quinta-feira

Automóveis deixam de aceder à falésia do Cabo Espichel

“Jornal de Notícias”, 1 de Junho de 2007

Sem demoras, a Câmara Municipal de Sesimbra decidiu ontem vedar o acesso automóvel à falésia do Cabo Espichel depois de, na quarta-feira, os bombeiros terem resgatado dos rochedos os corpos de uma mulher que se atirou de carro no local, e da filha deficiente. Blocos de cimento, dois pilaretes, grades e sinalização vertical a indicar que é proibido circular foram colocados, ontem à tarde, no local, de modo a impedir que os carros passem para as traseiras do Santuário.
"Vamos para já vedar o acesso automóvel naquela plataforma que fica por trás da igreja", avançou, ao JN, Augusto Pólvora, presidente da autarquia, considerando que esta medida irá "reduzir a possibilidade" das tragédias que ali ocorrem e que, segundo o responsável máximo pela Protecção Civil Municipal, não são um fenómeno novo.
Segundo o comandante dos Bombeiros Voluntários de Sesimbra, Ricardo Cruz, esta foi já "a quarta situação este ano no Cabo Espichel". Em 2006, a corporação registou pelo menos nove situações idênticas.
Os visitantes do santuário, edificado nos inícios do século XVIII, são unânimes quanto à necessidade de restringir o acesso a automóveis na zona da falésia. "Eu já lá vi um carro em baixo e acho que está na altura de se tomarem providências", afirma Manuel Pereira, de 63 anos, residente no Barreiro, que frequentemente vai passear até ao local. "Isto devia ter uma vedação para os carros não terem acesso", defende José Luís Passos, de Viana do Castelo, que visita o local entre três a quatro vezes por ano. "Devia haver também um muro ou gradeamento para as pessoas não se aproximarem da falésia", acrescenta.
A pensar também na segurança de quem se desloca a pé, a autarquia vai colocar avisos junto à falésia chamando a atenção para o perigo existente. No futuro, a Câmara pondera ainda vedar o acesso dos peões à zona mais perigosa.

Sandra Brazinha

Mãe atira-se com filha do cabo Espichel

“Jornal de Notícias”, 31 de Maio de 2007

Um acto de desespero terá estado na origem da tragédia que ocorreu no Capo Espichel, em Sesimbra uma mulher de cerca de 50 anos, acompanhada pela filha, de 25, doente de paralisia cerebral, atirou-se do penhasco ao volante de um automóvel Citroen C3. A queda de mais de 100 metros e o embate nos rochedos foram fatais. Os cadáveres das duas mulheres foram, ontem à tarde, resgatados pelos Bombeiros de Sesimbra e levados para a morgue do Hospital Garcia de Orta, em Almada, depois de uma delicada operação que se prolongou durante várias horas.
O alerta para o desaparecimento foi dado, anteontem à noite, pelo marido, que estranhou o facto de a mulher e a filha não aparecerem em casa, em Alhos Vedros. De manhã, recebera no telemóvel uma mensagem da mulher, em jeito de despedida. Pedia-lhe desculpa pelo fardo que eram na sua vida, mas só à noite começou a perceber o real sentido daquela mensagem.
O homem ainda foi ao Hospital do Barreiro, onde a jovem era habitualmente seguida, mas ninguém as vira por ali. Foi então que participou o desaparecimento às autoridades, primeiro à PSP do Barreiro, depois à GNR da Moita. Ontem de manhã, decidiu ir procurá-las na zona do Cabo Espichel e foi ele quem viu o carro no fundo da falésia. Dirigiu-se à GNR de Alfarim que alertou a Polícia Marítima e os Bombeiros de Sesimbra, que accionaram os meios de resgate. No local estiveram também duas psicólogas, uma do INEM e outra dos bombeiros, que deram apoio ao marido, que preferiu não falar aos jornalistas. O caso foi participado ao Ministério Público, que decidirá, ou não, abrir um inquérito.
Ao que o JN apurou, a mulher não terá conseguido lidar com a notícia do avanço da doença da filha e com o "peso" que isso significava para o marido, padrasto da jovem. O desespero fê-la cumprir uma ameaça que já teria feito algumas vezes.
Segundo o 2º comandante dos Bombeiros de Sesimbra, Luís Saraiva, só este ano já houve três casos de pessoas que se atiraram daquele penhasco, dois deles com carros. Confrontada pelo JN, fonte da Câmara Municipal de Sesimbra disse que o assunto preocupa a autarquia e garantiu que, numa próxima reunião, será discutida uma proposta para vedar o acesso automóvel ao local.

Gina Pereira

Eleitores votam orçamento

“Jornal de Notícias”, 29 de Maio de 2007

Os eleitores do concelho de Sesimbra são chamados, a partir de hoje, a escolher os destinos de parte do Orçamento municipal para 2008. O Orçamento Participativo dispõe de 500 mil euros, cerca de 5% do investimento camarário realizado em 2006.
"Queremos promover uma grande participação dos cidadãos nas decisões", afirma o presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Augusto Pólvora, adiantando que "a Autarquia vai ter a obrigação de cumprir e fazer cumprir as deliberações".
A Autarquia acredita que as escolhas da população irão recair sobre pequenos investimentos. "Muitas aldeias vão optar por realizar obras como abrigos, parques infantis ou arranjos de estradas", considera Augusto Pólvora.
As mesas de voto do concelho vão servir de palco para 12 foros territoriais, que vão eleger um total de 41 delegados até ao final de Junho. Os delegados vão auscultar a população da sua área de residência até Setembro, para depois apresentar e decidir nas assembleias de delegados quais os investimentos prioritários para a população.
A primeira sessão do Orçamento Participativo do Município de Sesimbra para 2008 realiza-se hoje, pelas 21.30 horas, no Auditório Conde de Ferreira, com o Foro Territorial de Sesimbra, para o qual foram afectos cerca de 79 mil euros, tendo em conta a área geográfica e o número de eleitores.

Sandra Brazinha

Co-incineração na Arrábida continua suspensa

Jornal “Sol”, 19 de Maio de 2007

A co-incineração de resíduos perigosos na cimenteira da Secil, na Arrábida, Setúbal, vai continuar suspensa na sequência de uma decisão do Tribunal Central Administrativo-Sul, que indeferiu os recursos apresentados pelo Ministério do Ambiente e pela Secil.
O Tribunal Central Administrativo-Sul confirmou assim a sentença de primeira instância do Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada que tinha determinado a suspensão da co-incineração naquela cimenteira.
O acórdão do tribunal Central Administrativo-Sul, datado de 10 de Maio, indeferiu os recursos apresentados pela Secil e pelo Ministério do Ambiente, tendo dado provimento apenas ao recurso interposto pelo Ministério da Economia, mas que não colide com as pretensões dos municípios de Palmela, Sesimbra e Setúbal de impedir a co-incineração.
Em conferência de imprensa, os presidentes das três câmaras municipais que apresentaram a providência cautelar congratularam-se com a decisão.
«Este despacho, favorável à Câmara Municipal de Setúbal, vem dar razão às questões que nós colocámos e dizer que os recursos da Secil e do Ministério do Ambiente não têm provimento», afirmou a presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira.
«O efeito principal deste acórdão é que se mantêm suspensas as operações de co-incineração de resíduos perigosos», acrescentou a autarca comunista, acompanhada pelos homólogos de Palmela, Ana Teresa Vicente, e de Sesimbra, Augusto Pólvora.
O advogado das três autarquias, Castanheira Barros, salientou que o acórdão do Tribunal Central Administrativo-Sul se refere ao «primeiro processo cautelar em que foi pedida a suspensão do despacho do ministro do Ambiente que dispensou a Secil da avaliação de impacte ambiental para efeito de co-incineração de resíduos industriais perigosos».
«Pedimos também nessa acção a proibição de realização dos testes e demais operações de co-incineração», acrescentou Castanheira Barros.
Por outro lado, as três autarquias reconheceram hoje ter sofrido um revés uma vez que o Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada indeferiu a providência cautelar na qual as autarquias pediam a suspensão das licenças ambiental, de instalação e de exploração atribuídas à cimenteira da Secil, no Outão.
«O juiz do Tribunal de Almada decidiu que não havia interesse em agir por parte dos 3 municípios que promoveram essa acção cautelar porque os testes de co-incineração já estavam suspensos», justificou o advogado Castanheira Barros.
«O juiz entendeu que o interesse em mover uma acção tem que ser um interesse actual e não eventual», acrescentou, salientando que os três municípios podem intentar uma acção idêntica em qualquer momento, caso seja levantada a suspensão dos testes e demais operações de co-incineração.
Castanheira Barros lembrou que neste momento «estão pendentes quatro acções relacionadas com a co-incineração no Outão - duas acções cautelares e duas acções administrativas especiais».
O Ministério do Ambiente e a Secil têm 15 dias para recorrer da decisão do Tribunal Central Administrativo-Sul sobre a primeira providência cautelar interposta pelos três municípios.

10 de Junho, Dia da Tropa

Jornal “Diário de Notícias”, 16 de Maio de 2007

As celebrações do 10 de Junho deste ano, que se realizam em Setúbal, confirmam a data como a da celebração efectiva do Dia das Forças Armadas, apesar de este continuar oficialmente marcado para 24 de Junho.
Esta data foi criada em 2003 por resolução do Conselho de Ministros e por iniciativa do então ministro da Defesa Paulo Portas. Mas, apesar da vontade expressa no ano passado pelo então recém-empossado Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, Cavaco Silva, de associar a instituição militar às comemorações do dia nacional - e da grandiosidade das cerimónias militares realizadas no Porto -, o Governo não anulou aquele diploma.
Fonte oficial do Estado-Maior- -General das Forças Armadas disse ontem ao DN desconhecer a realização de qualquer acto ou gesto no dia 24 de Junho, por menor que seja, tendo em conta que não faz sentido - até pelos custos associados - realizar dois grandes desfiles militares por ano e muito menos com duas semanas de diferença.
Recorde-se que, nas cerimónias de 2006 do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, Cavaco Silva declarou: "Considero o dia 10 de Junho a data indicada para prestar homenagem às instituições de maior relevo do País, onde, incontestavelmente, as Forças Armadas possuem lugar de destaque."
Como acrescentou então o Chefe do Estado "nem sempre é dada merecida divulgação e reconhecimento ao contributo das Forças Armadas para o desenvolvimento da sociedade, através da realização de tarefas essenciais para o bem-estar das populações", Setúbal vai assistir este ano a um conjunto de actividades complementares com esse objectivo, disseram ao DN fontes militares.
Um dos pontos altos dessas acções paralelas será o da demonstração, no rio Sado, de uma operação de busca e salvamento no mar - talvez a principal das missões de interesse público a cargo das Forças Armadas - com helicópteros EH101 (Força Aérea) e Lynx (Marinha), assim como de lanchas salva-vidas e motas de águas. Nas duas principais zonas de Setúbal onde se vão concentrar os eventos do 1o de Junho (Largo José Afonso, junto à capitania do porto, e Parque do Bonfim), os militares vão estar ao dispor das pessoas que se interessem pelo funcionamento de um caça F-16 ou de um helicóptero Alouette III, que queiram assistir à actuação de classes de ginástica (saltos de mesa alemã) da Academia Militar e do Colégio Militar ou, por exemplo, utilizar as torres de escalada da Marinha e do Exército.
A actuação conjunta das três bandas militares será outro momento curioso das celebrações do Dia de Portugal e das Forças Armadas, cujos eventos culturais incluem ainda exposições e a exibição da orquestra ligeira do Exército.
As cerimónias propriamente ditas do 10 de Junho devem seguir o modelo dos anos anteriores, começando oficialmente na véspera com a chegada do Presidente a Setúbal e um jantar em honra do Corpo Diplomático acreditado em Lisboa.
No próprio dia 10, domingo, Cavaco fará um primeiro discurso centrado nas Forças Armadas - e perante sete batalhões (menos três do que há um ano): dois do Exército, um da Marinha e outro da Força Aérea, um quinto das escolas de sargentos, um sexto das três academias militares e o último formado por alunos do Colégio Militar, dos Pupilos e do Colégio de Odivelas. Haverá ainda uma exibição dos Asas de Portugal, baptismos de mar em lanchas da Marinha e, em Azeitão, uma demonstração da escola equestre militar (conhecida como Reprise de Mafra).
O Chefe do Estado fará ainda um segundo discurso na sessão solene propriamente dita, seguindo-se o almoço oferecido pela Câmara Municipal de Setúbal.

domingo

Sebastião da Gama vai ter estátua

“Jornal de Notícias”, 27 de Maio de 2007

O monumento a Sebastião da Gama, em Setúbal, vai ser inaugurado pelo presidente da República, Cavaco Silva, em cerimónia a realizar no próximo dia 9 de Junho, pelas 11 horas, incluída no programa das comemorações do Dia de Portugal e das Comunidades Portuguesas, que este ano têm lugar naquela cidade. O monumento é um projecto da Associação Cultural Sebastião da Gama, cujo dirigente João Reis Ribeiro destaca que "a presença do presidente vem dar uma maior visibilidade à memória do poeta".
Da autoria do escultor Francisco Salter Cid, o monumento vai ser erigido na Praça da República, em Vila Nogueira de Azeitão, correspondendo a uma vontade de muitos que conviveram com o poeta. A escolha de Setúbal para sede das comemorações do Dia de Portugal levou mesmo à alteração da data inicialmente prevista para a inauguração, que era o dia 10 de Abril, dia do nascimento do poeta. João Reis Ribeiro desdramatiza o facto, até porque, adianta "é importante referir que passam este ano 60 anos sobre três datas importantes para Sebastião da Gama". Foi em 1947 que começou a sua carreira como professor na Escola Industrial e Comercial João Vaz, que hoje tem o seu nome. Nesse mesmo ano, publicou o seu segundo livro de poemas, intitulado "Cabo da Boa Esperança", e assumiu publicamente a defesa da Mata do Solitário na Serra da Arrábida, iniciativa que deu origem à criação da Liga para a Protecção da Natureza no ano seguinte.

Peixe-espada certificado para aumentar receitas

"Jornal de Notícias", 26 de Maio de 2007

O peixe-espada preto de Sesimbra pode vir, no futuro, a ser vendido como um produto com denominação de "Origem Protegida" ou de "Identificação Geográfica Protegida", caso a candidatura que está a ser preparada pela Câmara Municipal de Sesimbra venha a ser aceite. Augusto Pólvora, presidente da autarquia, frisa que esta aposta na certificação visa garantir uma mais-valia para este produto, já que "o seu efeito directo é o aumento do valor comercial da espécie".
O processo está ainda em fase de elaboração, tendo sido já firmado um protocolo com a Escola Superior de Tecnologia (EST) de Setúbal, que deverá ser aprovado brevemente pela autarquia. Nos termos deste protocolo, como explica Fernando Valente, da EST, será feito um estudo diagnóstico, a que se seguirá um Estudo de Avaliação Económico-Financeira e, finalmente, uma candidatura ao Quadro de Referência Estratégica Nacional.
A pesca do peixe-espada preto em Sesimbra tem uma história recente, de apenas 20 anos, mas a sua importância aumentou substancialmente nos últimos anos. "Ajudou a esbater as consequências da perda da frota pesqueira de Marrocos e do desemprego", justifica Augusto Pólvora.
Actualmente, na vila pescatória, há 17 embarcações que se dedicam à faina da pesca do peixe-espada preto, uma captura de profundidade que envolve um total de 230 pescadores, um valor que representa cerca de 30 % dos profissionais do sector que trabalham no Porto de Sesimbra. No total, são pescadas 2200 toneladas por ano, das quais metade é vendida em lota e a outra metade é comprada pela ArtesanalPesca, cooperativa de produtores, à qual estão associadas as referidas 17 embarcações.
O volume de negócios é da ordem dos seis milhões de euros por ano, valor que não inclui o valor gerido pela ArtesanalPesca a partir da transformação do pescado. Embora o mercado nacional seja o principal consumidor do peixe-espada preto, a cooperativa já exporta cerca de cinco toneladas por semana para a França e Alemanha.


Paulo Morais

quinta-feira

Falta de centro de saúde motiva críticas

"Jornal de Notícias", 23 de Maio de 2007

A Comissão de Utentes de Saúde da Quinta do Conde, concelho de Sesimbra, poderá promover um protesto contra os atrasos na construção do centro de saúde local no próximo dia 10 de Junho, em Setúbal, aproveitando a presença do Presidente da República, que ali se desloca para as comemorações do Dia de Portugal. Vítor Antunes, da comissão, afirmou ao JN que "tudo depende da resposta que os habitantes obtiverem até essa data".
"A última informação que a comissão obteve é que a obra terá início no último trimestre deste ano", disse aquele responsável, contrapondo, porém, que " o concurso ainda nem sequer foi aberto". Os utentes dizem estar fartos de promessas. Segundo a comissão, a Quinta do Conde tem cerca de 25 mil habitantes, número que continua a crescer, e apenas quatro médicos de família. Vítor Antunes recordou ainda que Cavaco Silva, quando desempenhava funções de primeiro-ministro, "prometeu abrir o centro de saúde".

sexta-feira

Golfe: Figueiredo na Irlanda para melhorar "ranking"

Jornal “Record”, 10 de Maio de 2007

Pedro Figueiredo, de 15 anos, participa, entre amanhã e domingo, no Irish Amateur Open Championship, tendo como objectivo de entrar no "top- 100" do "ranking" amador mundial (é actualmente 104.º e 41.º na hieraquia europeia).
O golfista de Azeitão, da categoria Sub'16, venceu recentemente a Taça Federação, um dos mais importantes torneios do calendário nacional.
"Nem sempre as coisas correm bem, mas venho à Irlanda com um ascendente positivo, gerado pelos últimos resultados. Estou à beira do top 100 Mundial e gostaria de passar esta barreira", disse o jogador que representa o Clube de Golfe da Quinta do Peru.

terça-feira

Carro de D'Orey continua no fundo da ravina

Jornal "Expresso", 5 de Maio de 2007

O relatório complementar da autópsia ao corpo de José D’Orey não revelou a presença de quaisquer substâncias tóxicas, álcool ou drogas.
A Polícia Judiciária de Setúbal recebeu hoje o relatório complementar da autópsia de José D’ Orey, Segundo uma fonte judicial, “o relatório não revela a presença de qualquer elemento estranho, nem vestígios de droga, álcool ou qualquer medicamento”. Este relatório aafasta cada vez mais a tese de homicídio. José D’Orey terá morrido de acidente ou suicidou-se.
Para encerrar a investigação, falta analisar o que resta do Renault Megane que o empresário conduzia no dia em que desapareceu, a 9 de Outubro 2006. Mas os destroços continuam no mesmo local da Serra da Arrábia.
De acordo com a mesma fonte “a força aérea não consegue tirar dali o carro e como é uma zona protegida resta recolher os amostras da chapa naquele local, para verificar se houve a interferência de outra viatura no despiste”.
O carro e o corpo do empresário foram encontrados por acaso pela GNR de Azeitão que tentava recuperar um carro furtado abandonado no mesmo local. Lá dentro estava um saco com cerca de 20 mil euros e vários objectos pessoais do emprsário que deixou cinco filhos.

quarta-feira

A Cozinha de Vanguarda que Dá Brilho ao Vinho

Jornal "Diário de Notícias", 12 de Abril de 2007

Vizinhos do mais badalado restaurante português da actualidade, a Quinta dos Catralvos, em Azeitão, os responsáveis da Bacalhôa Vinhos (ex-JP Vinhos) tiveram a excelente ideia de convidar o chefe Luís Baena para preparar o almoço em que apresentaram à comunicação social um vinho que assinala a estreia nos brancos da sua marca mais emblemática, Quinta da Bacalhôa, criada há 25 anos. E também das novas colheitas de espumante Loridos Clássico 2004 e do tinto Quinta da Bacalhôa do mesmo ano. Para acabar, um espectacular Moscatel de Setúbal Superior 20 Anos.
O almoço decorreu no belíssimo Palácio da Bacalhôa, que a empresa tem vindo a recuperar e quer transformar cada vez mais na sua imagem de marca, com a presença do dono José Berardo, do administrador Jorge Paiva Raposo e dos enólogos Filipa Tomás da Costa e Vasco Penha Garcia (responsável pelo Loridos). Todos admiradores exaltados da arte do vizinho Luís Baena.
E este não desmereceu a confiança depositada, embora a entrada tivesse sofrido um descompasso, próprio de quem está a trabalhar em cozinha alheia. É que puseram na mesa espargos com caviar de salmão, um involtini de magret de pato (até aqui tudo bem), mas também uma inexplicavelmente seca focaccia com uma fatia de cogumelo grelhado. Só quando alguns dos comensais já tinham despachado o que havia no prato é que chegou o fricassé de cogumelos silvestres e túberas que compensou a secura da focaccia. Apesar de tudo, o Loridos, que acompanhava o prato, moderou o percalço.
Mas a partir daqui foi tudo bem, com o humor ao serviço da cozinha e dos sabores. Veio um waffle de vieiras com trufas e espuma de ouriços-do--mar, que tinha a particularidade de ter os mariscos numa espetada em que o espeto era um fino pincel e o prato lembrava uma paleta de pintor.
Foi a primeira vez que se provou o branco Quinta da Bacalhôa 2006, obtido a partir de sémillon (50%), alvarinho (25%) e sauvignon blanc (25%), castas que a empresa plantou na região em 2003, com 30% do mosto a fermentar em madeira. O vinho estagiou seis meses em barricas novas de carvalho francês. Cada uma das oito mil garrafas deverá custar mais de 20 euros, num preço comparável ao do seu irmão tinto. Vamos ver se um mercado acolhe bem esta ousadia, mas que o vinho está óptimo de aroma e estrutura isso está.
Depois, veio a surpresa da tarde. Depositaram um envelope timbrado da empresa à frente de cada comensal e choveram as brincadeiras sobre se seriam os dividendos para os accionistas ou dinheiro para corromper jornalistas... Afinal, era "a prima do pombo-correio", uma pintada cozida num saco de vácuo, que foi aberto com uma tesoura ali na mesa. A acompanhar, um risotto de cépes, molho de vinho tinto e "caviar (esferificações) morno de framboesas.
Serviu-se a nova colheita do Quinta da Bacalhôa tinto de 2004, sempre fiel à fórmula com um quarto de século: 90% cabernet sauvignon e 10% de merlot. De realçar a inteligência do produtor em guardar o vinho um ano em garrafa antes de o pôr à venda.
Outra surpresa foi a volta do branco Quinta da Bacalhôa à mesa, agora para acompanhar um raviolo de lechal e lagostim com moleja de vitela e gelado de foie gras com N2, ou seja, gelificado com azoto líquido e muita fumarada. Apesar de, ao ler- -se o nome do prato, este pareça algo confuso, a verdade é que cada um dos muitos ingredientes tinha o sabor bem nítido e as texturas no ponto (um bom exemplo foi o lagostim, lá no meio do raviolo, a sentir-se no dente o óptimo ponto de cozedura).
Em termos de casamento com o vinho foi sensacional, nomeadamente com o foie gras, que mesmo azotado mostrava a sua gordura. Uma prova de versatilidade gastronómica que favoreceu este novo vinho branco que vem para ficar.
No fim, logo antes da sobremesa, mais fumarada, desta vez uma infusão de canela e moscatel depositada em várias travessas com algas e azoto líquido que deram à extensa mesa um aspecto de palco de concerto de rock dos anos 70. Mas havia um sentido gastronómico, já que o cheiro combinava com a doçaria conventual servida que trazia ainda uma gelatinização (com agar-agar) de moscatel, na forma de "esparguete", um "clássico de vanguarda" de Albert Adrià, irmão de Ferran e responsável pelos doces do El Bulli.
Além da forma gasosa e da forma sólida, o moscatel típico da península de Setúbal chegou à mesa sob a forma líquida, numa garrafa de Moscatel Superior 20 Anos, de 1983. A maior parte foi engarrafada em 1988 e os poucos barris restantes só agora. Uma óptima forma de concluir uma refeição que mostrou como a cozinha mais moderna também pode fazer brilhar os bons vinhos.

Duarte Calvão

Postos de fronteira marítima de Aveiro e Nazaré transitam para a tutela do SEF

Jornal “Público”, 13 de Abril de 2007

O Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) passa controlar, a partir de segunda-feira, a entrada e saída de cidadãos nacionais e estrangeiros no país nos postos de fronteira marítima de Aveiro e Nazaré.
Na última segunda-feira, um despacho publicado em Diário da República definiu um calendário para que o SEF passe a garantir o controlo nos 22 postos de fronteira marítima nacional, considerados pontos de passagem de fronteira autorizada, nos termos do Código de Fronteiras Schengen, relembra o SEF em comunicado.
Na próxima segunda-feira, são oficializadas as transições em Aveiro e Nazaré, respectivamente na sede da Administração Portuária e nas instalações do Instituto Portuário e dos Transportes Marítimos.Depois de dia 12 a GNR ter passado as suas funções ao SEF em Peniche, hoje a transição ocorre em Setúbal e Sesimbra e nos próximos dias 17 em Olhão, Faro e Portimão, 20 em Leixões e Póvoa de Varzim, e no dia 23 de Abril em Sines, indica a mesma nota do SEF.

PJ descarta hipótese de homícidio do empresário encontrado morto na Arrábida

Jornal “Público”, 21 de Março de 2007

A Polícia Judiciária afastou hoje a hipótese de homicídio do empresário José Luís D'Orey, após autópsia ao cadáver realizada pelo Instituto Nacional de Medicina Legal.
José Luís D'Orey desapareceu a 9 de Outubro, tendo sido encontrado morto domingo passado na sua viatura, caída numa escarpa da Serra da Arrábida, distrito de Setúbal.
"Hoje e após exame autóptico realizado no INML de Lisboa pode esta Polícia Judiciária afastar a hipótese de acção homicida, de acordo com o relatório preliminar", refere a PJ em comunicado.
A nota ainda que "encontram-se ainda a decorrer diligências e exames periciais diversos, com o objectivo de ser encerrada a presente investigação".
A Polícia Judiciária explica que os agentes do Departamento de Investigação Criminal de Setúbal se deslocaram ao local onde a GNR encontrou a viatura do empresário, “com sinais que indicavam ter sido objecto de queda de altura considerável”.
Após peritagens aos local, ao veículos e aos objectos encontrados junto ao cadáver “conclui tratar-se do corpo de José Luís Lopes de Albuquerque D’Orey”.
O empresário de Azeitão foi dado como desaparecido na manhã do dia 9 de Outubro, depois de levar duas filhas a uma escola de Azeitão e ao Colégio da Arrábida. O empresário, que viajava num Renault Scénic cinzento, deveria viajar em seguida para Lisboa, onde tinha agendada uma reunião de trabalho.

Desfiles carnavalescos sesimbrenses são à beira-mar

Jornal “Diário de Notícias”, 15 de Fevereiro de 2007

É a grande novidade do Carnaval de Sesimbra deste ano: a realização do desfile à beira-mar, algo de "único no país", garante o presidente da autarquia, Augusto Pólvora. Mas esta não é a única diferença, relativamente a 2006, de um Carnaval que dura cinco dias e que espera receber mais de cem mil pessoas. Mais oferta de estacionamento, mais lugares nas bancadas (dois mil) ou um ecrã gigante no Largo da Marinha para assistir aos festejos são as restantes novidades.
A decisão de alterar o percurso do desfile carnavalesco, que antes atravessava a Avenida da Liberdade, "cortando a vila de Sesimbra em duas", dará um "enquadramento mais atractivo ao cortejo, melhora as condições para as bancadas, a mobilidade e o escoamento do trânsito e liberta cerca de 200 lugares de estacionamento na referida avenida", explica o autarca. E como o estacionamento continua a ser um dos principais problemas de quem visita Se- simbra nesta época, serão também disponibilizados cerca de 300 lugares na Docapesca, 200 no Calvário e 500 no Mar da Califórnia.
O Carnaval de Sesimbra começa amanhã com o desfile de cerca de 1500 crianças de 22 escolas básicas do concelho. Mas os pontos altos serão domingo e terça-feira, a partir das 15.00, com as escolas de samba e grupos sesimbrenses que prometem fazer desfilar na marginal cerca de 1500 elementos. Para segunda- -feira está ainda marcado "um dos maiores desfiles de palhaços do mundo", que espera juntar cerca de 4000 mascarados, afiança Augusto Pólvora.
Cinco dias de Carnaval que custarão cerca de 300 mil euros, "80 mil dos quais são assegurados pela autarquia", nota o edil. Mas, para Augusto Pólvora, o que torna o Carnaval de Sesimbra único é ser "organizado pelo movimento associativo da terra, dispensando a contratação de atracções estrangeiras".
Já em Almada, o Carnaval das escolas do concelho acolhe este ano mais de 3000 mascarados, que desfilam amanhã, a partir das 14.30, pelas avenidas Bento Gonçalves e Nuno Álvares Pereira. "Houve maior adesão que o nano passado, quando desfilaram cerca de 2000 crianças", avança o vereador da Cultura, António Matos, ao DN. Uma festa que conta com a participação de 19 escolas e 22 instituições de ensino. O desfile não trará novidades, mas sim a "continuidade e consolidação do projecto", sublinha o vereador.
Cláudia Monteiro

Sesimbra: Mais de 250 pessoas exigiram manutenção do SAP

“Jornal de Notícias”, 16 de Fevereiro de 2007

Cerca de 250 pessoas aprovaram hoje uma moção a exigir a manutenção do SAP - Serviço de Atendimento Permanente de Sesimbra, durante uma concentração contra o eventual encerramento daquela unidade de saúde, disse à Lusa Florindo Paleotes, da comissão de utentes.
"O SAP começou a funcionar aos bochechos ainda antes do Natal", afirmou Florindo Paleotes, adiantando que às quartas e sextas-feiras o SAP não funciona no período diurno", disse Florindo Paleotes, acrescentando que "nesses dias o serviço começa a funcionar ás 20.00, outros só às 21:00".
"A população sente-se abandonada e esquecida pelo governo na área da saúde, porque esta situação também indicia uma tentativa de encerramento do SAP", acrescentou o representante da comissão de utentes da saúde de Sesimbra.
Segundo Florindo Paleotes, além da moção que vai ser entregue a diversos órgãos de soberania e da administração central, está igualmente em curso um abaixo-assinado contra o encerramento do SAP de Sesimbra.
O ministro da saúde nomeou um grupo técnico que vai elaborar um relatório sobre o funcionamento de diversos serviços de atendimento permanente, sendo provável que algumas destas unidades de saúde venham a ser encerradas dentro de pouco tempo.

Comissão ambiental Secil validou resultados dos testes

Jornal “Sol”, 10 de Fevereiro de 2007

A Comissão de Acompanhamento Ambiental da Secil validou hoje os testes de co-incineração de resíduos perigosos na cimenteira do Outão, depois de analisar o relatório da consultora SGS, que acompanhou a queima de lamas oleosas na cimenteira do Outão.
«A Comissão analisou sexta-feira o relatório da SGS e verificou que, de facto, não há diferenças relevantes entre a co-incineração de resíduos industriais banais e perigosos», disse hoje à Lusa Fernando Cunha, porta-voz da Comissão de Acompanhamento Ambiental.
«Constatámos que a Secil reúne todas as condições necessárias para proceder à queima de resíduos perigosos, de acordo com o previsto nas licenças de exploração e ambiental e com o decreto-lei 85/2005, sobre a co-incineração», acrescentou Fernando Cunha.
De acordo com porta-voz da CAA da Secil, o relatório da SGS - Société Générale de Surveillance S.A -, considerada a maior organização mundial no domínio da inspecção, verificação e certificação, refere que a Secil «observou também todos os requisitos necessários na recepção e controlo de resíduos».
Apesar de não ter sido detectado nenhum valor anormal nas emissões atmosféricas resultantes da queima de resíduos perigosos, nos testes realizados em Dezembro do ano passado, o processo de co-incineração foi suspenso por decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada, na sequência de uma providência cautelar interposta pelas Câmaras de Palmela, Sesimbra e Setúbal.
No final do mês passado, os presidentes das Câmaras Municipais de Palmela, Sesimbra e Setúbal, entregaram no Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada uma nova acção administrativa especial, que visa suspender os licenciamentos da Secil para proceder à co-incineração de resíduos industriais perigosos.
Desde que foi constituída, em Janeiro de 2003, a Comissão de Acompanhamento Ambiental da Secil já perdeu cinco dos seus membros, nomeadamente a Câmara de Setúbal e as Juntas Freguesia de S.Lourenço e S.Simão, que abandonaram a comissão quando a empresa anunciou a intenção de co-incinerar resíduos perigosos.
Os Bombeiros Voluntários de Setúbal e a Quercus abandonaram mais tarde a comissão, também em oposição ao processo de co-incineração.
Neste momento integram a comissão a Sub-região de Saúde de Setúbal, a Escola Superior de Tecnologia de Setúbal, o Parque Natural da Arrábida, a Delegação de Saúde de Setúbal, o Hospital Ortopédico Santiago do Outão, o Parque de Campismo do Outão, a Liga dos Amigos de Setúbal e Azeitão, a Associação Empresarial da Região de Setúbal, Associação Portuguesa dos Engenheiros do Ambiente e os Bombeiros Voluntários de Águas de Moura.

Louçã considera que os «piratas já deram à costa» de Sesimbra

Jornal “Sol”, 3 de Fevereiro de 2007

O líder do Bloco de Esquerda (BE), Francisco Louçã, afirmou hoje em Sesimbra que o empreendimento turístico Mar da Califórnia constitui um exemplo da actividade dos especuladores imobiliários que «fazem dinheiro contra o ambiente e os direitos das pessoas».
«Sesimbra é um caso em que os piratas já deram à costa. Este empreendimento, uma grande obra da empresa Obriverca, foi feito contra a lei, contra o tribunal e contra o respeito pela natureza», disse o dirigente do BE.
Francisco Louçã falava aos jornalistas durante uma visita ao polémico empreendimento turístico de Sesimbra, a par de outras iniciativas em Ovar (Sportsfórum), para denunciar alegados «atentados ambientais», no âmbito da preparação da interpelação do grupo parlamentar ao Governo sobre Ordenamento do Território e Preservação da Orla Costeira.
O Mar da Califórnia é um empreendimento de cinco blocos de habitação com m ais de 300 fogos distribuídos por 11 pisos, construído numa zona de falésia e de domínio público marítimo, a menos de 50 metros da linha de água.
De nada valeram os protestos da associação ambientalista Quercus, que, antes da construção, dizia tratar-se de um empreendimento que não cumpria a legislação do domínio público marítimo e que a zona em causa estava integrada na REN - Reserva Ecológica Nacional, uma vez que o projecto acabou por conseguir todas as autorizações necessárias, incluindo o parecer favorável do Instituto de Conservação da Natureza (ICN).
«O risco que corremos na Caparica já aqui está, em Sesimbra, onde também se vai construir uma cidade de 30.000 habitantes - do tamanho ou maior que a vila piscatória que todos conhecemos -, porque o grupo Espírito Santo entende fazer um grande negócio com o que é hoje uma mata», afirmou o dirigente bloquista.
«A especulação é uma forma de pirataria que está a vencer a economia, os direitos das pessoas e a protecção do ambiente», acrescentou Francisco Louçã, que se fez acompanhar pelos deputados Mariana Aiveca e Fernando Rosas.
Na próxima quarta-feira, na interpelação ao Governo, Francisco Louçã promete confrontar o ministro do Ambiente e restante Executivo com este e com outros «atentados ambientais», referindo concretamente os casos da «Costa da Caparica, Sesimbra, Algarve e Costa Alentejana».
«Queremos o ministro do Ambiente e o Governo a responder pelas autorizações, pelos silêncios, pelas cumplicidades e por este facilitismo desta pirataria contra o ambiente e contra as pessoas», disse Francisco Louçã, que responsabiliza a política pela especulação imobiliária nas arribas, nas falésias e nas praias.
«O BE assume a política da defesa das pessoas contra estes interesses económicos. E vamos enfrentá-los, seja a Bragaparques, a Obriverca ou o Banco Espírito Santo, seja, em nome de todos eles, o Governo, que permite que isto aconteça», concluiu o líder bloquista.

terça-feira

Encontrado cadáver na viatura de empresário desaparecido na Arrábida há seis meses

Jornal “Público”, 20 de Março de 2007

Um cadáver em adiantado estado de decomposição foi resgatado do interior de uma viatura numa ravina da Serra da Arrábida, em Setúbal. O veículo pertence a José Luís D´Orey, um empresário de Azeitão desaparecido há seis meses, e tudo indica que o corpo descoberto seja o seu.
Segundo uma fonte policial ouvida pela Lusa, a viatura, um Renault Scénic cinzento que pertencia ao empresário José Luís D´Orey, foi localizada ontem à tarde por elementos da GNR que alertaram de imediato a Polícia Judiciária de Setúbal.

Fonte dos bombeiros que a viatura foi estabilizada e que deveria ter sido removida por meios aéreos, mas o helicóptero do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil que se deslocou à Arrábida esta manhã, não tinha condições para efectuar a operação de resgate.
O corpo que se encontrava no interior da viatura foi já resgatado pelos bombeiros, tendo sido transportado para o Instituto de Medicina Legal, em Lisboa.
As autoridades só deverão confirmar a identidade da vítima após a realização da autópsia e eventualmente, de testes de ADN, mas tudo indica que se trata do corpo de José Luís D´Orey, dado como desaparecido na manhã de 9 de Outubro de 2006, depois de levar duas filhas a uma escola de Azeitão e ao Colégio da Arrábida.
Nesse mesmo dia, o empresário já não compareceu numa reunião no Instituto Técnico de Alimentação Humana S.A, onde trabalhava, e não voltou a atender o telemóvel. Durante estes seis meses nunca foi detectado nenhum movimento dos cartões de crédito.

Corpo de José Luís D'Orey encontrado na Arrábida

Jornal “Diário de Notícias”, 20 de Março de 2007

A GNR de Setúbal encontrou ontem o corpo de José Luís Lopes D' Orey, o empresário de Azeitão desaparecido desde 9 de Outubro. O cadáver, em adiantado estado de decomposição, foi resgatado do interior de uma viatura queimada escondida numa ravina da Serra da Arrábida. À hora do fecho desta edição, a Polícia Judiciária (PJ) já tinha informado os familiares do empresário de Azeitão, mas ainda aguardava os resultados dos testes de ADN para confirmar a sua identidade e as causas da morte.
As primeiras diligências para encontrar o corpo de José D' Orey começaram no domingo. Ao que o DN apurou, foi um mero acaso. A GNR foi alertada para facto de se encontrar uma viatura abandonada em cima de um penhasco, numa zona conhecida por Mata do Solitário, junto ao Portinho da Arrábida, em Setúbal. Ao chegar ao local, os militares viram que se tratava de uma carrinha de marca Mercedes, branca, que havia sido furtada há dois dias. Estava a anoitecer e as operações foram interrompidas.
Dando continuidade às investigações, os agentes voltaram ontem ao local, às 6.40, entrando por um acesso diferente, tendo-se então deparado com outra viatura abandonada. Tratava-se de uma carrinha em completo mau estado, queimada. No seu interior foi encontrado o cadáver de José D'Orey, irreconhecível, dado o avançado estado de decomposição.
"Percebi imediatamente que aquela não era uma situação recente porque o corpo estava em avançado estado de decomposição", contou ao DN Mário Macedo, comandante dos Sapadores de Setúbal, a corporação chamada ao local para retirar a viatura, com o corpo no interior, que se encontrava numa ravina, apenas sustentada pela vegetação.Havendo o perigo de se despenhar pela ravina abaixo, os bombeiros formaram uma equipa de resgate, com a ajuda de um helicóptero do Serviço Nacional de Bombeiros e Protecção Civil. Cerca do meio dia, o carro foi então içado para um local mais seguro e o corpo retirado até à estrada do Outão. Dali foi transportado pelos bombeiros para o Instituto de Medicina Legal, em Lisboa.
A GNR prosseguiu a partir daí as operações na tentativa de encontrar mais corpos no local. Cinco equipas cinotécnicas (homem e cão) vasculharam a área, subindo e descendo as encostas. Entretanto, fora surgindo fortes indícios de aquele cadáver ser o do empresário de Azeitão, desaparecido há seis meses. Segundo as fontes do DN, os cães identificaram o corpo depois de terem farejado alguns objectos pessoais de José D'Orey . A viatura tinha as formas de se tratar da Renault Scenic em que se fazia transportar na altura do desaparecimento.
A meio da tarde chegou a PJ de Setúbal, a quem o caso estava entregue desde Outubro. Os inspectores procederam à recolha de todos os materiais possíveis de investigação que possam explicar o desaparecimento e, eventualmente, aparecimento do cadáver naquele local.
Já era noite quando os inspectores da PJ contactaram os familiares do empresário de Azeitão. À hora do fecho desta edição, o cadáver de José D'Orey encontrava-se ainda no Instituto de Medicina Legal para ser identificado.
Licínio Lima, Idalina Casal e Katia Catulo

domingo

Os melhores do ano segundo a academia

Jornal "Diário de Notícias", 17 de Março de 2007

Para a "gente do sector" já com uns anos de experiência, e não em início de carreira, os prémios que a Academia Portuguesa de Gastronomia distribui anualmente ao melhor cozinheiro, ao melhor profissional de sala e a quem melhor escreve sobre "comes e bebes" são sem dúvida os mais prestigiados. Até porque praticamente não há outros, salvo o do concurso Chefe Cozinheiro do Ano, mas mais voltado para novos talentos.
Por isso, é sempre interessante saber para quem vão os Prémios de Excelência dos académicos. Ontem, foram anunciados os seguintes, relativos a 2006: Luís Baena, chefe do restaurante Quinta de Catralvos (Azeitão), Grande Prémio da Arte da Cozinha. Arlindo Madeira, chefe de sala e escanção do restaurante Tavares (Lisboa), Grande Prémio do Serviço de Sala. Francisco José Viegas, escritor e cronista gastronómico da NS' - Notícias Sábado (revista do DN e do JN), Grande Prémio da Cultura e Literatura Gastronómica.
Luís Baena disse ao DN que "não estava à espera" e, pedindo desculpa pelo cliché, acrescentou: "A verdade é que o prémio é para toda a equipa do restaurante, porque a cozinha é um trabalho de equipa." Ficou também surpreendido porque, tendo a Academia a reputação de algum conservadorismo (se bem que não o seu dinâmico vice-presidente, José Bento dos Santos), a modernidade da cozinha da Quinta de Catralvos foi realçada, inclusive a sua colaboração com cientistas da gastronomia molecular.
Também Arlindo Madeira foi apanhado de surpresa. Agora com 37 anos, já com bastante experiência em Portugal e também em Madrid, onde trabalhou seis anos, e em companhias de navegação, começou aos 19 anos no Terraço do Tivoli Lisboa e está há três anos no Tavares. "Fiquei muito satisfeito pelo reconhecimento e por terem percebido a importância da sala como extensão da cozinha."
Para o chefe de sala, os portugueses, tantas vezes criticados pelo mau atendimento, precisam de se adaptar à cozinha moderna. "Não faz sentido, por exemplo, as escolas de hotelaria continuarem a dar horas e horas da chamada 'cozinha de sala', que quase já não se pratica, em vez de explicarem os timings de um menu-degustação", afirma. E foi justamente o "conluio" de Arlindo Madeira com o vhefe do Tavares, Philippe Peudenier, um dos pontos que a academia realçou.
Finalmente, Francisco José Viegas, já distinguido com vários prémios literários, disse ao DN que ficou "cheio de orgulho" com este. "Tivemos sempre muita gastronomia na literatura portuguesa, mas os autores mais recentes não tratam dela, ao contrário do que acontece, por exemplo, no Brasil ou em Espanha. É pena."
Sobre o seu trabalho na NS', diz não se considerar um crítico gastronómico, embora saiba as bases e procure estar bem informado, mas sim um cronista. "Escrever sobre restaurantes dá-me muito prazer", responde, quando se pergunta onde arranja tempo e disposição para as suas crónicas, entre a escrita, a direcção da Casa Fernando Pessoa e os programas na televisão.
E um cronista nunca "diz mal" do restaurante que visita? "Às vezes, quando é preciso, também digo", garante, embora a academia tenha sobre ele escrito: "A sua proverbial boa disposição, a procura quase sistemática de nos chamar a atenção para 'o que é bom', em detrimento do vulgar e fácil 'dizer mal', eleva-o por mérito próprio à referência do crítico gastronómico por excelência."
Duarte Calvão

quarta-feira

Setúbal recebe comemorações oficiais do 10 de Junho

Jornal "Expresso", 3 de Março de 2007

Depois de em 2006 a decisão presidencial ter recaído na cidade do Porto, este ano vai ser Setúbal a sede das comemorações do Dia de Portugal.
A Presidência da República anunciou que a cidade de Setúbal será a sede das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades. A presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira, já congratulou a autarquia com a escolha de Cavaco Silva e adiantou que as comemorações terão lugar na zona ribeirinha da cidade.
Maria das Dores Meira, em declarações feitas à Lusa, revelou que já tinha sido contactada pela Casa Civil da Presidência da República, mas diz só hoje ter recebido a confirmação. "Foi uma surpresa agradável, que já discuti com o executivo municipal, e que toda a gente recebeu com extrema satisfação".
A autarca confirmou também que embora a cidade sede seja Setúbal, as comemorações vão incluir Azeitão, “as comemorações vão ter um primeiro momento na zona ribeirinha de Setúbal e uma segunda parte, de despedida, em Azeitão, que vamos preparar em conjunto com a Casa Civil da Presidência da República”.
A autarca eleita pela CDU realça que as comemorações do dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, constituem um excelente momento para relançar a imagem da cidade enquanto capital de distrito. "Queremos que estas comemorações sejam prestigiantes para a cidade de Setúbal", garantiu Maria das Dores Meira.
João Bénard da Costa foi novamente nomeado presidente da comissão organizadora das comemorações, tendo sido hoje recebido pelo Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva.

Pedro Chaveca

segunda-feira

Os dez projectos que vão mudar a vila de Sesimbra até 2013

Jornal “Diário de Notícias”, 26 de Fevereiro de 2007

Dez projectos vão reordenar toda a Avenida da Liberdade - o eixo principal da vila de Sesimbra - e zona envolvente, a marginal junto à praia e o centro histórico. As obras começam ainda neste Verão e deverão ficar concluídas daqui a seis anos. Em 2013 surge uma nova Sesimbra.
Entre as intervenções previstas, Augusto Pólvora, presidente da Câmara de Sesimbra, eleito em Outubro de 2005 pela CDU, destaca ao DN a importância do plano de ordenamento da Avenida da Liberdade, que se divide em três zonas de intervenção distintas. As obras também serão executadas em três fases, devendo começar ainda este ano e prolongar-se por seis anos.
O projecto para esta avenida, que se estende por cerca de um quilómetro, desde o estádio municipal até ao mar, pretende utilizar parcelas de solo urbanizável existentes na zona envolvente ao estádio e ao actual terminal rodoviário.
Segundo documentos a que o DN teve acesso, o plano inclui "o ordenamento definitivo do terminal rodoviário em boas condições de conforto para os utentes, a relocalização do mercado municipal, a criação de novos espaços públicos pedonais e a requalificação da mata da Vila Amália".
Prevê também a criação de um parque de feiras no topo norte do estádio, a construção de quatro grandes parques de estacionamento públicos com um total de cerca de mil lugares, um dos quais sob o estádio da Vila Amália, que pressupõe a sua remodelação integral com novo relvado sintético, balneários e bancada coberta e a construção, na área envolvente, do terminal rodoviário e de um novo edifício administrativo para a câmara municipal.
"Para a construção do estádio novo será lançada hasta pública ainda em 2007", revelou o DN o presidente da câmara, salientando que "a obra terá de começar ainda este ano para o estádio ficar pronto no final de 2008 ou início de 2009".
De acordo com o projecto, a primeira fase, que contempla o campo de futebol da Vila Amália, está prevista iniciar-se em Junho. A intervenção começa com a remodelação do campo da Maçã para que os jogos de futebol se possam aí realizar. Só depois serão encetadas as obras no estádio da Vila Amália, que recuará cerca de 15 metros. O plano prevê que a época 2008/9 já poderá ser disputada no novo estádio.
Augusto Pólvora explica que a segunda fase do projecto, referente à construção de habitação, "é de iniciativa privada e as obras dependem do promotor, que, como contrapartida, terá de construir a via circular, o estádio municipal, o parque de estacionamento público e o mercado municipal. Também construirá o novo edifício para a câmara centralizar todos os seus serviços, que actualmente se encontram divididos em vários edifícios espalhados pela vila".
Novas vias e rotunda
O plano contempla ainda o troço da via nascente entre o Bloco do Moinho e a Avenida da Liberdade, que implica a construção de uma rotunda no topo norte da avenida e permitirá mais tarde uma ligação à Estrada de Argéis por trás da Marconi.
Serão construídos quatro parques de estacionamento público subterrâneos. Um por baixo do estádio de futebol Vila Amália, com cerca de 500 lugares, e outro em frente ao estádio (cem lugares). Outros dois parques - no edifício do mercado municipal e nos pavilhões onde se encontram alguns serviços da câmara (antigo ciclo) - terão entre 500 a 600 lugares de estacionamento.
A mata da Vila Amália será toda requalificada, transformando-se numa zona verde e de lazer, com equipamento infantil/juvenil, parque de merendas, passeios pedonais, bancos, papeleiras e iluminação pública.
Além deste plano de ordenamento, a Câmara de Sesimbra também avança com uma unidade turística na marginal para ocupar o espaço livre existente ao lado do Hotel do Mar. Segundo o autarca, a construção "poderá começar entre o final de 2007 e o início de 2008 e talvez termine no Verão de 2009".
A esta lista de novidades somam-se ainda oito pequenos projectos para requalificar o centro histórico. De acordo com o presidente da câmara, as obras de dois deles "arrancam em Setembro deste ano e ficam prontas até ao Verão de 2008". O autarca refere-se ao trabalho do arquitecto Paulo Braula Reis (engloba a Rua Cândido dos Reis, Largo José António Pereira e Rua da Fortaleza) e ao projecto da autoria de Paulo Adelino (Largo de Bombaldes e Largo do Município).

Daniel Lam

Eusébio Rosa vence Maratona Cidade de Badajoz

Jornal "Público", 28 de Janeiro de 2007

O fundista veterano português Eusébio Rosa, do Sport União da Caparica, venceu hoje a XV edição da Maratona Cidade de Badajoz, enquanto a prova feminina foi ganha pela belga Xantal Chevelle, que vive na vila portuguesa de Azeitão.
Eusébio Rosa, campeão nacional da maratona em 2004, voltou a dar cartas aos 38 anos, ao vencer a prova espanhola em 2:26.19 horas, seguido pelo espanhol Cano Garcia, a 40 segundos, e do também português Luís Rijo de Almeida.

Na prova feminina, o pódio também teve cunho português, já que a vencedora da maratona, apesar de ter nacionalidade belga, vive em Portugal e representa um clube igualmente português, a Associação de Moradores de Casal das Figueiras.
Xantal Chevelle completou o percurso da maratona da cidade espanhola em 2:59.29 horas, com uma vantagem de seis minutos sobre a segunda classificada, a espanhola Nuria Sierra.

domingo

Tribunal trava co-incineração

Jornal de Notícias, 24 de Janeiro de 2007

O Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada decidiu suspender a queima de resíduos perigosos (co-incineração) na cimenteira da Secil no Outão (Arrábida) até a realização de nova avaliação de impacte ambiental, segundo a sentença a que a agência Lusa teve acesso.
O Ministério do Ambiente dispensou a Secil da realização daquela avaliação, o que permitiu à cimenteira avançar em Dezembro passado com os testes de co-incineração de resíduos industriais perigosos.
O juiz Jorge Martins Pelicano veio agora dar razão às câmaras de Setúbal, Sesimbra e Palmela na providência cautelar que interpuseram para travar a co-incineração.
"Intima-se a Secil a abster-se de realizar os testes e demais operações de co-incineração de resíduos industriais perigosos na referida fábrica", lê-se na sentença.
O tribunal de Almada tomou hoje a mesma decisão do de Coimbra, que a Lusa divulgou a 27 de Novembro, suspendendo a eficácia do despacho do ministro do Ambiente que dispensou a Secil do procedimento de avaliação de impacte ambiental que a lei obriga, limitando a cimenteira ao cumprimento de medidas de minimização.
Segundo a Secil, desde meados de Novembro a cimenteira está a queimar n a sua fábrica do Outão cerca de 50 toneladas de lamas oleosas, um resíduo perigoso, provenientes das refinarias de Sines e de Leça da Palmeira.
A cimenteira tem estado a trabalhar "pelo menos" em dois turnos, num to tal de 16 horas, para queimar aquela quantidade de resíduos, segundo a mesma fonte.
O início dos testes de co-incineração naquela cimenteira tinham sido marcados para 8 de Novembro, mas tiveram de ser adiados por ter dado entrada no Tribunal Administrativo de Almada uma providência cautelar para os travar.
A acção foi interposta pelas câmaras de Setúbal, Palmela e Sesimbra a 3 de Novembro passado, suspendendo todos os actos relacionados com a acção.
Mas, para permitir o avanço da co-incineração na Secil, o Ministério do Ambiente invocou a 29 de Novembro o interesse público, através de uma resolução fundamentada.
A decisão do tribunal de Coimbra, de que o Ministério do Ambiente já interpôs recurso, e agora a do de Almada proíbem assim a realização de co-incineração em Portugal até que haja uma nova decisão judicial em contrário ou até que sejam realizadas novas avaliações de impacte ambiental.

quinta-feira

Palmela, Sesimbra e Setúbal admitem pedir indemnização à Secil e ao Governo

Jornal "Público", 3 de Dezembro de 2006

O advogado das Câmaras de Palmela, Sesimbra e Setúbal, Castanheira Barros, admitiu hoje pedir uma indemnização de "um euro por cada habitante dos três concelhos, nos dias em que se realizaram testes ilegais de co-incineração de resíduos perigosos no Outão".
"Estamos a ponderar a possibilidade de requerermos uma indemnização à Secil e ao Ministério do Ambiente e vamos sugerir o valor de um euro/dia por cada habitante nos dias em que se realizaram, ou vierem a realizar, testes de co-incineração de resíduos perigosos, o que representa um total de 222.385 euros/dia", disse Castanheira Barros.

O advogado que representa as três autarquias no processo contra a co-incineração de resíduos industriais perigosos na cimenteira da Secil, ressalvou que o montante da indemnização será, em última análise, fixado de acordo com o "prudente arbítrio do juiz do tribunal".Castanheira Barros sustenta que os testes realizados no final de Novembro são ilegais, apesar do juiz do Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada ter decidido o levantamento do efeito suspensivo da providência cautelar.
"O Ministério do Ambiente tinha um prazo de 15 dias, a contar da data em que foi notificado da acção cautelar (07/11/2006) para apresentar a resolução fundamentada [onde invocou o interesse público], mas só o fez a 29 ou 30 de Novembro", justificou.
"Por outro lado, a resolução fundamentada foi apresentada fora de prazo e por uma pessoa sem poderes para o fazer", acrescentou o advogado que apresentou a petição inicial das três autarquias no Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada.
Na quinta-feira da semana passada, Castanheira Barros já tinha apresentado um requerimento a pedir a proibição da realização de testes de co-incineração na cimenteira da Secil, na Arrábida, alegando ter sido ultrapassado o prazo legal para o Governo apresentar uma resolução fundamentada.
A cimenteira da Secil iniciou há três dias a realização de novos testes de co-incineração de resíduos industriais perigosos com a queima de lamas oleosas provenientes das refinarias e do passivo ambiental de Sines.

domingo

Secil inicia hoje testes com resíduos perigosos

Jornal "Público", 30 de Novembro de 2006

A Secil vai iniciar esta tarde os testes de co-incineração de resíduos perigosos na cimenteira do Outão, dois dias depois de ser conhecida a decisão do Tribunal de Almada, que levantou as providências cautelares interpostas pelas câmaras de Setúbal, Palmela e Sesimbra.
Uma decisão que, na prática, deu luz verde ao início dos testes na cimenteira instalada no Parque Natural da Arrábida.

Os resíduos a queimar, adiantou ao PÚBLICO o porta-voz da empresa, são as lamas oleosas de Sines, que serão transportadas para a fábrica durante o dia de hoje. Os ensaios incidem, garante o mesmo responsável, "apenas sobre as questões operacionais e de equipamentos". As medições atmosféricas com supervisão técnica do laboratório Ergo e da consultora EGS - entidades que já acompanharam os testes de co-incineração de resíduos industriais banais - terão lugar a 8 e a 13 de Dezembro.
A notícia surpreendeu a presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira, para quem o processo "ainda não está concluído em tribunal". A decisão proferida pelo juiz do Tribunal de Almada - a quem foi pedida a nulidade do despacho ministerial que isentou a Secil de estudo de impacte ambiental (EIA) - "ainda não é a decisão final", salienta Dores Meira, que espera um desfecho idêntico ao de Souselas, onde o tribunal concluiu pela necessidade de realização de um novo EIA para que o processo possa avançar na Cimpor. "A Secil e o Ministério do Ambiente têm toda a legitimidade para começar os testes, nem que seja apenas por um dia, até à decisão do tribunal, mas do ponto de vista popular, certamente que serão tomadas também algumas medidas", avançou a presidente da Câmara de Setúbal. "Do ponto de vista jurídico nada mais podemos fazer, mas a população pode protestar", sugere.
Desde Junho de 2005 que a Secil utiliza resíduos industriais banais como combustível e desde Outubro deste ano que tem licença do Ministério do Ambiente para co-incinerar resíduos perigosos. Nesse sentido, considera que as instalações estão "integralmente preparadas" e que se trata "unicamente de uma substituição de combustíveis, sem necessidade de quaisquer alterações adicionais".
Os membros da Comissão de Acompanhamento Ambiental (CAA) da Secil foram informados da decisão ontem à tarde e convocados para uma reunião na segunda-feira. Carlos Silveira, presidente da Liga de Amigos de Setúbal e Azeitão, uma das entidades que integra a comissão, reagiu com naturalidade à informação. "O calendário dos testes já tinha sido discutido connosco e só não avançou, porque a providência cautelar das câmaras o impediu." Carlos Silveira frisa que, independentemente da posição individual de cada entidade, não cabe à CAA pronunciar-se sobre a opção pela co-incineração. A oposição ao processo levou, porém, algumas entidades a abandonar aquela estrutura. Foi o caso da Câmara de Setúbal e das juntas de freguesia, da Região de Turismo da Costa Azul e da associação ambientalista Quercus.

sexta-feira

Pescadores de Sesimbra capturam tubarão-frade com sete metros e 2,5 toneladas

Jornal "Público", 21 de Novembro de 2006

Quatro pescadores de Sesimbra capturaram esta madrugada um tubarão-frade (Cetorhinus maximus) com cerca de sete metros de comprimento e 2,5 toneladas, disse fonte da capitania do porto de Sesimbra.
O exemplar foi capturado pela embarcação "Sempre Coragem", através da arte de pesca de palangre, utilizada na captura de peixe-espada preto a cerca de mil metros de profundidade.
O espécime foi rebocado para o porto de Sesimbra e será levado para um aterro sanitário.
Segundo o biólogo marinho Élio Vicente, o tubarão-frade é o segundo maior peixe do mundo, podendo atingir dez a 12 metros de comprimento na fase adulta, sendo apenas ultrapassado pelo tubarão-baleia (Rhincodon typus), que pode atingir 18 metros de comprimento.
O tubarão-frade alimenta-se de planctón (algas e pequenos crustáceos), é amistoso e não é perigoso para o ser humano. "Os tubarões-frade vivem no Oceano Atlântico e não é nada invulgar aparecerem na costa portuguesa, a cerca de 15 milhas [20 quilómetros]", refere o especialista, adiantando, no entanto, que "o que não é vulgar é encontrá-los a dois ou três quilómetros da costa".
Os tubarões-frade gostam de águas temperadas — não se encontram em águas quentes ou gélidas — e só se alimentam de pequenos animais marinhos e algas, "não oferecendo perigo nem para uma sardinha", garantiu o biólogo marinho, lembrando que "não têm dentes e que se limitam a filtrar microorganismos".
O tubarão-frade é uma espécie considerada vulnerável na lista da União Mundial de Conservação, ou seja a médio prazo (dez anos) poderá estar ameaçada, devido às capturas de pescadores na fase jovem do animal, que demora muito tempo a chegar à fase adulta e reprodutora.
Segundo Élio Vicente, há cerca de 400 espécies de tubarões e muitas delas já são consideradas vulneráveis, como é o caso do tubarão-frade.

domingo

Chaîne des Rotisseurs apadrinhou "O Canhão II"

Jornal “O Sesimbrense”, 27 de Outubro de 2006

No passado dia 21 de Outubro, teve lugar no Restaurante “O Canhão II” uma segunda inauguração muito especial, uma inauguração apadrinhada pela confraria gastronómica e báquica “Chaîne des Rôtisseurs”.
Efectivamente, realizou-se naquele um jantar com o objectivo de apresentar oficialmente o Restaurante “O Canhão II” dos confrades Daniel e Albertina, colocando-o assim nos mais elevados e prestigiados níveis gastronómicos nacionais e mundiais.
O senhor Daniel Piedade e a sua esposa Albertina são há já algum tempo membros desta confraria e convidaram os seus restantes membros para provar as iguarias confeccionadas no seu restaurante uma vez que o facto de estar o seu restaurante associado a uma confraria à escala mundial como é a “Chaîne des Rôtisseurs” é, não só altamente prestigiante, como também mostra a todos que Sesimbra tem bons restaurantes e com uma gastronomia de excelência.
Ao convite responderam vários confrades que, sendo gastrónomos exímios, não puderam deixar de provar as delícias que se confeccionam no nosso concelho. Dado que esta é uma confraria que reúne vários países estiveram presentes, além do presidente do Bailiado Nacional de Portugal, Sr. Aníbal Soares, confrades portugueses, franceses, finlandeses, entre outros, que ficaram deliciados, não só com a maravilhosa ementa apresentada mas também verdadeiramente impressionados com a arte de bem receber dos anfitriões, que além da parte gastronómica proporcionaram ainda aos convidados um relaxante momento musical.Na sua ementa o anfitrião privilegiou os produtos regionais e o que de melhor se produz no nosso concelho, ou, nas palavras do próprio Daniel Piedade, “os produtos da nossa terra”.
Mas a vinda da “Chaîne des Rôtisseurs” a Sesimbra teve também outro objectivo, igualmente prestigiante para o nosso Concelho. De facto, esta visita serviu para os confrades provarem uma ementa que ganhou o campeonato Mundial Gastronómico da “Chaîne des Rôtisseurs” que decorreu este ano na Austrália e que foi ganho, nem mais nem menos, do que por um dos chefes que trabalham em Sesimbra, na cozinha do restaurante do Sesimbra Hotel & Spa, o jovem chefe Artur Carneiro.
No jantar esteve também presente o Presidente da Câmara Municipal, Augusto Pólvora, que disse a “O Sesimbrense” que estes eventos são muito importantes para Sesimbra uma vez que a colocam no roteiro da gastronomia à escala nacional e mundial, sendo um grande orgulho ter um sesimbrense com esta projecção. O presidente realçou o papel que os restaurantes têm na divulgação dos produtos eminentemente regionais e, consequentemente, no desenvolvimento económico do nosso concelho.
Realmente, não pode deixar de se referir que são eventos deste tipo que trazem a Sesimbra turismo de qualidade e que contribuem para a projecção do nosso concelho a uma escala global. Foi uma iniciativa muito interessante e, pode dizer-se com segurança que no nosso concelho existem mais restaurantes que estão também ao nível de uma confraria como a “Chaîne des Rôtisseurs”.

Carmen Rosa

Setúbal, Palmela e Sesimbra entregam amanhã providência cautelar

Jornal “Sol”, 2 de Novembro de 2006

Esta sexta-feira, Setúbal, Palmela e Sesimbra entregam em Almada uma providência cautelar contra os testes de co-incineração que poderão ter início em breve, na cimenteira da Secil no Outão, em pleno Parque Natural da Arrábida.
Segundo fonte da Câmara Municipal de Palmela contactada pelo SOL, representantes eleitos das três autarquias vão amanhã entregar o documento no Tribunal Administrativo de Almada, pelas 13h30.
Durante a tarde, a partir das 15h, uma manifestação apoiada pelas três edilidades irá decorrer frente ao Governo Civil de Setúbal.
As iniciativas anunciadas decorrem na sequência da atribuição de uma licença à Secil, no passado dia 24 de Outubro, para a realização de testes de co-incineração de resíduos industriais perigosos.
A cimenteira do Outão, escolhida pelo Governo com um dos dois locais onde se irá efectuar a queima de lixo perigoso, está localizada dentro do Parque Natural da Arrábida, às portas de Setúbal e próximo de praias e de um parque de campismo.

Pedro Guerreiro

Foi Você que pediu um topo de gama?

Jornal “Diário de Notícias”, 7 de Novembro de 2006

Pode uma empresa com a tradição e a fama da José Maria da Fonseca (JMF) não ter um "topo de gama"? Será que deter marcas conhecidíssimas dos portugueses como o Periquita ou o BSE ou o Pasmados, para já não falar dos moscatéis, é suficiente para garantir um lugar de prestígio no mundo dos vinhos portugueses? A resposta não é fácil, porque há quem preze a consistência e as boas relações qualidade/preço e outros há que só se deixam impressionar com os "grandes vinhos", de preço elevado, para serem bebidos em ocasiões especiais. Ao que parece, a JMF decidiu resolver a questão há cerca de dois anos, quando criou a marca Hexagon, da colheita de 2000, só vendida em garrafas magnum (1,5 l), o que asseguraria melhor envelhecimento do que em garrafa normal de 0,75 l. Porém, apesar de ter sido apresentado como o "topo de gama" entre as muitas marcas que a empresa possui, o vinho ficou aquém das expectativas, embora ainda possa vir a ser beneficiado pelo tempo.
Agora, a JMF acaba de lançar o Hexagon 2003 e é notório o salto de qualidade que o vinho deu, estando desta vez também disponível em garrafas de 0,75 l. Num jantar de apresentação à imprensa, o enólogo Domingos Soares Franco (que, juntamente com o irmão, António, representa a sexta geração da família a conduzir os destinos da JMF) admitiu que "corrigiu a mão" e, de facto, apesar de estagiar um ano em meias pipas novas de carvalho francês, o Hexagon 2003 apresenta a madeira muito bem integrada, sem ocultar nada da sua complexidade e elegância. Esta afinação poderá ter ocorrido também nos lotes das seis castas utilizadas (que justificam o nome do vinho), num processo que Domingos Soares Franco promete ter continuidade na já prevista colheita de 2005.
À boa receptividade que o vinho obteve não foi certamente alheio o óptimo jantar que o chefe Fausto Airoldi (restaurante Pragma, Casino Lisboa) preparou especialmente na adega da JMF em Azeitão. E que começaria com uma surpresa. um novo branco Verdelho, que Domingos Soares Franco integrou na série da sua Colecção Privada. A casta é a mesma que se usa na região espanhola de Rueda, mas foi a sua expressão nos vinhos australianos que impressionou o enólogo. Exuberante no nariz, um pouco curto na boca, este verdelho acompanhou os três primeiros pratos: bombom de foie gras com geleia de moscatel de Setúbal e flor de sal, um escabeche de perdiz com gema de ovo a baixa temperatura, espesso de vinagre de cidra e um risotto de baunilha com carabineiro suado à moda de Peniche e pack choy. Três pratos soberbos que demonstram o grande nível técnico de Fausto Airoldi, que, mesmo fora da sua cozinha, conseguiu um domínio absoluto sobre tempos de cozedura e equilíbrio de ingredientes.
O mesmo aliás aconteceria com o prato de carne que acompanhou o Hexagon, um filete de veado em crosta de citrinos com salteado de batata, castanhas e cebolinhas caramelizadas, legumes verdes da época ao vapor. Para terminar, outro membro da Colecção Provada, um moscatel de Setúbal de 2000, que utiliza armagnac, para fazer frente a um bolo de chocolate sem glúten sobre praliné de azeitona preta com gelado de pimenta selvagem de Madagáscar e ginjas tépidas em seu xarope.
Uma refeição memorável para celebrar um vinho que, esperemos, marcará a entrada definitiva da JMF nos tais "topo de gama", dando à região da península de Setúbal mais uma marca de grande prestígio. E que, segundo o enólogo, envelhecerá bem nos próximos 15 anos.
Duarte Calvão

Setúbal, Sesimbra e Palmela tentam “travar” co-incineração

“Jornal de Notícias”, 3 de Novembro de 2006

As autarquias de Setúbal, Sesimbra e Palmela entregaram, às 14:00, no Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada, uma providência cautelar para tentar travar os testes de co-incineração na cimenteira da Secil na Arrábida.
A presidente da Câmara Municipal de Setúbal, Maria das Dores Meira, o presidente da Câmara de Sesimbra, Augusto Pólvora, a vice-presidente da Câmara de Palmela, Adília Candeias, e o advogado Castanheira Barros estiveram presentes na entrega da providência cautelar.
A decisão das três autarquias surgiu na sequência da atribuição do licenciamento da Secil - no passado dia 24 - para proceder à realização de testes de co-incineração de lixos industriais perigosos.
Os autarcas acreditam que o pedido de impugnação do despacho do Ministério do Ambiente, que isentou a Secil de nova avaliação de impacto ambiental, deverá prevalecer sobre o eventual interesse público que venha a ser invocado pelo Governo, como aconteceu em Souselas (Coimbra).
O Ministério do Ambiente já anunciou que vai travar os efeitos suspensivos da providência cautelar. "Vamos tomar a mesma [reacção] que tomámos no caso da providência de Coimbra", afirmou o secretário de Estado do Ambiente, Humberto Rosa.

quinta-feira

Fortaleza de volta aos Sesimbrenses

"Jornal de Sesimbra", 2 de Junho de 2006

Foi no dia 4 de Maio, Feriado Municipal, que foi assinado o Acordo de Intenções entre a Câmara Municipal de Sesimbra e a Guarda Nacional Republicana (GNR), permitindo abrir as portas do espaço público da Fortaleza de Santiago à população.
“Uma cerimónia carregada de significado, num dia também com muito significado para os sesimbrenses, dia da Festa das Chagas e um dos poucos dias em que a Fortaleza era aberta ao público, em que as pessoas utilizavam as suas muralhas para assistirem à procissão.

É um acto que, a partir de agora, vai passar a ser possível todos os dias”, palavras proferidas por Augusto Pólvora, presidente da Câmara Municipal de Sesimbra. Durante muitos anos, os sesimbrenses lutaram pela devolução integral da Fortaleza. O dia marcou o início desse desejo, já que apenas os espaços públicos foram abertos à população. Segundo esclarece Augusto Pólvora, “há outras formas de conseguir aquilo que é essencial para a população de Sesimbra, que é a utilização pública do espaço e a criação de condições para o objectivo principal, que é a construção do Museu do Mar. Não poderíamos andar a discutir por mais vinte anos, se a GNR sai ou não.”
Para o Secretário de Estado da Administração Interna, José Magalhães, as actividades culturais que estão pensadas para o local podem ser conciliadas com a permanência da GNR, “é possível abrir a fruição pública de determinado espaço do forte e prosseguir a discussão para saber qual a delimitação exacta de usos de espaços necessária para contabilizar segurança interna e fruição cultural. É um esforço completamente possível desde que não tenhamos o espírito tudo ou nada”.
A preocupação inicial de José Magalhães é “garantir que o Forte seja devidamente preservado, com as novidades das tecnologias que hoje existem do ponto de vista arquitectónico e de engenharia, preservando todas as suas características únicas.”
Adiantando, que os problemas, tanto das áreas exteriores como também das áreas interiores, “estão a ser estudados e resolvidos em parceria e conjugação de esforços entre a administração central e a administração local “. O Secretário de Estado não deixou de elogiar o edifício, classificando-o de “monumento multifuncional”, que, pela sua “localização estratégica relevante”, pode vir a conciliar cultura e segurança, onde as pessoas se podem divertir, mas também estarem protegidas pela GNR.
Segundo Augusto Pólvora, muitas actividades previstas para o Verão já estão programadas para acontecerem na Fortaleza, adiantando, que, também, já há destinos para acolher as crianças da colónia de férias da GNR, com a disponibilização da Escola Primária de Sesimbra e de um terreno na Lagoa de Albufeira, assumindo a autarquia os custos da adaptação dos espaços.

quarta-feira

Abandono escolar: prevenir para não remediar

Jornal "Sesimbrense", 9 de Setembro de 2006

C om o fim do Verão e o início das aulas põe-se a questão de quantos alunos não vão regressar às escolas este ano. O insucesso escolar e consequente abandono dos estudos, é uma realidade que afecta todo o país, e o concelho de Sesimbra, não é excepção.
Em Portugal, o ensino é obrigatório até ao 9º ano de escolaridade, ano este de transição para muitos jovens que preferem trabalhar a continuar os estudos.Para tentar inverter esta situação e chamar os alunos de volta às escolas, a Câmara Municipal de Sesimbra (CMS) tem realizado diversos projectos. “Nos Trilhos do Desafio” é um deles, exactamente com o objectivo de prevenir o abandono escolar. A ser executado nas Escolas Navegador Rodrigues Soromenho (antigo Costa Marques) e 2/3 de Santana, o programa é o resultado de parcerias entre a CMS, a Cercizimbra, as Escolas, a Segurança Social e o Centro de Formação de Professores das Escolas de Sesimbra.
A fornecer apoio a alunos e famílias – parte decisiva e decisora na escolha dos mais jovens – trabalham duas psicólogas (a quem cabe a tarefa de orientar psicologicamente os participantes e ajudar na escolha de uma formação específica) e três monitores (responsáveis pela realização de ateliers de animação). Por ano, este projecto conta com uma média de 50 participantes, um número ainda assim reduzido para os objectivos da CMS.
Uma das principais causas de abandono escolar em Portugal, é a necessidade dos jovens terem de trabalhar para poderem ajudar os pais no sustento da família. Em Sesimbra, e embora existam motivações familiares e sociais, a maior parte dos casos de abandono relaciona-se simplesmente com a desmotivação e falta de gosto pelos estudos.Para Felícia Costa, Vice-Presidente da CMS e vereadora da Educação, “o abandono e o insucesso escolar não se combate apenas com uma medida”, e por isso há que atacar o problema na sua raiz, isto é, antes dos alunos decidirem sair da escola.
Tornar a instituição escolar um local apelativo e não apenas uma obrigação, é a finalidade dos programas GISC e PIPA, onde “o risco de abandono é combatido através de uma componente lúdica, que tem tudo para resultar”, afirma a Vice-Presidente.
O projecto GISC, disponível a todos os alunos do 3º Ciclo e Ensino Secundário, pretende promover estilos de vida saudáveis, enquanto o projecto PIPA, visa através da expressão artística, despertar o interesse dos alunos pela escola. Reduzir o abandono escolar passa, na opinião de Felícia Costa, por “mudar a representação que os alunos têm da escola”, ou seja, que os jovens gostem de ir às aulas e das actividades realizadas dentro e fora delas. Para isso “é necessária a participação dos professores” e que esse gosto seja incutido desde cedo.Na escolas do 1º Ciclo, nº 2 de Santana e nº 3 da Quinta do Conde, prevenir os comportamentos violentos entre os alunos e evitar que se tornem possíveis desistentes escolares no futuro, é o que tentam dois técnicos de desporto, uma supervisora técnica e uma psicóloga. Mas se o gosto pelos estudos é habitualmente decidido nos primeiros anos, o trabalho deve ser continuado nos ciclos seguintes, por isso cerca de 20 professores apoiados por uma psicóloga têm nos últimos anos explorado, nas escolas de 2º e 3º ciclos e nos ATL’s do concelho, o desenvolvimento de competências sociais e pessoais como forma de prevenir comportamentos de risco e desviantes, muitas vezes associados ao insucesso e consequente abandono escolar.
Orientação Vocacional: 14 ou 15 anos é a idade média de um aluno que alcança o 9º ano de escolaridade, tendo transitado todos os anos de seguida. Aqui coloca-se a questão de saber se o jovem vai ou não continuar os estudos, de saber se os projectos nas escolas surtiram algum efeito.Muitos destes jovens, terminam o 9º ano e mesmo que queiram continuar a estudar, muitas vezes não sabem que área escolher. Para isso, a CMS põe à disposição dos alunos do 3º Ciclo e do Secundário, uma psicóloga e uma psicopedagoga, que ajudam estes jovens na decisão da sua orientação vocacional. Com testes psicotécnicos, conversas e informação, pretende-se que o aluno não se sinta só quando tem de decidir o seu futuro. De acordo com os dados cedidos pela CMS, aderem por ano a este projecto de orientação vocacional, cerca de 300 estudantes. Os que não recorrem a este apoio, decidem sozinhos qual a área a escolher, outros contam com a ajuda de familiares e amigos, mas muitos continuam simplesmente a desistir.
“Apesar da definição desta estratégia, com os vários processos em curso, o concelho de Sesimbra tem uma taxa de abandono escolar de 10 a 15%”, uma taxa que a Vice-Presidente da Câmara Felícia Costa, pretende diminuir nos próximos anos.
Ana Filipe

PJ investiga homicídio durante assalto a supermercado da Carrasqueira

Jornal "Diário de Notícias", 28 de Agosto de 2006

A Polícia judiciária está a investigar o homicídio de um homem de 35 anos que ocorreu cerca das 22:00 de sábado, durante um assalto ao supermercado Plus na Carrasqueira, em Sesimbra, disse hoje à Lusa fonte policial.
O assalto ocorreu uma hora depois do encerramento do supermercado Plus da Carrasqueira, junto à EN 378, quando três encapuzados irromperam no estabelecimento, surpreendendo os funcionários que procediam às últimas arrumações.
Segundo o director de expansão das Lojas Plus, João Brás Teixeira, os assaltantes fizeram refém o funcionário da cafetaria, exigiram-lhe que abrisse o cofre da loja e acabaram por atingi-lo mortalmente.
"O funcionário da cafetaria, que está concessionada, terá explicado que não tinha forma de abrir o cofre porque não tinha os códigos e acabou por ser atingido mortalmente com um tiro na cabeça", disse João Brás Teixeira.
A vítima ainda foi transportada ao Hospital Garcia de Orta, em Almada, mas acabou por falecer devido à gravidade dos ferimentos.Os três assaltantes, que levaram apenas uma pequena quantia em euros, fugiram numa viatura conduzida por um quarto indivíduo que os aguardava no exterior.

Restrições à pesca vão aumentar na Arrábida

Jornal "Público", 23 de Agosto de 2006

As restrições à pesca no mar da Arrábida entram hoje numa nova fase, um ano depois da publicação do Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida (POPNA).
A partir de agora, a zona de protecção parcial passa a "total", o que significa que só será possível pescar a mais de um quarto de milha (463 metros) de distância da costa e, no caso especial da pesca à linha, a mais de 200 metros da costa.

João Lopes, dirigente da Associação dos Armadores de Pesca do Centro e Sul, continua a manifestar-se contra as restrições - ainda que faseadas - e repete que muitos dos cerca de 300 pescadores de Sesimbra serão "forçados" a abandonar a actividade. Neste primeiro ano de vigência do plano, os pescadores ainda estavam autorizados a pescar em toda a costa da Arrábida, ao contrário da náutica de recreio, que só está autorizada a navegar para além de um quarto de milha.Esta é, aliás, uma das razões que levaram as associações do sector a convocar uma manifestação para o próximo sábado. Representantes da Federação Portuguesa de Actividades Subaquáticas, do Clube Naval de Sesimbra, do Clube Naval Setubalense, empresas do sector náutico, utentes da náutica de recreio e pescadores vão protestar contra as "regras absurdas e prepotentes" do plano de ordenamento da Arrábida.
Numa reunião realizada na semana passada na secretaria de Estado do Ambiente, João Lopes exigiu "medidas de compensação" para fazer face aos "prejuízos" causados aos profissionais do mar pelo POPNA, embora não tenha recebido qualquer garantia nesse sentido. Ainda de acordo com este representante dos pescadores, o Governo propôs a sua participação num "grupo de trabalho" para avaliar os impactos ambientais e sociais do regulamento. "Tudo bem, concordamos, mas este grupo de trabalho devia ter sido criado antes da definição das regras", acusa João Lopes.

Passar pela Arrábida em férias

Jornal “Diário de Notícias”, 8 de Agosto de 2006

Miguel e Rodrigo sobem a ladeira que vai do convento ao cimo da serra e procuram um novo trilho para o regresso a Azeitão. Ainda não é meio-dia e já levam uma hora e meia de caminho. "Estamos a ver se fazemos melhor tempo para lá." Vão equipados conforme as regras de um caminheiro actual, mas não chega para enfrentar os 40 graus que dizem estar na Arrábida. Não há termómetro, mas são altos os indicadores que medem a sede e o suor.
São do Barreiro, estão a passar férias em Vila Nogueira de Azeitão e sempre que podem vão para a Arrábida. Caminhar ou fazer escalada no paredão entre a praia do Creio e o Portinho. Rodrigo fala do silêncio, do cantar dos pássaros que se ouve em contraste com o ruído que vem da praia. Miguel diz que se vêem raposas na mata. Pisam a estrada onde Pedro escreveu que ama Rosa e passa por eles muita gente de carro. Um grupo de ciclistas de Setúbal faz uma pausa no reconhecimento da serra para uma prova no próximo fim-de-semana, mas Miguel e Rodrigo são os únicos caminhantes que se avistam numa Arrábida cheia junto ao mar.
Cortada ao trânsito a estrada entre o Outão e o Portinho, a multidão fixa-se nas praias mais próximas de Setúbal. No parque de merendas não há sombra que sobre e há quem durma em cima de uma manta, apesar do barulho do gerador no bar onde há filas para uma água que fica mesmo ao lado, da criança que chora porque não foi com as outras brincar na água do rio que corre verde, do cão que ladra a quem não conhece, e não conhece quase ninguém. É hora de almoço e cheira a frango assado e a sardinha. Carne e peixe assam no mesmo assador e ninguém protesta com a mistura. No lavadouro, tão ou mais comunitário, lavam-se tomates para a salada e a louça de quem já almoçou. De cima, isso não se adivinha. Apenas se sabe da multidão que ocupou até as três ilhas em frente, formadas na maré vazia e sõ acessíveis de barco. De cima, do sítio onde passam os caminheiros e pára agora uma roulotte, vê-se a serra ao domingo, um serpentear de carros que se dilui à medida que a estrada avança para oeste e as praias vão ficando menos acessíveis a quem vai de quatro rodas.
É domingo na Arrábida. Cá em baixo, há gente de calções, de fato de mergulho e fugitivos de um casamento em Azeitão. Estacionaram o Mercedes enfeitado de tule e seguem a pé para ver o mar do Portinho. Vão de gravata e de cetim.

“Vertigem Azul” de Carlos Sargedas

“Jornal de Sesimbra, 28 de Julho de 2006

Jornal de Sesimbra - Porquê o título “Vertigem Azul”?
Carlos Sargedas – “O “Vertigem Azul” representa aquela sensação de quem está pendurado num helicóptero a cerca de 300/400 metros de altura, é o que tem, é uma vertigem azul sobre este mar lindíssimo que é a costa da Arrábida. E foi o sentimento que eu tive a primeira vez que sobrevoei toda a zona e a melhor forma de descrever esse sentimento foi atribuir esse nome ao trabalho”.
J.S. – Depois de oito anos a trabalhar para terceiros, surge finalmente uma edição própria. Foram necessários oito anos para idealizar este livro?
C.S – “Não, este livro poderia estar pronto há mais tempo, há cerca de três anos o livro estava praticamente pronto mas foi nessa altura que Sesimbra sofreu uma transformação tal que me fez pensar que dentro de poucos meses as fotos estariam completamente desactualizadas. Então decidi esperar (… ) Por exemplo, posso adiantar que a primeira foto constante no livro tem oito anos e a ultima foi tirada duas semanas antes do lançamento. Por entre gruas e guindastes era difícil encontrar uma boa perspectiva de fotografia e, por isso, esperei tanto tempo”.
J.S. – Esta é a altura ideal para lançar “Vertigem Azul”?
C.S. – “É, é a altura ideal porque acredito efectivamente que a autarquia e a própria comunidade sesimbrense estão empenhadas na vertente turística. Este é um livro para turistas, não só os nacionais mas também os internacionais. Estamos cada vez com maior afluência de visitantes que vão apreciar este livro e poderão partir à descoberta dos locais referenciados no mesmo”.
J.S. – Sem qualquer tipo de apoio, e tendo consciência do suporte financeiro necessário para a elaboração de um trabalho desta envergadura, como é que conseguiu concretizar este projecto? C.S. - “Eu faço fotografia aérea já há muitos anos, nomeadamente de obras e grandes construções, e tenho uma parceria com uma das empresas de helicópteros com a qual eu trabalho e quando eu necessitava fotografar, o cliente com o qual eu trabalhava adjudicava o helicóptero durante duas ou três horas e eu pagava apenas o excesso desse trabalho. Ou seja, saindo de Tires até Sesimbra, ida e volta que é cerca de hora e meia, custava mais de mil euros. Se eu quisesse fotografar para mim, a título particular, iria pagar uma série de transferes que eram impraticáveis e utilizando o espaço que eu tinha, a mais, do cliente final, paguei valores um pouco mais acessíveis”. Infelizmente houveram alturas em que não havia trabalhos para clientes e eu tive que pagar algumas vezes mais de dois mil euros para tirar duas ou três fotografias. A acrescentar a tudo isto é de salientar que as fotografias são momentos, ou acontecem naquela hora, ou passou, (…) se eu às oito da manhã via o sol de determinada feição já sabia que à tarde a luz seria a perfeita para captar uma imagem impressionante. Por isso é que é caro, tem de ser no momento exacto”.
J.S. – O que podemos encontrar nesta “Vertigem Azul”?
C.S. – Eu tentei transmitir a paixão que tenho por toda esta costa. É das costas mais bonitas deste país. Além disso, é importante dar conta da luminosidade e transparência desta costa que tem sido a eleita por produtores e fotógrafos de todo o mundo. Nós temos uma costa belíssima mas, principalmente, com uma luz que não há em mais lado nenhum. Estas águas transparentes, translúcidas, fazem um reflexo de cor que não há em sitio algum. (…) Isto, como digo no livro, é uma paleta de cores (…).Este é um livro de fotografia e por isso não irá ter textos explicativos a acompanhar as mais de 150 imagens e terá apenas um índice final indicativo da zona a que se refere cada fotografia. As pessoas têm que se maravilhar com as fotos…”
J.S. – Sendo mais um acréscimo nos custos da elaboração deste trabalho, ainda se propõe a fazê-lo acompanhar por um DVD. Qual é o objectivo?
C.S. – “Quando eu faço workshops nas escolas eu faço sempre um desafio à maior parte das crianças (…) quase toda a gente fotografa, a maioria mal, mas é importante fazer as pessoas entenderem que a melhor imagem surge quando menos se espera e não quando temos o local e o tempo perfeitos para que isso ocorra. Eu faço sempre os miúdos pegarem num vídeo, de natureza, documentário, particular ou o que quer que seja e sugiro-lhes que fotografem com esse vídeo. É só, na altura exacta, parar e fazer pausa. (…) Este DVD é todo o preenchimento visual desta área da costa e que, no fundo, representa todo o meu trabalho que é, nada mais, nada menos, a procura do momento. (…) Este vídeo pretende, por outro lado, tentar preencher parte de uma das lacunas da vila que é não ter um vídeo promocional.
J.S – Onde podemos encontrar este livro?
C.S. – “Para já só estará disponível no meu estabelecimento e em mais dois ou três em Sesimbra, é um livro caro mas que compensa o valor. Tendo em conta que cada foto que está no livro ronda os 100 euros, estão lá 150 fotos (….) O livro custa cerca de 60 euros. Não penso que seja despropositado, pelo contrário. Mas para já “Vertigem Azul” não vai estar muito visível a nível de mercado”.

As grandes diferenças geológicas entre a Arriba Fóssil da Costa da Caparica, atravessando os Planaltos e grandes falésias do Cabo Espichel, passando pela “grandiosa” Serra da Arrábida e Serra do Risco até à Península de Tróia acabando nos Pântanos do Estuário do Sado são apenas alguns dos temas salientados, num registo fotográfico, neste trabalho de Carlos Sargedas. O livro conta com um texto explicativo do Dr Paulo Caetano, da Universidade nova de Lisboa, cujo objectivo é proporcionar aos leitores uma associação de ideias e lógicas face às imagens que constam no “Vertigem Azul”. O prefácio da obra é da responsabilidade do Vice-presidente da Região de Turismo da Costa Azul, Ezequiel Lino e da Directora do Parque natural da Arrábida, Madalena Sampaio.

Luís Baena em Tóquio

Jornal “Diário de Notícias”, 14 de Agosto de 2006

O chefe Luís Baena está a viver um momento particularmente feliz da sua carreira, com o êxito que o seu restaurante Quinta de Catralvos, em Azeitão, está a obter. Fortemente influenciado pelas cozinhas asiáticas, sobretudo pela japonesa, tendo já trabalhado em hotéis de Hong Kong e Macau, ele não perde oportunidade para ir até ao Oriente, estando agora em Tóquio, no restaurante Victor's, no 22.º andar do Hotel Westin, a apresentar a sua arte.
O Victor's apresenta a cozinha de Luís Baena durante este mês, mas ele deve voltar a Portugal ainda antes do fim do mês. Durante a sua temporada nipónica, Luís Baena aproveitou para estagiar em dois restaurantes bastante importantes , o Mai e o Tsuji, dar aulas de cozinha portuguesa a jornalistas, participar em programas de televisão e ainda dar consultoria à Bunmeido, a maior e mais antiga empresa a fabricar o famoso castella, "descendente" do nosso pão-de-ló.Além da riqueza da sua cozinha, Tóquio também é conhecida por apresentar restaurantes de alguns dos mais prestigiados chefes de cozinha do mundo, caso dos franceses Joel Robuchon, Alain Ducasse (este está no 21.º andar do Westin) e Pierre Gagnaire, ou do britânico Gordon Ramsay . Ou ainda do japonês Nobu um dos principais responsáveis pela "cozinha de fusão" no Ocidente.
Os admiradores de Luís Baena esperam que ele, apesar de ir frequentemente ao Japão, traga de lá novas ideias para aplicar na Quinta de Catralvos, eleito o melhor restaurante português de "cozinha criativa" pelo painel de gastrónomos do DN.E também que traga histórias como esta que contou, por e-mail, ao DN: o famoso chefe catalão Ferran Adrià esteve recentemente a estagiar no Tsuji, que, por sua vez, tem o chefe mais conhecido e respeitado do Japão (tem também um restaurante em Kioto). Em retribuição, Adrià convidou o cozinheiro japonês e a mulher a visitarem o El Bulli, na Catalunha. Só que os pratos que o catalão serviu foram tantos que a mulher do chefe japonês confessa que acabou por adormecer à mesa...

Duarte Calvão

segunda-feira

Sesimbra

Jornal “Diário de Notícias”, 6 de Agosto de 2006

No fogareiro de Olegário não há água para domar o lume. As brasas temperam-se com cinza e à paulada, com a ajuda de uma ripa de madeira. Há dez anos que assa peixe e diz que é a coisa que mais adora. Disso e de "sair à noite", mas só no Meco, que "por aqui não há nada", lamenta-se, de garfo na mão e copo de vinho na outra. Olegário gosta de assar peixe mas também gosta da conversa. Apresenta-se como o "marido da filha da dona do restaurante", e todos lhe chamam Gaio. "Poucos sabem por aqui que o meu nome é Olegário António da Rosa", alentejano com muitos anos de mar e mais ainda de Sesimbra.
Chapéu de cowboy, chinelas havainas, uma camisola de alças a vincar a barriga, Olegário, o Gaio, vai virando as sardinhas enquanto lhes gaba a cor. Já virou muitas, "uns milhões de unidades", arrisca com um ar de quem se impressionou até a ele mesmo para depois revelar o que prometera nunca dizer. "O segredo disto está na atenção que se dá ao pêxe", dito assim, suprimindo um 'i' que há-de ir para outro lado qualquer porque Gaio, assador afamado, conversa atropelando palavras, com a mesma agilidade com que vira o peixe para não o queimar. "Este é do bom; p'xinho de'inzol." Agora é o 'i' que vai para o lugar do 'a' e sobram sempre letras em qualquer frase porque Gaio só não se distrai das brasas. O p'xinho a que se refere há-de ser o do seu almoço. "São x'quilhas", outro nome para petinga, uma sardinha pequena, mais saborosa aos paladares treinados.

Gaio assa e há uma fila de gente à espera do seu peixe na tasca junto ao mercado de Sesimbra. "Sesimbra é peixe", dizia um homem no hotel em vésperas de dia de enchente na praia, e sem suspeitar de que aquela era noite de excepção na lota. Uma e outra sem os pregões de antes, mas as duas cheias que nem lata. De gente e de peixe. "De sexta para sábado é raro haver peixe por aqui, mas hoje há peixe a dar com um pau", grita Justino para se fazer ouvir na confusão de peixe e homens, de barcos que chegam e carrinhas que saem carregadas para Lisboa, Setúbal, Almada... Há vendedores à espera para poderem licitar um cabaz de carapau, de sardinha, de cavala ou boga. E há turistas que foram só "ver o movimento". É meia-noite na lota de Sesimbra e só se vê peixe e homens. O Luís Adão chega carregado ao cais. Gruas retiram os contentores e a tripulação de um e do outro apressam-se a separar o peixe "conforme a qualidade", que é como quem diz, a espécie. Sardinhas para um lado, carapau para o outro... Justino distribuiu a atenção entre quem quer vender e os que vão comprar com a sirene a anunciar mercadoria. Os peixeiros tomam posição na bancada. Comando na mão, reagem ao preço-base anunciado ao microfone, depois de verem uma amostra do peixe que cada barco pescou nessa noite. Há um código de conduta a respeitar e aqueles homens conhecem muito bem as regras. "Só se senta aqui quem estiver identificado por um número atribuído pela Docapesca e em troca de uma fiança", explica uma vez mais Justino, que afinal se chama João Manuel e foi jogador de futebol no Varzim, no Paços de Ferreira e no Sesimbra. João Marquês é um desses peixeiros encartados. Há 30 anos que "todas as noites" vai à lota de Sesimbra. Acaba de comprar 500 quilos de sardinha que vai arrumando com muito gelo em caixas de esferovite seguindo depois para o MARL. Há-de estar em Lisboa às duas horas, quando o mercado abrir. Outros ficam ainda, à espera de uma segunda oportunidade. Anunciam-se sobras no Luís Adão e há nova correria à bancada. Quinze cabazes de carapau são postos à venda a um preço-base de dois euros e vendidos a 0,85 a quem carregou primeiro no botão do comando. Ninguém ofereceu mais e em menos de dois segundos o peixe foi arrematado. É uma da manhã e Justino anuncia novo barco para daí a meia hora. "Carregado de cavala", precisa.
O cais já está quase vazio e há peixe espalho por todo o lado. É hora de lavar os barcos que hão-de voltar ao mar quando forem umas três e meia porque a partir das seis voltará a ser hora de ponta no cais. A lota nunca fecha, mas nem sempre é hora de peixe. Depende dos dias, depende do mar. Justino, o ex-jogador, há 26 anos guarda-nocturno da Docapesca, acaba o turno quando forem cinco da madrugada e já não irá comandar as chegadas da manhã. Estará a dormir quando o mercado abrir e há-de ouvir as queixas de Maria Antónia, a peixeira. Deseja a reforma, diz que já houve melhores dias enquanto compõe a montra da sua banca, dando destaque à arruma a pescada d'anzol e à pata-roxa para a caldeirada. Ao lado já há carapau à venda. Custa três euros e meio e consta que veio de Setúbal.