades Económicas da Câmara Municipal, Oliveira Martins, da Associação de Comerciantes e Industriais do Concelho de Sesimbra, António Narciso, da Associação de Comércio e Serviços do Distrito de Setúbal, Manuel José Pinto Alves, da ArtesanalPesca, e António Reis Marques, autor do livro.
José Polido, em nome da autarquia, destacou o facto de 82 por cento das capturas desta espécie em Portugal serem originárias de Sesimbra, o que tem permitido “aumentar o valor do pescado e dar a conhecer as qualidades deste peixe”. O seu sucesso na gastronomia levou a autarquia a tentar certificar a marca, um processo que deverá estar concluído no espaço de três anos.
Manuel José Pinto Alves, representante da ArtesanalPesca, cooperativa de pescadores que desde 2007 recebe e transforma todo o Peixe-espada Preto capturado pelas embarcações sesimbrenses, para posterior colocação no mercado nacional e internacional, referiu que a cooperativa “trabalha com todas as cadeias de lojas de grande superfície e os pescadores ganham actualmente mais do que alguma vez ganharam”.Para este impulsionador da cooperativa, o acréscimo de captura tem permitido a venda do peixe a pelo menos três euros por quilo, um aumento significativo em relação aos preços praticados há alguns anos atrás.
A Quinzena Gastronómica decorre há três anos e pretende dinamizar a gastronomia, além de impulsionar a venda deste produto típico de Sesimbra. Os chefes de cozinha têm-se mostrado à altura do desafio visto que a cada ano que passa apresentam receitas mais surpreendentes. Na Quinzena do ano passado foram vendidos mais de 3750 pratos, um número que a organização considerou bastante elevado, mas que todos os dinamizadores esperam superar na edição deste ano.
A história da pesca do peixe-espada em Sesimbra, desde o branco, pescado próximo da costa, às viagens até bancos do Atlântico, aos acordos com Marrocos e, mais tarde, ao preto, que ainda hoje se mantém como grande impulsionador da pesca local, é contada por António Reis Marques da forma simples, apelativa e ao mesmo tempo detalhada, que caracteriza a sua escrita.

19 Julho 2008

Objectivos e preocupações da nova direcção

Jornal “O Setubalense”, de 14 de Julho de 2008

Constituída por uma nova direcção, eleita no passado mês de Abril, a LASA aposta em elementos técnico - qualificados, com capacidade de assegurar a qualidade das intervenções publicas, contribuindo com projectos e soluções tecnicamente qualificadas para a resolução de problemas actuais, mas também, numa intervenção mais direccionada para a zona de Azeitão, e que deverá abranger vários sectores, com destaque para a área ambiental e patrimonial, sendo de referir um possível debate sobre o Palácio dos Duques de Aveiro, desenvolvido no âmbito do programa de debates sobre o património.
Na conferência de imprensa, que se realizou na passada sexta-feira nas novas instituições da LASA, na Travessa Galopim, na baixa da cidade, o vice-presidente da direcção, Rui Farinho referiu a necessidade de requalificar alguns espaços públicos de utilidade, como é o caso da entrada do Museu de Setúbal, que lembra ser de “instalação provisória a mais de uma década”, uma preocupação partilhada por Manuel Sequeira, que lembrou ainda, a necessidade de Setúbal aproveitar os inúmeros postos de trabalho que vão surgir em Setúbal, com os vários projectos que estão previstos para esta região, uma necessidade justificada pela elevada taxa de desemprego que abrange Setúbal e que leva Manuel Sequeira a questionar as iniciativas e os cursos que estão a ser desenvolvidos para que Setúbal aproveite esta benesse.

06 Julho 2008

Câmara apresenta estudos urbanísticos

Jornal “O Setubalense”, de 4 de Julho de 2008

O estudo urbanístico para os terrenos da Carmona e da Gonvarri centram-se na hipótese de deslocar as duas fábricas para a zona da Mitrena, numa tentativa de salvaguardar a segurança das populações.
No caso da empresa Carmona, em Setúbal, a preocupação reside no facto desta empresa de resíduos perigosos viver paredes-meias com a população, o que deixa autoridades e habitantes alertados para o perigo de eventuais acidentes que possam ocorrer, sendo ainda de referir, o risco para a saúde pública destes moradores.
No que se refere à empresa Gonvari, uma fábrica metalo-mecânica localizada em Azeitão, a preocupação encontra-se no transporte dos materiais. O objectivo é tentar evitar acidentes graves, que embora nunca tenham acontecido, a verdade é que alguns dos rolos de ferro, diariamente, transportados para a fábrica já caíram dos camiões que asseguram este serviço, uma situação que merece a preocupação das entidades competentes, já que tal ocorrência põe em risco a segurança física dos automobilistas e da respectiva população.
O Pólo Comercial de Setúbal, um projecto que o vereador André Martins, destacou pelo facto de ter a capacidade de vir “criar um significativo número de postos de emprego em Setúbal”, foi outro dos estudos abordados. Trata-se de um projecto que, segundo o vereador responsável pelo pelouro do urbanismo, tem como objectivo atrair pessoas de fora, à cidade de Setúbal para ai fazerem as suas compras, invertendo assim, a actual tendência que lava muitos setubalenses a satisfazerem esta necessidade fora do concelho, assegurando as necessidades da população sadina.
De referir que estes estudos urbanísticos, aprovados na última Sessão de Câmara, onde apenas a proposta para o Pólo Tecnológico do IPS não foi aprovado pela oposição, vão ter a duração de quatro meses.
Justificando a conferência de imprensa que se realizou ontem no Salão Nobre dos Paços do Concelho pela necessidade de dar a conhecer o trabalho e os projectos que têm vindo a ser desenvolvidos, André Martins, que presidiu a sessão, explicou que está a decorrer um processo normal de revisão do Plano Director Municipal (PDM) que engloba uma estratégia de desenvolvimento para a cidade e centro urbano, abrangendo áreas de extrema importância para a cidade de Setúbal.
Neste encontro foram ainda, referidos outros estudos urbanísticos aprovados em Fevereiro, e que se encontram já em andamento, como é o caso da Ribeira do Machado, em Azeitão, que abrange numa das áreas de preocupação da autarquia, na medida em que aponta para uma estratégia de desenvolvimento do turismo, abrangendo a mobilidade dentro da cidade e uma estratégia de salvaguarda dos valores ambientais, preciosos para o turismo.


Cláudia Paiva

Parque de estacionamento automóvel “nasce” entre palmeiras na marginal junto à Lota

Jornal "O Setubalense", de 16 de Junho de 2008

A área ribeirinha, junto à Lota, que integra um conjunto de palmeiras, vai receber um parque de estacionamento automóvel. As obras em curso deverão estar concluídas previsivelmente dentro de mês e meio, e visam reordenar o estacionamento de apoio à Lota.
O espaço, até agora de terra batida, onde estão implantadas cerca de três dezenas de palmeiras - entre o edifício da Docapesca e o Clube Naval Setubalense - vai passar a acolher um parque de estacionamento automóvel. A obra está a ser executada por administração directa dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS).
Recorde-se que neste espaço existiu noutros tempos a histórica e mítica fábrica de gelo, conhecida por ‘Chanoca’, edifício de razoáveis dimensões que contemplava vários pisos, o qual acabou por ser desmantelado há cerca de quinze anos, depois de vários anos desactivado e abandonado.
Posteriormente, a administração portuária, com jurisdição naquela área ribeirinha, procedeu à plantação das actuais palmeiras, como forma de ocupar e embelezar aquele devoluto espaço.
A obra de pavimentação decorre desde há semanas naquela zona da marginal e, de acordo com fonte da administração da APSS contactada por «O Setubalense», entidade responsável pela empreitada em curso, o piso deste futuro parque de estacionamento deixará de ser em terra batida, porque está sendo pavimentado em pavet de betão, e “visa melhorar as condições de parqueamento na zona.”
O término desta obra está previsto para finais do próximo mês de Fevereiro, princípios de Março, no máximo. A garantia foi ainda deixada pela APSS, que acrescentou que o futuro parque de estacionamento destina-se a apoiar os utilizadores de primeira e segunda e vendas da Lota.
É sabido que ao início das noites e princípios das madrugadas, aquela artéria é bastante movimentada, particularmente pela circulação de carrinhas e camiões, que procedem à carga e descarga de pescado. Tal situação tem motivado a obstrução do trânsito automóvel, com os imagináveis prejuízos.
Com esta obra, pretende-se, simultaneamente, a requalificação desta zona ribeirinha, e a melhoria da operacionalidade para compradores e vendedores de pescado, todas as noites, nos movimentados espaços de primeira e segunda vendas da Lota.
No seguimento desta artéria marginal, no lado poente - entre o final da Doca dos Pescadores e acesso ao parque urbano de Albarquel – prosseguem entretanto as obras na via pública, ao abrigo do programa Polis. O objectivo é melhorar e dignificar toda aquela frente ribeirinha. Recordar, ainda, que também a placa central do final, poente, da avenida Luísa Todi – perto da saída para as praias - sofre profunda obra, e naquele espaço irá nascer um parque de estacionamento automóvel.


Teodoro João

Co-incineração: adiado julgamento de acções de municípios contra ministérios e Secil

Jornal “Público”, de 30 de Junho de 2008

O início do julgamento de duas acções administrativas especiais apresentadas pelos municípios de Setúbal, Sesimbra e Palmela contra os ministérios do Ambiente e da Economia e a Secil, a propósito da co-incineração na Arrábida, foi hoje adiado.
O juiz do Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada decidiu adiar o início do julgamento por ainda existirem alguns requerimentos que estão dentro do prazo de resposta.
"O juiz decidiu, e na minha opinião bem, adiar o início do julgamento pois existem requerimentos ainda dentro do prazo de resposta e corria-se o risco das testemunhas poderem ter que ser novamente chamadas para prestar esclarecimentos", disse o advogado Castanheira Barros, que representa os municípios, depois dos advogados de todas as partes terem estado com o juiz.
Castanheira Barros explicou que em causa está uma Declaração Ambiental favorável à co-incineração de resíduos industriais perigosos na Secil, à qual terá que responder até ao dia 3 de Julho.
"Foi assinada no dia 28 de Maio de 2008 uma Declaração Ambiental favorável pelo secretário de Estado do Ambiente e agora terei até ao dia 3 de Julho de me pronunciar. Só tive conhecimento desta situação há pouco tempo e já estou a trabalhar nesse sentido", explicou Castanheira Barros.
Os municípios de Setúbal, Sesimbra e Palmela levantaram duas acções administrativas especiais contra o Ministério do Ambiente, Ministério da Economia e Secil. "A primeira acção impugnou o despacho do ministro do Ambiente que dispensou a Secil da Avaliação de Impacte Ambiental, a segunda acção impugnou e pediu anulação das licenças ambiental, de instalação e exploração. É isto que está em causa", explicou Castanheira Barros. O julgamento não tem ainda nova data marcada.

Equipamentos de frio são sucesso na pesca

Jornal "Diário de Notícias", de 4 de Julho de 2008

Nem tudo é um mar de problemas no sector das pescas. Pelo menos na doca de Sesimbra "mora" um exemplo de sucesso, alicerçado numa ideia posta em prática pelos armadores em 1986. Criaram uma associação, foram conquistando mercado e na última década deram o salto decisivo com um investimento de cinco milhões de euros em câmaras congeladoras e de refrigeração.
O retorno não se fez esperar. Hoje, a Artesanal Pesca factura um milhão de euros por mês e emprega 40 pessoas. Mas há espaço para crescer.
O director, Manuel Alves, não é muito dado a auto-elogios, justificando ser as pescas uma actividade de "alto risco", que a qualquer momento mergulha numa crise inesperada. Mas congratula-se com os resultados obtidos nesta união de 20 armadores, que hoje ocupa uma área de trabalho de 1800 metros quadrados, onde os equipamentos de congelação se perfilam como sendo uma mais-valia. A capacidade de armazenamento atinge as 400 toneladas.
Trata-se de uma forma de responder à velha questão da comercialização. "Quando um pescador apanha muito peixe e julga que está rico, acaba por chegar à lota para o vender e vê que o preço é baixo. Estes equipamentos são a garantia de que as boas capturas não fazem cair o preço do peixe, porque ele pode ficar aqui armazenado e ser vendido mais tarde", explica Manuel Alves.
Actualmente, a empresa enquadra 16 barcos, com contratos directos com armadores para receber toda a sua produção, ficando responsável pela distribuição do pescado, com valores compensatórios em relação às capturas.
Nas instalações da Artesanal Pesca, os funcionários não têm mãos a medir para transformar e processar o peixe, aumentando a sua cadeia de valor através da inovação.
Mas foi apenas a 17 de Setembro de 2007 que a associação logrou conquistar uma velha reivindicação. A partir desse dia, passou a ser responsável pela venda da totalidade do peixe capturado pelos barcos seus associados. "Foi isso que nos permitiu valorizar o pescado e garantir o tal preço fixo", explicou Manuel Alves, sustentando que a partir daí se passou a combater com maior eficácia a desvalorização do pescado sujeito em leilão.
"É verdade que já tivemos crises, mas se não tivéssemos esta organização não teríamos resistido", diz, revelando que esta parceria não surgiu por acaso. Os responsáveis realizaram visitas a Espanha e França, para aprenderem com os colegas, mas também fizeram questão de marcar presença num encontro com armadores da Noruega, Dinamarca e Islândia. Uma troca de experiências que alertaram para a relevância de possuírem bons equipamentos, mas onde também aprenderam a dar instruções aos barcos para que façam capturas suficientes para o mercado "sem deixar degradar os recursos" .
Além de vender localmente a preços fixos, competindo com o leilão da lota, a Artesanal Pesca abastece todo o País, através das grandes superfícies, de peixe-espada preto (a principal fonte de receita), lixas, carochos e cação, com 10% da produção exportada para Espanha e França.
Um recente negócio de venda de peixe congelado na Austrália é considerado como um "passo importante" para o eventual aumento de vendas ao exterior. "O nosso peixe é mais saboroso e pode conquistar muitos adeptos lá fora", admite.


Roberto Dores

26 Junho 2008

O queijo de Anjo que ganha o mundo

Jornal “Diário de Notícias”, de 30 de Maio de 2008

Quando há 16 anos os irmãos Simões decidiriam investir algumas economias numa pequena queijaria na Quinta do Anjo (Palmela) estavam longe de imaginar que um dia os seus queijos iriam percorrer todo o País e cruzar fronteiras, rumo a lojas gourmet de Nova Iorque, Boston, Filadélfia ou Washington e a países como Luxemburgo, Angola, Canadá, Grã--Bretanha, Suíça e Holanda. "Isto era para a minha mulher e a minha cunhada terem o seu trabalho, mas já viu o que crescemos? Não é brincadeira, e olhe que são dos queijos mais caros do mundo", alerta orgulhoso o empresário Rui Simões.
Há alguns anos que este antigo serralheiro e o irmão eram donos de um rebanho de 200 ovelhas, mas limitavam-se a arrendar leite para a confecção de queijo. Até ao dia em que decidiram deitar mãos à obra e avançar para o seu próprio negócio. As mulheres não tinham emprego e talvez a queijaria Fernando & Simões, de produção artesanal, viesse a ser uma oportunidade para ambas. E foi.
Recorreram a um antigo queijeiro que durante meses lhes ensinou os segredos mais bem guardados do célebre queijo de Azeitão. Com uma produção diária de 50 litros de leite, provenientes das suas próprias ovelhas, começaram a confeccionar os primeiros exemplares. De pasta amarela e amanteigada, onde a flor do cardo "empresta" a enzima vegetal que faz coagular o leite. "Tirávamos entre 20 a 25 queijos por dia, que vendíamos à porta de casa", recorda Rui Simões, congratulando-se com a decisão de ter estabelecido uma parceria com a empresa Coalho, que assumiu a comercialização do produto.
Já lá vão dez anos que o negócio da vida se concretizou, sendo que o crescimento da firma se perfilou imparável. Hoje, a Fernando & Simões tem 800 ovelhas que chegam a dar dois mil litros de leite por dia, nos meses de maior produção, permitindo nesse período um fabrico diário de 1500 queijos achatados de 220 gramas, à ordem de quatro euros cada um.
"Mas isso é se for comprado aqui, na minha casa, porque aí fora vendem-nos a mais do dobro. Eu não posso fazer nada. Há dias fui a um restaurante, que é meu cliente, e os queijos que foram aqui comprados a menos de quatro euros, por ser para revenda, estavam a 12 euros na ementa. Tenho de me calar, é o negócio", admite,resignado, antes de partilhar o seu dia-a--dia na empresa onde são produzidos mais de metade dos célebres queijos de Azeitão certificados, que rendem uma facturação anual próxima do milhão de euros.
"É preciso ter paixão por isto. Entro aqui às 3.00 e nunca saio antes das 19.00. Até aos domingos tenho que vir voltar os queijos. É a única forma de manter a qualidade. De outra maneira não havia hipótese", revela, admitindo que já não se imagina "fora deste ambiente", onde tudo é branco, das paredes, às batas, até às botas, num cenário dominado pelo intenso cheiro a coalhada, que por momentos se entranha na própria roupa.
Em breve haverá mais trabalho na calha. É que a Fernando & Simões começou há uma semana a investir na produção de requeijão e tem já prevista, para Junho, o alargamento da actividade ao queijo fresco. Não vai haver lugar ao aumento dos actuais 12 postos de trabalho, mas será um passo para tentar manter os empregos na casa.
"Está tudo muito difícil e a toda hora fecham empresas. O queijo não é um artigo de primeira necessidade, pelo que queremos apresentar alternativas ao consumidor. Depois, o queijo de Azeitão estagnou e não está a responder ao poder de compra. Não podemos cruzar os braços", avisa.
Porque as vendas "já tiveram melhores dias", assume, a empresa da Quinta do Anjo mantém o mercado espanhol sob a mira, havendo já contactos com uma empresa de Madrid. Mas, por enquanto, as negociações estão mergulhadas num impasse.

Roberto Dores



Moscatel José Maria da Fonseca em leilão

Jornal “O Setubalense”, de 26 de Maio de 2008

Na próxima terça-feira a José Maria da Fonseca vai colocar no mercado o seu Moscatel Roxo Superior de 1960. Este lançamento será feito através de um leilão a realizar nas Caves da empresa, em Vila Nogueira de Azeitão, sendo antecedido por um jantar onde vinhos da José Maria da Fonseca estarão em harmonia com a cozinha do Chef Vítor Sobral.
Para enriquecer este leilão, farão parte dos lotes outros vinhos da José Maria da Fonseca. O destaque vai para alguns Moscatéis de Setúbal e Moscatéis Roxos mais antigos, os Torna Viagem, Periquitas antigos e o famoso José de Sousa de 1940 (a tal colheita esquecida durante anos debaixo de uma pilha de carvão).

Há cinco anos a proteger os direitos das crianças

Jornal “O Setubalense”, de 19 de Maio de 2008

Nasceu do sonho de uma mulher, que desejava criar uma instituição de defesa das crianças mais desprotegidas. Meninos de Oiro foi criada em Dezembro de 2002 devido à vontade de um pequeno grupo de voluntários, tendo sido constituída formalmente a 14 de Maio de 2003.
A conferência que a associação Meninos de Oiro levou à Escola Superior de Tecnologia de Setúbal tinha como tema “Vítimas de vítimas”, porque segundo Maria do Céu Guitart “quem vitimiza já foi vitimizado”.
Isto acaba por tornar-se um ciclo vicioso e à sociedade “tentar interromper e dar oportunidades às pessoas de não prosseguirem esse ciclo”, impedindo-as de magoar os outros, pelo simples motivo de também terem sido magoados e esse gesto ser assim uma vingança por tudo o que sofreram.
Quem já foi uma vítima precisa de “enfrentar os seus fantasmas”, isto é conseguir “enfrentar a sua própria infância sem dor, sem rancor, para depois conseguir não fazer novas vítimas”, explica a fundadora e presidente da associação.
Mas o mais importante não é ajudar as pessoas a aceitar o seu passado mas sim lutar para que não existam vítimas. É isso que Céu Guitart e a associação Meninos de Oiro fazem diariamente, apoiando neste momento cerca de 120 famílias de Azeitão, todas com crianças.
Esta acção é desenvolvida através do Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental, que é o principal projecto da instituição, através do qual prestam “todos os tipos de apoios que forem considerados relevantes para melhorarem o desempenho” quer das crianças quer das próprias famílias, como apoio psicológico, higiénico sanitário, escolar ou terapia da fala, por exemplo.
Enfim, a associação tenta “capacitar a família para que as crianças deixem de estar numa situação de risco ou mesmo de perigo”, de modo a evitar que as crianças tenham de ser institucionalizadas, porque “ tirar a criança à família é sempre de uma violência extrema”, esclarece Céu Guitart, que se mostra feliz por a associação nunca ter passado por esta situação.
No entanto, estão a acompanhar um caso, em articulação com uma equipa que trabalha junto do Ministério Público e do Tribunal de Família, em que se não conseguirem tornar essa “família mais funcional, poderá se chegar mesmo ao momento em que a criança terá de ser retirada”.
É a pensar nestas situações que Céu Guitart destaca a importância de avançar com o projecto do Centro de Acolhimento Temporário, um espaço que vai servir para “institucionalizar a criança o menor tempo possível” até se encontrar uma solução definitiva. Neste momento o projecto está à espera que a Câmara Municipal de Setúbal ceda um terreno para a construção do centro.

Funeral de Mariana Cunha realizou-se ontem

Jornal “O Setubalense”, de 9 de Maio de 2008

Mariana Relvas Cunha, a menina de 12 anos que faleceu na sequência de um acidente de viação ocorrido na última segunda-feira, teve ontem, durante as cerimónias fúnebres que se repartiram entre Sesimbra e Elvas, onde o corpo foi cremado, dezenas de pessoas que não quiseram deixar de lhe prestar a sua última homenagem. O corpo da pequena Mariana – filha e neta de uma das famílias mais tradicionais e conhecidas de Sesimbra – esteve em câmara ardente, desde quarta-feira, na Capela da Santa Casa da Misericórdia de Sesimbra de onde saiu, às 11 horas de quinta-feira, com destino a Elvas onde o corpo foi cremado. Os restos mortais da menina regressaram novamente à terra natal da sua família onde lhe foram prestadas as últimas exéquias.
Lembramos que Mariana foi aluna da Academia Luísa Todi – frequentada actualmente pelo seu único irmão, um ano mais novo - , em Setúbal, até ao último ano lectivo. Este era o primeiro ano de frequência do Sr. Peter’s Sckool e deixa nos que a conheceram e que com ela contactaram a lembrança de uma menina muito sossegada, obediente, meiga e introvertida.

Um morto em acidente com autocarro escolar

Jornal “Diário de Notícias”, de 6 de Maio de 2008

Uma aluna, de 12 anos, não resistiu a um acidente que envolveu um autocarro escolar, da empresa de transportes Luísa Todi, e um camião que carregava várias toneladas de brita. Cerca de 20 menores, entre os 11 e os 15 anos, regressavam ao Zambujal, em Sesimbra, depois de mais um dia de escola. Outras três crianças sofreram ferimentos ligeiros, sendo transferidas para o Hospital Garcia de Orta, em Almada.
Passava as 19.30 quando o corpo foi retirado da ambulância, após as tentativas frustradas de reanimação dos médicos do INEM. O pai da criança, sentado num rail junto à ambulância, aguentou a dor com as mãos a tapar o rosto e partiu para o Garcia de Orta, sem proferir uma palavra. O pânico continuava estampado no rosto dos familiares, que procuravam saber o que tinha acontecido numa das muitas curvas da Estrada Nacional 379, que liga Azeitão a Sesimbra.
A colisão ocorreu às 18.15 no Alto das Vinhas, junto à localidade de Maçãs. O autocarro circulava no sentido de Sesimbra e foi abalroado por um camião - cuja empresa não foi revelada pelas autoridades - que partiu as janelas do lado direito do veículo de transporte de passageiros. O camião seguiu desgovernado durante 50 metros, colidindo com um ligeiro, da empresa VisaBeira, que também circulava na faixa contrária. O motorista do camião escapou ileso.
O comandante dos bombeiros de Sesimbra admitiu que o condutor do camião terá calculado mal a curva, acabando por se despistar. Quando chegou ao local, explicou o mesmo responsável, encontrou um cenário de "pânico" entre as crianças, percebendo que a vítima mortal já se encontrava em estado muito grave. Carlos Oliveira, vereador da protecção civil, garantiu que o autocarro tinha as condições de segurança.
O Núcleo de Investigação de Acidentes da GNR esteve no local e investiga as causas do acidente, que poderia até ter tido " consequências ainda mais trágicas", diz Ruben Canteiro, pai de um dos alunos que ontem à noite foi assistido no hospital de Almada. Álvaro, de 12 anos, sofreu lesões no braço e na perna , mas segundo os familiares, não ficará internado na unidade. O DN tentou obter informações junto dos responsáveis do Hospital Garcia de Orta, que se recusaram a prestar esclarecimentos sobre o estado de saúde das outras duas vítimas.


Roberto Dores
Com K.C.

Aquacultura em alto mar para recuperar a pesca

Jornal “Diário de Notícias”, de 4 de Maio de 2008

A Câmara de Sesimbra quer relançar o sector da pesca no concelho com uma aposta centrada na aquacultura em alto mar. Depois da crise estrutural que deixou no desemprego mais de um milhar de profissionais da vila pesqueira nos últimos anos, a autarquia ambiciona agora abrir a costa à instalação de jaulas que permitam a criação de douradas, robalos e bivalves, assegurando que, apesar de o investimento de cada sistema orçar o milhão de euros, a rentabilidade "é garantida".
A autarquia ainda não sabe quanto pode custar o projecto, nem quando estará em condições de avançar com os concursos públicos, mas justifica a sua aposta com base numa estação-piloto que desde 2001 está a ser promovido em Olhão, pelo Instituto Nacional de Recursos Biológicos (IPIMAR), tendo sido alargada à possibilidade de concurso público na costa algarvia.
A designada aquacultura offshore, um ramo ainda por explorar em Portugal, surge como um negócio "altamente rentável", já que o milhão de euros investido em cada sistema, ao qual há que adicionar os custos de manutenção e produção, serão, segundo os técnicos ouvidos pelo DN, compensados com uma produção média anual de quatro mil toneladas de pescado.
O próprio ministro Jaime Silva é um adepto da produção de peixe em alto mar, já tendo feito saber que tenciona apostar neste sistema, justificando que a aquacultura em alto mar "permite a reposição de stocks no mar e possibilita uma produção superior à aquacultura tradicional, praticado em rias e sistemas lagunares".
"É este potencial que nós queremos aproveitar para dinamizarmos as nossas pescas", explica o presidente da Câmara de Sesimbra, Augusto Pólvora, alertando para "um conjunto de vantagens" relativamente à tradicional aquacultura praticada em tanques. É que nas jaulas fixadas em alto mar, que podem variar entre os 40 e 60 metros de cumprimento e 20 a 30 de altura, os peixes e os bivalves são criados praticamente no seu habite natural.
"Embora também sejam alimentados artificialmente, os peixes alimentam-se do próprio plâncton e depois vão criar mais músculo porque estão em mar aberto. Logo, estamos a falar de douradas, robalos, ostras e amêijoas de melhor qualidade", alertou o autarca, convicto de que existem condições para serem criados peixes com a marca "Sesimbra", o que considera "importante por dar uma boa projecção no mercado".
Augusto Pólvora alude ainda à capacidade instalada no concelho, depois do fim da pesca em Marrocos e das restrições impostas pelo Plano de Ordenamento do Parque da Arrábida. "Este projecto vai permitir a reciclagem de barcos, além de termos umas instalações muito boas ao nível do docapesca e do porto de descarga".

Lembrar Sebastião da Gama

Jornal “O Setubalense”, de 7 de Abril de 2008

O programa de comemorações do 84.º aniversário de Sebastião da Gama inclui diversas iniciativas. A data de nascimento do poeta, 10 de Abril, coincide com as comemorações do Dia Municipal da Arrábida.
A Câmara Municipal e a Associação Cultural Sebastião da Gama vão promover o programa comemorativo do 84.º aniversário do nascimento do poeta Sebastião da Gama que inclui passeios de reflexão, pela Arrábida, por locais por onde o homenageado passou.
Estes encontros, intitulados “Percursos de Sebastião da Gama”, com partida do Museu Sebastião da Gama, realizam-se nos dias 13, 20 e 27, das 10 às 13 horas, para o público em geral, e a 7, 8, 10, 15 e 17, das 14 às 16 horas, para escolas.
O dia do nascimento de Sebastião da Gama, 10 de Abril, é o ponto alto das comemorações. Um almoço-convívio, às 13 horas, no Hotel Clube de Azeitão, com amigos e alunos do poeta e pedagogo, integra um tributo a Joana Gama. Às 16 horas, o Salão Nobre dos Paços do Concelho recebe uma sessão solene de homenagem ao poeta da serra-mãe. O programa regressa a Azeitão, para um “Um Concerto de Aniversário de Sebastião da Gama e Dia Municipal da Arrábida”, com a participação da banda e do coro da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, às 21.30 horas, na sede desta associação.
Uma mostra de trabalhos, de vários artistas, alusivos a Sebastião da Gama, organizada pela Associação Ecos D’Art, está patente entre 12 e 26 de Abril, no Club Setubalense. A inauguração é as 16 horas.
“Conversas com Sebastião da Gama” é o mote de mais dois encontros. O primeiro, marcado para dia 19, às 18 horas, no Club Setubalense, incide sobre os alunos de Sebastião da Gama, enquanto o segundo, a 26, à mesma hora, no Museu Sebastião da Gama, em Azeitão, reflecte sobre a doutrina do homenageado enquanto pedagogo.
O programa comemorativo evoca o pioneiro na defesa da Arrábida, em particular quando, em 1947, ainda jovem, se insurgiu contra a devastação da Mata do Solitário.

22 Junho 2008

Criança romena atropelada mortalmente

“Jornal de Notícias”, de 22 de Junho de 2008

Uma criança de três anos foi mortalmente atropelada, sexta-feira à noite, em Vendas de Azeitão, concelho de Setúbal, depois de ter saído disparada do quintal da casa onde morava com os pais, um casal oriundo da Roménia, apurou o JN junto dos Bombeiros Voluntários de Sesimbra, que acorreram ao local.
O acidente registou-se pelas 21.45 horas de anteontem, na Estrada Nacional 379, junto aos semáforos de Vendas de Azeitão. O menino foi colhido por um jipe quando atravessava a via, tendo sofrido uma pancada na cabeça, o que lhe provocou a morte imediata, explicou, ao JN, o subchefe Quintinho Machado, daquela corporação de bombeiros.
Quando chegaram ao local, já nada puderam fazer para salvar a criança. O corpo foi removido para a morgue do Hospital de São Bernardo, em Setúbal.
O condutor do veículo foi identificado no local pela Brigada de Trânsito da GNR, tendo sido submetido aos testes de despistagem de álcool e de substâncias estupefacientes. As circunstâncias em que tudo aconteceu estão agora a ser investigadas.

Fátima Mariano

Menino atropelado na primeira hora de férias

Jornal “Diário de Notícias”, de 22 de Junho de 2008

Acidente ensombrou dias de descanso em Vendas de Azeitão de família romena residente em Madrid. O filho de quatro anos, Daniel Raul Merce, foi brutalmente atropelado por um jipe quando fazia planos para a ida à praia, prevista para ontem. Pais da vítima exigem justiça.
Daniel Raul Merce, de quatro anos, tinha chegado a Vendas de Azeitão, em Setúbal, há cerca de uma hora para uns dias de férias. "Estava louco para ir à praia", contou a mãe ao DN, ontem. Mas ainda o pai não tinha descarregado totalmente a bagagem quando a tragédia ensombrou os dias de descanso a esta família romena residente em Madrid. A criança foi violentamente atropelada por um jipe, tendo morte imediata. O condutor parou e não acusou alcoolemia no teste, mas os pais garantem que "ia muito depressa" e pedem justiça, prometendo ficar em Portugal para acompanhar o processo jurídico.
Já passava das 21.00 de sexta--feira, mas a luz do dia ainda permitia uma boa visibilidade na Estrada Nacional 379, que passa a escasso dois metros das casas dos moradores da rua 25 de Abril. A família Merce, que fala um castelhano perfeito, tinha chegado instantes antes para uns dias de férias na casa do afilhado de Danut - o pai do menino -, um romeno que reside nas Vendas de Azeitão. Enquanto Maria Merce - a mãe - tratava da filha mais nova, ainda bebé, Daniel Raul ia brincando com os familiares, junto à estrada, mas em zona segura para os peões, de acordo com o progenitor.
"O meu afilhado estava com ele e não me preocupei. Estava a ouvi-lo dizer que amanhã [ontem] íamos à praia. Estava tão divertido!", recordou Danut, ao DN, sem conseguir conter as lágrimas, necessitando de ganhar fôlego para relatar o que viu. "Um jipe vinha a grande velocidade, quando só devia circular a 50 quilómetros/hora, e apanhou o meu filho aqui", disse, apontando para a berma, sendo ali visível uma travagem de cerca de 15 metros entre a estrada e suposto passeio.
"O menino foi projectado quase de 50 metros e ficou na faixa contrária com a cabeça desfeita. Veja lá a pancada, que o meu filho pesava 17 quilos e o jipe ficou com a óptica partida e com parte do pára-choques destruído", relatou, exibindo fotos do estado da viatura.
Ainda segundo o pai da vítima, o carro só viria a parar nos semáforos a cerca de 200 metros do local do embate. "Fez marcha atrás e pediu-nos desculpa. Disse que estava com muito pressa para chegar a Setúbal, mas isso não serve. Queremos que seja castigado", exige Danut Merce, de 26 anos, avisando que tem poder económico para levar o processo adiante.No momento do embate, o condutor terá chegado a desvalorizar a colisão, admitindo ter pensado que atropelara um cão, vindo a contrariar a versão dos pais, segundo a qual o menino estaria a brincar em lugar seguro.
O Núcleo de Investigação Criminal da GNR está a averiguar as causas do acidente. O corpo de Daniel Raul foi transportado para a morgue do hospital de Setúbal.


Roberto Dores

20 Junho 2008

Santos Populares de Sesimbra

Jornal "Público", de 19 de Junho de 2008

Marchas populares, ruas ornamentadas, bailes, noites de fado e espectáculos musicais são alguns dos destaques dos festejos dos Santos Populares, que decorrem por todo o concelho de Sesimbra, entre 20 e 30 de Junho.
O programa inclui uma Mostra de Caldeiradas, tradição típica da quadra, que conta com a participação de alguns restaurantes da vila. As marchas desfilam nos dias 23 e 30 de Junho, com a participação da Paróquia de Santiago e da Escola de Samba Bota no Rego, e no dia 27, na Quinta do Conde, com a participação do Centro Comunitário e da Associação para o Desenvolvimento da Quinta do Conde.

13 Junho 2008

ONU quer pôr o Mundo a descascar batatas

Jornal “Diário de Notícias”, de 11 de Junho de 2008

Com uma história de mais de oito mil anos, as batatas foram consideradas na Europa alimento de pobres e até de animais, mas hoje a sua versatilidade culinária, riqueza nutricional e facilidade de cultivo tornaram-na obrigatória em todas as mesas. Com milhares de variedades a explorar, em tempo de crise mundial de cereais, as Nações Unidas e outras organizações querem maior atenção ao seu cultivo e utilização.
Bacalhau com batatas. Ou sardinhas e outros peixes frescos. Ou cabrito, borrego ou carne de porco. Ou como base de sopas. São tantos os pratos tradicionais portugueses que levam batatas que nos esquecemos que a "tradição" de a utilizar como acompanhamento, em termos históricos, é muito recente entre nós, datando do século XIX. É que a batata é originária da América do Sul, mais precisamente dos Andes, e só no século XVI os colonizadores espanhóis a trouxeram para a Europa, onde demoraria mais três séculos até se generalizar nas mesas. Agora, em plena crise mundial dos cereais, é para este tubérculo que os olhos do mundo se voltam, tendo a ONU declarado 2008 como Ano Internacional da Batata.
A produção de batata tem vindo a crescer em todo o mundo, graças sobretudo aos países em desenvolvimento da Ásia, África e América do Sul que quase dobraram essa produção desde 1991. A título de exemplo, Angola, desde que a guerra terminou, aumentou a produção em 1200%... Mas é a China que tem sido a maior responsável pelo aumento, sendo hoje o maior produtor mundial (seguida pela Rússia e pela Índia), o que pode parecer estranho, já que os pratos chineses que conhecemos nunca integram batatas. A razão será a de que exportam quase tudo.
O chefe de cozinha Luís Baena, actualmente nos hotéis Tivoli, trabalhou vários anos no Oriente, incluindo em Hong Kong e Macau, e conta que quando ia aos mercados do antigo território administrado por Portugal os chineses recebiam-no com a palavra "batata", uma das poucas que pronunciavam na nossa língua, sabendo já que esse era um dos produtos que tinha clientela certa entre os portugueses.
Aliás, além de ser uma excelente e barata fonte de nutrientes (uma batata de tamanho médio fornece, por exemplo, metade das necessidades diárias de vitamina C de um adulto e um quinto das de potássio), o tubérculo é conhecido entre os cozinheiros amadores e profissionais pela sua enorme versatilidade. Ou seja, além de alimentar, as batatas prestam-se a inúmeras preparações, associando-se com facilidade a outro sem número de ingredientes e temperos, sendo portanto uma boa inimiga da monotonia à mesa.
Em Portugal, as batatas apresentam-se das mais diversas formas culinárias, sendo que produzimos em 2006 (segundo dados do INE), 611 mil toneladas, para um consumo anual que ronda os cem quilos per capita. Ou seja, temos que recorrer à importação, sendo a França e a Espanha os principais fornecedores. Mas também exportamos, sendo o Reino Unido e a França os principais compradores. Em termos de distribuição territorial, a Beira Litoral é que mais produz (32% do total), seguindo-se Ribatejo e Oeste (23%) e Trás-os-Montes (21%). A qualidade das batatas transmontanas é bem conhecida (nomeadamente as de Chaves), tendo direito inclusive a Indicação Geográfica Protegida (IGP).
Mas isso não garante que, na hora de comprar, os portugueses se mostrem lá muito exigentes. "A maioria dos clientes só se preocupa com as cores da casca, se é vermelha, branca ou amarela", afirma Maria José Macedo, que há mais de 20 anos se estabeleceu na Quinta do Poial, em Azeitão, uma das pioneiras no cultivo biológico. Mesmo assim, ela considera que tem havido um aumento crescente do interesse por batatas diferentes, graças em parte ao crescimento do consumo gourmet, e tem vindo a plantar novas qualidades.
Luís Baena confirma que, mesmo para os profissionais, a informação sobre a origem e as diversas qualidades de batata é ainda bastante escassa em Portugal. "Normalmente, há as mesmas indicações que constam em algumas embalagens de supermercado, do género 'se são para fritar, cozer ou assar', mas ainda estamos muito limitados. Não tiramos partido da grande versatilidade que as batatas apresentam".
Pode ser que, a partir deste Ano Internacional da Batata e da escassez de outros "acompanhamentos", as coisas mudem, também aqui.


Duarte Calvão

08 Junho 2008

Associação diz que a guerra contra a co-incineração «ainda não está perdida»

Jornal “Sol”, 22 de Janeiro de 2008

A Associação dos Cidadãos pela Arrábida e Estuário do Sado apelou hoje à adesão da população ao protesto contra a co-incineração de resíduos perigosos na Arrábida, que está marcado para sexta-feira à tarde, no Largo da Misericórdia, em Setúbal.

«Gostaríamos de ter uma grande adesão da população até porque a luta contra a co-incineração de resíduos industriais perigosos não está perdida, ao contrário do que o Governo pretende fazer crer», disse hoje Fernanda Rodrigues, da Associação de Cidadãos pela Arrábida e Estuário do Sado.
«Contamos com o apoio das três câmaras municipais - Palmela Sesimbra e Setúbal -, estando já confirmada a presença dos presidentes dos três municípios», acrescentou Fernanda Rodrigues, que está confiante de que a iniciativa terá o apoio de dirigentes locais dos principais partidos, incluindo o próprio Partido Socialista.
A decisão de convocar uma concentração contra a co-incineração de resíduos industriais perigosos, surge na sequência da decisão do Supremo Tribunal Administrativo, que revogou a suspensão da proibição da queima de resíduos perigosos na cimenteira da Secil, no Outão.
As Câmaras Municipal de Palmela, Sesimbra e Setúbal, que já declararam o seu apoio á iniciativa que terá lugar pelas 16:00, prosseguem também o combate contra a co-incineração da cimenteira da Secil, no Outão, no plano jurídico.
O advogado das três autarquias, castanheira Barros, requereu segunda-feira a nulidade do recente acórdão do Supremo Tribunal Administrativo (STA) que deu «luz verde» à co-incineração na cimenteira da Secil no Outão, Arrábida, Setúbal.
O requerimento de Castanheira Barros pretende que os pedidos sejam apreciados pela «Conferência de Juízes da Secção de Contencioso do STA», disse castanheira Barros.

Conquistar o mar

Jornal “Setubsalense”, de 14 de Janeiro de 2008

Quem quer ir de Azeitão até, por exemplo, à praia de Galápos, tem de vir primeiro a Setúbal e depois segue o trajecto normal pela estrada da Figueirinha.
Ou seja: lentamente, paulatinamente, com pezinhos de lã, temos vindo a perder lentamente as praias desta zona, para além de Tróia, que estará a médio prazo, fortemente condicionada.
Esta é uma típica noção de suposto desenvolvimento Setubalense, desde sempre: não está bom, vai ficando pior, ainda pior, até que... acabou-se.
Turismo de qualidade não se compadece com todos estes condicionalismos existentes, nem com estas mentalidades.
Solução preconizada: Juntar três ideias - chave já utilizadas em Setúbal – Reforço do primeiro pontão, construção de um segundo pontão, areia trazida da foz do rio e estacionamento na praia.
Vamos lá concretizar a ideia que tenho e ver se é boa.
O pontão da Figueirinha deve ser corrigido e aumentado, quer em largura, mas sobretudo em comprimento.
Sensivelmente a meio caminho entre a Figueirinha e a Praia dos Coelhos, construir um pontão bem feito no qual, à medida que se afasta de terra vai alargando, efectuar um alinhamento entre esses dois pontões e a parede natural existente na Praia dos Coelhos e, tal como fizeram em Albarquel, encher toda essa zona de areia, ficando uma Praia Grande, com início na Figueirinha, passando pelas ruínas da discoteca Seagull (ai que saudades, ai ai !!!), por Galápos, por Galapinhos e finalmente Praia dos Coelhos, ininterruptamente.
Esta Praia Grande teria então capacidade para acolher quatro filas de estacionamento (dentro na praia, tal como na Figueirinha), com uma estrada para lá e outra para cá, ligações a meio entre os dois sentidos e assim, quem viria de Setúbal, entraria ou sairia nesse estacionamento na zona da Figueirinha, que é a zona mais larga de toda a estrada e a única zona de acesso.
Conseguem imaginar o tamanho da praia, desde a Figueirinha, até quase à Arrábida? E a quantidade de estacionamento existente?
Rochas para construir o pontão não faltam em toda esta zona que assistiu, ao longo dos séculos, à queda de pedregulhos provenientes da Serra e que se encontram por ali espalhados (não seriam suficientes, mas era uma ajuda).
Areia também não falta. Basta ir à foz do rio Sado buscá-la, tal como se fez em Albarquel e encher a praia.
Não seria então permitido o estacionamento em toda a extensão da estrada da Figueirinha, facilitando-se os acessos rodoviários, o estacionamento e... tínhamos uma Praia Grande. Os restaurantes e bares vinham já a seguir, para além dos dois que já lá estão.
Já agora que estamos nessa zona. Porque é que nunca deixaram reconstruir a discoteca Seagull?
Era uma das melhores discotecas do país, conhecida em todo o lado, onde vinha gente de toda a parte, para poderem sentir a brisa marítima naquela varanda insubstituível.
O Seagull tornou-se, ao longo dos anos, muito mais do que uma simples discoteca. Era uma referência para nós, Setubalenses e também para quem que nos visitava. Os meus amigos e conhecidos dos mais variados locais do país, quando vinham cá, após um bom jantar setubalense, era destino obrigatório. Toda a gente ficava maravilhada. O pessoal de Lisboa era vê-los aos magotes nas noites de Sábado!
Já viram como está agora? Tudo em ruínas. Há 10 anos que está assim.
Dá vontade de chorar!
Para quem, como eu, tem o Seagull como parte integrante do seu roteiro afectivo, aperta-se-me o coração de tristeza, de melancolia e de revolta, sempre que passo por aquelas ruínas.
Mais um exemplo infeliz e triste da vocação que Setúbal tem e não aproveita.
Portanto, caros Setubalenses, ou recuperamos o rio e o mar definitivamente ou ficamos com uma vocação turística mais uma vez adiada.

Giovanni Licciardello

Incêndio desaloja família

Jornal “Diário de Notícias”, 17 de Outubro de 2007

Uma família de sete pessoas ficou ontem desalojada na sequência de um um incêndio que destruiu completamente a habitação onde moravam, em Brejos de Azeitão, Setúbal. Os desalojados vão ser acomodados temporariamente na casa de familiares, segundo à Lusa o coordenador da Protecção Civil Municipal de Setúbal, José Luís Bucho.
O coordenador da Protecção Civil Municipal adiantou ainda que a família vai procurar nova casa a partir de amanhã, beneficiando do apoio financeiro da Segurança Social previsto para estas situações, uma vez que perdeu todos os seus haveres e a casa onde morava.
Segundo José Luís Bucho, quando os bombeiros chegaram ao local, cerca das 13.30, a casa já estava envolta em chamas e ficou totalmente destruída. No local, estiveram elementos dos Bombeiros Sapadores de Setúbal, da Protecção Civil Municipal e da Segurança Social.

"O golfe em Portugal é feito só para turistas"

Jornal “Diário de Notícias”, 20 de Outubro de 2007

Pedro Figueiredo começou a dar as primeiras tacadas aos seis anos no campo da Quinta do Peru, em Azeitão, perto de Palmela, porque o pai é proprietário de um restaurante naquele empreendimento. Mas foi preciso o professor do clube de golfe convencê-lo a iniciar-se na prática da modalidade. Hoje é o número um do ranking da Federação Portuguesa de Golfe para amadores e mostra-se crítico para com a forma como a modalidade é tratada.
"No início não me sentia à vontade no campo porque não conhecia quem quer que fosse. Mas quando comecei a adaptar-me ao golfe, não mais parei de jogar", recordou ao DN sport o golfista, de 16 anos, natural de Paris (França), para onde os seus pais tinham emigrado. Antes do golfe, dedicava-se aos ténis e ao futebol na escola. Até que um dia, "por uma questão de disponibilidade de tempo", teve de optar entre as raquetes e os greens. O golfe levou a melhor. "Encaro-o também como um hobby, pois é uma maneira de me divertir", diz Pedro Figueiredo, que gosta de sair à noite com os amigos e frequentar a praia de dia de acordo com as possibilidades. Porém, antes das provas não ingere bebidas alcoólicas e tem cuidado com a alimentação.
Aos nove anos, sagrou-se campeão nacional de sub-12, a primeira grande proeza na sua carreira. Um ano depois começou a participar em torneios internacionais em vários países europeus, onde o melhor que conseguiu foi um segundo lugar na Suíça. Noutras competições, perdeu numa meia-final e alcançou um quarto lugar. Em 2007 ganhou seis torneios em Portugal e já contabiliza 27 provas a nível internacional.
Na semana passada, Pedro Figueiredo participou no Open de Madrid, em Espanha, a convite de Severiano Ballasteros, antigo campeão do mundo e figura lendária na modalidade. A oportunidade surgiu-lhe na sequência de um encontro, poucos dias antes, com o espanhol na Escola de Golfe, em Cascais. Só que a experiência madrilena não correu bem. "Joguei muito mal e talvez tenha sido o meu pior resultado neste ano. Terei sentido um pouco de responsabilidade ao ter jogado por tal convite", reconhece.
Aposta em tornar-se profissional no momento oportuno, ou seja, "dentro de cinco ou seis anos". Nessa altura, já terá 20 anos. Antes, porém, refere, "quero ir para os Estados Unidos da América seguir um curso universitário ligado à área da gestão, economia. Quando concluir o curso, regressarei à Europa e tornar-me-ei profissional com a possibilidade de jogar no circuito europeu".
Para já, Pedro Figueiredo frequenta o 11.º ano do curso de Economia, no Colégio St. Peter's School, em Palmela. Sempre que os torneios o obrigam a faltar às aulas, conta com o apoio dos responsáveis do colégio. "Ajudam-me imenso. Quando estou ausente enviam-me a matéria por e-mail para poder recuperar", nota.
Para 2008, o objectivo passa por ganhar um torneio internacional, e manter-se "o número um dos amadores". Sobre o panorama do golfe em Portugal, lamenta a "escassez de jovens praticantes devido aos elevados preços dos campos" (na ordem dos 150 euros) em comparação com outros países europeus. "O golfe em Portugal é feito só para turistas", critica Pedro Figueiredo. Mas conclui que também falta "um jogador ao nível dos melhores do mundo, um ídolo, de forma a impulsionar o golfe junto dos novos praticantes".


José Manuel Oliveira

13 Abril 2008

Lembrar Sebastião da Gama

Jornal “O Setubalense”, 7 de Abril de 2008

O programa de comemorações do 84.º aniversário de Sebastião da Gama inclui diversas iniciativas. A data de nascimento do poeta, 10 de Abril, coincide com as comemorações do Dia Municipal da Arrábida.
A Câmara Municipal e a Associação Cultural Sebastião da Gama vão promover o programa comemorativo do 84.º aniversário do nascimento do poeta Sebastião da Gama que inclui passeios de reflexão, pela Arrábida, por locais por onde o homenageado passou.
Estes encontros, intitulados “Percursos de Sebastião da Gama”, com partida do Museu Sebastião da Gama, realizam-se nos dias 13, 20 e 27, das 10 às 13 horas, para o público em geral, e a 7, 8, 10, 15 e 17, das 14 às 16 horas, para escolas.
O dia do nascimento de Sebastião da Gama, 10 de Abril, é o ponto alto das comemorações. Um almoço-convívio, às 13 horas, no Hotel Clube de Azeitão, com amigos e alunos do poeta e pedagogo, integra um tributo a Joana Gama. Às 16 horas, o Salão Nobre dos Paços do Concelho recebe uma sessão solene de homenagem ao poeta da serra-mãe. O programa regressa a Azeitão, para um “Um Concerto de Aniversário de Sebastião da Gama e Dia Municipal da Arrábida”, com a participação da banda e do coro da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, às 21.30 horas, na sede desta associação.
Uma mostra de trabalhos, de vários artistas, alusivos a Sebastião da Gama, organizada pela Associação Ecos D’Art, está patente entre 12 e 26 de Abril, no Club Setubalense. A inauguração é as 16 horas.
“Conversas com Sebastião da Gama” é o mote de mais dois encontros. O primeiro, marcado para dia 19, às 18 horas, no Club Setubalense, incide sobre os alunos de Sebastião da Gama, enquanto o segundo, a 26, à mesma hora, no Museu Sebastião da Gama, em Azeitão, reflecte sobre a doutrina do homenageado enquanto pedagogo.
O programa comemorativo evoca o pioneiro na defesa da Arrábida, em particular quando, em 1947, ainda jovem, se insurgiu contra a devastação da Mata do Solitário.

Câmara de Sesimbra exige a integração do concelho na rede de urgência

Jornal “Público”, 24 de Março de 2008

A Câmara Municipal de Sesimbra (CMS) não se conforma com a decisão do Ministério da Saúde pelo facto de não ter sido contemplada na rede de urgência e emergência, apesar de "preencher todos os critérios requeridos pelo Ministério". A 18 de Março, a autarquia (CDU) aprovou uma deliberação contra o Ministério, demonstrando a sua "frontal e absoluta discordância" com o despacho publicado no Diário da República a 28 de Fevereiro deste ano, no qual foram definidos e classificados os pontos da rede de urgência e emergência.
O presidente da Câmara de Sesimbra, Augusto Pólvora, lamentou esta decisão. "É inaceitável que sejamos tratados desta maneira”, já que o concelho preenche todos os critérios requeridos pelo Ministério da Saúde para ser incluído na rede de urgência.
Os critérios determinam que o tempo de acessibilidade na rede de urgência seja inferior a 30 minutos mas "se um doente for transportado de Sesimbra para o Garcia de Orta demora mais de 30 minutos para este ou qualquer outro hospital das proximidades", explicou Augusto Pólvora.
Outro dos critérios está relacionado com o número de população residente e flutuante, uma vez que "Sesimbra conta com um fluxo turístico bastante grande, o que abrange mais de 200 mil dormidas por ano em hotéis e residências, sobretudo aos fins-de-semana e durante o mês de Agosto".
A preocupação da autarquia prende-se com o facto deste despacho não contemplar um Serviço de Urgência Básico (SUB) para a área do Município de Sesimbra. "O nosso concelho tem uma afluência superior a 150 doentes por dia, número que aumenta para 200 por dia durante os meses de verão. Este factor devia ser suficiente para a construção de um SUB". O Ministério da Saúde "ainda não deu resposta à proposta de SUB apresentada, nem tão pouco marcou uma reunião para discussão da proposta, apesar das inúmeras tentativas da Câmara Municipal nesse sentido", informou o presidente da autarquia.
Para mostrar a sua indignação face à ausência do concelho no despacho e à situação geral da saúde no concelho, a câmara solicitou uma audiência à ministra da Saúde de forma a clarificarem a situação.
Na proposta apresentada pelo presidente da autarquia e pelo vereador do pelouro da Saúde reconhecem a "necessidade de melhoramento nos serviços de urgência", em grande parte devido à "sobrelotação das urgências no hospital Garcia de Orta e à necessidade de um reforço de médicos no centro de saúde da Quinta do Conde". A autarquia condena o referido despacho por "não cumprir a lei de bases da saúde e não se adaptar às condições da realidade nacional, nem às suas necessidades".

PSP detém futebolista no relvado e leva-o equipado e de chuteiras

Jornal “Diário de Notícias”, 18 de Março de 2008

O capitão de equipa do Grupo Desportivo de Sesimbra foi detido em pleno relvado, após o jogo de domingo frente ao Comércio e Indústria, pela PSP de Setúbal, sendo encaminhado para a esquadra da Bela Vista ainda equipado e de chuteiras. Nuno Silva é acusado de "injúrias" às autoridades, após uma cena de pancadaria na bancada, onde um director do Sesimbra foi violentamente agredido na cabeça, com duas muletas.
Rezam as crónicas que o encontro, a contar para a 1ª Divisão Distrital, disputado no Campo da Bela Vista, em Setúbal, decorria com fair-play até que uma azeda troca de palavras entre adeptos dos dois clubes resultou numa violenta agressão ao dirigente do Sesimbra Eduardo Rigor, que após ser atingido pelas muletas caiu no chão com o rosto coberto de sangue, perdendo os sentidos. A rixa estendeu-se às quatro linhas, com dois jogadores a saltarem para as bancadas.

Nuno Silva e Ricardo Rigor, filho do agredido, tentaram o ajuste de contas, enquanto a PSP procurava acalmar os ânimos, mas foram as palavras usadas por Nuno Silva contra as autoridades que levaram os agentes a detê-lo. O árbitro não expulsou ninguém e reatou o jogo, que teve 25 minutos de desconto. Após o apito final, os polícias dirigiram-se ao jogador, dando-lhe voz de prisão e pedindo-lhe que os acompanhasse, no carro da PSP, à esquadra.
"Nem deixaram o homem tomar banho", lamentou ao DN o presidente do Sesimbra, Sebastião Patrício, que estava no banco da equipa, avançando que o clube vai processar criminalmente o agressor de Eduardo Rigor, que está identificado e cujas muletas foram apreendidas, lamentando ainda o dirigente sesimbrense que "a polícia nada tenha feito para proteger o nosso director. Se o Nuno foi preso por dizer umas coisas, todos nós devíamos ser, porque também desabafámos a nossa revolta contra os polícias."
Foi a PSP que arranjou um fato-de-treino a Nuno Silva para que se protegesse do frio, depois de dar entrada na 2ª Esquadra. O jogador foi constituído arguído, sendo notificado para comparecer ontem no Tribunal de Setúbal, mas a audiência foi adiada para dia 1 de Abril. O jogo terminou empatado a uma bola.

Escuteiros espanhóis criticam MP de Sesimbra

Jornal “Diário de Notícias”, 17 de Março de 2008

Responsável do grupo de escuteiros espanhol acusado de homicídio negligente de um jovem de 13 anos, por alegado desrespeito pelas regras de prudência no âmbito de uma caminhada na serra da Arrábida, criticou ontem a acusação deduzida pelo Ministério Público (MP) de Sesimbra por não ter tido em conta o depoimento dos 23 jovens que participaram na actividade em que veio a falecer Diego Amador. César Gil Lamata, principal arguido do processo, garantiu que o jovem tinha problemas de saúde anteriores nunca revelados pela família.
Enrique Amador, pai do jovem falecido, garantiu, por sua vez, ao DN, que Diego era uma criança saudável, e que ainda viveria se a Asociación Grupo Lujan 102 tivesse tido as precauções mínimas, frisando ser estranho que, após esta acusação, aquele agrupamento de escuteiros de Madrid - que em Agosto de 2005 veio a Portugal realizar uns raids pela península de Setúbal - continue activo. "Eu e a minha esposa confiávamos naquele grupo de que Diego fez parte durante cinco anos. Sentimo-nos traídos. Esperamos que os escuteiros, enquanto instituição, castiguem devidamente a Asociación Grupo Lujan 102 de Madrid", disse.
A verdade sobre os contornos que provocaram a morte de Diego Amador, a 4 de Agosto daquele ano, durante uma caminhada de oito quilómetros entre a praia da Foz e a praia da Ribeira do Cavalo, em Sesimbra, alegadamente por exaustão física associada à exposição ao calor, só se irá saber, seguramente, durante o julgamento.
César Gil Lamata lembra que a acusação foi deduzida a 14 de Fevereiro deste ano e que os 23 jovens colegas de Diego foram ouvidos no tribunal de Madrid, a pedido do MP de Sesimbra, no dia 12, ou seja, dois dias antes. "Não houve tempo para que o magistrado acedesse aos depoimentos", criticou. Além de que, acrescentou, nunca o MP ouviu o cidadão português, conhecedor do terreno e da região, contactado pela associação para ajudar a preparar a actividade. Segundo César Gil Lamata, de 47 anos, os jovens iam naquele dia realizar uma caminhada de sete quilómetros, entre as oito da manhã e a uma da tarde, ao ritmo de um quilómetro por hora.
"Não se pode dizer, pois, que foram submetidos a um esforço sobre--humano", atestou, assegurando que o grupo de 24 jovens era acompanhado por duas viaturas de apoio, com alimentos, além de que, na zona em que Diego veio a falecer, "havia casas à volta, que, em caso de necessidade, disponibilizariam água". "É mentira que tivessem encontrado crianças desidratadas", garantiu, lamentando a morte de Diego. "A acusação do MP parece mais uma novela do que a descrição dos factos."
Enrique não se conforma e garante que o seu filho nunca teve historial clínico negativo. "Antes de morrer, arrastou-se com dores de cabeça e de barriga. Que barbaridade! Queremos justiça. Confiamos no tribunal português, e sabemos que não nos vai faltar", reagiu ao DN.

Morreu Joel Serrão, renovador da historiografia portuguesa

“Jornal de Notícias”, 7 de Março de 2008

Figura incontornável da historiografia portuguesa, Joel Serrão faleceu anteontem, em Sesimbra, vitimado por uma doença. Tinha 88 anos, muitos dos quais dedicados à investigação e à escrita. Publicou dezenas de obras, como o "Dicionário de História de Portugal", cuja primeira edição data dos anos 60 e ainda hoje é fonte de consulta obrigatória. Mas também escreveu monografias de cariz económico e social, além de textos sobre poetas. Foi pioneiro no estudo da História do século XIX em Portugal.
À obra de Joel Serrão - por muitos lembrado também como uma pessoa simples e civicamente interveniente - se deve, a par da de contemporâneos seus, a primeira aproximação às correntes historiográficas europeias do pós-guerra, sobretudo à revista francesa "Annales", fundada por Marc Bloch e Lucien Febvre. Hoje, é unânime a opinião de que foi um dos investigadores que mais contribuíram para uma visão de conjunto da história moderna portuguesa.
Nascido no Funchal em 1919, Joel Serrão licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. Foi professor do ensino secundário em várias cidades do país e também deu aulas em duas universidades da capital, tendo ainda sido membro do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian.
Na opinião da investigadora Maria Filomena Mónica, Serrão "conseguiu olhar a História sem óculos ideológicos". "Dos intelectuais que viveram o antigo regime, Joel Serrão é o historiador que mais prezo, nomeadamente por ter sido capaz de fazer o 'Dicionário de História de Portugal', editado pela Figueirinhas, que é um trabalho imenso", disse.
Maria Filomena Mónica classificou ainda como "surpreendente" a ligação de Serrão à poesia. Na verdade, o ensaísta também estudou as figuras que se destacaram na evolução das ideias e da cultura, como Cesário Verde, Fernando Pessoa, Antero de Quental e António Sérgio, além de ter escrito obras de introdução às disciplinas filosóficas.
O historiador madeirense Nelson Veríssimo considera que Joel Serrão abriu muitas linhas de investigação em vários domínios. "A sua obra é notável, tendo introduzido em Portugal uma nova forma de pensar a História, a Sociologia e a História da Cultura e das Mentalidades", acrescentou.
O funeral sai às 10 horas de hoje da Igreja de Santo Condestável, em Lisboa, para o cemitério dos Olivais.

Isabel Peixoto

Italianos querem Cabo Espichel

Jornal “Diário de Notícias”, 3 de Março de 2008

Desde 1995, altura em que passou para as mãos do Estado português, que se desenham ideias sobre a melhor utilização a dar às albergarias do Cabo Espichel. Até agora, nada foi feito à excepção da recuperação, em 2000, da igreja de Nossa Senhora do Cabo. Mas, o futuro pode ser promissor. Para já, tudo o que existe são propostas privadas de um grupo francês e outro italiano, que segundo a autarquia de Sesimbra terá ligações ao Vaticano.
Os italianos serão os únicos a manter o seu interesse. O grupo quer transformar as albergarias num hotel de charme. Mas, para isso, necessitam da autorização da Igreja e do Estado (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico). Já os franceses apresentaram uma proposta para um hotel direccionado à terceira idade, mas "nunca mais nos contactaram", assegura Augusto Pólvora, presidente da Câmara de Sesimbra.
Por isso, o autarca já marcou uma reunião, para meados deste mês, com os proprietários do Cabo. O objectivo é tentar inverter a situação que se criou em 1995, quando a confraria doou ao Estado a ala Norte, mas com a condição de restaurar todo o conjunto. O Estado não cumpriu, mas também não pode voltar a entregar a propriedade à igreja por erro de redacção do documento que não previa a reconversão, caso uma das partes falhasse. "Estamos num impasse que tem de ser resolvido e hoje o Estado pode resolver a questão com facilidade", garantiu ao DN o autarca.
Augusto Pólvora frisa que a autarquia não pode comprar o Cabo, mas pode servir de intermediária: "Temos um grupo italiano bastante interessado, mas antes de avançarmos com possíveis projectos temos de ter tudo bem resolvido", frisa. Até porque "há pequenas parcelas de terreno que pertencem a privados".
Entretanto, a autarquia vai avançar com uma recuperação no santuário do Cabo Espichel orçada em cerca de 150 mil euros. "Vamos tentar melhorar as condições de atractividade deste espaço", explicou Augusto Pólvora. A grande novidade é a instalação de uma rede eléctrica, visto que actualmente apenas a igreja tem electricidade aos dias de missa (domingo às 16.00), alimentada por um velhinho gerador. Será construído um parque de estacionamento com 150 lugares, os vãos da ala Norte serão finalmente entaipados e as albergarias pintadas. A câmara ainda não decidiu se vai proibir a circulação automóvel no cruzeiro: "As pessoas reagem muito mal à mudança. Mas o objectivo é libertar este espaço para as pessoas andarem à vontade", avançou.
A Casa da Água não vai ser requalificada mas "vai ser protegida. Vamos colocar uns portões para impedir o acesso e tentar dar-lhe um ar lavado", frisa o autarca. Tudo porque, "o aspecto abandonado incentiva ao vandalismo", lamenta.

Ameaça de bomba na escola de Azeitão

Jornal “O Setubalense”, 27 de Fevereiro de 2008

Uma chamada telefónica feita para a Escola Básica 2,3 de Azeitão dava conta de que daí a alguns minutos iria explodir uma bomba, o que acabou por provocar a evacuação daquele recinto educativo.
Pouco passava das 13.45 horas de anteontem quando o telefonista da Escola 2/3 de Azeitão, situada na rua António Maria Oliveira Parreira, em Vila Nogueira de Azeitão, recebeu uma chamada telefónica através da qual uma voz dava conta de que cerca de 15 minutos depois a escola “iria pelos ares” devido a explosão de uma bomba que se encontrava no interior do recinto escolar.
Clara Félix, presidente do Agrupamento Vertical de Escolas de Azeitão foi de imediato contactada e, tal como referiu a «O Setubalense», ficou “alguns momentos indecisa” sobre qual seria a melhor atitude a tomar, uma vez que deveria tratar-se de uma brincadeira de muito mau gosto. No entanto, “e como temos cerca de 800 crianças na escola, optei por não arriscar e contactei de imediato as autoridades” que, neste caso, “foram muito eficientes” e chegaram rapidamente ao local.
Com efeito, a partir do alerta dado pela escola, para o local deslocou-se a GNR, os Bombeiros Sapadores de Setúbal e uma ambulância do INEM, tendo a escola começado a ser de imediato evacuada. Também nesta ocasião, “tudo correu muito bem, até porque”, como nos explicou Clara Félix, “as crianças têm exercícios desta natureza ao longo do ano lectivo e pensaram tratar-se de mais um”, o que só começou a levantar algumas dúvidas “na media em que iam saindo e vendo o aparato de veículos de socorro que se encontravam no local”.
A presidente do Agrupamento diz não ter qualquer base a que possa associar esta brincadeira de mau gosto, “até porque se tratava de um dia completamente normal de aulas, sem qualquer exame agendado” ou até mesmo estar a decorrer “qualquer processo disciplinar”.
A GNR de Setúbal que esteve no local, adiantou a «O Setubalense», através do responsável pelo Destacamento de Setúbal, Major Tavares Belo, que fez “a deslocação dos meios necessários para o local”, confirmou a “realização de buscas de segurança” mas que “não havia qualquer fundamento” para a ameaça, “não tendo sido encontrado qualquer objecto explosivo”.

Ana Maria Santos

Sexagenária encontrada morta debaixo de carro semi-submerso

Jornal “O Setubalense”, 20 de Fevereiro de 2008

Suzete Valente, de 67 anos de idade, enfermeira reformada, foi anteontem descoberta morta debaixo de um carro semi-submerso pela enxurrada, em Vila Nogueira de Azeitão, quando regressava a casa com o medicamento para o seu cão.
Suzete Valente, de 67 anos de idade, natural do Barreiro, viúva e enfermeira reformada do Hospital Dona Estefânia, morava há cerca de três anos na Rua Helena da Conceição dos Santos e Silva, no ‘coração’ de Vila Nogueira de Azeitão. Terá sido atraiçoada pela enxurrada quando subia a rua, de regresso a casa, ficando presa por debaixo de um automóvel estacionado.
O corpo da sexagenária, já cadáver, foi encontrado por debaixo de um automóvel, na rua de acesso a sua residência, no meio de uma enxurrada naquela inclinada artéria. Só a autópsia, a ter lugar no cemitério do Hospital de S. Bernardo, deverá agora esclarecer a causa da morte.
A médica veterinária da “Vet Arrábida”, a última pessoa que falou com Suzete Valente falou, e as vizinhas da sexagenária, não colocam outra hipótese: a senhora “arriscou” subir a rua, de regresso a casa, e foi atraiçoada pela forte bátega de água, acabando entalada na parte debaixo de um carro estacionado.
Ângela Martins, directora técnica da clínica veterinária ‘VET Arrábida’, lamentou a morte desta “nossa cliente, pessoa simpática e activa, com grande estima pela sua companhia, o cão ‘Lamb’, que é cardíaco. A senhora esteve aqui depois das 11 horas e levou comprimidos para o seu animal. No regresso a casa, aconteceu a tragédia”, lamentou.
À reportagem de «O Setubalense», uma vizinha da malograda e antiga enfermeira do Hospital Dona Estefânia, confirmou que a senhora, de bom trato, “residia aqui há três anos”. Maria Luísa Alface garante ter falado com a malograda vizinha do lado “meia hora antes dela descer a rua”, mas “nunca pensei ser pela última vez…”
A inusitada enxurrada de água da manhã de anteontem, terá sido o factor para este incidente mortal. Maria Alface não coloca outra hipótese, e até garante que a última vez que viu uma descarga de água assim “foi há 20 anos”. Com um pormenor: Esta prolongada rua (do antigo posto da GNR), com ligação ao centro de Vila Nogueira, “canaliza muita água proveniente do Alto da Madalena”. Em sua opinião, “a senhora não conhecia bem a força traiçoeira que a água leva nesta zona. Foi apanhada pela enxurrada, não resistiu e acabou entalada debaixo do carro”, considera Maria Alface.
De resto, ainda na manhã de ontem, aquando da visita da nossa reportagem ao local, as laterais do passeio completamente escavadas pela força das águas, dava a entender a força com que as águas pluviais ali correram no dia anterior.

Teodoro João

“O segredo do sucesso passa pelo espírito de sacrifício”

Jornal “O Setubalense”, 18 de Fevereiro de 2008

A fábrica de tortas Azeitonense produz, em média, dez mil tortas por dia, emprega trinta funcionários e já gerou mais de dois milhões de euros. Actualmente, as tortas de Azeitão marcam presença em praticamente todas as superfícies comerciais, grandes e pequenas. Mas há treze anos, a realidade era outra, pois quem quisesse provar este afamado doce teria que se deslocar ao distrito de Setúbal.
O proprietário da fábrica, António Martins, pasteleiro e empresário, pegou nas tortas de Azeitão, um produto regional, que estava subvalorizado e deu-lhe uma marca. Inicialmente, começou a produzir queijadas em casa e a vender de porta a porta. Mas cedo se apercebeu da potencialidade da torta que, segundo o pasteleiro, “tinha características ideias para poder ser trabalhada não só a nível local mas também exterior, uma vez que, tem como recheio o doce de ovo que, ao contrário do creme, aguenta-se por mais tempo”. Assim iniciou, há treze anos, o fabrico deste doce, a nível nacional.
O negócio foi-se adaptando às grandes superfícies, “de forma lenta e sustentada”, refere. Há dez anos começou a fabricar para o hipermercado Jumbo, assumindo a loja de Setúbal e a de Almada. Logo no primeiro ano obteve “um sucesso extraordinário de vendas”, conta o empresário. Após esse período quiseram que vende-se para outras lojas, no entanto, António Martins indicou que não tinha condições para tal. “Eram necessários equipamentos como carros frigoríficos, que não eram fáceis de adquirir”, revela. Algo que foi conseguindo pouco a pouco.
A fábrica foi sofrendo reformas, aumentando à medida que o negócio crescia. Apesar do doce mais conhecido ser a torta de Azeitão, a fábrica Azeitonense também produz outros bolos. As queijadas de Azeitão, queijinhos de Azeitão, esses de Azeitão, cavacas e até bolos integrais são produzidos e vendidos ao público no número 438 da rua S. Gonçalo, em Brejos de Azeitão. Segundo o proprietário todos os bolos são confeccionados sempre “ao gosto do cliente”, com ingredientes o mais naturais possível e “não entrando em concorrências”.
Prova da qualidade de produção desta fábrica é o prémio “Sabor do ano 2008”, conquistado com as tortas e os esses de Azeitão, galardão muito reconhecido em França como símbolo de qualidade no sector alimentar. Esta distinção resultou de várias provas cegas, desprovidas de marca, realizada por vários consumidores anónimos.
Os dividendos que o empresário retira da fábrica servem, de acordo com o mesmo, para promover a marca, porque, “para singrar nas grandes superfícies, onde há muita competitividade, é preciso apostar na publicidade”, explica. Também usa esses lucros para aumentar os salários dos seus trabalhadores, porque “é importante que estejam motivados e não é com salários baixos que se vai para a frente”. Mas também é exigente e escolhe a dedo cada trabalhador, dando sempre preferência àqueles com formação superior. O resto do dinheiro serve para investir, se bem que, grande parte do dinheiro, diz, vai também para o Estado, através dos impostos que o empresário considera “muito altos”.
Para António Martins o segredo do seu sucesso passa, além de ter uma boa equipa de trabalho, pelo espírito de sacrifício que está patente, por exemplo, na ausência de férias. Confessa que “quem tem um negócio deixa de usufruir de outras coisas, há que estar sempre atento e não estagnar, pensar sempre dois ou três anos à frente, mas sempre com calma e segurança”.
No futuro pretende abrir uma nova fábrica, na Estrada Nacional 10, à saída da estação de Coina. O espaço terá dois mil metros quadrados de área coberta, com zona de estacionamento.
António Martins pretende reservar um espaço para uma loja onde irá comercializar vários produtos da região da Arrábida, como mel, queijo, moscatel, rebuçados e até artesanato. Neste campo ambiciona ainda criar um atelier onde haverá alguém a pintar azulejos e onde as pessoas possam encomendar painéis.
Este investimento de 2,1 milhões de euros traduz-se também numa aposta na exportação. O pasteleiro criou outros tamanhos de tortas (mini-tortas e miniaturas) a pensar no mercado internacional e noutro tipo de consumidores e eventos como casamentos, cocktails, etc. “Os ovos e o açúcar agradam a todas as bocas”, garante, daí a certeza do sucesso além fronteiras.

Vera Gomes

Cabo Espichel de cara lavada ainda este ano

“Jornal de Notícias”, 10 de Fevereiro de 2008

Abandonado há 10 anos, o santuário do Cabo Espichel, em Sesimbra, vai ser requalificado ainda este ano. As obras, orçadas em 100 mil euros, contemplam a construção de um parque de estacionamento com 150 lugares, a reabilitação da zona da Mãe de Água e o embelezamento exterior de toda a área envolvente ao santuário. "O que vamos fazer no imediato é tentar melhorar as condições de atractividade do espaço", avançou, ao JN, o presidente da Câmara de Sesimbra, Augusto Pólvora, após a sociedade Costlântica ter doado ao município os quatro hectares de terreno envolvente ao santuário.
Uma das intervenções prioritárias é a instalação de rede eléctrica, uma vez que actualmente apenas a igreja tem iluminação, alimentada por um gerador. "Estamos também em vias de conseguir um acordo com a Simarsul para o saneamento básico", adianta o autarca, referindo que, no próximo Verão, o espaço já irá ser palco de iniciativas culturais.
O santuário do Cabo Espichel entrou em declínio há 10 anos, quando a Confraria de Nossa Senhora do Cabo cedeu ao Estado a ala Norte para que o INATUR ali construísse uma pousada. Na altura, as casas estavam ocupadas por pescadores de Sesimbra, que pernoitavam no Cabo pelo menos durante a festa religiosa de Setembro. Os ocupantes foram despejados e todas as entradas para as casas foram vedadas com tijolo.
Entretanto, o INATUR já não quer construir uma pousada no local e autarquia está agora a desenvolver esforços para que a zona pertencente ao Estado possa ser dinamizada. "Estamos a tentar encontrar um outro promotor para instalar um programa misto de alojamento e comércio", adianta Augusto Pólvora. Quanto à ala Sul, que irá continuar na posse da igreja, o município espera conseguir que parte do piso térreo seja cedido para a instalação de serviços, que possam suportar os custos de recuperação do piso superior, que incluirá uma zona de recolhimento e alojamento.
O abandono do santuário tem contribuído para a sua degradação e quem até ali se desloca mostra-se satisfeito por a requalificação avançar finalmente. "Isto é um monumento e é pena estar a ser destruído", frisa José Costa, da Charneca de Caparica, considerando que a edificação de uma pousada seria o projecto ideal. Luísa Costa tem a mesma opinião que o marido e lamenta "estar tudo fechado e abandonado". "O que fizerem aqui fica melhor do que está", salienta por outro lado Francisco Marques, do Zambujal, considerando que é necessário conservar o espaço.
Sandra Brazinha

Traficantes de droga galegos guardavam haxixe em Sesimbra

“Jornal de Notícias”, 10 de Fevereiro de 2008

Cerca de seis toneladas de haxixe foram apreendidas em Portugal, numa operação policial que juntou a Polícia Judiciária (PJ) e a Guardia Civil de Espanha e que levou à detenção de um total de 17 indivíduos. Um dos dois alegados cabecilhas da rede é um antigo e conhecido dirigente sindical da zona de Arosa.
A droga tinha como destino os cartéis galegos e a investigação tinha começado há um ano, trazendo inclusive ao nosso país elementos de investigação da Guardia Civil de Pontevedra, que acompanharam a Polícia Judiciária nas investigações.
Parte da droga foi apreendida no IP1, na zona de Leiria, dentro de um camião que tinha sido alugado em Espanha para fazer o transporte do haxixe, segundo adiantou o coordenador de investigação criminal Dias Santos, da Direcção Central de Investigação do Tráfico de Estupefacientes (DCITE) da PJ. "À frente da viatura onde seguia a droga, neste caso pólen de haxixe, seguia um automóvel, que funcionava como batedor", apontou Dias Santos. Os dois condutores foram detidos, e acabaram por ficar em prisão preventiva depois de terem sido presentes ontem à tarde, perante um juiz no tribunal de Almada.
A maior parte do haxixe estava, no entanto, escondido em casas abandonadas, na região de Sesimbra, mais concretamente em Azóia, junto à estrada que liga ao Cabo Espichel. Trata-se de edifícios cuja construção foi embargada há vários anos, existindo apenas as paredes e os telhados. Era numa dessas casas que a droga estava escondida, a pouco mais de dois quilómetros do mar, mas as autoridades ainda não sabem se o haxixe foi desembarcado ou não na zona.
De acordo com o coronel Rafael Daza Pichardo, comandante da Guardia Civil de Pontevedra, já tinha havido detenções em Espanha em Agosto e em Dezembro, incidindo sobre a mesma rede, que mais recentemente levaram à detenção dos líderes, que segundo soube o JN junto de fonte policial são Juan Salvador Rivadomar Padin e Guillermo Fernandez Sanchez.
Salvador Ribadomar era um conhecido sindicalista ligado às profissões do mar, que deixou o sindicalismo para se tornar empresário. A sua ligação ao tráfico de drogas era insuspeita e a detecção surpreendeu toda a gente. Ambos os alegados líderes do grupo eram da zona de Arosa, nas rias galegas, um a zona historicamente ligada ao tráfico de drogas. Mais detenções relacionadas com o caso poderão ocorrer.
Noutra acção que precedeu esta operação, há cerca de dois meses, foi apreendida uma lancha voadora, com cerca de duas toneladas de haxixe, em Alicante, no Mediterrâneo, que operava para a mesma rede galega. A operação recebeu a designação de "Ipanema".
A aparente alteração de rota do tráfico, segundo o coronel Rafael Daza Pichardo, poderá estar associada à eficácia do sistema de vigilância electrónica que está a operar na costa sul de Espanha e que está em fase de concurso para instalação também em Portugal, tal como o JN já noticiou.
Além das quase seis toneladas de haxixe apreendidas pela PJ, durante a operação a Guardia Civil já tinha apreendido em Espanha 2,3 toneladas do mesmo estupefaciente. Feitas as contas, fora m apreendidas um total de mais de 8,3 toneladas de droga, que eram geridas pela mesma rede, agora desmantelada, com a operação em Portugal.
Com os dois detidos foram apreendidos vários telemóveis com cartões de rede nacional. À partida tinham sido comprados especificamente para fazer a monitorização do transporte de droga, no percurso entre Sesimbra e a Galiza.
António Soares
Carlos Varela

18 Janeiro 2008

Apostar nas tortas de Azeitão foi uma doce ideia

Jornal "Diário de Notícias", 17 de Janeiro de 2008

Virar as costas a Pinhel, no distrito da Guarda, rumo a Azeitão (Setúbal) mudou-lhe a vida. Sem perder de vista as raízes ligadas à pastelaria, descobriu as célebres tortas, aprendeu o segredo e lançou-se no mercado. Começou uma aventura apenas apoiado pela mulher, vendendo porta a porta. Hoje, 13 anos volvidos, vai a caminho de um "pequeno império" que produz 10 mil tortas por dia, pelo preço unitário de 1,05 euros.
António Martins é o exemplo de um empresário que subiu a pulso. Paulatinamente. Já conquistou o País, agora as tortas de Azeitão vão a caminho da internacionalização. Aqui aplica-se a velha máxima: a necessidade aguça o engenho. Filho de padeiros, cedo se iniciou na actividade de pasteleiro. Chegou a produzir cavacas, mas sentiu na pele as dificuldades impostas pela globalização quando há duas décadas Portugal aderiu à UE. "Começámos a ter dificuldades. As pequenas empresas não tinham condições de entrar nas grandes superfícies e os espanhóis invadiram o País com produtos idênticos aos nossos, mas mais vistosos e com preços mais baixos. Deixámos de vender", diz. Mas aprendeu com o erro.
Desceu no mapa à procura de melhor sorte. Por terras do Sado conheceu as tortas de Azeitão. "Achei que era um produto de qualidade, mas que estava reduzido a um produto local, embora tivesse potencial para vir a ser comercializado a nível nacional", conta António Martins, admitindo ter sido esta perspectiva que lhe valeu o negócio da vida em Brejos de Azeitão. No passado, facturou mais de 2 milhões de euros.
O empresário apostou forte neste projecto. Começou por produzir tortas em pequenas quantidades, foi conquistando mercado e abriu horizontes. "Se as tortas já eram boas, passaram a ser melhores porque investimos nas melhores matérias- -primas e demos uma imagem de marca a conhecer ao consumidor, recorrendo à promoção publicitária", adianta, admitindo que o passo determinante foi ter adaptado a produção ao mercado das grandes superfícies. Vai para dez anos que assumiu as duas primeiras lojas no Jumbo de Setúbal e no Pão de Açúcar de Almada. "O sucesso de vendas foi tão espectacular que no ano seguinte pediram-me para assumir outras lojas. Aos poucos, cheguei às superfícies comerciais de todo o País. Claro que tive sempre de fazer investimentos. Um dos primeiros foi quando comprei um carro de frio", recorda. Mas o maior investimento está em curso, com a aquisição de um espaço onde há-de edificar a nova fábrica, na qual pretende reservar um espaço para exibir os melhores produtos tradicionais da região - do queijo de Azeitão, ao mel, passando pelo moscatel.
António Martins vai gastar 2,1 milhões de euros no novo projecto. Com um total 6 mil metros quadrados, sendo 2 mil de área coberta, junto à Estrada Nacional 10. Garante ao DN que as actuais instalações já limitam as ambições da empresa, onde trabalham 30 pessoas. Afinal, o empresário quer levar o seu produto às mesas do mundo e diz que, não tarda, a torta ultracongelada vai chegar a países como o Japão, Brasil, França, Espanha, Inglaterra e Alemanha.... E desta vez não receia a concorrência. É que as tortas de Azeitão "não são fáceis de fabricar. Quando eu comecei houve outros que também começaram, mas foram ficando pelo caminho. Não é fácil." Daí que exiba com orgulho o prémio Marca Sabor, conquistado entre mais de cem empresas.

Roberto Dores

01 Janeiro 2008

Passagem de ano debaixo de água

"Jornal de Notícias", 31 de Dezembro de 2007

A transição de 2007 para 2008 promete ser arrojada em Sesimbra com uma centena de mergulhadores debaixo de água, 12 minutos de fogo-de-artifício, dois palcos de música e restaurantes e bares abertos até de manhã. A iniciativa inédita pretende fazer da vila um destino nacional para a passagem de ano.
"O programa destina-se a recolocar Sesimbra no mapa das festividades anuais, à semelhança do que acontece todos os anos no Carnaval", avançou ao JN Aleixo Terra-da-Motta, coordenador do Turifórum para o projecto. "Trata-se de um conjunto de actividades que passam pela abertura do comércio toda a noite, pelo fecho da marginal junto ao mar e pela colocação de dois palcos de música", explica.
À meia-noite, o espectáculo de luzes irá iluminar toda a baía. "Vamos meter debaixo de água cem mergulhadores que vão desenhar 2008 com as suas lanternas", refere o responsável. Vinte segundos depois inicia-se o espectáculo pirotécnico numa extensão de 1250 metros com 1750 disparos por minuto. "Pela primeira vez vai haver uma barreira de fogo desenhada de propósito para Sesimbra", adianta Aleixo Terra-da-Motta.
Por motivos de segurança serão estabelecidos dois perímetros de segurança, um no mar e outro em terra, devido ao lançamento do fogo-de-artifício e a toda a logística que implicará a colocação de 100 mergulhadores no mar. Esta é, aliás, a actividade mais complexa de todo o programa.
"A marginal de Sesimbra contará ainda com a presença de vários animadores de rua e dois palcos com música até às 2.30 horas. Na zona nascente estará a banda Cuba Libré e na zona poente actua a banda Grand'Área, seguida do DJ Monchike. A edição zero do "Reveillon de Sesimbra" implicou um investimento de 45 mil euros, a que se somam todas as dádivas feitas pelas empresas aderentes ao projecto.
Sandra Brazinha

Regressou raridade da José Maria da Fonseca

Jornal "Setubalense", 31 de Dezembro de 2007

O moscatel da José Maria da Fonseca “Torna Viagem” andou vários meses a bordo do navio-escola Sagres passando por África e América do Sul.
O famoso Moscatel de Setúbal “Torna Viagem” da José Maria da Fonseca, já regressou de mais uma viagem por terras e portos Sul-americanos. O “Torna Viagem” viajou a bordo do navio-escola Sagres, que passou por Mindelo, Recife, Santos, Buenos Aires, Montevideu, Rio de Janeiro e Tenerife.
À semelhança do que já aconteceu no ano de 2000, por altura da comemoração dos 500 anos do descobrimento do Brasil, o navio-escola partiu a 29 de Junho de 2007, transportando 4 cascos de Moscatel de Setúbal e 2 cascos de Moscatel de Setúbal Roxo na sua jornada por terras e portos Sul-americanos. Antes da sua chegada a Lisboa, a 16 de Outubro, a Sagres atracou nos portos Sul-americanos de Recife, Santos, Buenos Aires, Montevideu e Rio de Janeiro.
A José Maria da Fonseca descobriu o “Torna Viagem” há mais de um século. Na época em que navios cruzavam os mares do mundo fazendo todo o tipo de comércio, era comum levarem à consignação cascos de Moscatel de Setúbal. Os comandantes, que recebiam pelo que vendiam, nem sempre os conseguiam comercializar todos. Na volta a Portugal, depois do périplo, em que se submetiam a diversos climas e significativas variações de temperatura, os cascos eram devolvidos à casa mãe. Ao serem abertos, o resultado era quase sempre uma grata surpresa: geralmente o vinho estava bastante melhor do que antes de embarcar. A passagem pelos trópicos, a caminho do Brasil, África ou Índia, quando atravessava por duas vezes a linha do Equador, uma na ida, outra na volta, parecia melhorar a qualidade do Moscatel de Setúbal e conferir-lhe grande complexidade.
“Com os choques térmicos sofridos durante a viagem, sabemos que o Moscatel Torna Viagem terá uma cor mais escura e características totalmente diferentes do que ficou cá”, diz António Soares Franco, presidente do conselho de administração da José Maria da Fonseca. Ao provar o Moscatel Torna Viagem, recém regressado, Domingos Soares Franco afirma que "O Moscatel ficou mais redondo, menos agreste. Está maravilhoso". Além das provas frequentes, os enólogos têm outra forma de avaliar as particularidades do “Torna Viagem”: um casco do mesmo vinho permaneceu na adega de Azeitão, enquanto os outros seis corriam os mares. O Testemunha, como é chamado pela JMF, serve para fazer a comparação com os que voltaram.
HISTÓRIA - O “Torna Viagem” nasce de um facto curioso. A José Maria da Fonseca, quando foi fundada em 1834 por José Maria da Fonseca, privilegiou a exportação dos seus vinhos em garrafas. O Moscatel era a excepção praticada na casa, mas foi desta forma que surgiu a raridade e a lenda do “Torna Viagem”. O Moscatel de Setúbal, vinho generoso, tradição da José Maria da Fonseca, é comercializado desde a fundação da empresa há mais de 170 anos. A sua vinificação assemelha-se à do vinho do Porto e da Madeira. A fermentação é interrompida com a adição de aguardente vínica, atingindo uma graduação alcoólica de 18 a 20º. Em seguida, o líquido é macerado por cinco meses em contacto com as películas da uva, para obter maior tipicidade. Por fim, é envelhecido em cascos de carvalho usado de 600 litros, por um período mínimo de 24 meses, antes de ser engarrafado. A José Maria da Fonseca mantém uma cave em Azeitão, chamada de adega dos Teares Velhos, dedicada exclusivamente ao envelhecimento dos moscatéis topo de gama.

Espaço Solidário dá apoio a mais de 800 carenciados

"Jornal de Notícias", 21 de Dezembro de 2007

Mais de 800 pessoas são apoiadas pelo Espaço Solidário, inaugurado na Quinta do Conde faz hoje um ano, e que serve o concelho de Sesimbra. Trata-se de um serviço municipal que recebe roupa, brinquedos, mobiliário e electrodomésticos, artigos depois doados a famílias carenciadas.
De acordo com dados oficiais, o Espaço Solidário conta já com 202 utentes, famílias compostas em média por quatro elementos, ou seja, 808 pessoas. Ao longo dos últimos 12 meses, foram distribuídos mais de 20 mil artigos.
Os beneficiários do espaço são alvo de uma selecção criteriosa. "São pessoas que têm poucos rendimentos e que são sinalizadas pelos serviços técnicos da Câmara", conta a funcionária Patrícia Marquês, explicando que cada pessoa "escolhe a roupa consoante o agregado familiar".
Com apenas um ano de funcionamento, o Espaço Solidário superou todas as expectativas da Câmara. "Não estávamos à espera de uma rede de solidariedade tão grande", revelou ao JN a vereadora da Acção Social, Felícia Costa, lembrando que todos os utentes são acompanhados pelos serviços com o intuito de conhecer as suas reais necessidades. "Queremos agora começar a distribuir alimentos através de um acordo com operadores do Mercado da Quinta do Conde e do Banco Alimentar", adiantou.

Sandra Brazinha

25 Novembro 2007

Deixou a PSP para ir à pesca

Jornal "Diário de Notícias", 24 de Novembro de 2007

Não andou a correr atrás de ladrões nem a vigiar suspeitos. E ser polícia não foi um daqueles sonhos de criança, que quase todos os rapazes já tiveram: ser polícia ou bombeiro. Entrou para a PSP aos 36 anos, já com posto de oficial obtido no Exército. O número dois da PSP, superintendente-chefe António Chumbinho, deu há um mês um passo ao lado e retirou-se de serviço, precisamente na véspera do seu 65.º aniversário. Agora com tempo livre, vai dedicá-lo à pesca e à família, confidenciou ao DN o ex-director nacional adjunto da PSP.

"Quando era miúdo queria ser maquinista de comboios", recorda o oficial, nascido em Grândola no dia 18 de Outubro de 1942. "Quando terminei o liceu, que fiz em Setúbal, decidi seguir a carreira militar. Tinha 19 anos quando ingressei na Academia Militar, em Lisboa, em 1962, para fazer a licenciatura", contou António Chumbinho.

Fez duas comissões de serviço como comandante de companhia em Moçambique e na Guiné, esta última interrompida quando ocorreu o 25 de Abril de 1974, regressando a Portugal em Outubro. Em 1978 foi convidado e fez duas comissões de serviço na PSP de Setúbal como segundo comandante distrital e depois como comandante. Transitou de tenente-coronel do Exército para intendente da PSP, onde ingressou definitivamente em 1987, no comando de Lisboa. Ascendeu na carreira até se tornar no número dois na hierarquia da PSP.

"Trabalhei até ao dia 17 de Outubro e no dia 18, quando fiz 65 anos, é que já não fui. Foi uma missão como qualquer outra, a de me retirar de serviço. Poderia ter saído antes, talvez há cinco anos - fiz 45 de serviço efectivo no Exército e na PSP - mas preferi continuar, porque não tinha outros projectos particulares e estava agarrado ao serviço público", explicou.

Casado, António Chumbinho, que mora em Azeitão (Setúbal), perto dos seus dois filhos e dos quatro netos, diz estar ainda "num processo de reorganização". E quanto ao ao futuro? "Vou estar mais disponível para a vida familiar e alguns entretenimentos. Gosto de ir à pesca. Antes já ia, mas pouco, porque me faltava o tempo. Trabalhava muitas horas, em média, 12 por dia."

"Quero dar especial atenção à família, que a vida activa na PSP condicionava muito. Nunca conseguia almoçar nem jantar com a minha mulher, porque chegava a casa muito tarde. Foi sempre ela que me deu apoio. Agora é tempo de ser eu a fazê-lo", concluiu.


Daniel Lam

14 Outubro 2007

Manuel Vilarinho acusado de tentar atropelar bombeiros

Jornal "Diário de Notícias", 7 de Outubro de 2007

Uma equipa de cinco elementos dos Bombeiros Voluntários de Setúbal ameaça apresentar uma queixa-crime contra o ex-presidente do Benfica Manuel Vilarinho, acusando-o de os ter impedido de entrar na sua propriedade, em Azeitão, para apagarem um incêndio, ao fim da tarde de sexta-feira. Adiantam que o proprietário da Quinta de Santiago os "insultou, tentou atropelar e ameaçou disparar contra eles". Manuel Vilarinho confirma que o incidente ocorreu, desmente aquelas acusações e recusa dar mais pormenores do caso.
O comandante da corporação, Paulo Sedas, confirmou ao DN que, "pouco antes das 18.00, foi recebida uma chamada relatando um foco de incêndio no perímetro do Parque Natural da Arrábida. Seguiram para o local um veículo de combate a incêndios florestais e cinco bombeiros".
O mesmo responsável recusou adiantar mais pormenores sobre o que sucedeu depois, "enquanto não se souber exactamente em concreto o que de facto aconteceu".
Um elemento da corporação, que preferiu não se identificar, declarou à Lusa que Manuel Vilarinho "tentou impedir a intervenção dos bombeiros, que se preparavam para apagar uma queima de sobrantes florestais, que ameaçava transformar-se num foco de incêndio, que poderia propagar-se à serra da Arrábida".Além disso, "insultou-nos, tentou atropelar-nos com uma motoquatro e ameaçou dar-nos um tiro com uma caçadeira, que nunca chegou a exibir", disse o mesmo bombeiro.
A confusão foi tanta, que compareceram no local elementos da GNR. Identificaram o dono do terreno e o chefe dos bombeiros que ali se encontrava de serviço. Fonte da GNR referiu que "a queima era de pouca monta e o proprietário tinha tomado as medidas necessárias para prevenir qualquer foco de incêndio".

Daniel Lam

Seis obras de arte pública criadas ao vivo no castelo

"Jornal de Notícias", 10 de Outubro de 2007

A pedra da região de Sesimbra não serve apenas para brita. É também matéria-prima para obras de arte. Prova disso são as seis esculturas expostas no castelo e que foram elaboradas ao vivo por sete artistas entre os dias 15 e 30 do mês passado. No âmbito da iniciativa "Escultura ao Vivo", promovida pela Câmara local, as obras vão, em breve, embelezar espaços públicos do concelho. "É um balanço extremamente positivo para os artistas, que deixam aqui a sua obra, e para Sesimbra que aumenta o seu património cultural e artístico", avançou ao JN o comissário da exposição, Carlos Bajouca. O escultor, de 51 anos, salienta que estes novos monumentos demonstram que "a pedra da região não serve só para calçada e gravilha". Sobre a obra "A Pesca do Espadarte", que construiu em conjunto com o cubano Hans Varela e que irá para a rotunda do Marco do Grilo, à entrada da vila, Carlos Bajouca realça que é "uma forma de homenagear os pescadores e a pesca do espadarte". Já o escultor Hans Varela, de 40 anos, frisa que a obra "representa Sesimbra em todo o seu esplendor". A mesma opinião tem Beatriz Cunha, de 48 anos "Foi tudo feito a um nível muito elevado em termos de convívio. E o local é maravilhoso", salienta a escultora que construiu uma "Alauda", que em latim significa Cotovia, a localidade para onde vai a peça. "É uma escrita musical, de fio ao vento, uma espécie de canto", descreveu. "Terra Mar" é o nome da escultura elaborada por João Antero, de 58 anos. "Na mesma pedra existe a terra e o mar, com um elemento orgânico no meio, uma árvore, que tenta representar o nascimento", salienta o professor, cuja obra será colocada no Parque Urbano da Quinta do Conde. "Foi uma iniciativa enriquecedora a todos os níveis", concluiu João Antero. Moisés Preto Paulo, 44 anos, elaborou "Severo Preto - O Homem do Leme", uma peça que será transferida para a nova marginal de Sesimbra. "Trata-se de uma homenagem à população local", disse o autor. Aplaudindo a iniciativa, Moisés Preto Paulo recorda que a iniciativa permitiu mostrar à população "como se fazem obras com escalas de exterior". "As pessoas têm curiosidade em saber como é que se transforma a matéria e como é que se forma uma obra de arte a partir de um calhau", corrobora João Renato, de 37 anos. Tendo como destino a Quinta do Conde, a peça "Os pioneiros" retrata, segundo o autor, "o surgimento dos primeiros habitantes naquela localidade". A "Homenagem ao Dador de Sangue", que também irá para a Quinta do Conde, foi trabalhada por Nelson Cardoso, de 49 anos. "Simboliza uma mulher sem rosto com o coração a sair", contou ao JN o escultor.

Sandra Brazinha

Meia tonelada de lixos retirada do mar

"Jornal de Notícias", 23 de Setembro de 2007

Mais de 500 quilos de lixo foram retirados ontem do mar de Sesimbra. O XII Encontro de Limpeza Subaquática decorreu junto à Praia do Ouro, no lado poente da vila. Pneus, garrafas, pilhas, frigideiras, um mega grelhador, covos de pesca, chapéus-de-sol, latas de tinta, tubos, plásticos e cordas foram alguns dos objectos encontrados no fundo do mar.
Assinalando o Dia Mundial da Limpeza de Praias, 56 mergulhadores recolheram 510 quilos de lixo, um registo inferior aos 724 quilos retirados do mar no ano passado. "A ideia é sensibilizar as pessoas para a importância da limpeza do meio marítimo", adiantou, ao JN, Luísa Fachada, directora do departamento de educação, cultura e lazer da Câmara Municipal de Sesimbra.
"As pessoas mandam até latas de tinta semi-cheias para dentro da água", lamenta João Ferreira, de 27 anos, membro do Núcleo de Actividades Subaquáticas do Instituto Superior Técnico, que colaborou com a autarquia na organização desta acção. Estreante nestas coisas, o lisboeta conta que encontrou "latas de bebida, garrafas de vidro e papel de jornal", acrescentando que houve também quem recolhesse pneus. "Certas coisas não vale a pena tirar do fundo do mar, porque há peixes pequenos que utilizam esses materiais para fugir dos grandes", considera, numa clara referência a objectos que serviam de habitat para algumas espécies.
A mesma questão preocupa Alexandra Figueiredo, uma professora de Tomar, de 30 anos, que levou até Sesimbra um total de 17 pessoas participantes num curso ligado à arqueologia subaquática. "Tudo o que tem derivantes de prata e mercúrio só polui e não permite que a vida se propague", frisa Alexandra Figueiredo. "Os covos poluem na mesma, mas servem de protecção a certo tipo de animais, permitindo a vida biológica", considera por outro lado.
Em comunicado, a autarquia sesimbrense informa que "uma simples folha de papel pode levar de três a seis meses a deteriorar-se, uma fralda descartável leva 450 anos a desaparecer e uma garrafa de plástico demora 500 anos a decompor-se", alertando assim para o problema da poluição marítima.

Sandra Brazinha

Governo chumba projecto na Mata de Sesimbra

Jornal "Diário de Notícias", 15 de Setembro de 2007

Isaltino de Morais considera "legítima" a decisão do Governo de não reconhecer o acordo que o próprio estabeleceu em 2003, enquanto ministro do Ambiente, com os promotores de um empreendimento turístico na Mata de Sesimbra. Mas ao DN lembrou que essa opção implicará o pagamento de uma indemnização enorme por parte do Estado. O processo, que conheceu ontem mais um episódio, tem mais de 30 anos de história."Na minha altura essa alternativa não existia e o caso estava a ser analisado por um tribunal arbitral internacional. O promotor pedia-nos uma indemnização de 12 milhões de contos (aproximadamente 60 milhões de euros) e não podíamos de forma alguma pagar. Se este Governo pode, ainda bem", afirmou ontem ao DN.
O actual autarca de Oeiras reagiu assim, com ironia, à decisão tomada ontem pelo ministro do Ambiente, Nunes Correia, de considerar "nulo" o acordo estabelecido há quatro anos entre o Estado, a autarquia de Sesimbra, a sociedade imobiliária Pelicano SA e sociedade Aldeia do Meco.
O objectivo inicial dos promotores era construir na zona do Meco, mas essa intenção foi inviabilizada após muitos anos de avanços e retrocessos judiciais. De forma a compensar esses direitos de construção, e depois do assunto ter passado por um tribunal arbitral, foi estabelecido o acordo que transferiu esses direitos de construção do Meco para a Mata de Sesimbra, permitindo ao promotor construir num local diferente.
Agora, ao analisar o milhão de metros quadrados de construção propostos no Plano de Pormenor (PP) apresentado pela autarquia para a zona sul da Mata, o Governo resolveu não aceitar os 315 mil metros quadrados que vêm "transferidos" do Meco. Nunes Correia disse que "o PP só estará em condições de ser aprovado se for deduzida a área". A justificação está no Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa, que impede grande pressão urbanística neste local de habitats importantes.
Nunes Correia assenta ainda a decisão no facto de o dito acordo, para ser válido, ter de pressupor a existência de um alvará de loteamento originalmente no Meco, emitido apenas no caso de os promotores serem proprietários dos terrenos. Porém, a Aldeia do Meco tinha assinado apenas um contrato de compra e venda sobre a área pretendida. Mais: para inviabilizar a consumação do projecto, em 2000, o então ministro José Sócrates ordenou a aquisição de uma parcela de terreno na área do loteamento do Meco, comprada pelo Instituto de Conservação da Natureza.
Estes argumentos expostos ontem levam o Governo a considerar que o alvará tem "boas razões para ser considerado nulo". Agora cabe à câmara reorganizar o PP e diminuir a sua carga. O DN tentou contactar o promotor mas não teve sucesso.

Rita Carvalho
Susana Leitão

Castelo é ateliê para sete artesãos esculpirem pedra

"Jornal de Notícias", 18 de Setembro de 2007

O Castelo de Sesimbra está a servir de ateliê para sete escultores que, até 30 de Setembro, trabalham ao vivo pedra local transformando-a em esculturas. O Simpósio Internacional de Escultura decorre no âmbito da Sesimbra Art Spaces, Bienal Internacional de Artes Plásticas. "A pedra foi oferecida gratuitamente pelos industriais locais", adianta o comissário da exposição, Carlos Bajouca. Os blocos de brecha, a pedra local, darão lugar a seis esculturas que serão colocadas em diversos espaços públicos do concelho, como rotundas e avenidas. Sobre a obra que está a construir em conjunto com Hans Varela, que será composta por espadartes, Carlos Bajouca, de 50 anos, residente na Aldeia do Meco, salienta que é a maior de todas e que "vai ficar com nove ou dez toneladas". O professor João Antero, de 58 anos, é outro dos escultores que está a trabalhar um bloco de pedra. "É uma obra que vai tratar o mar e a montanha. Estabeleci que este projecto deveria estar de acordo com o meio", conta. Sobre a iniciativa, o escultor de Cucujães diz que "é sempre positivo haver estes encontros de cultura e é uma mais-valia para a terra".
"É sempre uma experiência muito interessante. Estou a ser muito bem recebida e o sítio é lindíssimo", enaltece a única mulher entre os escultores presentes. Beatriz Cunha, de 48 anos, está a criar uma escultura intitulada "Alauda", que quer dizer Cotovia, localidade onde ficará a obra. "É uma evocação do sentido, do tom. É uma espécie de escrita musical", salienta a lisboeta. "Eu vejo a pedra e a partir daí começo a trabalhar e vou decidindo o que fazer", explica, por outro lado, o brasileiro Nelson Cardoso, de 49 anos. Há 27 anos a viver em Colares, este escultor ainda não deu um nome à sua obra, mas frisa que "vai estar relacionada com a vida". O trabalho final vai ser colocado numa rotunda perto da Associação de Dadores de Sangue, na Quinta do Conde. Os trabalhos prolongam-se por mais 15 dias, tempo suficiente para que os escultores possam concluir as obras. Quem quiser assistir à criação das esculturas ao vivo pode visitar o Castelo de Sesimbra todos os dias, até ao fim do mês, entre as 10 e as 13 horas e entre as 15 e as 20 horas.

Sandra Brazinha

Ministério do Ambiente trava projecto da Pelicano em Sesimbra

"Jornal de Negócios", 14 de Setembro de 2007

O Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional (MAOTDR) pronunciou-se hoje contra o projecto Pinhal do Atlântico, que a empresa de investimentos imobiliários Pelicano quer desenvolver em Sesimbra.
O Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional (MAOTDR) pronunciou-se hoje contra o projecto Pinhal do Atlântico, que a empresa de investimentos imobiliários Pelicano quer desenvolver em Sesimbra.
O Ministério "entendeu não estarem reunidas as condições para o reconhecimento da necessidade do projecto do Pinhal do Atlântico, em Sesimbra, por razões imperativas de interesse público". Essencialmente, os motivos deste "chumbo" passam pela excessiva edificação prevista para a mata de Sesimbra.
Em causa está um contrato que o próprio MAOTDR assinou em Março de 2003 com o município de Sesimbra e as sociedades Pelicano e Aldeia do Meco. Agora o Ministério não reconhece a aplicabilidade desse acordo.
Está pendente ainda na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo a emissão de um parecer sobre a versão final do plano de pormenor da zona sul da mata de Sesimbra, que prevê uma área bruta de construção de 1.034.072 metros quadrados, incluindo 315.000 metros quadrados resultantes do acordo do Meco.
O Ministério chefiado por Nunes Correia considera, contudo, que "o projecto que se pretende desenvolver na actual versão do plano de pormenor, considerado conjuntamente com o processo análogo em curso para a Zona Norte da Mata de Sesimbra e todo o conjunto de pretensões turísticas inventariadas, apresenta uma carga de ocupação/edificabilidade excessiva face às características do território e à importância do sistema ambiental e dos valores naturais em presença".
Assim, o MAOTDR propõe uma redução da carga de ocupação do projecto, sugerindo que o plano de pormenor "só estará em condições de ser aprovado se for deduzida a área de 315.000 metros quadrados". O projecto Pinhal do Atlântico corresponde a uma área total de construção de 44.650 metros quadrados e a uma carga de 1790 camas. A área de 315 mil metros quadrados a deduzir ao plano corresponde a uma capacidade turística total de 7.800 camas.
Segundo a agência Lusa, o ministro referiu ter já comunicado a decisão à autarquia e aos promotores, que reagiram com uma "atitude construtiva" de "compreensão". O Jornal de Negócios procurou obter uma reacção da Pelicano, mas tal não foi possível, por indisponibilidade dos responsáveis da empresa.
Apresentado em Dezembro de 2003, o projecto Pinhal do Atlântico representa um investimento de cerca de 800 milhões de euros. O prazo de conclusão deste empreendimento era então apontado para o ano 2015.


Miguel Prado

Cinco principais portos recebem 10,5 milhões

"Jornal de Negócios", 12 de Outubro de 2007

O Orçamento de Estado para 2008 consagra uma verba de 10,5 milhões de euros para os cinco principais portos nacionais. A Administração do Porto de Douro e Leixões é a mais beneficiada na repartição deste bolo, tendo-lhe sido atribuída uma verba de quatro milhões de euros, destinada ao financiamento de infra-estruturas portuárias.
O Orçamento de Estado para 2008 consagra uma verba de 10,5 milhões de euros para os cinco principais portos nacionais. A Administração do Porto de Douro e Leixões é a mais beneficiada na repartição deste bolo, tendo-lhe sido atribuída uma verba de quatro milhões de euros, destinada ao financiamento de infra-estruturas portuárias.
O Porto de Lisboa, por sua vez, foi contemplado com dois milhões de euros, o de Aveiro com 2,5 milhões e o de Setúbal e Sesimbra com um milhão de euros. Nestes três casos, as verbas são também totalmente destinadas ao financiamento de infra-estruturas.
Um caso diferente é o de Sines. Esta administração irá receber 922,5 mil euros, um montante que será aplicado na instalação de sistemas operacionais de supervisão e segurança e ordenamento e recuperação do território.

Celso Filipe

24 horas na vida de um submarino que navega há quarenta anos

"Jornal de Notícias", 8 de Outubro de 2007

Numa qualquer Marinha da OTAN, o lugar do submarino "Barracuda" seria, quando muito, no museu, mas não em Portugal, onde este navio, que navega há 40 anos, tem que ser mantido no mar até à chegada dos dois novos submarinos, em 2010. O JN embarcou durante 24 horas, a partir de Sesimbra, no "Barracuda" e confirmou que nada há que se compare às duras condições de vida que se vivem a bordo.
Ali convivem diariamente 54 homens, num espaço exíguo, dias e dias sem ver a luz do Sol. A mudança entre o dia e a noite substituída pela luz vermelha que se acende quando oficialmente o Sol desaparece na superfície. "Com os novos submarinos as condições vão melhorar", sustenta o comandante do navio, o capitão-tenente Mamede Alves. Ou melhor, já se pode, por exemplo, tomar banho, mesmo que apenas de dois em dois dias.
Para quem entra no "Barracuda" o primeiro choque é o cheiro uma mistura de óleos, combustível, corpos que não vêem água há dias e dias, o ar rarefeito que concentra os odores. E para quem sai são os que estão à superfície que notam a a diferença. Inevitavelmente.
É uma arma pura, o "Barracuda", onde tudo é sacrificado à eficácia no combate, à discrição e ao silêncio, pois não obstante os 40 anos deste navio os princípios mantêm-se na guerra submarina.
Desce-se a torre e o submarino começa a mergulhar, à ordem, a água entra e a pressão lá fora, nas águas negras, vai aumentando gradualmente.
Há um silêncio quase mortal e a guarnição vai desenvolvendo as tarefas com uma rotina feita de muita disciplina e descontracção. "Com licença", é a frase que mais se ouve, face à exiguidade do espaço, as deslocações obrigando a manobras cuidadosas para não bater com a cabeça em qualquer manivela ou manómetro.
É meio da manhã e o cozinheiro prepara o almoço - naquele dia era bacalhau com grão e batatas - numa cozinha virada para as duas únicas e minúsculas casas de banho do navio. Numa delas, permanece uma embalagem de toalhetes. "É o nosso banho", explica um marinheiro. Há uns anos, o segredo eram os perfumes de feira, usados aos litros, vencidos pelos mais modernos "dodots".
O submarino vai continuando a mergulhar até chegar aos 200 metros, o manómetro a indicar a profundidade e as anteparas das portas a torcerem pela pressão. A segurança está garantida, mas a idade do "Barracuda" já não lhe permite fazer isto muitas vezes, que a resistência dos materiais tem limites, mas ninguém liga muito a não ser os jornalistas. Na sala de comando, os operadores de sonar escutam os sons que vêm das profundidades.
O navio vai regressando à superfície até aos 12 metros, para renovar o ar. O periscópio sobe e divisa-se Sesimbra. As horas passam e o cansaço chega, com os homens a rodarem por escala nas mesmas camas, nos mesmos colchões. Tem que ser assim.
Passaram 24 horas, o navio está à tona de água. As escotilhas são abertas. Por fim, o ar fresco para nós, que a guarnição prossegue a missão.


Carlos Varela

13 Setembro 2007

Escultura ao vivo em Sesimbra

Jornal “O Primeiro de Janeiro”, 11 de Agosto de 2007

Sete escultores vão executar, ao vivo, no Castelo de Sesimbra, entre 15 e 30 de Setembro, seis esculturas, que posteriormente serão colocadas em espaços públicos do concelho. A iniciativa decorre no âmbito da Quarta Bienal Internacional de Artes até 2 de Setembro.
No projecto, levado a cabo no âmbito da Quarta Bienal Internacional de Artes, inaugurada no passado dia 4 e que se prolonga até 2 de Setembro, estão envolvidos os escultores Moisés Preto Paulo, João Antero, Beatriz Cunha, João Renato, Nelson Cardoso, Carlos Bajouca e Hans Varela, que trabalharão “blocos de pedra da região”.Bajouca, que é também o comissário da exposição, e Varela trabalham juntos numa escultura de grandes dimensões, “pesando toneladas”.
Até agora denominada Exposição Internacional de Artes Plásticas, esta iniciativa da autarquia passa este ano a Bienal e ganha nova designação - Sesimbra Art Spaces/Espaços de Arte. Em declarações à Lusa, Bajouca explicou pretender-se, com a passagem a Bienal, por um lado, programar “com mais tempo” um evento que adquiriu já “bastante força” e, por outro, dar aos artistas convidados “mais tempo” para realizarem os seus trabalhos. Há “uma maior ambição” e o objectivo, acentua o escultor, é “consolidar” os ganhos da exposição, já conhecida além-fronteiras. Por seu lado, a vereadora da Cultura da autarquia, Felícia Costa, explica no catálogo da exposição que, com a alteração do nome do evento, se pretendeu “vincar a forte relação entre a mostra de arte e os lugares onde estarão expostas as obras e, ao mesmo tempo, abrir o evento aos milhares de turistas estrangeiros que nos visitam no Verão”.

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Participantes
Mais de 100 artistas
Com trabalhos de escultura, pintura, fotografia, cerâmica e joalharia, participam na Bienal mais de 100 artistas, de Portugal, Suíça, Cuba, Japão, Angola, Brasil, Itália, Reino Unido, França e Rússia, entre outros. Tanto a vereadora como o comissário deram particular realce à participação da Associação de Famílias para a Integração da Pessoa Deficiente e da Sociedade dos Artistas Deficientes Manuais.

Mal-estar leva 22 crianças de Aldeia SOS ao hospital

"Jornal de Notícias", 12 de Agosto de 2007

Vinte e duas das 30 crianças que estão a passar férias no acampamento no Meco (concelho de Sesimbra) das Aldeias SOS tiveram que receber assistência médica durante o dia de ontem, devido a uma alegada intoxicação alimentar, apurou o JN junto dos bombeiros e de uma responsável daquela instituição.
Devido ao elevado número de vítimas, os Bombeiros Voluntários de Sesimbra e o INEM montaram um posto médico no acampamento para proceder aos primeiros cuidados e fazer a triagem dos casos mais graves, explicou, ao JN, Ricardo Cruz, comandante daquela corporação.
Catorze crianças foram encaminhadas para o SAP (Serviço de Atendimento Permanente) de Sesimbra, enquanto que as restantes oito foram transportadas ao Hospital Garcia de Orta, em Almada, para realizarem exames médicos. As crianças atingidas - com idades entre os 2 e os 17 anos - apresentavam falta de ar, mal-estar geral, desidratação, vómitos e diarreia. No entanto, ao final da tarde, já todas tinham tido alta médica e regressado ao acampamento.
Vera Jorge, psicóloga das Aldeias SOS, contou ao JN que os primeiros casos foram detectados durante a noite. "Duas crianças sentiram-se mal, apresentando vómitos e diarreia e foram de imediato levadas para o hospital", explicou, acrescentando que em 30 anos de colónia "foi a primeira vez que se registou uma situação deste género".
Durante a manhã, mais crianças começaram a apresentar os mesmos sintomas, tendo-se chegado a gerar alguma tensão no local, devido ao vai-e-vem de ambulâncias.
Até ontem ao final da tarde, Vera Jorge ainda não sabia o que terá provocado a intoxicação alimentar. "Tanto pode ter sido a água, como algum alimento. Nós disponibilizamos água engarrafada, mas às vezes os miúdos bebem água da rede", conta.
Adianta ainda que o jantar de sexta-feira foi bacalhau à braz, mas acrescenta que "foi feita uma vistoria aos alimentos que estão armazenados na cozinha e está tudo dentro dos prazos".
Durante a tarde, as crianças foram tendo tido alta e regressado ao acampamento. "Temos, no entanto, de nos manter vigilantes para o caso de haver alguma recaída", concluiu a responsável.


Fátima Mariano

Queima de resíduos suspensa na Arrábida

Jornal “Sol”, 10 de Agosto de 2007

Seis meses depois de a Comissão Ambiental da Secil ter validado os resultados dos testes de co-incineração no Outão, o processo continua a decorrer em tribunal, permanecendo suspenso.
Castanheira Barros, advogado que representa as autarquias de Setúbal, Sesimbra e Palmela, que avançaram com a providência cautelar para suspender as licenças da Secil, considera que os testes vão continua suspensos até haver uma decisão do Supremo Tribunal Administrativo.
«Neste momento a acção cautelar decorre no Supremo Tribunal Administrativo, onde só são admitidos casos excepcionais com importância fundamental, e primeiro o tribunal vai ter que se pronunciar se admite ou não o recurso e só se tiver os requisitos é que vai ser julgado. Até lá a queima de resíduos perigosos continua suspensa no Outão», disse hoje o advogado em declarações à Lusa.
Castanheira Barros explicou que apesar de a Secil estar a realizar um Estudo de Impacte Ambiental, este facto não serve para levantar a suspensão pois em causa estão também «questões de saúde pública».
Nuno Maia, porta-voz da Secil, explicou que a empresa está a realizar um Estudo de Impacte Ambiental que espera estar concluído em Setembro e admite que nesta altura todos os cenários são possíveis.
«O estudo está a decorrer e depois terá que ser aprovado pelas entidades competentes. Todos os cenários são admissíveis e em função do estudo e do andamento do processo judicial, vamos depois decidir qual o próximo passo», explicou.
Castanheira Barros explicou que as acções cautelares urgentes decorrem durante o período de férias judiciais e que a curto prazo poderá ser dada uma resposta.
«O caso de Souselas, onde também decorre uma acção cautelar, movida pela autarquia, pode ser decidido mais cedo, já em Agosto ou Setembro, mas teremos uma resposta a curto prazo para estas acções pois são consideradas urgentes. Quanto às outras acções que decorrem em tribunal, sobre Outão e Souselas, terá que se esperar mais algum tempo pois não são consideradas urgentes», referiu.

'Pirata' roubou atenções

Jornal “Diário de Notícias”, 31 de Julho de 2007

Nas areias da praia de Sesimbra, venceu o incentivo familiar.
Pouco tempo bastou para que o areal da praia de Sesimbra se enchesse de obras primas, traçadas pela imaginação e por pequenas mãos apressadas. O relógio contava o tempo, que é de 50 minutos para o escalão A, e mais 10 para o B. Mas nem o sol escaldante impacientou as crianças, que só se cansaram na espera da chegada ao pódio.
Sem ou com todos os apetrechos apropriados, lá foram esculpindo na areia, tartarugas, cidades com vulcões, navios ou estrelas do mar. Uma Flor com dois monstros, ideia de Joana Machado, de 10 anos, acabou por arrebatar uma Menção Honrosa do escalão A. Incompatível? Não. Para quem, como ela, gosta de misturar flores com histórias de terror.
A imaginação de alguns participantes voou mais longe, até outras épocas. E levou Gonçalo Simões a utilizar materiais marinhos para adornar a figura retirada do areal. No seu Pirata, Gonçalo colocou uma concha branca a fingir de olho e teceu uma barba de algas. Com ele arrebatou o primeiro lugar do escalão B.
No grupo do mais pequenos, o Panda esculpido por Leonor Morais valeu-lhe o primeiro prémio. "Vejo muitas vezes o canal Panda e como gosto do urso decidi construi-lo", explicou Leonor, de férias em Sesimbra com os pais e avós. As famílias mostraram-se, aliás, fundamentais. Quase tão entusiasmados quanto os miúdos, iam incentivando os pequenos artistas, com dicas sobre a melhor forma de dar revelo à areia.
Para animar a pequenada e o atelier das Construções na Areia, Rita Martins - campeã nacional em 2006 - com a ajuda da irmã Joana e da mãe Maria da Guia, construiu, extra-concurso, um imponente leão.

Paula Mourato

Construções arrancam amanhã em três praias

Jornal “Diário de Notícias”, 29 de Julho de 2007

Quando, no Verão de 1952, o Diário de Notícias se lançou no Grande Concurso Infantil das Praias de Portugal, nunca imaginou que o êxito resultasse tão estrondoso. Mas a verdade é que a iniciativa pegou, enganou o tempo. Ganhou o nome limpo de Construções na Areia. E começa já amanhã a festejar a sua 50.ª edição, ao mesmo tempo que inaugura a época de 2007 nas praias de Santa Bárbara (Ribeira Grande), Sesimbra e Alagoa."O momento em que tudo começa é emocionante. Só quem passa por isso conhece aquela mistura de emoção e nervos no estômago", conta Rita Martins, vencedora da grande final das Construções na Areia de 2006. Os seus 15 anos foram moldados nas areias de Vila do Conde, desde os sete que os finais de tarde de férias são passados na praia, em família, a praticar técnicas e a conhecer as especificidades da matéria-prima a modelar.
"É um passatempo maravilhoso", assegura ao DN a jovem artista, convidada este ano para os ateliers paralelos por já não ter idade para participar no concurso propriamente dito. "Para mim, Verão sem as Construções nem sequer é já Verão." E porque há tradições que vale a pena manter, amanhã a aventura criativa repete-se uma vez mais, distribuída nesta sua nova etapa de 2007 por 28 praias do Norte e do Sul, Açores e Porto Santo.
Quando as 10.00 nos ponteiros indicarem o início dos primeiros trabalhos, a mesma sensação indefinível que Rita descreve vai animar os participantes a darem o melhor de si nos cerca de 50 minutos que têm para enformar a imaginação. Os seis aos dez anos concorrem no Escalão A, os 11 aos 14 no B. Todos, sem excepção, dispõem depois de um talhão de areia de quatro metros quadrados onde são senhores absolutos. Todos podem fazer uso de baldes de plástico para transportar a água, de anilinas solúveis para colorir a obra feita e de conchas, plantas, algas, seixos e apetrechos próprios para esculpir. O dia pertence-lhes. Tem sido assim ano após ano.
Depois do arranque explosivo de 1952, em 74 as Construções na Areia sofreram um interregno de cinco anos. Desde 1979, contudo, nunca mais pararam de somar gerações nas praias. Os avós vão dando lugar aos filhos e os filhos aos netos. Ninguém fica indiferente a cada uma das edições de alegria na arte que se sucedem, até hoje. Com passos certos numa caminhada segura, a velhinha iniciativa festeja este ano as bodas de ouro...

Ana Pago

E o samba de Verão juntou mais de dez mil

“Jornal de Notícias”, 30 de Julho de 2007

Mais de dez mil pessoas assistiram anteontem ao Carnaval de Verão de Sesimbra, uma réplica do desfile carnavalesco de Inverno. Mais de 300 mascarados dançaram o samba e encantaram a multidão numa noite marcada pelo calor. Pela marginal de Sesimbra desfilaram as escolas de samba Bota no Rego, Saltaricos do Castelo, Trepa no Coqueiro e Unidos de Vila Zimbra.
Com um balanço bastante positivo, a iniciativa deverá repetir-se em 2008. "Estivemos com casa cheia e as pessoas gostaram muito", afirma Paulo Macedo, elemento da direcção do Trepa no Coqueiro. "Sesimbra, no Verão, precisa de ter animação extra", salienta o responsável, frisando que é preciso começar já a trabalhar para o Carnaval de Verão de 2008. Paulo Macedo critica,contudo, o facto de a publicidade ao evento ter sido diminuta. "Merecia um maior destaque, porque é um espectáculo de massas", diz
.Na assistência e surpeeendido estava o espanhol José Luiz, 40 anos. "É a primeira vez que venho a Sesimbra e isto para mim foi uma surpresa. Gostei muito", contou ao JN o residente em Cáceres. Surpreendida estava também Eunice Aníbal, 49 anos. "Nunca tinha visto o Carnaval de Sesimbra, nem mesmo o de Fevereiro. Fazem falta coisas como esta", afirma a palmelense.
"Acho mais graça ao Carnaval fora de época para desconcentrar estes manifestos de alegria, numa altura em que é bom fazer festas ao ar livre", salienta Eurico Pereira, 50 anos, de Lisboa. "Está muito bonito e engraçado. Deveria haver todos os anos", frisa a sesimbrense Luísa Lopes, 61 anos. "Anima a terra e traz alegria e som. É muito engraçado e giro", refere Isabel Godinho, 50 anos, residente em Torres Novas.
Para os elementos do desfile, o Carnaval de Verão é mais um pretexto para a diversão. "Tenho prazer em desfilar, gosto de sambar", afirma Carolina Cláudio, 10 anos. "Gosto do samba e da alegria que isto nos transmite", diz Patrícia Sargedas, 23 anos, também da Unidos de Vila Zimbra.
"Os fatos são muito caros e só os usamos duas vezes, no domingo e na terça-feira de Carnaval. Assim é mais uma oportunidade de os mostrar às pessoas", considera Sérgio Pinto, de 18 anos, elemento da bateria do Trepa no Coqueiro.


Sandra Brazinha

Replantar o fundo do mar

Jornal “Diário de Notícias”, 28 de Julho de 2007

O trabalho é meticuloso e demorado. Recolher as plantas, transportá-las, atar os caules com ráfia, dando um nó para ficarem presos à grade, que depois é mergulhada na água. A mão humana, empenhada em reconstruir o que em tempos degradou, acaba aqui. Agora a natureza encarregar-se-á de fazer renascer a pradaria que há décadas povoou o fundo do mar no Portinho da Arrábida, em Sesimbra. O projecto Biomares, o primeiro do género no País, consiste nisto mesmo: replantar o fundo do mar.
Com a chegada das plantas, desaparecerá o "deserto" de vida que actualmente resta na zona, depois da pesca de arrasto da ganchorra, das correntes das embarcações que rapam o chão terem revolvido e devastado o fundo. Se a replantação funcionar, haverá uma explosão de biodiversidade, pois as plantas darão lugar a uma espécie de floresta submersa, explica Elsa Serrão, investigadora da Universidade do Algarve.
E à zona do Portinho poderão regressar espécies de interesse comercial como a raia ou o choco, mas também as de grande valor de conservação como o cavalo marinho, adianta Miguel Henriques, do Parque Natural da Arrábida. A pradaria funciona como uma maternidade, onde as espécies se abrigam dos predadores. Além disso, a existência de um tapete no fundo do mar ajuda a reter os sedimentos e a combater a erosão.
Foi pela mão do Secretário de Estado do Ambiente que ontem se deu mais um passo na recuperação deste habitat. De fato de mergulho, máscara e garrafa, Humberto Rosa fez questão de descer ao fundo do mar e colocar as estacas que suportam as grades com as plantas. Um momento de grande emoção, como o próprio confessou, pois foi naquelas frias águas que nos anos 80, ainda estudante de biologia e com o curso de mergulho acabado de tirar, mergulhou com Luís Saldanha, o célebre ocenógrafo e biólogo de quem foi aluno e cujo nome se aplica agora ao recente parque marinho.
A relação entre o parque, cujas restrições tanta polémica têm gerado, e este projecto foram sublinhadas pelo governante. "Sem ele não haveria este projecto", afirmou, pois seriam mantidas as ameaças à sobrevivência das espécies. Humberto Rosa mostrou-se ainda satisfeito com o que ouviu dos mergulhadores: dois anos após a criação do parque, já há diferenças na afluência de espécies.
Mas não é só na Arrábida que as pradarias estão em declínio. Nos estuários do Tejo, do Sado, no Mira e no Mondego praticamente desapareceram. Só subsistem na Ria Formosa. A protecção das zonas marinhas através de parques é, por isso, uma opção a desenvolver. Humberto Rosa lembrou que já há áreas protegidas com extensões marinhas, mas que ainda não possuem regulação, caso do Litoral de Esposende, Sudoeste Alentejano ou Berlengas.
Rita Carvalho

Protesto contra fecho de SAP sem aviso

“Jornal de Notícias”, 20 de Julho de 2007

Cerca de 500 centenas de pessoas manifestaram-se ontem contra o encerramento dos serviços de atendimento permanente (SAP) do Seixal e de Corroios em duas concentrações junto aos respectivos centros de saúde. Novas formas de luta estão prometidas para a próxima semana.
"Os utentes foram confrontados com o encerramento quando se deslocaram ao serviço", lamentou ao JN o presidente da Câmara Municipal do Seixal, Alfredo Monteiro, que também participou nos protestos. Considerando "inconcebível" a falta de aviso prévio, o autarca anunciou que vai pedir uma reunião "com a máxima urgência" à Sub-Região de Saúde de Setúbal, que acusa de ter tomado uma decisão de "gestão economicista onde as pessoas não contam".
Num concelho onde a falta de médicos de família afecta cerca de 55 mil utentes, um dos números mais elevados do país, Alfredo Monteiro salienta que se "está a canalizar mais gente para o Hospital Garcia de Orta, que há já muitos anos não tem capacidade de resposta".
Ontem começaram trambém a ser recolhidas assinaturas para contestar o fecho dos dois SAP. Para além da Câmara do Seixal, estiveram presentes representantes das juntas de freguesia, dos vários quadrantes políticos e das comissões de utentes da saúde do concelho.
"Pretendemos fazer uma grande acção para a semana", anunciou o representante dos utentes, José Sales. Corte de estradas, um cordão humano e manifestações junto aos centros de saúde ou em Lisboa frente ao Ministério da Saúde são alguns dos protestos que serão hoje ponderados numa reunião das comissões de utentes.
O JN tentou obter esclarecimentos por parte da Sub-Região de Saúde de Setúbal sobre as razões que levaram ao fecho dos dois SAP no concelho do Seixal. Segundo explicou à agência Lusa, o director clínico dos centros de Saúde de Sesimbra e Seixal, Jorge Domingues, o encerramento ficou a dever-se à falta de médicos e a Amora terá sido escolhida para acolher o SAP concelhio por ser mais central e ter melhores condições.
Pelo contrário, o SAP de Sesimbra vai funcionar 24 horas por dia, pelo menos até ao final de Setembro, anunciou a autarquia.

Sandra Brazinha

Tróia recebe 'duelos' no mar

Jornal "Diário de Notícias", 19 de Julho de 2007

A quarta edição do Portugal Match Cup tem início hoje.
É num novo cenário marítimo, nas águas do oceano Atlântico e do rio Sado, que se realiza a quarta edição do Portugal Match Cup, prova da nona etapa do circuito internacional do World Match Racing Tour 2007/2008.
A entidade organizadora, Sun Sailing Team, juntamente com o Clube Naval de Sesimbra e os responsáveis do circuito internacional acreditam que a península de Tróia pode ser a sede do evento nos próximos três anos, contando com o apoio do Turismo de Portugal, do Tróia Resort e da Amorim Turismo.
Com um prize money de 108 mil euros, o Tróia Portugal Match Cup tem atraído skippers de renome mundial, especialmente timoneiros e tácticos da Taça América, como o australiano Peter Gilmour, o neozelandês Gavin Brady, táctico do BMW Oracle Racing Team, o italiano Paolo Cian, táctico do Team Shosholoza, e o francês Sébastien Col, táctico do Areva Challenge, todos eles participantes da série qualificatória Louis Vuitton Cup, realizada em Maio e Junho em Valência, Espanha.
As principais provas realizar-se--ão entre os dias 24 e 29. Hoje entram já nos campos de regatas as tripulações femininas internacionais e a nacional - com Rita Gonçalves - que disputarão uma fase independente, o Tróia Portugal Women's Cup. A vencedora integrará depois o quadro das principais tripulações masculinas internacionais, que conta ainda com a presença de Álvaro Marinho, campeão europeu na classe 470 e 4.º colocado nos Campeonatos do Mundo de Classes Olímpicas em Cascais.
Esta prova consta do calendário internacional da ISAF (Federação Internacional de Vela) e tem o Grau 1, o mais elevado em eventos internacionais da modalidade.
Além dos destaques internacionais, da presença feminina e da participação da equipa portuguesa, o evento também irá reunir jovens velejadores da classe Optmist que, em competição paralela, disputarão regatas à sua medida na baía de Sesimbra.

Nysse Arruda

Fecho dos SAP de Corroios e do Seixal foi antecipado devido à falta de médicos

Jornal “Público”, 18 de Julho de 2007

O director clínico dos Centros de Saúde de Sesimbra e do Seixal, Jorge Domingues, admitiu hoje que houve uma decisão para acelerar o encerramento dos Serviços de Atendimento Permanente (SAP) de Corroios e do Seixal devido à falta de médicos.
"Não tínhamos médicos disponíveis para assegurar os dois SAP, de Corroios e do Seixal", disse o clínico, adiantando que a decisão de concentrar o atendimento permanente na Amora foi tomada pelo coordenador da Sub-Região de Setúbal e pelo Conselho de Administração dos Centros de Saúde de Sesimbra e do Seixal.
A decisão das autoridades locais de saúde está a ser contestada pela Comissão de Utentes, Juntas de Freguesia e Câmara Municipal, que convocaram duas acções de protesto que terão lugar amanhã nos SAP do Seixal (11h00) e de Corroios (17h00).
O encerramento dos dois SAP insere-se na "reestruturação iniciada o ano passado, com a junção dos Centros de Saúde do Seixal, Amora, Corroios e Sesimbra", explicou o director clínico.
"A reestruturação passou também pela abertura de quatro novas Unidades de Saúde Familiar (USF) em Fernão Ferro (Setembro 2006), Torre da Marinha/Pinhal de Frades (Janeiro 2007) e duas no Seixal (inauguradas segunda-feira)", acrescentou.
Jorge Domingues lembrou ainda que a concentração dos SAP na Amora vai permitir rentabilizar os recursos, disponibilizar um total de dez médicos naquele serviço, entre as 08h00 e as 24h00, e atribuir médico de família a mais de quatro mil dos cerca de cinquenta mil utentes sem médico no Concelho do Seixal.
Quanto à escolha da manutenção do SAP da Amora, em detrimento dos serviços de Corroios e do Seixal, Jorge Domingues esclareceu que se tratou de uma opção justificada pela centralidade da Amora e pela qualidade das instalações.
Jorge Domingues salientou ainda que os utentes do Centro de Saúde e extensões do Seixal, com excepção daqueles que não têm médico de família, só terão de recorrer ao SAP da Amora a partir das 20h00, altura em que deixam de ter atendimento na USF a que pertencem.

Campanha antitabagismo chega à praia

"Jornal de Notícias", 18 de Julho de 2007

Os níveis de monóxido de carbono dos frequentadores das praias de São João, na Costa de Caparica, e do Ouro, em Sesimbra, foram testados, nos últimos dois dias, no âmbito da campanha "Help - Por uma vida sem tabaco", cujas tendas receberam uma centena de visitantes.
"Nos dois dias fizemos 100 medições, o que fica aquém dos números normais", lamentou o coordenador desta iniciativa, Saboga Nunes. Em média, por dia, a campanha recebe cerca de 300 visitantes, mas em Sesimbra e na Costa esse número não foi alcançado o que obrigou a uma mudança de estratégia. Em contrapartida, a fraca afluência de pessoas às tendas, em Sesimbra, por causa da chuva, e na Costa, devido à capacidade limitada do areal, permitiu "fazer um trabalho de profundidade no aconselhamento e avaliação do nível de monóxido de carbono no sangue".
O teste consiste em soprar para um aparelho que mede os níveis de monóxido de carbono. Taxas elevadas deste gás altamente tóxico, que também se encontra nos automóveis, aumentam os problemas cardíacos, de asfixia ou de formação de coágulos.
A campanha da Comissão Europeia visa convencer principalmente os jovens a não começarem a fumar ou a deixarem o vício. Mais testes estão agendados para amanhã entre as 10 e as 18 horas na Praia de Carcavelos.
Para quem quer deixar de fumar, Saboga Nunes aconselha uma visita ao site www.parar.net, do qual é coordenador, onde as pessoas podem seguir dez passos para largar o vício. "É uma estratégia de apoio imediato para que se possa deixar de fumar", explicou. Em Portugal, a marcação de consultas antitabágicas demora em média 139 dias.
Sandra Brazinha

07 Junho 2007

Automóveis deixam de aceder à falésia do Cabo Espichel

“Jornal de Notícias”, 1 de Junho de 2007

Sem demoras, a Câmara Municipal de Sesimbra decidiu ontem vedar o acesso automóvel à falésia do Cabo Espichel depois de, na quarta-feira, os bombeiros terem resgatado dos rochedos os corpos de uma mulher que se atirou de carro no local, e da filha deficiente. Blocos de cimento, dois pilaretes, grades e sinalização vertical a indicar que é proibido circular foram colocados, ontem à tarde, no local, de modo a impedir que os carros passem para as traseiras do Santuário.
"Vamos para já vedar o acesso automóvel naquela plataforma que fica por trás da igreja", avançou, ao JN, Augusto Pólvora, presidente da autarquia, considerando que esta medida irá "reduzir a possibilidade" das tragédias que ali ocorrem e que, segundo o responsável máximo pela Protecção Civil Municipal, não são um fenómeno novo.
Segundo o comandante dos Bombeiros Voluntários de Sesimbra, Ricardo Cruz, esta foi já "a quarta situação este ano no Cabo Espichel". Em 2006, a corporação registou pelo menos nove situações idênticas.
Os visitantes do santuário, edificado nos inícios do século XVIII, são unânimes quanto à necessidade de restringir o acesso a automóveis na zona da falésia. "Eu já lá vi um carro em baixo e acho que está na altura de se tomarem providências", afirma Manuel Pereira, de 63 anos, residente no Barreiro, que frequentemente vai passear até ao local. "Isto devia ter uma vedação para os carros não terem acesso", defende José Luís Passos, de Viana do Castelo, que visita o local entre três a quatro vezes por ano. "Devia haver também um muro ou gradeamento para as pessoas não se aproximarem da falésia", acrescenta.
A pensar também na segurança de quem se desloca a pé, a autarquia vai colocar avisos junto à falésia chamando a atenção para o perigo existente. No futuro, a Câmara pondera ainda vedar o acesso dos peões à zona mais perigosa.

Sandra Brazinha

Mãe atira-se com filha do cabo Espichel

“Jornal de Notícias”, 31 de Maio de 2007

Um acto de desespero terá estado na origem da tragédia que ocorreu no Capo Espichel, em Sesimbra uma mulher de cerca de 50 anos, acompanhada pela filha, de 25, doente de paralisia cerebral, atirou-se do penhasco ao volante de um automóvel Citroen C3. A queda de mais de 100 metros e o embate nos rochedos foram fatais. Os cadáveres das duas mulheres foram, ontem à tarde, resgatados pelos Bombeiros de Sesimbra e levados para a morgue do Hospital Garcia de Orta, em Almada, depois de uma delicada operação que se prolongou durante várias horas.
O alerta para o desaparecimento foi dado, anteontem à noite, pelo marido, que estranhou o facto de a mulher e a filha não aparecerem em casa, em Alhos Vedros. De manhã, recebera no telemóvel uma mensagem da mulher, em jeito de despedida. Pedia-lhe desculpa pelo fardo que eram na sua vida, mas só à noite começou a perceber o real sentido daquela mensagem.
O homem ainda foi ao Hospital do Barreiro, onde a jovem era habitualmente seguida, mas ninguém as vira por ali. Foi então que participou o desaparecimento às autoridades, primeiro à PSP do Barreiro, depois à GNR da Moita. Ontem de manhã, decidiu ir procurá-las na zona do Cabo Espichel e foi ele quem viu o carro no fundo da falésia. Dirigiu-se à GNR de Alfarim que alertou a Polícia Marítima e os Bombeiros de Sesimbra, que accionaram os meios de resgate. No local estiveram também duas psicólogas, uma do INEM e outra dos bombeiros, que deram apoio ao marido, que preferiu não falar aos jornalistas. O caso foi participado ao Ministério Público, que decidirá, ou não, abrir um inquérito.
Ao que o JN apurou, a mulher não terá conseguido lidar com a notícia do avanço da doença da filha e com o "peso" que isso significava para o marido, padrasto da jovem. O desespero fê-la cumprir uma ameaça que já teria feito algumas vezes.
Segundo o 2º comandante dos Bombeiros de Sesimbra, Luís Saraiva, só este ano já houve três casos de pessoas que se atiraram daquele penhasco, dois deles com carros. Confrontada pelo JN, fonte da Câmara Municipal de Sesimbra disse que o assunto preocupa a autarquia e garantiu que, numa próxima reunião, será discutida uma proposta para vedar o acesso automóvel ao local.

Gina Pereira

Eleitores votam orçamento

“Jornal de Notícias”, 29 de Maio de 2007

Os eleitores do concelho de Sesimbra são chamados, a partir de hoje, a escolher os destinos de parte do Orçamento municipal para 2008. O Orçamento Participativo dispõe de 500 mil euros, cerca de 5% do investimento camarário realizado em 2006.
"Queremos promover uma grande participação dos cidadãos nas decisões", afirma o presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Augusto Pólvora, adiantando que "a Autarquia vai ter a obrigação de cumprir e fazer cumprir as deliberações".
A Autarquia acredita que as escolhas da população irão recair sobre pequenos investimentos. "Muitas aldeias vão optar por realizar obras como abrigos, parques infantis ou arranjos de estradas", considera Augusto Pólvora.
As mesas de voto do concelho vão servir de palco para 12 foros territoriais, que vão eleger um total de 41 delegados até ao final de Junho. Os delegados vão auscultar a população da sua área de residência até Setembro, para depois apresentar e decidir nas assembleias de delegados quais os investimentos prioritários para a população.
A primeira sessão do Orçamento Participativo do Município de Sesimbra para 2008 realiza-se hoje, pelas 21.30 horas, no Auditório Conde de Ferreira, com o Foro Territorial de Sesimbra, para o qual foram afectos cerca de 79 mil euros, tendo em conta a área geográfica e o número de eleitores.

Sandra Brazinha

Co-incineração na Arrábida continua suspensa

Jornal “Sol”, 19 de Maio de 2007

A co-incineração de resíduos perigosos na cimenteira da Secil, na Arrábida, Setúbal, vai continuar suspensa na sequência de uma decisão do Tribunal Central Administrativo-Sul, que indeferiu os recursos apresentados pelo Ministério do Ambiente e pela Secil.
O Tribunal Central Administrativo-Sul confirmou assim a sentença de primeira instância do Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada que tinha determinado a suspensão da co-incineração naquela cimenteira.
O acórdão do tribunal Central Administrativo-Sul, datado de 10 de Maio, indeferiu os recursos apresentados pela Secil e pelo Ministério do Ambiente, tendo dado provimento apenas ao recurso interposto pelo Ministério da Economia, mas que não colide com as pretensões dos municípios de Palmela, Sesimbra e Setúbal de impedir a co-incineração.
Em conferência de imprensa, os presidentes das três câmaras municipais que apresentaram a providência cautelar congratularam-se com a decisão.
«Este despacho, favorável à Câmara Municipal de Setúbal, vem dar razão às questões que nós colocámos e dizer que os recursos da Secil e do Ministério do Ambiente não têm provimento», afirmou a presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira.
«O efeito principal deste acórdão é que se mantêm suspensas as operações de co-incineração de resíduos perigosos», acrescentou a autarca comunista, acompanhada pelos homólogos de Palmela, Ana Teresa Vicente, e de Sesimbra, Augusto Pólvora.
O advogado das três autarquias, Castanheira Barros, salientou que o acórdão do Tribunal Central Administrativo-Sul se refere ao «primeiro processo cautelar em que foi pedida a suspensão do despacho do ministro do Ambiente que dispensou a Secil da avaliação de impacte ambiental para efeito de co-incineração de resíduos industriais perigosos».
«Pedimos também nessa acção a proibição de realização dos testes e demais operações de co-incineração», acrescentou Castanheira Barros.
Por outro lado, as três autarquias reconheceram hoje ter sofrido um revés uma vez que o Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada indeferiu a providência cautelar na qual as autarquias pediam a suspensão das licenças ambiental, de instalação e de exploração atribuídas à cimenteira da Secil, no Outão.
«O juiz do Tribunal de Almada decidiu que não havia interesse em agir por parte dos 3 municípios que promoveram essa acção cautelar porque os testes de co-incineração já estavam suspensos», justificou o advogado Castanheira Barros.
«O juiz entendeu que o interesse em mover uma acção tem que ser um interesse actual e não eventual», acrescentou, salientando que os três municípios podem intentar uma acção idêntica em qualquer momento, caso seja levantada a suspensão dos testes e demais operações de co-incineração.
Castanheira Barros lembrou que neste momento «estão pendentes quatro acções relacionadas com a co-incineração no Outão - duas acções cautelares e duas acções administrativas especiais».
O Ministério do Ambiente e a Secil têm 15 dias para recorrer da decisão do Tribunal Central Administrativo-Sul sobre a primeira providência cautelar interposta pelos três municípios.

10 de Junho, Dia da Tropa

Jornal “Diário de Notícias”, 16 de Maio de 2007

As celebrações do 10 de Junho deste ano, que se realizam em Setúbal, confirmam a data como a da celebração efectiva do Dia das Forças Armadas, apesar de este continuar oficialmente marcado para 24 de Junho.
Esta data foi criada em 2003 por resolução do Conselho de Ministros e por iniciativa do então ministro da Defesa Paulo Portas. Mas, apesar da vontade expressa no ano passado pelo então recém-empossado Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, Cavaco Silva, de associar a instituição militar às comemorações do dia nacional - e da grandiosidade das cerimónias militares realizadas no Porto -, o Governo não anulou aquele diploma.
Fonte oficial do Estado-Maior- -General das Forças Armadas disse ontem ao DN desconhecer a realização de qualquer acto ou gesto no dia 24 de Junho, por menor que seja, tendo em conta que não faz sentido - até pelos custos associados - realizar dois grandes desfiles militares por ano e muito menos com duas semanas de diferença.
Recorde-se que, nas cerimónias de 2006 do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, Cavaco Silva declarou: "Considero o dia 10 de Junho a data indicada para prestar homenagem às instituições de maior relevo do País, onde, incontestavelmente, as Forças Armadas possuem lugar de destaque."
Como acrescentou então o Chefe do Estado "nem sempre é dada merecida divulgação e reconhecimento ao contributo das Forças Armadas para o desenvolvimento da sociedade, através da realização de tarefas essenciais para o bem-estar das populações", Setúbal vai assistir este ano a um conjunto de actividades complementares com esse objectivo, disseram ao DN fontes militares.
Um dos pontos altos dessas acções paralelas será o da demonstração, no rio Sado, de uma operação de busca e salvamento no mar - talvez a principal das missões de interesse público a cargo das Forças Armadas - com helicópteros EH101 (Força Aérea) e Lynx (Marinha), assim como de lanchas salva-vidas e motas de águas. Nas duas principais zonas de Setúbal onde se vão concentrar os eventos do 1o de Junho (Largo José Afonso, junto à capitania do porto, e Parque do Bonfim), os militares vão estar ao dispor das pessoas que se interessem pelo funcionamento de um caça F-16 ou de um helicóptero Alouette III, que queiram assistir à actuação de classes de ginástica (saltos de mesa alemã) da Academia Militar e do Colégio Militar ou, por exemplo, utilizar as torres de escalada da Marinha e do Exército.
A actuação conjunta das três bandas militares será outro momento curioso das celebrações do Dia de Portugal e das Forças Armadas, cujos eventos culturais incluem ainda exposições e a exibição da orquestra ligeira do Exército.
As cerimónias propriamente ditas do 10 de Junho devem seguir o modelo dos anos anteriores, começando oficialmente na véspera com a chegada do Presidente a Setúbal e um jantar em honra do Corpo Diplomático acreditado em Lisboa.
No próprio dia 10, domingo, Cavaco fará um primeiro discurso centrado nas Forças Armadas - e perante sete batalhões (menos três do que há um ano): dois do Exército, um da Marinha e outro da Força Aérea, um quinto das escolas de sargentos, um sexto das três academias militares e o último formado por alunos do Colégio Militar, dos Pupilos e do Colégio de Odivelas. Haverá ainda uma exibição dos Asas de Portugal, baptismos de mar em lanchas da Marinha e, em Azeitão, uma demonstração da escola equestre militar (conhecida como Reprise de Mafra).
O Chefe do Estado fará ainda um segundo discurso na sessão solene propriamente dita, seguindo-se o almoço oferecido pela Câmara Municipal de Setúbal.

27 Maio 2007

Sebastião da Gama vai ter estátua

“Jornal de Notícias”, 27 de Maio de 2007

O monumento a Sebastião da Gama, em Setúbal, vai ser inaugurado pelo presidente da República, Cavaco Silva, em cerimónia a realizar no próximo dia 9 de Junho, pelas 11 horas, incluída no programa das comemorações do Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas, que este ano têm lugar naquela cidade. O monumento é um projecto da Associação Cultural Sebastião da Gama, cujo dirigente João Reis Ribeiro destaca que "a presença do presidente vem dar uma maior visibilidade à memória do poeta".
Da autoria do escultor Francisco Salter Cid, o monumento vai ser erigido na Praça da República, em Vila Nogueira de Azeitão, correspondendo a uma vontade de muitos que conviveram com o poeta. A escolha de Setúbal para sede das comemorações do Dia de Portugal levou mesmo à alteração da data inicialmente prevista para a inauguração, que era o dia 10 de Abril, dia do nascimento do poeta. João Reis Ribeiro desdramatiza o facto, até porque, adianta "é importante referir que passam este ano 60 anos sobre três datas importantes para Sebastião da Gama". Foi em 1947 que começou a sua carreira como professor na Escola Industrial e Comercial João Vaz, que hoje tem o seu nome. Nesse mesmo ano, publicou o seu segundo livro de poemas, intitulado "Cabo da Boa Esperança", e assumiu publicamente a defesa da Mata do Solitário na Serra da Arrábida, iniciativa que deu origem à criação da Liga para a Protecção da Natureza no ano seguinte.

Peixe-espada certificado para aumentar receitas

"Jornal de Notícias", 26 de Maio de 2007

O peixe-espada preto de Sesimbra pode vir, no futuro, a ser vendido como um produto com denominação de "Origem Protegida" ou de "Identificação Geográfica Protegida", caso a candidatura que está a ser preparada pela Câmara Municipal de Sesimbra venha a ser aceite. Augusto Pólvora, presidente da autarquia, frisa que esta aposta na certificação visa garantir uma mais-valia para este produto, já que "o seu efeito directo é o aumento do valor comercial da espécie".
O processo está ainda em fase de elaboração, tendo sido já firmado um protocolo com a Escola Superior de Tecnologia (EST) de Setúbal, que deverá ser aprovado brevemente pela autarquia. Nos termos deste protocolo, como explica Fernando Valente, da EST, será feito um estudo diagnóstico, a que se seguirá um Estudo de Avaliação Económico-Financeira e, finalmente, uma candidatura ao Quadro de Referência Estratégica Nacional.
A pesca do peixe-espada preto em Sesimbra tem uma história recente, de apenas 20 anos, mas a sua importância aumentou substancialmente nos últimos anos. "Ajudou a esbater as consequências da perda da frota pesqueira de Marrocos e do desemprego", justifica Augusto Pólvora.
Actualmente, na vila pescatória, há 17 embarcações que se dedicam à faina da pesca do peixe-espada preto, uma captura de profundidade que envolve um total de 230 pescadores, um valor que representa cerca de 30 % dos profissionais do sector que trabalham no Porto de Sesimbra. No total, são pescadas 2200 toneladas por ano, das quais metade é vendida em lota e a outra metade é comprada pela ArtesanalPesca, cooperativa de produtores, à qual estão associadas as referidas 17 embarcações.
O volume de negócios é da ordem dos seis milhões de euros por ano, valor que não inclui o valor gerido pela ArtesanalPesca a partir da transformação do pescado. Embora o mercado nacional seja o principal consumidor do peixe-espada preto, a cooperativa já exporta cerca de cinco toneladas por semana para a França e Alemanha.


Paulo Morais

24 Maio 2007

Falta de centro de saúde motiva críticas

"Jornal de Notícias", 23 de Maio de 2007

A Comissão de Utentes de Saúde da Quinta do Conde, concelho de Sesimbra, poderá promover um protesto contra os atrasos na construção do centro de saúde local no próximo dia 10 de Junho, em Setúbal, aproveitando a presença do Presidente da República, que ali se desloca para as comemorações do Dia de Portugal. Vítor Antunes, da comissão, afirmou ao JN que "tudo depende da resposta que os habitantes obtiverem até essa data".
"A última informação que a comissão obteve é que a obra terá início no último trimestre deste ano", disse aquele responsável, contrapondo, porém, que " o concurso ainda nem sequer foi aberto". Os utentes dizem estar fartos de promessas. Segundo a comissão, a Quinta do Conde tem cerca de 25 mil habitantes, número que continua a crescer, e apenas quatro médicos de família. Vítor Antunes recordou ainda que Cavaco Silva, quando desempenhava funções de primeiro-ministro, "prometeu abrir o centro de saúde".

11 Maio 2007

Golfe: Figueiredo na Irlanda para melhorar "ranking"

Jornal “Record”, 10 de Maio de 2007

Pedro Figueiredo, de 15 anos, participa, entre amanhã e domingo, no Irish Amateur Open Championship, tendo como objectivo de entrar no "top- 100" do "ranking" amador mundial (é actualmente 104.º e 41.º na hieraquia europeia).
O golfista de Azeitão, da categoria Sub'16, venceu recentemente a Taça Federação, um dos mais importantes torneios do calendário nacional.
"Nem sempre as coisas correm bem, mas venho à Irlanda com um ascendente positivo, gerado pelos últimos resultados. Estou à beira do top 100 Mundial e gostaria de passar esta barreira", disse o jogador que representa o Clube de Golfe da Quinta do Peru.

08 Maio 2007

Carro de D'Orey continua no fundo da ravina

Jornal "Expresso", 5 de Maio de 2007

O relatório complementar da autópsia ao corpo de José D’Orey não revelou a presença de quaisquer substâncias tóxicas, álcool ou drogas.
A Polícia Judiciária de Setúbal recebeu hoje o relatório complementar da autópsia de José D’ Orey, Segundo uma fonte judicial, “o relatório não revela a presença de qualquer elemento estranho, nem vestígios de droga, álcool ou qualquer medicamento”. Este relatório aafasta cada vez mais a tese de homicídio. José D’Orey terá morrido de acidente ou suicidou-se.
Para encerrar a investigação, falta analisar o que resta do Renault Megane que o empresário conduzia no dia em que desapareceu, a 9 de Outubro 2006. Mas os destroços continuam no mesmo local da Serra da Arrábia.
De acordo com a mesma fonte “a força aérea não consegue tirar dali o carro e como é uma zona protegida resta recolher os amostras da chapa naquele local, para verificar se houve a interferência de outra viatura no despiste”.
O carro e o corpo do empresário foram encontrados por acaso pela GNR de Azeitão que tentava recuperar um carro furtado abandonado no mesmo local. Lá dentro estava um saco com cerca de 20 mil euros e vários objectos pessoais do emprsário que deixou cinco filhos.

25 Abril 2007

A Cozinha de Vanguarda que Dá Brilho ao Vinho

Jornal "Diário de Notícias", 12 de Abril de 2007

Vizinhos do mais badalado restaurante português da actualidade, a Quinta dos Catralvos, em Azeitão, os responsáveis da Bacalhôa Vinhos (ex-JP Vinhos) tiveram a excelente ideia de convidar o chefe Luís Baena para preparar o almoço em que apresentaram à comunicação social um vinho que assinala a estreia nos brancos da sua marca mais emblemática, Quinta da Bacalhôa, criada há 25 anos. E também das novas colheitas de espumante Loridos Clássico 2004 e do tinto Quinta da Bacalhôa do mesmo ano. Para acabar, um espectacular Moscatel de Setúbal Superior 20 Anos.
O almoço decorreu no belíssimo Palácio da Bacalhôa, que a empresa tem vindo a recuperar e quer transformar cada vez mais na sua imagem de marca, com a presença do dono José Berardo, do administrador Jorge Paiva Raposo e dos enólogos Filipa Tomás da Costa e Vasco Penha Garcia (responsável pelo Loridos). Todos admiradores exaltados da arte do vizinho Luís Baena.
E este não desmereceu a confiança depositada, embora a entrada tivesse sofrido um descompasso, próprio de quem está a trabalhar em cozinha alheia. É que puseram na mesa espargos com caviar de salmão, um involtini de magret de pato (até aqui tudo bem), mas também uma inexplicavelmente seca focaccia com uma fatia de cogumelo grelhado. Só quando alguns dos comensais já tinham despachado o que havia no prato é que chegou o fricassé de cogumelos silvestres e túberas que compensou a secura da focaccia. Apesar de tudo, o Loridos, que acompanhava o prato, moderou o percalço.
Mas a partir daqui foi tudo bem, com o humor ao serviço da cozinha e dos sabores. Veio um waffle de vieiras com trufas e espuma de ouriços-do--mar, que tinha a particularidade de ter os mariscos numa espetada em que o espeto era um fino pincel e o prato lembrava uma paleta de pintor.
Foi a primeira vez que se provou o branco Quinta da Bacalhôa 2006, obtido a partir de sémillon (50%), alvarinho (25%) e sauvignon blanc (25%), castas que a empresa plantou na região em 2003, com 30% do mosto a fermentar em madeira. O vinho estagiou seis meses em barricas novas de carvalho francês. Cada uma das oito mil garrafas deverá custar mais de 20 euros, num preço comparável ao do seu irmão tinto. Vamos ver se um mercado acolhe bem esta ousadia, mas que o vinho está óptimo de aroma e estrutura isso está.
Depois, veio a surpresa da tarde. Depositaram um envelope timbrado da empresa à frente de cada comensal e choveram as brincadeiras sobre se seriam os dividendos para os accionistas ou dinheiro para corromper jornalistas... Afinal, era "a prima do pombo-correio", uma pintada cozida num saco de vácuo, que foi aberto com uma tesoura ali na mesa. A acompanhar, um risotto de cépes, molho de vinho tinto e "caviar (esferificações) morno de framboesas.
Serviu-se a nova colheita do Quinta da Bacalhôa tinto de 2004, sempre fiel à fórmula com um quarto de século: 90% cabernet sauvignon e 10% de merlot. De realçar a inteligência do produtor em guardar o vinho um ano em garrafa antes de o pôr à venda.
Outra surpresa foi a volta do branco Quinta da Bacalhôa à mesa, agora para acompanhar um raviolo de lechal e lagostim com moleja de vitela e gelado de foie gras com N2, ou seja, gelificado com azoto líquido e muita fumarada. Apesar de, ao ler- -se o nome do prato, este pareça algo confuso, a verdade é que cada um dos muitos ingredientes tinha o sabor bem nítido e as texturas no ponto (um bom exemplo foi o lagostim, lá no meio do raviolo, a sentir-se no dente o óptimo ponto de cozedura).
Em termos de casamento com o vinho foi sensacional, nomeadamente com o foie gras, que mesmo azotado mostrava a sua gordura. Uma prova de versatilidade gastronómica que favoreceu este novo vinho branco que vem para ficar.
No fim, logo antes da sobremesa, mais fumarada, desta vez uma infusão de canela e moscatel depositada em várias travessas com algas e azoto líquido que deram à extensa mesa um aspecto de palco de concerto de rock dos anos 70. Mas havia um sentido gastronómico, já que o cheiro combinava com a doçaria conventual servida que trazia ainda uma gelatinização (com agar-agar) de moscatel, na forma de "esparguete", um "clássico de vanguarda" de Albert Adrià, irmão de Ferran e responsável pelos doces do El Bulli.
Além da forma gasosa e da forma sólida, o moscatel típico da península de Setúbal chegou à mesa sob a forma líquida, numa garrafa de Moscatel Superior 20 Anos, de 1983. A maior parte foi engarrafada em 1988 e os poucos barris restantes só agora. Uma óptima forma de concluir uma refeição que mostrou como a cozinha mais moderna também pode fazer brilhar os bons vinhos.

Duarte Calvão

Postos de fronteira marítima de Aveiro e Nazaré transitam para a tutela do SEF

Jornal “Público”, 13 de Abril de 2007

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) passa controlar, a partir de segunda-feira, a entrada e saída de cidadãos nacionais e estrangeiros no país nos postos de fronteira marítima de Aveiro e Nazaré.
Na última segunda-feira, um despacho publicado em Diário da República definiu um calendário para que o SEF passe a garantir o controlo nos 22 postos de fronteira marítima nacional, considerados pontos de passagem de fronteira autorizada, nos termos do Código de Fronteiras Schengen, relembra o SEF em comunicado.
Na próxima segunda-feira, são oficializadas as transições em Aveiro e Nazaré, respectivamente na sede da Administração Portuária e nas instalações do Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos.Depois de dia 12 a GNR ter passado as suas funções ao SEF em Peniche, hoje a transição ocorre em Setúbal e Sesimbra e nos próximos dias 17 em Olhão, Faro e Portimão, 20 em Leixões e Póvoa de Varzim, e no dia 23 de Abril em Sines, indica a mesma nota do SEF.

04 Abril 2007

PJ descarta hipótese de homícidio do empresário encontrado morto na Arrábida

Jornal “Público”, 21 de Março de 2007

A Polícia Judiciária afastou hoje a hipótese de homicídio do empresário José Luís D'Orey, após autópsia ao cadáver realizada pelo Instituto Nacional de Medicina Legal.
José Luís D'Orey desapareceu a 9 de Outubro, tendo sido encontrado morto domingo passado na sua viatura, caída numa escarpa da Serra da Arrábida, distrito de Setúbal.
"Hoje e após exame autóptico realizado no INML de Lisboa pode esta Polícia Judiciária afastar a hipótese de acção homicida, de acordo com o relatório preliminar", refere a PJ em comunicado.
A nota ainda que "encontram-se ainda a decorrer diligências e exames periciais diversos, com o objectivo de ser encerrada a presente investigação".
A Polícia Judiciária explica que os agentes do Departamento de Investigação Criminal de Setúbal se deslocaram ao local onde a GNR encontrou a viatura do empresário, “com sinais que indicavam ter sido objecto de queda de altura considerável”.
Após peritagens aos local, ao veículos e aos objectos encontrados junto ao cadáver “conclui tratar-se do corpo de José Luís Lopes de Albuquerque D’Orey”.
O empresário de Azeitão foi dado como desaparecido na manhã do dia 9 de Outubro, depois de levar duas filhas a uma escola de Azeitão e ao Colégio da Arrábida. O empresário, que viajava num Renault Scénic cinzento, deveria viajar em seguida para Lisboa, onde tinha agendada uma reunião de trabalho.

Desfiles carnavalescos sesimbrenses são à beira-mar

Jornal “Diário de Notícias”, 15 de Fevereiro de 2007

É a grande novidade do Carnaval de Sesimbra deste ano: a realização do desfile à beira-mar, algo de "único no país", garante o presidente da autarquia, Augusto Pólvora. Mas esta não é a única diferença, relativamente a 2006, de um Carnaval que dura cinco dias e que espera receber mais de cem mil pessoas. Mais oferta de estacionamento, mais lugares nas bancadas (dois mil) ou um ecrã gigante no Largo da Marinha para assistir aos festejos são as restantes novidades.
A decisão de alterar o percurso do desfile carnavalesco, que antes atravessava a Avenida da Liberdade, "cortando a vila de Sesimbra em duas", dará um "enquadramento mais atractivo ao cortejo, melhora as condições para as bancadas, a mobilidade e o escoamento do trânsito e liberta cerca de 200 lugares de estacionamento na referida avenida", explica o autarca. E como o estacionamento continua a ser um dos principais problemas de quem visita Se- simbra nesta época, serão também disponibilizados cerca de 300 lugares na Docapesca, 200 no Calvário e 500 no Mar da Califórnia.
O Carnaval de Sesimbra começa amanhã com o desfile de cerca de 1500 crianças de 22 escolas básicas do concelho. Mas os pontos altos serão domingo e terça-feira, a partir das 15.00, com as escolas de samba e grupos sesimbrenses que prometem fazer desfilar na marginal cerca de 1500 elementos. Para segunda- -feira está ainda marcado "um dos maiores desfiles de palhaços do mundo", que espera juntar cerca de 4000 mascarados, afiança Augusto Pólvora.
Cinco dias de Carnaval que custarão cerca de 300 mil euros, "80 mil dos quais são assegurados pela autarquia", nota o edil. Mas, para Augusto Pólvora, o que torna o Carnaval de Sesimbra único é ser "organizado pelo movimento associativo da terra, dispensando a contratação de atracções estrangeiras".
Já em Almada, o Carnaval das escolas do concelho acolhe este ano mais de 3000 mascarados, que desfilam amanhã, a partir das 14.30, pelas avenidas Bento Gonçalves e Nuno Álvares Pereira. "Houve maior adesão que o nano passado, quando desfilaram cerca de 2000 crianças", avança o vereador da Cultura, António Matos, ao DN. Uma festa que conta com a participação de 19 escolas e 22 instituições de ensino. O desfile não trará novidades, mas sim a "continuidade e consolidação do projecto", sublinha o vereador.
Cláudia Monteiro

Sesimbra: Mais de 250 pessoas exigiram manutenção do SAP

“Jornal de Notícias”, 16 de Fevereiro de 2007

Cerca de 250 pessoas aprovaram hoje uma moção a exigir a manutenção do SAP - Serviço de Atendimento Permanente de Sesimbra, durante uma concentração contra o eventual encerramento daquela unidade de saúde, disse à Lusa Florindo Paleotes, da comissão de utentes.
"O SAP começou a funcionar aos bochechos ainda antes do Natal", afirmou Florindo Paleotes, adiantando que às quartas e sextas-feiras o SAP não funciona no período diurno", disse Florindo Paleotes, acrescentando que "nesses dias o serviço começa a funcionar ás 20.00, outros só às 21:00".
"A população sente-se abandonada e esquecida pelo governo na área da saúde, porque esta situação também indicia uma tentativa de encerramento do SAP", acrescentou o representante da comissão de utentes da saúde de Sesimbra.
Segundo Florindo Paleotes, além da moção que vai ser entregue a diversos órgãos de soberania e da administração central, está igualmente em curso um abaixo-assinado contra o encerramento do SAP de Sesimbra.
O ministro da saúde nomeou um grupo técnico que vai elaborar um relatório sobre o funcionamento de diversos serviços de atendimento permanente, sendo provável que algumas destas unidades de saúde venham a ser encerradas dentro de pouco tempo.

Comissão ambiental Secil validou resultados dos testes

Jornal “Sol”, 10 de Fevereiro de 2007

A Comissão de Acompanhamento Ambiental da Secil validou hoje os testes de co-incineração de resíduos perigosos na cimenteira do Outão, depois de analisar o relatório da consultora SGS, que acompanhou a queima de lamas oleosas na cimenteira do Outão.
«A Comissão analisou sexta-feira o relatório da SGS e verificou que, de facto, não há diferenças relevantes entre a co-incineração de resíduos industriais banais e perigosos», disse hoje à Lusa Fernando Cunha, porta-voz da Comissão de Acompanhamento Ambiental.
«Constatámos que a Secil reúne todas as condições necessárias para proceder à queima de resíduos perigosos, de acordo com o previsto nas licenças de exploração e ambiental e com o decreto-lei 85/2005, sobre a co-incineração», acrescentou Fernando Cunha.
De acordo com porta-voz da CAA da Secil, o relatório da SGS - Société Générale de Surveillance S.A -, considerada a maior organização mundial no domínio da inspecção, verificação e certificação, refere que a Secil «observou também todos os requisitos necessários na recepção e controlo de resíduos».
Apesar de não ter sido detectado nenhum valor anormal nas emissões atmosféricas resultantes da queima de resíduos perigosos, nos testes realizados em Dezembro do ano passado, o processo de co-incineração foi suspenso por decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada, na sequência de uma providência cautelar interposta pelas Câmaras de Palmela, Sesimbra e Setúbal.
No final do mês passado, os presidentes das Câmaras Municipais de Palmela, Sesimbra e Setúbal, entregaram no Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada uma nova acção administrativa especial, que visa suspender os licenciamentos da Secil para proceder à co-incineração de resíduos industriais perigosos.
Desde que foi constituída, em Janeiro de 2003, a Comissão de Acompanhamento Ambiental da Secil já perdeu cinco dos seus membros, nomeadamente a Câmara de Setúbal e as Juntas Freguesia de S.Lourenço e S.Simão, que abandonaram a comissão quando a empresa anunciou a intenção de co-incinerar resíduos perigosos.
Os Bombeiros Voluntários de Setúbal e a Quercus abandonaram mais tarde a comissão, também em oposição ao processo de co-incineração.
Neste momento integram a comissão a Sub-região de Saúde de Setúbal, a Escola Superior de Tecnologia de Setúbal, o Parque Natural da Arrábida, a Delegação de Saúde de Setúbal, o Hospital Ortopédico Santiago do Outão, o Parque de Campismo do Outão, a Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão, a Associação Empresarial da Região de Setúbal, Associação Portuguesa dos Engenheiros do Ambiente e os Bombeiros Voluntários de Águas de Moura.

Louçã considera que os «piratas já deram à costa» de Sesimbra

Jornal “Sol”, 3 de Fevereiro de 2007

O líder do Bloco de Esquerda (BE), Francisco Louçã, afirmou hoje em Sesimbra que o empreendimento turístico Mar da Califórnia constitui um exemplo da actividade dos especuladores imobiliários que «fazem dinheiro contra o ambiente e os direitos das pessoas».
«Sesimbra é um caso em que os piratas já deram à costa. Este empreendimento, uma grande obra da empresa Obriverca, foi feito contra a lei, contra o tribunal e contra o respeito pela natureza», disse o dirigente do BE.
Francisco Louçã falava aos jornalistas durante uma visita ao polémico empreendimento turístico de Sesimbra, a par de outras iniciativas em Ovar (Sportsfórum), para denunciar alegados «atentados ambientais», no âmbito da preparação da interpelação do grupo parlamentar ao Governo sobre Ordenamento do Território e Preservação da Orla Costeira.
O Mar da Califórnia é um empreendimento de cinco blocos de habitação com m ais de 300 fogos distribuídos por 11 pisos, construído numa zona de falésia e de domínio público marítimo, a menos de 50 metros da linha de água.
De nada valeram os protestos da associação ambientalista Quercus, que, antes da construção, dizia tratar-se de um empreendimento que não cumpria a legislação do domínio público marítimo e que a zona em causa estava integrada na REN - Reserva Ecológica Nacional, uma vez que o projecto acabou por conseguir todas as autorizações necessárias, incluindo o parecer favorável do Instituto de Conservação da Natureza (ICN).
«O risco que corremos na Caparica já aqui está, em Sesimbra, onde também se vai construir uma cidade de 30.000 habitantes - do tamanho ou maior que a vila piscatória que todos conhecemos -, porque o grupo Espírito Santo entende fazer um grande negócio com o que é hoje uma mata», afirmou o dirigente bloquista.
«A especulação é uma forma de pirataria que está a vencer a economia, os direitos das pessoas e a protecção do ambiente», acrescentou Francisco Louçã, que se fez acompanhar pelos deputados Mariana Aiveca e Fernando Rosas.
Na próxima quarta-feira, na interpelação ao Governo, Francisco Louçã promete confrontar o ministro do Ambiente e restante Executivo com este e com outros «atentados ambientais», referindo concretamente os casos da «Costa da Caparica, Sesimbra, Algarve e Costa Alentejana».
«Queremos o ministro do Ambiente e o Governo a responder pelas autorizações, pelos silêncios, pelas cumplicidades e por este facilitismo desta pirataria contra o ambiente e contra as pessoas», disse Francisco Louçã, que responsabiliza a política pela especulação imobiliária nas arribas, nas falésias e nas praias.
«O BE assume a política da defesa das pessoas contra estes interesses económicos. E vamos enfrentá-los, seja a Bragaparques, a Obriverca ou o Banco Espírito Santo, seja, em nome de todos eles, o Governo, que permite que isto aconteça», concluiu o líder bloquista.

20 Março 2007

Encontrado cadáver na viatura de empresário desaparecido na Arrábida há seis meses

Jornal “Público”, 20 de Março de 2007

Um cadáver em adiantado estado de decomposição foi resgatado do interior de uma viatura numa ravina da Serra da Arrábida, em Setúbal. O veículo pertence a José Luís D´Orey, um empresário de Azeitão desaparecido há seis meses, e tudo indica que o corpo descoberto seja o seu.
Segundo uma fonte policial ouvida pela Lusa, a viatura, um Renault Scénic cinzento que pertencia ao empresário José Luís D´Orey, foi localizada ontem à tarde por elementos da GNR que alertaram de imediato a Polícia Judiciária de Setúbal.

Fonte dos bombeiros que a viatura foi estabilizada e que deveria ter sido removida por meios aéreos, mas o helicóptero do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil que se deslocou à Arrábida esta manhã, não tinha condições para efectuar a operação de resgate.
O corpo que se encontrava no interior da viatura foi já resgatado pelos bombeiros, tendo sido transportado para o Instituto de Medicina Legal, em Lisboa.
As autoridades só deverão confirmar a identidade da vítima após a realização da autópsia e eventualmente, de testes de ADN, mas tudo indica que se trata do corpo de José Luís D´Orey, dado como desaparecido na manhã de 9 de Outubro de 2006, depois de levar duas filhas a uma escola de Azeitão e ao Colégio da Arrábida.
Nesse mesmo dia, o empresário já não compareceu numa reunião no Instituto Técnico de Alimentação Humana S.A, onde trabalhava, e não voltou a atender o telemóvel. Durante estes seis meses nunca foi detectado nenhum movimento dos cartões de crédito.

Corpo de José Luís D'Orey encontrado na Arrábida

Jornal “Diário de Notícias”, 20 de Março de 2007

A GNR de Setúbal encontrou ontem o corpo de José Luís Lopes D' Orey, o empresário de Azeitão desaparecido desde 9 de Outubro. O cadáver, em adiantado estado de decomposição, foi resgatado do interior de uma viatura queimada escondida numa ravina da Serra da Arrábida. À hora do fecho desta edição, a Polícia Judiciária (PJ) já tinha informado os familiares do empresário de Azeitão, mas ainda aguardava os resultados dos testes de ADN para confirmar a sua identidade e as causas da morte.
As primeiras diligências para encontrar o corpo de José D' Orey começaram no domingo. Ao que o DN apurou, foi um mero acaso. A GNR foi alertada para facto de se encontrar uma viatura abandonada em cima de um penhasco, numa zona conhecida por Mata do Solitário, junto ao Portinho da Arrábida, em Setúbal. Ao chegar ao local, os militares viram que se tratava de uma carrinha de marca Mercedes, branca, que havia sido furtada há dois dias. Estava a anoitecer e as operações foram interrompidas.
Dando continuidade às investigações, os agentes voltaram ontem ao local, às 6.40, entrando por um acesso diferente, tendo-se então deparado com outra viatura abandonada. Tratava-se de uma carrinha em completo mau estado, queimada. No seu interior foi encontrado o cadáver de José D'Orey, irreconhecível, dado o avançado estado de decomposição.
"Percebi imediatamente que aquela não era uma situação recente porque o corpo estava em avançado estado de decomposição", contou ao DN Mário Macedo, comandante dos Sapadores de Setúbal, a corporação chamada ao local para retirar a viatura, com o corpo no interior, que se encontrava numa ravina, apenas sustentada pela vegetação.Havendo o perigo de se despenhar pela ravina abaixo, os bombeiros formaram uma equipa de resgate, com a ajuda de um helicóptero do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil. Cerca do meio dia, o carro foi então içado para um local mais seguro e o corpo retirado até à estrada do Outão. Dali foi transportado pelos bombeiros para o Instituto de Medicina Legal, em Lisboa.
A GNR prosseguiu a partir daí as operações na tentativa de encontrar mais corpos no local. Cinco equipas cinotécnicas (homem e cão) vasculharam a área, subindo e descendo as encostas. Entretanto, fora surgindo fortes indícios de aquele cadáver ser o do empresário de Azeitão, desaparecido há seis meses. Segundo as fontes do DN, os cães identificaram o corpo depois de terem farejado alguns objectos pessoais de José D'Orey . A viatura tinha as formas de se tratar da Renault Scenic em que se fazia transportar na altura do desaparecimento.
A meio da tarde chegou a PJ de Setúbal, a quem o caso estava entregue desde Outubro. Os inspectores procederam à recolha de todos os materiais possíveis de investigação que possam explicar o desaparecimento e, eventualmente, aparecimento do cadáver naquele local.
Já era noite quando os inspectores da PJ contactaram os familiares do empresário de Azeitão. À hora do fecho desta edição, o cadáver de José D'Orey encontrava-se ainda no Instituto de Medicina Legal para ser identificado.
Licínio Lima, Idalina Casal e Katia Catulo

18 Março 2007

Os melhores do ano segundo a academia

Jornal "Diário de Notícias", 17 de Março de 2007

Para a "gente do sector" já com uns anos de experiência, e não em início de carreira, os prémios que a Academia Portuguesa de Gastronomia distribui anualmente ao melhor cozinheiro, ao melhor profissional de sala e a quem melhor escreve sobre "comes e bebes" são sem dúvida os mais prestigiados. Até porque praticamente não há outros, salvo o do concurso Chefe Cozinheiro do Ano, mas mais voltado para novos talentos.
Por isso, é sempre interessante saber para quem vão os Prémios de Excelência dos académicos. Ontem, foram anunciados os seguintes, relativos a 2006: Luís Baena, chefe do restaurante Quinta de Catralvos (Azeitão), Grande Prémio da Arte da Cozinha. Arlindo Madeira, chefe de sala e escanção do restaurante Tavares (Lisboa), Grande Prémio do Serviço de Sala. Francisco José Viegas, escritor e cronista gastronómico da NS' - Notícias Sábado (revista do DN e do JN), Grande Prémio da Cultura e Literatura Gastronómica.
Luís Baena disse ao DN que "não estava à espera" e, pedindo desculpa pelo cliché, acrescentou: "A verdade é que o prémio é para toda a equipa do restaurante, porque a cozinha é um trabalho de equipa." Ficou também surpreendido porque, tendo a Academia a reputação de algum conservadorismo (se bem que não o seu dinâmico vice-presidente, José Bento dos Santos), a modernidade da cozinha da Quinta de Catralvos foi realçada, inclusive a sua colaboração com cientistas da gastronomia molecular.
Também Arlindo Madeira foi apanhado de surpresa. Agora com 37 anos, já com bastante experiência em Portugal e também em Madrid, onde trabalhou seis anos, e em companhias de navegação, começou aos 19 anos no Terraço do Tivoli Lisboa e está há três anos no Tavares. "Fiquei muito satisfeito pelo reconhecimento e por terem percebido a importância da sala como extensão da cozinha."
Para o chefe de sala, os portugueses, tantas vezes criticados pelo mau atendimento, precisam de se adaptar à cozinha moderna. "Não faz sentido, por exemplo, as escolas de hotelaria continuarem a dar horas e horas da chamada 'cozinha de sala', que quase já não se pratica, em vez de explicarem os timings de um menu-degustação", afirma. E foi justamente o "conluio" de Arlindo Madeira com o vhefe do Tavares, Philippe Peudenier, um dos pontos que a academia realçou.
Finalmente, Francisco José Viegas, já distinguido com vários prémios literários, disse ao DN que ficou "cheio de orgulho" com este. "Tivemos sempre muita gastronomia na literatura portuguesa, mas os autores mais recentes não tratam dela, ao contrário do que acontece, por exemplo, no Brasil ou em Espanha. É pena."
Sobre o seu trabalho na NS', diz não se considerar um crítico gastronómico, embora saiba as bases e procure estar bem informado, mas sim um cronista. "Escrever sobre restaurantes dá-me muito prazer", responde, quando se pergunta onde arranja tempo e disposição para as suas crónicas, entre a escrita, a direcção da Casa Fernando Pessoa e os programas na televisão.
E um cronista nunca "diz mal" do restaurante que visita? "Às vezes, quando é preciso, também digo", garante, embora a academia tenha sobre ele escrito: "A sua proverbial boa disposição, a procura quase sistemática de nos chamar a atenção para 'o que é bom', em detrimento do vulgar e fácil 'dizer mal', eleva-o por mérito próprio à referência do crítico gastronómico por excelência."
Duarte Calvão

14 Março 2007

Setúbal recebe comemorações oficiais do 10 de Junho

Jornal "Expresso", 3 de Março de 2007

Depois de em 2006 a decisão presidencial ter recaído na cidade do Porto, este ano vai ser Setúbal a sede das comemorações do Dia de Portugal.
A Presidência da República anunciou que a cidade de Setúbal será a sede das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades. A presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira, já congratulou a autarquia com a escolha de Cavaco Silva e adiantou que as comemorações terão lugar na zona ribeirinha da cidade.
Maria das Dores Meira, em declarações feitas à Lusa, revelou que já tinha sido contactada pela Casa Civil da Presidência da República, mas diz só hoje ter recebido a confirmação. "Foi uma surpresa agradável, que já discuti com o executivo municipal, e que toda a gente recebeu com extrema satisfação".
A autarca confirmou também que embora a cidade sede seja Setúbal, as comemorações vão incluir Azeitão, “as comemorações vão ter um primeiro momento na zona ribeirinha de Setúbal e uma segunda parte, de despedida, em Azeitão, que vamos preparar em conjunto com a Casa Civil da Presidência da República”.
A autarca eleita pela CDU realça que as comemorações do dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, constituem um excelente momento para relançar a imagem da cidade enquanto capital de distrito. "Queremos que estas comemorações sejam prestigiantes para a cidade de Setúbal", garantiu Maria das Dores Meira.
João Bénard da Costa foi novamente nomeado presidente da comissão organizadora das comemorações, tendo sido hoje recebido pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

Pedro Chaveca

26 Fevereiro 2007

Os dez projectos que vão mudar a vila de Sesimbra até 2013

Jornal “Diário de Notícias”, 26 de Fevereiro de 2007

Dez projectos vão reordenar toda a Avenida da Liberdade - o eixo principal da vila de Sesimbra - e zona envolvente, a marginal junto à praia e o centro histórico. As obras começam ainda neste Verão e deverão ficar concluídas daqui a seis anos. Em 2013 surge uma nova Sesimbra.
Entre as intervenções previstas, Augusto Pólvora, presidente da Câmara de Sesimbra, eleito em Outubro de 2005 pela CDU, destaca ao DN a importância do plano de ordenamento da Avenida da Liberdade, que se divide em três zonas de intervenção distintas. As obras também serão executadas em três fases, devendo começar ainda este ano e prolongar-se por seis anos.
O projecto para esta avenida, que se estende por cerca de um quilómetro, desde o estádio municipal até ao mar, pretende utilizar parcelas de solo urbanizável existentes na zona envolvente ao estádio e ao actual terminal rodoviário.
Segundo documentos a que o DN teve acesso, o plano inclui "o ordenamento definitivo do terminal rodoviário em boas condições de conforto para os utentes, a relocalização do mercado municipal, a criação de novos espaços públicos pedonais e a requalificação da mata da Vila Amália".
Prevê também a criação de um parque de feiras no topo norte do estádio, a construção de quatro grandes parques de estacionamento públicos com um total de cerca de mil lugares, um dos quais sob o estádio da Vila Amália, que pressupõe a sua remodelação integral com novo relvado sintético, balneários e bancada coberta e a construção, na área envolvente, do terminal rodoviário e de um novo edifício administrativo para a câmara municipal.
"Para a construção do estádio novo será lançada hasta pública ainda em 2007", revelou o DN o presidente da câmara, salientando que "a obra terá de começar ainda este ano para o estádio ficar pronto no final de 2008 ou início de 2009".
De acordo com o projecto, a primeira fase, que contempla o campo de futebol da Vila Amália, está prevista iniciar-se em Junho. A intervenção começa com a remodelação do campo da Maçã para que os jogos de futebol se possam aí realizar. Só depois serão encetadas as obras no estádio da Vila Amália, que recuará cerca de 15 metros. O plano prevê que a época 2008/9 já poderá ser disputada no novo estádio.
Augusto Pólvora explica que a segunda fase do projecto, referente à construção de habitação, "é de iniciativa privada e as obras dependem do promotor, que, como contrapartida, terá de construir a via circular, o estádio municipal, o parque de estacionamento público e o mercado municipal. Também construirá o novo edifício para a câmara centralizar todos os seus serviços, que actualmente se encontram divididos em vários edifícios espalhados pela vila".
Novas vias e rotunda
O plano contempla ainda o troço da via nascente entre o Bloco do Moinho e a Avenida da Liberdade, que implica a construção de uma rotunda no topo norte da avenida e permitirá mais tarde uma ligação à Estrada de Argéis por trás da Marconi.
Serão construídos quatro parques de estacionamento público subterrâneos. Um por baixo do estádio de futebol Vila Amália, com cerca de 500 lugares, e outro em frente ao estádio (cem lugares). Outros dois parques - no edifício do mercado municipal e nos pavilhões onde se encontram alguns serviços da câmara (antigo ciclo) - terão entre 500 a 600 lugares de estacionamento.
A mata da Vila Amália será toda requalificada, transformando-se numa zona verde e de lazer, com equipamento infantil/juvenil, parque de merendas, passeios pedonais, bancos, papeleiras e iluminação pública.
Além deste plano de ordenamento, a Câmara de Sesimbra também avança com uma unidade turística na marginal para ocupar o espaço livre existente ao lado do Hotel do Mar. Segundo o autarca, a construção "poderá começar entre o final de 2007 e o início de 2008 e talvez termine no Verão de 2009".
A esta lista de novidades somam-se ainda oito pequenos projectos para requalificar o centro histórico. De acordo com o presidente da câmara, as obras de dois deles "arrancam em Setembro deste ano e ficam prontas até ao Verão de 2008". O autarca refere-se ao trabalho do arquitecto Paulo Braula Reis (engloba a Rua Cândido dos Reis, Largo José António Pereira e Rua da Fortaleza) e ao projecto da autoria de Paulo Adelino (Largo de Bombaldes e Largo do Município).

Daniel Lam

29 Janeiro 2007

Eusébio Rosa vence Maratona Cidade de Badajoz

Jornal "Público", 28 de Janeiro de 2007

O fundista veterano português Eusébio Rosa, do Sport União da Caparica, venceu hoje a XV edição da Maratona Cidade de Badajoz, enquanto a prova feminina foi ganha pela belga Xantal Chevelle, que vive na vila portuguesa de Azeitão.
Eusébio Rosa, campeão nacional da maratona em 2004, voltou a dar cartas aos 38 anos, ao vencer a prova espanhola em 2:26.19 horas, seguido pelo espanhol Cano Garcia, a 40 segundos, e do também português Luís Rijo de Almeida.

Na prova feminina, o pódio também teve cunho português, já que a vencedora da maratona, apesar de ter nacionalidade belga, vive em Portugal e representa um clube igualmente português, a Associação de Moradores de Casal das Figueiras.
Xantal Chevelle completou o percurso da maratona da cidade espanhola em 2:59.29 horas, com uma vantagem de seis minutos sobre a segunda classificada, a espanhola Nuria Sierra.

28 Janeiro 2007

Tribunal trava co-incineração

Jornal de Notícias, 24 de Janeiro de 2007

O Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada decidiu suspender a queima de resíduos perigosos (co-incineração) na cimenteira da Secil no Outão (Arrábida) até a realização de nova avaliação de impacte ambiental, segundo a sentença a que a agência Lusa teve acesso.
O Ministério do Ambiente dispensou a Secil da realização daquela avaliação, o que permitiu à cimenteira avançar em Dezembro passado com os testes de co-incineração de resíduos industriais perigosos.
O juiz Jorge Martins Pelicano veio agora dar razão às câmaras de Setúbal, Sesimbra e Palmela na providência cautelar que interpuseram para travar a co-incineração.
"Intima-se a Secil a abster-se de realizar os testes e demais operações de co-incineração de resíduos industriais perigosos na referida fábrica", lê-se na sentença.
O tribunal de Almada tomou hoje a mesma decisão do de Coimbra, que a Lusa divulgou a 27 de Novembro, suspendendo a eficácia do despacho do ministro do Ambiente que dispensou a Secil do procedimento de avaliação de impacte ambiental que a lei obriga, limitando a cimenteira ao cumprimento de medidas de minimização.
Segundo a Secil, desde meados de Novembro a cimenteira está a queimar n a sua fábrica do Outão cerca de 50 toneladas de lamas oleosas, um resíduo perigoso, provenientes das refinarias de Sines e de Leça da Palmeira.
A cimenteira tem estado a trabalhar "pelo menos" em dois turnos, num to tal de 16 horas, para queimar aquela quantidade de resíduos, segundo a mesma fonte.
O início dos testes de co-incineração naquela cimenteira tinham sido marcados para 8 de Novembro, mas tiveram de ser adiados por ter dado entrada no Tribunal Administrativo de Almada uma providência cautelar para os travar.
A acção foi interposta pelas câmaras de Setúbal, Palmela e Sesimbra a 3 de Novembro passado, suspendendo todos os actos relacionados com a acção.
Mas, para permitir o avanço da co-incineração na Secil, o Ministério do Ambiente invocou a 29 de Novembro o interesse público, através de uma resolução fundamentada.
A decisão do tribunal de Coimbra, de que o Ministério do Ambiente já interpôs recurso, e agora a do de Almada proíbem assim a realização de co-incineração em Portugal até que haja uma nova decisão judicial em contrário ou até que sejam realizadas novas avaliações de impacte ambiental.

14 Dezembro 2006

Palmela, Sesimbra e Setúbal admitem pedir indemnização à Secil e ao Governo

Jornal "Público", 3 de Dezembro de 2006

O advogado das Câmaras de Palmela, Sesimbra e Setúbal, Castanheira Barros, admitiu hoje pedir uma indemnização de "um euro por cada habitante dos três concelhos, nos dias em que se realizaram testes ilegais de co-incineração de resíduos perigosos no Outão".
"Estamos a ponderar a possibilidade de requerermos uma indemnização à Secil e ao Ministério do Ambiente e vamos sugerir o valor de um euro/dia por cada habitante nos dias em que se realizaram, ou vierem a realizar, testes de co-incineração de resíduos perigosos, o que represe