Jornal “O Setubalense”, 7 de Abril de 2008
O programa de comemorações do 84.º aniversário de Sebastião da Gama inclui diversas iniciativas. A data de nascimento do poeta, 10 de Abril, coincide com as comemorações do Dia Municipal da Arrábida.
A Câmara Municipal e a Associação Cultural Sebastião da Gama vão promover o programa comemorativo do 84.º aniversário do nascimento do poeta Sebastião da Gama que inclui passeios de reflexão, pela Arrábida, por locais por onde o homenageado passou.
Estes encontros, intitulados “Percursos de Sebastião da Gama”, com partida do Museu Sebastião da Gama, realizam-se nos dias 13, 20 e 27, das 10 às 13 horas, para o público em geral, e a 7, 8, 10, 15 e 17, das 14 às 16 horas, para escolas.
O dia do nascimento de Sebastião da Gama, 10 de Abril, é o ponto alto das comemorações. Um almoço-convívio, às 13 horas, no Hotel Clube de Azeitão, com amigos e alunos do poeta e pedagogo, integra um tributo a Joana Gama. Às 16 horas, o Salão Nobre dos Paços do Concelho recebe uma sessão solene de homenagem ao poeta da serra-mãe. O programa regressa a Azeitão, para um “Um Concerto de Aniversário de Sebastião da Gama e Dia Municipal da Arrábida”, com a participação da banda e do coro da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, às 21.30 horas, na sede desta associação.
Uma mostra de trabalhos, de vários artistas, alusivos a Sebastião da Gama, organizada pela Associação Ecos D’Art, está patente entre 12 e 26 de Abril, no Club Setubalense. A inauguração é as 16 horas.
“Conversas com Sebastião da Gama” é o mote de mais dois encontros. O primeiro, marcado para dia 19, às 18 horas, no Club Setubalense, incide sobre os alunos de Sebastião da Gama, enquanto o segundo, a 26, à mesma hora, no Museu Sebastião da Gama, em Azeitão, reflecte sobre a doutrina do homenageado enquanto pedagogo.
O programa comemorativo evoca o pioneiro na defesa da Arrábida, em particular quando, em 1947, ainda jovem, se insurgiu contra a devastação da Mata do Solitário.
domingo
Câmara de Sesimbra exige a integração do concelho na rede de urgência
Jornal “Público”, 24 de Março de 2008
A Câmara Municipal de Sesimbra (CMS) não se conforma com a decisão do Ministério da Saúde pelo facto de não ter sido contemplada na rede de urgência e emergência, apesar de "preencher todos os critérios requeridos pelo Ministério". A 18 de Março, a autarquia (CDU) aprovou uma deliberação contra o Ministério, demonstrando a sua "frontal e absoluta discordância" com o despacho publicado no Diário da República a 28 de Fevereiro deste ano, no qual foram definidos e classificados os pontos da rede de urgência e emergência.
O presidente da Câmara de Sesimbra, Augusto Pólvora, lamentou esta decisão. "É inaceitável que sejamos tratados desta maneira”, já que o concelho preenche todos os critérios requeridos pelo Ministério da Saúde para ser incluído na rede de urgência.
Os critérios determinam que o tempo de acessibilidade na rede de urgência seja inferior a 30 minutos mas "se um doente for transportado de Sesimbra para o Garcia de Orta demora mais de 30 minutos para este ou qualquer outro hospital das proximidades", explicou Augusto Pólvora.
Outro dos critérios está relacionado com o número de população residente e flutuante, uma vez que "Sesimbra conta com um fluxo turístico bastante grande, o que abrange mais de 200 mil dormidas por ano em hotéis e residências, sobretudo aos fins-de-semana e durante o mês de Agosto".
A preocupação da autarquia prende-se com o facto deste despacho não contemplar um Serviço de Urgência Básico (SUB) para a área do Município de Sesimbra. "O nosso concelho tem uma afluência superior a 150 doentes por dia, número que aumenta para 200 por dia durante os meses de verão. Este factor devia ser suficiente para a construção de um SUB". O Ministério da Saúde "ainda não deu resposta à proposta de SUB apresentada, nem tão pouco marcou uma reunião para discussão da proposta, apesar das inúmeras tentativas da Câmara Municipal nesse sentido", informou o presidente da autarquia.
Para mostrar a sua indignação face à ausência do concelho no despacho e à situação geral da saúde no concelho, a câmara solicitou uma audiência à ministra da Saúde de forma a clarificarem a situação.
Na proposta apresentada pelo presidente da autarquia e pelo vereador do pelouro da Saúde reconhecem a "necessidade de melhoramento nos serviços de urgência", em grande parte devido à "sobrelotação das urgências no hospital Garcia de Orta e à necessidade de um reforço de médicos no centro de saúde da Quinta do Conde". A autarquia condena o referido despacho por "não cumprir a lei de bases da saúde e não se adaptar às condições da realidade nacional, nem às suas necessidades".
A Câmara Municipal de Sesimbra (CMS) não se conforma com a decisão do Ministério da Saúde pelo facto de não ter sido contemplada na rede de urgência e emergência, apesar de "preencher todos os critérios requeridos pelo Ministério". A 18 de Março, a autarquia (CDU) aprovou uma deliberação contra o Ministério, demonstrando a sua "frontal e absoluta discordância" com o despacho publicado no Diário da República a 28 de Fevereiro deste ano, no qual foram definidos e classificados os pontos da rede de urgência e emergência.
O presidente da Câmara de Sesimbra, Augusto Pólvora, lamentou esta decisão. "É inaceitável que sejamos tratados desta maneira”, já que o concelho preenche todos os critérios requeridos pelo Ministério da Saúde para ser incluído na rede de urgência.
Os critérios determinam que o tempo de acessibilidade na rede de urgência seja inferior a 30 minutos mas "se um doente for transportado de Sesimbra para o Garcia de Orta demora mais de 30 minutos para este ou qualquer outro hospital das proximidades", explicou Augusto Pólvora.
Outro dos critérios está relacionado com o número de população residente e flutuante, uma vez que "Sesimbra conta com um fluxo turístico bastante grande, o que abrange mais de 200 mil dormidas por ano em hotéis e residências, sobretudo aos fins-de-semana e durante o mês de Agosto".
A preocupação da autarquia prende-se com o facto deste despacho não contemplar um Serviço de Urgência Básico (SUB) para a área do Município de Sesimbra. "O nosso concelho tem uma afluência superior a 150 doentes por dia, número que aumenta para 200 por dia durante os meses de verão. Este factor devia ser suficiente para a construção de um SUB". O Ministério da Saúde "ainda não deu resposta à proposta de SUB apresentada, nem tão pouco marcou uma reunião para discussão da proposta, apesar das inúmeras tentativas da Câmara Municipal nesse sentido", informou o presidente da autarquia.
Para mostrar a sua indignação face à ausência do concelho no despacho e à situação geral da saúde no concelho, a câmara solicitou uma audiência à ministra da Saúde de forma a clarificarem a situação.
Na proposta apresentada pelo presidente da autarquia e pelo vereador do pelouro da Saúde reconhecem a "necessidade de melhoramento nos serviços de urgência", em grande parte devido à "sobrelotação das urgências no hospital Garcia de Orta e à necessidade de um reforço de médicos no centro de saúde da Quinta do Conde". A autarquia condena o referido despacho por "não cumprir a lei de bases da saúde e não se adaptar às condições da realidade nacional, nem às suas necessidades".
PSP detém futebolista no relvado e leva-o equipado e de chuteiras
Jornal “Diário de Notícias”, 18 de Março de 2008
O capitão de equipa do Grupo Desportivo de Sesimbra foi detido em pleno relvado, após o jogo de domingo frente ao Comércio e Indústria, pela PSP de Setúbal, sendo encaminhado para a esquadra da Bela Vista ainda equipado e de chuteiras. Nuno Silva é acusado de "injúrias" às autoridades, após uma cena de pancadaria na bancada, onde um director do Sesimbra foi violentamente agredido na cabeça, com duas muletas.
Rezam as crónicas que o encontro, a contar para a 1ª Divisão Distrital, disputado no Campo da Bela Vista, em Setúbal, decorria com fair-play até que uma azeda troca de palavras entre adeptos dos dois clubes resultou numa violenta agressão ao dirigente do Sesimbra Eduardo Rigor, que após ser atingido pelas muletas caiu no chão com o rosto coberto de sangue, perdendo os sentidos. A rixa estendeu-se às quatro linhas, com dois jogadores a saltarem para as bancadas.
Nuno Silva e Ricardo Rigor, filho do agredido, tentaram o ajuste de contas, enquanto a PSP procurava acalmar os ânimos, mas foram as palavras usadas por Nuno Silva contra as autoridades que levaram os agentes a detê-lo. O árbitro não expulsou ninguém e reatou o jogo, que teve 25 minutos de desconto. Após o apito final, os polícias dirigiram-se ao jogador, dando-lhe voz de prisão e pedindo-lhe que os acompanhasse, no carro da PSP, à esquadra.
"Nem deixaram o homem tomar banho", lamentou ao DN o presidente do Sesimbra, Sebastião Patrício, que estava no banco da equipa, avançando que o clube vai processar criminalmente o agressor de Eduardo Rigor, que está identificado e cujas muletas foram apreendidas, lamentando ainda o dirigente sesimbrense que "a polícia nada tenha feito para proteger o nosso director. Se o Nuno foi preso por dizer umas coisas, todos nós devíamos ser, porque também desabafámos a nossa revolta contra os polícias."
Foi a PSP que arranjou um fato-de-treino a Nuno Silva para que se protegesse do frio, depois de dar entrada na 2ª Esquadra. O jogador foi constituído arguído, sendo notificado para comparecer ontem no Tribunal de Setúbal, mas a audiência foi adiada para dia 1 de Abril. O jogo terminou empatado a uma bola.
O capitão de equipa do Grupo Desportivo de Sesimbra foi detido em pleno relvado, após o jogo de domingo frente ao Comércio e Indústria, pela PSP de Setúbal, sendo encaminhado para a esquadra da Bela Vista ainda equipado e de chuteiras. Nuno Silva é acusado de "injúrias" às autoridades, após uma cena de pancadaria na bancada, onde um director do Sesimbra foi violentamente agredido na cabeça, com duas muletas.
Rezam as crónicas que o encontro, a contar para a 1ª Divisão Distrital, disputado no Campo da Bela Vista, em Setúbal, decorria com fair-play até que uma azeda troca de palavras entre adeptos dos dois clubes resultou numa violenta agressão ao dirigente do Sesimbra Eduardo Rigor, que após ser atingido pelas muletas caiu no chão com o rosto coberto de sangue, perdendo os sentidos. A rixa estendeu-se às quatro linhas, com dois jogadores a saltarem para as bancadas.
Nuno Silva e Ricardo Rigor, filho do agredido, tentaram o ajuste de contas, enquanto a PSP procurava acalmar os ânimos, mas foram as palavras usadas por Nuno Silva contra as autoridades que levaram os agentes a detê-lo. O árbitro não expulsou ninguém e reatou o jogo, que teve 25 minutos de desconto. Após o apito final, os polícias dirigiram-se ao jogador, dando-lhe voz de prisão e pedindo-lhe que os acompanhasse, no carro da PSP, à esquadra.
"Nem deixaram o homem tomar banho", lamentou ao DN o presidente do Sesimbra, Sebastião Patrício, que estava no banco da equipa, avançando que o clube vai processar criminalmente o agressor de Eduardo Rigor, que está identificado e cujas muletas foram apreendidas, lamentando ainda o dirigente sesimbrense que "a polícia nada tenha feito para proteger o nosso director. Se o Nuno foi preso por dizer umas coisas, todos nós devíamos ser, porque também desabafámos a nossa revolta contra os polícias."
Foi a PSP que arranjou um fato-de-treino a Nuno Silva para que se protegesse do frio, depois de dar entrada na 2ª Esquadra. O jogador foi constituído arguído, sendo notificado para comparecer ontem no Tribunal de Setúbal, mas a audiência foi adiada para dia 1 de Abril. O jogo terminou empatado a uma bola.
Escuteiros espanhóis criticam MP de Sesimbra
Jornal “Diário de Notícias”, 17 de Março de 2008
Responsável do grupo de escuteiros espanhol acusado de homicídio negligente de um jovem de 13 anos, por alegado desrespeito pelas regras de prudência no âmbito de uma caminhada na serra da Arrábida, criticou ontem a acusação deduzida pelo Ministério Público (MP) de Sesimbra por não ter tido em conta o depoimento dos 23 jovens que participaram na actividade em que veio a falecer Diego Amador. César Gil Lamata, principal arguido do processo, garantiu que o jovem tinha problemas de saúde anteriores nunca revelados pela família.
Enrique Amador, pai do jovem falecido, garantiu, por sua vez, ao DN, que Diego era uma criança saudável, e que ainda viveria se a Asociación Grupo Lujan 102 tivesse tido as precauções mínimas, frisando ser estranho que, após esta acusação, aquele agrupamento de escuteiros de Madrid - que em Agosto de 2005 veio a Portugal realizar uns raids pela península de Setúbal - continue activo. "Eu e a minha esposa confiávamos naquele grupo de que Diego fez parte durante cinco anos. Sentimo-nos traídos. Esperamos que os escuteiros, enquanto instituição, castiguem devidamente a Asociación Grupo Lujan 102 de Madrid", disse.
A verdade sobre os contornos que provocaram a morte de Diego Amador, a 4 de Agosto daquele ano, durante uma caminhada de oito quilómetros entre a praia da Foz e a praia da Ribeira do Cavalo, em Sesimbra, alegadamente por exaustão física associada à exposição ao calor, só se irá saber, seguramente, durante o julgamento.
César Gil Lamata lembra que a acusação foi deduzida a 14 de Fevereiro deste ano e que os 23 jovens colegas de Diego foram ouvidos no tribunal de Madrid, a pedido do MP de Sesimbra, no dia 12, ou seja, dois dias antes. "Não houve tempo para que o magistrado acedesse aos depoimentos", criticou. Além de que, acrescentou, nunca o MP ouviu o cidadão português, conhecedor do terreno e da região, contactado pela associação para ajudar a preparar a actividade. Segundo César Gil Lamata, de 47 anos, os jovens iam naquele dia realizar uma caminhada de sete quilómetros, entre as oito da manhã e a uma da tarde, ao ritmo de um quilómetro por hora.
"Não se pode dizer, pois, que foram submetidos a um esforço sobre--humano", atestou, assegurando que o grupo de 24 jovens era acompanhado por duas viaturas de apoio, com alimentos, além de que, na zona em que Diego veio a falecer, "havia casas à volta, que, em caso de necessidade, disponibilizariam água". "É mentira que tivessem encontrado crianças desidratadas", garantiu, lamentando a morte de Diego. "A acusação do MP parece mais uma novela do que a descrição dos factos."
Enrique não se conforma e garante que o seu filho nunca teve historial clínico negativo. "Antes de morrer, arrastou-se com dores de cabeça e de barriga. Que barbaridade! Queremos justiça. Confiamos no tribunal português, e sabemos que não nos vai faltar", reagiu ao DN.
Responsável do grupo de escuteiros espanhol acusado de homicídio negligente de um jovem de 13 anos, por alegado desrespeito pelas regras de prudência no âmbito de uma caminhada na serra da Arrábida, criticou ontem a acusação deduzida pelo Ministério Público (MP) de Sesimbra por não ter tido em conta o depoimento dos 23 jovens que participaram na actividade em que veio a falecer Diego Amador. César Gil Lamata, principal arguido do processo, garantiu que o jovem tinha problemas de saúde anteriores nunca revelados pela família.
Enrique Amador, pai do jovem falecido, garantiu, por sua vez, ao DN, que Diego era uma criança saudável, e que ainda viveria se a Asociación Grupo Lujan 102 tivesse tido as precauções mínimas, frisando ser estranho que, após esta acusação, aquele agrupamento de escuteiros de Madrid - que em Agosto de 2005 veio a Portugal realizar uns raids pela península de Setúbal - continue activo. "Eu e a minha esposa confiávamos naquele grupo de que Diego fez parte durante cinco anos. Sentimo-nos traídos. Esperamos que os escuteiros, enquanto instituição, castiguem devidamente a Asociación Grupo Lujan 102 de Madrid", disse.
A verdade sobre os contornos que provocaram a morte de Diego Amador, a 4 de Agosto daquele ano, durante uma caminhada de oito quilómetros entre a praia da Foz e a praia da Ribeira do Cavalo, em Sesimbra, alegadamente por exaustão física associada à exposição ao calor, só se irá saber, seguramente, durante o julgamento.
César Gil Lamata lembra que a acusação foi deduzida a 14 de Fevereiro deste ano e que os 23 jovens colegas de Diego foram ouvidos no tribunal de Madrid, a pedido do MP de Sesimbra, no dia 12, ou seja, dois dias antes. "Não houve tempo para que o magistrado acedesse aos depoimentos", criticou. Além de que, acrescentou, nunca o MP ouviu o cidadão português, conhecedor do terreno e da região, contactado pela associação para ajudar a preparar a actividade. Segundo César Gil Lamata, de 47 anos, os jovens iam naquele dia realizar uma caminhada de sete quilómetros, entre as oito da manhã e a uma da tarde, ao ritmo de um quilómetro por hora.
"Não se pode dizer, pois, que foram submetidos a um esforço sobre--humano", atestou, assegurando que o grupo de 24 jovens era acompanhado por duas viaturas de apoio, com alimentos, além de que, na zona em que Diego veio a falecer, "havia casas à volta, que, em caso de necessidade, disponibilizariam água". "É mentira que tivessem encontrado crianças desidratadas", garantiu, lamentando a morte de Diego. "A acusação do MP parece mais uma novela do que a descrição dos factos."
Enrique não se conforma e garante que o seu filho nunca teve historial clínico negativo. "Antes de morrer, arrastou-se com dores de cabeça e de barriga. Que barbaridade! Queremos justiça. Confiamos no tribunal português, e sabemos que não nos vai faltar", reagiu ao DN.
Morreu Joel Serrão, renovador da historiografia portuguesa
“Jornal de Notícias”, 7 de Março de 2008
Figura incontornável da historiografia portuguesa, Joel Serrão faleceu anteontem, em Sesimbra, vitimado por uma doença. Tinha 88 anos, muitos dos quais dedicados à investigação e à escrita. Publicou dezenas de obras, como o "Dicionário de História de Portugal", cuja primeira edição data dos anos 60 e ainda hoje é fonte de consulta obrigatória. Mas também escreveu monografias de cariz económico e social, além de textos sobre poetas. Foi pioneiro no estudo da História do século XIX em Portugal.
À obra de Joel Serrão - por muitos lembrado também como uma pessoa simples e civicamente interveniente - se deve, a par da de contemporâneos seus, a primeira aproximação às correntes historiográficas europeias do pós-guerra, sobretudo à revista francesa "Annales", fundada por Marc Bloch e Lucien Febvre. Hoje, é unânime a opinião de que foi um dos investigadores que mais contribuíram para uma visão de conjunto da história moderna portuguesa.
Nascido no Funchal em 1919, Joel Serrão licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. Foi professor do ensino secundário em várias cidades do país e também deu aulas em duas universidades da capital, tendo ainda sido membro do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian.
Na opinião da investigadora Maria Filomena Mónica, Serrão "conseguiu olhar a História sem óculos ideológicos". "Dos intelectuais que viveram o antigo regime, Joel Serrão é o historiador que mais prezo, nomeadamente por ter sido capaz de fazer o 'Dicionário de História de Portugal', editado pela Figueirinhas, que é um trabalho imenso", disse.
Maria Filomena Mónica classificou ainda como "surpreendente" a ligação de Serrão à poesia. Na verdade, o ensaísta também estudou as figuras que se destacaram na evolução das ideias e da cultura, como Cesário Verde, Fernando Pessoa, Antero de Quental e António Sérgio, além de ter escrito obras de introdução às disciplinas filosóficas.
O historiador madeirense Nelson Veríssimo considera que Joel Serrão abriu muitas linhas de investigação em vários domínios. "A sua obra é notável, tendo introduzido em Portugal uma nova forma de pensar a História, a Sociologia e a História da Cultura e das Mentalidades", acrescentou.
O funeral sai às 10 horas de hoje da Igreja de Santo Condestável, em Lisboa, para o cemitério dos Olivais.
Isabel Peixoto
Figura incontornável da historiografia portuguesa, Joel Serrão faleceu anteontem, em Sesimbra, vitimado por uma doença. Tinha 88 anos, muitos dos quais dedicados à investigação e à escrita. Publicou dezenas de obras, como o "Dicionário de História de Portugal", cuja primeira edição data dos anos 60 e ainda hoje é fonte de consulta obrigatória. Mas também escreveu monografias de cariz económico e social, além de textos sobre poetas. Foi pioneiro no estudo da História do século XIX em Portugal.
À obra de Joel Serrão - por muitos lembrado também como uma pessoa simples e civicamente interveniente - se deve, a par da de contemporâneos seus, a primeira aproximação às correntes historiográficas europeias do pós-guerra, sobretudo à revista francesa "Annales", fundada por Marc Bloch e Lucien Febvre. Hoje, é unânime a opinião de que foi um dos investigadores que mais contribuíram para uma visão de conjunto da história moderna portuguesa.
Nascido no Funchal em 1919, Joel Serrão licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. Foi professor do ensino secundário em várias cidades do país e também deu aulas em duas universidades da capital, tendo ainda sido membro do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian.
Na opinião da investigadora Maria Filomena Mónica, Serrão "conseguiu olhar a História sem óculos ideológicos". "Dos intelectuais que viveram o antigo regime, Joel Serrão é o historiador que mais prezo, nomeadamente por ter sido capaz de fazer o 'Dicionário de História de Portugal', editado pela Figueirinhas, que é um trabalho imenso", disse.
Maria Filomena Mónica classificou ainda como "surpreendente" a ligação de Serrão à poesia. Na verdade, o ensaísta também estudou as figuras que se destacaram na evolução das ideias e da cultura, como Cesário Verde, Fernando Pessoa, Antero de Quental e António Sérgio, além de ter escrito obras de introdução às disciplinas filosóficas.
O historiador madeirense Nelson Veríssimo considera que Joel Serrão abriu muitas linhas de investigação em vários domínios. "A sua obra é notável, tendo introduzido em Portugal uma nova forma de pensar a História, a Sociologia e a História da Cultura e das Mentalidades", acrescentou.
O funeral sai às 10 horas de hoje da Igreja de Santo Condestável, em Lisboa, para o cemitério dos Olivais.
Isabel Peixoto
Italianos querem Cabo Espichel
Jornal “Diário de Notícias”, 3 de Março de 2008
Desde 1995, altura em que passou para as mãos do Estado português, que se desenham ideias sobre a melhor utilização a dar às albergarias do Cabo Espichel. Até agora, nada foi feito à excepção da recuperação, em 2000, da igreja de Nossa Senhora do Cabo. Mas, o futuro pode ser promissor. Para já, tudo o que existe são propostas privadas de um grupo francês e outro italiano, que segundo a autarquia de Sesimbra terá ligações ao Vaticano.
Os italianos serão os únicos a manter o seu interesse. O grupo quer transformar as albergarias num hotel de charme. Mas, para isso, necessitam da autorização da Igreja e do Estado (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico). Já os franceses apresentaram uma proposta para um hotel direccionado à terceira idade, mas "nunca mais nos contactaram", assegura Augusto Pólvora, presidente da Câmara de Sesimbra.
Por isso, o autarca já marcou uma reunião, para meados deste mês, com os proprietários do Cabo. O objectivo é tentar inverter a situação que se criou em 1995, quando a confraria doou ao Estado a ala Norte, mas com a condição de restaurar todo o conjunto. O Estado não cumpriu, mas também não pode voltar a entregar a propriedade à igreja por erro de redacção do documento que não previa a reconversão, caso uma das partes falhasse. "Estamos num impasse que tem de ser resolvido e hoje o Estado pode resolver a questão com facilidade", garantiu ao DN o autarca.
Augusto Pólvora frisa que a autarquia não pode comprar o Cabo, mas pode servir de intermediária: "Temos um grupo italiano bastante interessado, mas antes de avançarmos com possíveis projectos temos de ter tudo bem resolvido", frisa. Até porque "há pequenas parcelas de terreno que pertencem a privados".
Entretanto, a autarquia vai avançar com uma recuperação no santuário do Cabo Espichel orçada em cerca de 150 mil euros. "Vamos tentar melhorar as condições de atractividade deste espaço", explicou Augusto Pólvora. A grande novidade é a instalação de uma rede eléctrica, visto que actualmente apenas a igreja tem electricidade aos dias de missa (domingo às 16.00), alimentada por um velhinho gerador. Será construído um parque de estacionamento com 150 lugares, os vãos da ala Norte serão finalmente entaipados e as albergarias pintadas. A câmara ainda não decidiu se vai proibir a circulação automóvel no cruzeiro: "As pessoas reagem muito mal à mudança. Mas o objectivo é libertar este espaço para as pessoas andarem à vontade", avançou.
A Casa da Água não vai ser requalificada mas "vai ser protegida. Vamos colocar uns portões para impedir o acesso e tentar dar-lhe um ar lavado", frisa o autarca. Tudo porque, "o aspecto abandonado incentiva ao vandalismo", lamenta.
Desde 1995, altura em que passou para as mãos do Estado português, que se desenham ideias sobre a melhor utilização a dar às albergarias do Cabo Espichel. Até agora, nada foi feito à excepção da recuperação, em 2000, da igreja de Nossa Senhora do Cabo. Mas, o futuro pode ser promissor. Para já, tudo o que existe são propostas privadas de um grupo francês e outro italiano, que segundo a autarquia de Sesimbra terá ligações ao Vaticano.
Os italianos serão os únicos a manter o seu interesse. O grupo quer transformar as albergarias num hotel de charme. Mas, para isso, necessitam da autorização da Igreja e do Estado (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico). Já os franceses apresentaram uma proposta para um hotel direccionado à terceira idade, mas "nunca mais nos contactaram", assegura Augusto Pólvora, presidente da Câmara de Sesimbra.
Por isso, o autarca já marcou uma reunião, para meados deste mês, com os proprietários do Cabo. O objectivo é tentar inverter a situação que se criou em 1995, quando a confraria doou ao Estado a ala Norte, mas com a condição de restaurar todo o conjunto. O Estado não cumpriu, mas também não pode voltar a entregar a propriedade à igreja por erro de redacção do documento que não previa a reconversão, caso uma das partes falhasse. "Estamos num impasse que tem de ser resolvido e hoje o Estado pode resolver a questão com facilidade", garantiu ao DN o autarca.
Augusto Pólvora frisa que a autarquia não pode comprar o Cabo, mas pode servir de intermediária: "Temos um grupo italiano bastante interessado, mas antes de avançarmos com possíveis projectos temos de ter tudo bem resolvido", frisa. Até porque "há pequenas parcelas de terreno que pertencem a privados".
Entretanto, a autarquia vai avançar com uma recuperação no santuário do Cabo Espichel orçada em cerca de 150 mil euros. "Vamos tentar melhorar as condições de atractividade deste espaço", explicou Augusto Pólvora. A grande novidade é a instalação de uma rede eléctrica, visto que actualmente apenas a igreja tem electricidade aos dias de missa (domingo às 16.00), alimentada por um velhinho gerador. Será construído um parque de estacionamento com 150 lugares, os vãos da ala Norte serão finalmente entaipados e as albergarias pintadas. A câmara ainda não decidiu se vai proibir a circulação automóvel no cruzeiro: "As pessoas reagem muito mal à mudança. Mas o objectivo é libertar este espaço para as pessoas andarem à vontade", avançou.
A Casa da Água não vai ser requalificada mas "vai ser protegida. Vamos colocar uns portões para impedir o acesso e tentar dar-lhe um ar lavado", frisa o autarca. Tudo porque, "o aspecto abandonado incentiva ao vandalismo", lamenta.
Ameaça de bomba na escola de Azeitão
Jornal “O Setubalense”, 27 de Fevereiro de 2008
Uma chamada telefónica feita para a Escola Básica 2,3 de Azeitão dava conta de que daí a alguns minutos iria explodir uma bomba, o que acabou por provocar a evacuação daquele recinto educativo.
Pouco passava das 13.45 horas de anteontem quando o telefonista da Escola 2/3 de Azeitão, situada na rua António Maria Oliveira Parreira, em Vila Nogueira de Azeitão, recebeu uma chamada telefónica através da qual uma voz dava conta de que cerca de 15 minutos depois a escola “iria pelos ares” devido a explosão de uma bomba que se encontrava no interior do recinto escolar.
Clara Félix, presidente do Agrupamento Vertical de Escolas de Azeitão foi de imediato contactada e, tal como referiu a «O Setubalense», ficou “alguns momentos indecisa” sobre qual seria a melhor atitude a tomar, uma vez que deveria tratar-se de uma brincadeira de muito mau gosto. No entanto, “e como temos cerca de 800 crianças na escola, optei por não arriscar e contactei de imediato as autoridades” que, neste caso, “foram muito eficientes” e chegaram rapidamente ao local.
Com efeito, a partir do alerta dado pela escola, para o local deslocou-se a GNR, os Bombeiros Sapadores de Setúbal e uma ambulância do INEM, tendo a escola começado a ser de imediato evacuada. Também nesta ocasião, “tudo correu muito bem, até porque”, como nos explicou Clara Félix, “as crianças têm exercícios desta natureza ao longo do ano lectivo e pensaram tratar-se de mais um”, o que só começou a levantar algumas dúvidas “na media em que iam saindo e vendo o aparato de veículos de socorro que se encontravam no local”.
A presidente do Agrupamento diz não ter qualquer base a que possa associar esta brincadeira de mau gosto, “até porque se tratava de um dia completamente normal de aulas, sem qualquer exame agendado” ou até mesmo estar a decorrer “qualquer processo disciplinar”.
A GNR de Setúbal que esteve no local, adiantou a «O Setubalense», através do responsável pelo Destacamento de Setúbal, Major Tavares Belo, que fez “a deslocação dos meios necessários para o local”, confirmou a “realização de buscas de segurança” mas que “não havia qualquer fundamento” para a ameaça, “não tendo sido encontrado qualquer objecto explosivo”.
Ana Maria Santos
Uma chamada telefónica feita para a Escola Básica 2,3 de Azeitão dava conta de que daí a alguns minutos iria explodir uma bomba, o que acabou por provocar a evacuação daquele recinto educativo.
Pouco passava das 13.45 horas de anteontem quando o telefonista da Escola 2/3 de Azeitão, situada na rua António Maria Oliveira Parreira, em Vila Nogueira de Azeitão, recebeu uma chamada telefónica através da qual uma voz dava conta de que cerca de 15 minutos depois a escola “iria pelos ares” devido a explosão de uma bomba que se encontrava no interior do recinto escolar.
Clara Félix, presidente do Agrupamento Vertical de Escolas de Azeitão foi de imediato contactada e, tal como referiu a «O Setubalense», ficou “alguns momentos indecisa” sobre qual seria a melhor atitude a tomar, uma vez que deveria tratar-se de uma brincadeira de muito mau gosto. No entanto, “e como temos cerca de 800 crianças na escola, optei por não arriscar e contactei de imediato as autoridades” que, neste caso, “foram muito eficientes” e chegaram rapidamente ao local.
Com efeito, a partir do alerta dado pela escola, para o local deslocou-se a GNR, os Bombeiros Sapadores de Setúbal e uma ambulância do INEM, tendo a escola começado a ser de imediato evacuada. Também nesta ocasião, “tudo correu muito bem, até porque”, como nos explicou Clara Félix, “as crianças têm exercícios desta natureza ao longo do ano lectivo e pensaram tratar-se de mais um”, o que só começou a levantar algumas dúvidas “na media em que iam saindo e vendo o aparato de veículos de socorro que se encontravam no local”.
A presidente do Agrupamento diz não ter qualquer base a que possa associar esta brincadeira de mau gosto, “até porque se tratava de um dia completamente normal de aulas, sem qualquer exame agendado” ou até mesmo estar a decorrer “qualquer processo disciplinar”.
A GNR de Setúbal que esteve no local, adiantou a «O Setubalense», através do responsável pelo Destacamento de Setúbal, Major Tavares Belo, que fez “a deslocação dos meios necessários para o local”, confirmou a “realização de buscas de segurança” mas que “não havia qualquer fundamento” para a ameaça, “não tendo sido encontrado qualquer objecto explosivo”.
Ana Maria Santos
Sexagenária encontrada morta debaixo de carro semi-submerso
Jornal “O Setubalense”, 20 de Fevereiro de 2008
Suzete Valente, de 67 anos de idade, enfermeira reformada, foi anteontem descoberta morta debaixo de um carro semi-submerso pela enxurrada, em Vila Nogueira de Azeitão, quando regressava a casa com o medicamento para o seu cão.
Suzete Valente, de 67 anos de idade, natural do Barreiro, viúva e enfermeira reformada do Hospital Dona Estefânia, morava há cerca de três anos na Rua Helena da Conceição dos Santos e Silva, no ‘coração’ de Vila Nogueira de Azeitão. Terá sido atraiçoada pela enxurrada quando subia a rua, de regresso a casa, ficando presa por debaixo de um automóvel estacionado.
O corpo da sexagenária, já cadáver, foi encontrado por debaixo de um automóvel, na rua de acesso a sua residência, no meio de uma enxurrada naquela inclinada artéria. Só a autópsia, a ter lugar no cemitério do Hospital de S. Bernardo, deverá agora esclarecer a causa da morte.
A médica veterinária da “Vet Arrábida”, a última pessoa que falou com Suzete Valente falou, e as vizinhas da sexagenária, não colocam outra hipótese: a senhora “arriscou” subir a rua, de regresso a casa, e foi atraiçoada pela forte bátega de água, acabando entalada na parte debaixo de um carro estacionado.
Ângela Martins, directora técnica da clínica veterinária ‘VET Arrábida’, lamentou a morte desta “nossa cliente, pessoa simpática e activa, com grande estima pela sua companhia, o cão ‘Lamb’, que é cardíaco. A senhora esteve aqui depois das 11 horas e levou comprimidos para o seu animal. No regresso a casa, aconteceu a tragédia”, lamentou.
À reportagem de «O Setubalense», uma vizinha da malograda e antiga enfermeira do Hospital Dona Estefânia, confirmou que a senhora, de bom trato, “residia aqui há três anos”. Maria Luísa Alface garante ter falado com a malograda vizinha do lado “meia hora antes dela descer a rua”, mas “nunca pensei ser pela última vez…”
A inusitada enxurrada de água da manhã de anteontem, terá sido o factor para este incidente mortal. Maria Alface não coloca outra hipótese, e até garante que a última vez que viu uma descarga de água assim “foi há 20 anos”. Com um pormenor: Esta prolongada rua (do antigo posto da GNR), com ligação ao centro de Vila Nogueira, “canaliza muita água proveniente do Alto da Madalena”. Em sua opinião, “a senhora não conhecia bem a força traiçoeira que a água leva nesta zona. Foi apanhada pela enxurrada, não resistiu e acabou entalada debaixo do carro”, considera Maria Alface.
De resto, ainda na manhã de ontem, aquando da visita da nossa reportagem ao local, as laterais do passeio completamente escavadas pela força das águas, dava a entender a força com que as águas pluviais ali correram no dia anterior.
Teodoro João
Suzete Valente, de 67 anos de idade, enfermeira reformada, foi anteontem descoberta morta debaixo de um carro semi-submerso pela enxurrada, em Vila Nogueira de Azeitão, quando regressava a casa com o medicamento para o seu cão.
Suzete Valente, de 67 anos de idade, natural do Barreiro, viúva e enfermeira reformada do Hospital Dona Estefânia, morava há cerca de três anos na Rua Helena da Conceição dos Santos e Silva, no ‘coração’ de Vila Nogueira de Azeitão. Terá sido atraiçoada pela enxurrada quando subia a rua, de regresso a casa, ficando presa por debaixo de um automóvel estacionado.
O corpo da sexagenária, já cadáver, foi encontrado por debaixo de um automóvel, na rua de acesso a sua residência, no meio de uma enxurrada naquela inclinada artéria. Só a autópsia, a ter lugar no cemitério do Hospital de S. Bernardo, deverá agora esclarecer a causa da morte.
A médica veterinária da “Vet Arrábida”, a última pessoa que falou com Suzete Valente falou, e as vizinhas da sexagenária, não colocam outra hipótese: a senhora “arriscou” subir a rua, de regresso a casa, e foi atraiçoada pela forte bátega de água, acabando entalada na parte debaixo de um carro estacionado.
Ângela Martins, directora técnica da clínica veterinária ‘VET Arrábida’, lamentou a morte desta “nossa cliente, pessoa simpática e activa, com grande estima pela sua companhia, o cão ‘Lamb’, que é cardíaco. A senhora esteve aqui depois das 11 horas e levou comprimidos para o seu animal. No regresso a casa, aconteceu a tragédia”, lamentou.
À reportagem de «O Setubalense», uma vizinha da malograda e antiga enfermeira do Hospital Dona Estefânia, confirmou que a senhora, de bom trato, “residia aqui há três anos”. Maria Luísa Alface garante ter falado com a malograda vizinha do lado “meia hora antes dela descer a rua”, mas “nunca pensei ser pela última vez…”
A inusitada enxurrada de água da manhã de anteontem, terá sido o factor para este incidente mortal. Maria Alface não coloca outra hipótese, e até garante que a última vez que viu uma descarga de água assim “foi há 20 anos”. Com um pormenor: Esta prolongada rua (do antigo posto da GNR), com ligação ao centro de Vila Nogueira, “canaliza muita água proveniente do Alto da Madalena”. Em sua opinião, “a senhora não conhecia bem a força traiçoeira que a água leva nesta zona. Foi apanhada pela enxurrada, não resistiu e acabou entalada debaixo do carro”, considera Maria Alface.
De resto, ainda na manhã de ontem, aquando da visita da nossa reportagem ao local, as laterais do passeio completamente escavadas pela força das águas, dava a entender a força com que as águas pluviais ali correram no dia anterior.
Teodoro João
“O segredo do sucesso passa pelo espírito de sacrifício”
Jornal “O Setubalense”, 18 de Fevereiro de 2008
A fábrica de tortas Azeitonense produz, em média, dez mil tortas por dia, emprega trinta funcionários e já gerou mais de dois milhões de euros. Actualmente, as tortas de Azeitão marcam presença em praticamente todas as superfícies comerciais, grandes e pequenas. Mas há treze anos, a realidade era outra, pois quem quisesse provar este afamado doce teria que se deslocar ao distrito de Setúbal.
O proprietário da fábrica, António Martins, pasteleiro e empresário, pegou nas tortas de Azeitão, um produto regional, que estava subvalorizado e deu-lhe uma marca. Inicialmente, começou a produzir queijadas em casa e a vender de porta a porta. Mas cedo se apercebeu da potencialidade da torta que, segundo o pasteleiro, “tinha características ideias para poder ser trabalhada não só a nível local mas também exterior, uma vez que, tem como recheio o doce de ovo que, ao contrário do creme, aguenta-se por mais tempo”. Assim iniciou, há treze anos, o fabrico deste doce, a nível nacional.
O negócio foi-se adaptando às grandes superfícies, “de forma lenta e sustentada”, refere. Há dez anos começou a fabricar para o hipermercado Jumbo, assumindo a loja de Setúbal e a de Almada. Logo no primeiro ano obteve “um sucesso extraordinário de vendas”, conta o empresário. Após esse período quiseram que vende-se para outras lojas, no entanto, António Martins indicou que não tinha condições para tal. “Eram necessários equipamentos como carros frigoríficos, que não eram fáceis de adquirir”, revela. Algo que foi conseguindo pouco a pouco.
A fábrica foi sofrendo reformas, aumentando à medida que o negócio crescia. Apesar do doce mais conhecido ser a torta de Azeitão, a fábrica Azeitonense também produz outros bolos. As queijadas de Azeitão, queijinhos de Azeitão, esses de Azeitão, cavacas e até bolos integrais são produzidos e vendidos ao público no número 438 da rua S. Gonçalo, em Brejos de Azeitão. Segundo o proprietário todos os bolos são confeccionados sempre “ao gosto do cliente”, com ingredientes o mais naturais possível e “não entrando em concorrências”.
Prova da qualidade de produção desta fábrica é o prémio “Sabor do ano 2008”, conquistado com as tortas e os esses de Azeitão, galardão muito reconhecido em França como símbolo de qualidade no sector alimentar. Esta distinção resultou de várias provas cegas, desprovidas de marca, realizada por vários consumidores anónimos.
Os dividendos que o empresário retira da fábrica servem, de acordo com o mesmo, para promover a marca, porque, “para singrar nas grandes superfícies, onde há muita competitividade, é preciso apostar na publicidade”, explica. Também usa esses lucros para aumentar os salários dos seus trabalhadores, porque “é importante que estejam motivados e não é com salários baixos que se vai para a frente”. Mas também é exigente e escolhe a dedo cada trabalhador, dando sempre preferência àqueles com formação superior. O resto do dinheiro serve para investir, se bem que, grande parte do dinheiro, diz, vai também para o Estado, através dos impostos que o empresário considera “muito altos”.
Para António Martins o segredo do seu sucesso passa, além de ter uma boa equipa de trabalho, pelo espírito de sacrifício que está patente, por exemplo, na ausência de férias. Confessa que “quem tem um negócio deixa de usufruir de outras coisas, há que estar sempre atento e não estagnar, pensar sempre dois ou três anos à frente, mas sempre com calma e segurança”.
No futuro pretende abrir uma nova fábrica, na Estrada Nacional 10, à saída da estação de Coina. O espaço terá dois mil metros quadrados de área coberta, com zona de estacionamento.
António Martins pretende reservar um espaço para uma loja onde irá comercializar vários produtos da região da Arrábida, como mel, queijo, moscatel, rebuçados e até artesanato. Neste campo ambiciona ainda criar um atelier onde haverá alguém a pintar azulejos e onde as pessoas possam encomendar painéis.
Este investimento de 2,1 milhões de euros traduz-se também numa aposta na exportação. O pasteleiro criou outros tamanhos de tortas (mini-tortas e miniaturas) a pensar no mercado internacional e noutro tipo de consumidores e eventos como casamentos, cocktails, etc. “Os ovos e o açúcar agradam a todas as bocas”, garante, daí a certeza do sucesso além fronteiras.
Vera Gomes
A fábrica de tortas Azeitonense produz, em média, dez mil tortas por dia, emprega trinta funcionários e já gerou mais de dois milhões de euros. Actualmente, as tortas de Azeitão marcam presença em praticamente todas as superfícies comerciais, grandes e pequenas. Mas há treze anos, a realidade era outra, pois quem quisesse provar este afamado doce teria que se deslocar ao distrito de Setúbal.
O proprietário da fábrica, António Martins, pasteleiro e empresário, pegou nas tortas de Azeitão, um produto regional, que estava subvalorizado e deu-lhe uma marca. Inicialmente, começou a produzir queijadas em casa e a vender de porta a porta. Mas cedo se apercebeu da potencialidade da torta que, segundo o pasteleiro, “tinha características ideias para poder ser trabalhada não só a nível local mas também exterior, uma vez que, tem como recheio o doce de ovo que, ao contrário do creme, aguenta-se por mais tempo”. Assim iniciou, há treze anos, o fabrico deste doce, a nível nacional.
O negócio foi-se adaptando às grandes superfícies, “de forma lenta e sustentada”, refere. Há dez anos começou a fabricar para o hipermercado Jumbo, assumindo a loja de Setúbal e a de Almada. Logo no primeiro ano obteve “um sucesso extraordinário de vendas”, conta o empresário. Após esse período quiseram que vende-se para outras lojas, no entanto, António Martins indicou que não tinha condições para tal. “Eram necessários equipamentos como carros frigoríficos, que não eram fáceis de adquirir”, revela. Algo que foi conseguindo pouco a pouco.
A fábrica foi sofrendo reformas, aumentando à medida que o negócio crescia. Apesar do doce mais conhecido ser a torta de Azeitão, a fábrica Azeitonense também produz outros bolos. As queijadas de Azeitão, queijinhos de Azeitão, esses de Azeitão, cavacas e até bolos integrais são produzidos e vendidos ao público no número 438 da rua S. Gonçalo, em Brejos de Azeitão. Segundo o proprietário todos os bolos são confeccionados sempre “ao gosto do cliente”, com ingredientes o mais naturais possível e “não entrando em concorrências”.
Prova da qualidade de produção desta fábrica é o prémio “Sabor do ano 2008”, conquistado com as tortas e os esses de Azeitão, galardão muito reconhecido em França como símbolo de qualidade no sector alimentar. Esta distinção resultou de várias provas cegas, desprovidas de marca, realizada por vários consumidores anónimos.
Os dividendos que o empresário retira da fábrica servem, de acordo com o mesmo, para promover a marca, porque, “para singrar nas grandes superfícies, onde há muita competitividade, é preciso apostar na publicidade”, explica. Também usa esses lucros para aumentar os salários dos seus trabalhadores, porque “é importante que estejam motivados e não é com salários baixos que se vai para a frente”. Mas também é exigente e escolhe a dedo cada trabalhador, dando sempre preferência àqueles com formação superior. O resto do dinheiro serve para investir, se bem que, grande parte do dinheiro, diz, vai também para o Estado, através dos impostos que o empresário considera “muito altos”.
Para António Martins o segredo do seu sucesso passa, além de ter uma boa equipa de trabalho, pelo espírito de sacrifício que está patente, por exemplo, na ausência de férias. Confessa que “quem tem um negócio deixa de usufruir de outras coisas, há que estar sempre atento e não estagnar, pensar sempre dois ou três anos à frente, mas sempre com calma e segurança”.
No futuro pretende abrir uma nova fábrica, na Estrada Nacional 10, à saída da estação de Coina. O espaço terá dois mil metros quadrados de área coberta, com zona de estacionamento.
António Martins pretende reservar um espaço para uma loja onde irá comercializar vários produtos da região da Arrábida, como mel, queijo, moscatel, rebuçados e até artesanato. Neste campo ambiciona ainda criar um atelier onde haverá alguém a pintar azulejos e onde as pessoas possam encomendar painéis.
Este investimento de 2,1 milhões de euros traduz-se também numa aposta na exportação. O pasteleiro criou outros tamanhos de tortas (mini-tortas e miniaturas) a pensar no mercado internacional e noutro tipo de consumidores e eventos como casamentos, cocktails, etc. “Os ovos e o açúcar agradam a todas as bocas”, garante, daí a certeza do sucesso além fronteiras.
Vera Gomes
Cabo Espichel de cara lavada ainda este ano
“Jornal de Notícias”, 10 de Fevereiro de 2008
Abandonado há 10 anos, o santuário do Cabo Espichel, em Sesimbra, vai ser requalificado ainda este ano. As obras, orçadas em 100 mil euros, contemplam a construção de um parque de estacionamento com 150 lugares, a reabilitação da zona da Mãe de Água e o embelezamento exterior de toda a área envolvente ao santuário. "O que vamos fazer no imediato é tentar melhorar as condições de atractividade do espaço", avançou, ao JN, o presidente da Câmara de Sesimbra, Augusto Pólvora, após a sociedade Costlântica ter doado ao município os quatro hectares de terreno envolvente ao santuário.
Uma das intervenções prioritárias é a instalação de rede eléctrica, uma vez que actualmente apenas a igreja tem iluminação, alimentada por um gerador. "Estamos também em vias de conseguir um acordo com a Simarsul para o saneamento básico", adianta o autarca, referindo que, no próximo Verão, o espaço já irá ser palco de iniciativas culturais.
O santuário do Cabo Espichel entrou em declínio há 10 anos, quando a Confraria de Nossa Senhora do Cabo cedeu ao Estado a ala Norte para que o INATUR ali construísse uma pousada. Na altura, as casas estavam ocupadas por pescadores de Sesimbra, que pernoitavam no Cabo pelo menos durante a festa religiosa de Setembro. Os ocupantes foram despejados e todas as entradas para as casas foram vedadas com tijolo.
Entretanto, o INATUR já não quer construir uma pousada no local e autarquia está agora a desenvolver esforços para que a zona pertencente ao Estado possa ser dinamizada. "Estamos a tentar encontrar um outro promotor para instalar um programa misto de alojamento e comércio", adianta Augusto Pólvora. Quanto à ala Sul, que irá continuar na posse da igreja, o município espera conseguir que parte do piso térreo seja cedido para a instalação de serviços, que possam suportar os custos de recuperação do piso superior, que incluirá uma zona de recolhimento e alojamento.
O abandono do santuário tem contribuído para a sua degradação e quem até ali se desloca mostra-se satisfeito por a requalificação avançar finalmente. "Isto é um monumento e é pena estar a ser destruído", frisa José Costa, da Charneca de Caparica, considerando que a edificação de uma pousada seria o projecto ideal. Luísa Costa tem a mesma opinião que o marido e lamenta "estar tudo fechado e abandonado". "O que fizerem aqui fica melhor do que está", salienta por outro lado Francisco Marques, do Zambujal, considerando que é necessário conservar o espaço.
Sandra Brazinha
Abandonado há 10 anos, o santuário do Cabo Espichel, em Sesimbra, vai ser requalificado ainda este ano. As obras, orçadas em 100 mil euros, contemplam a construção de um parque de estacionamento com 150 lugares, a reabilitação da zona da Mãe de Água e o embelezamento exterior de toda a área envolvente ao santuário. "O que vamos fazer no imediato é tentar melhorar as condições de atractividade do espaço", avançou, ao JN, o presidente da Câmara de Sesimbra, Augusto Pólvora, após a sociedade Costlântica ter doado ao município os quatro hectares de terreno envolvente ao santuário.
Uma das intervenções prioritárias é a instalação de rede eléctrica, uma vez que actualmente apenas a igreja tem iluminação, alimentada por um gerador. "Estamos também em vias de conseguir um acordo com a Simarsul para o saneamento básico", adianta o autarca, referindo que, no próximo Verão, o espaço já irá ser palco de iniciativas culturais.
O santuário do Cabo Espichel entrou em declínio há 10 anos, quando a Confraria de Nossa Senhora do Cabo cedeu ao Estado a ala Norte para que o INATUR ali construísse uma pousada. Na altura, as casas estavam ocupadas por pescadores de Sesimbra, que pernoitavam no Cabo pelo menos durante a festa religiosa de Setembro. Os ocupantes foram despejados e todas as entradas para as casas foram vedadas com tijolo.
Entretanto, o INATUR já não quer construir uma pousada no local e autarquia está agora a desenvolver esforços para que a zona pertencente ao Estado possa ser dinamizada. "Estamos a tentar encontrar um outro promotor para instalar um programa misto de alojamento e comércio", adianta Augusto Pólvora. Quanto à ala Sul, que irá continuar na posse da igreja, o município espera conseguir que parte do piso térreo seja cedido para a instalação de serviços, que possam suportar os custos de recuperação do piso superior, que incluirá uma zona de recolhimento e alojamento.
O abandono do santuário tem contribuído para a sua degradação e quem até ali se desloca mostra-se satisfeito por a requalificação avançar finalmente. "Isto é um monumento e é pena estar a ser destruído", frisa José Costa, da Charneca de Caparica, considerando que a edificação de uma pousada seria o projecto ideal. Luísa Costa tem a mesma opinião que o marido e lamenta "estar tudo fechado e abandonado". "O que fizerem aqui fica melhor do que está", salienta por outro lado Francisco Marques, do Zambujal, considerando que é necessário conservar o espaço.
Sandra Brazinha
Traficantes de droga galegos guardavam haxixe em Sesimbra
“Jornal de Notícias”, 10 de Fevereiro de 2008
Cerca de seis toneladas de haxixe foram apreendidas em Portugal, numa operação policial que juntou a Polícia Judiciária (PJ) e a Guardia Civil de Espanha e que levou à detenção de um total de 17 indivíduos. Um dos dois alegados cabecilhas da rede é um antigo e conhecido dirigente sindical da zona de Arosa.
A droga tinha como destino os cartéis galegos e a investigação tinha começado há um ano, trazendo inclusive ao nosso país elementos de investigação da Guardia Civil de Pontevedra, que acompanharam a Polícia Judiciária nas investigações.
Parte da droga foi apreendida no IP1, na zona de Leiria, dentro de um camião que tinha sido alugado em Espanha para fazer o transporte do haxixe, segundo adiantou o coordenador de investigação criminal Dias Santos, da Direcção Central de Investigação do Tráfico de Estupefacientes (DCITE) da PJ. "À frente da viatura onde seguia a droga, neste caso pólen de haxixe, seguia um automóvel, que funcionava como batedor", apontou Dias Santos. Os dois condutores foram detidos, e acabaram por ficar em prisão preventiva depois de terem sido presentes ontem à tarde, perante um juiz no tribunal de Almada.
A maior parte do haxixe estava, no entanto, escondido em casas abandonadas, na região de Sesimbra, mais concretamente em Azóia, junto à estrada que liga ao Cabo Espichel. Trata-se de edifícios cuja construção foi embargada há vários anos, existindo apenas as paredes e os telhados. Era numa dessas casas que a droga estava escondida, a pouco mais de dois quilómetros do mar, mas as autoridades ainda não sabem se o haxixe foi desembarcado ou não na zona.
De acordo com o coronel Rafael Daza Pichardo, comandante da Guardia Civil de Pontevedra, já tinha havido detenções em Espanha em Agosto e em Dezembro, incidindo sobre a mesma rede, que mais recentemente levaram à detenção dos líderes, que segundo soube o JN junto de fonte policial são Juan Salvador Rivadomar Padin e Guillermo Fernandez Sanchez.
Salvador Ribadomar era um conhecido sindicalista ligado às profissões do mar, que deixou o sindicalismo para se tornar empresário. A sua ligação ao tráfico de drogas era insuspeita e a detecção surpreendeu toda a gente. Ambos os alegados líderes do grupo eram da zona de Arosa, nas rias galegas, um a zona historicamente ligada ao tráfico de drogas. Mais detenções relacionadas com o caso poderão ocorrer.
Noutra acção que precedeu esta operação, há cerca de dois meses, foi apreendida uma lancha voadora, com cerca de duas toneladas de haxixe, em Alicante, no Mediterrâneo, que operava para a mesma rede galega. A operação recebeu a designação de "Ipanema".
A aparente alteração de rota do tráfico, segundo o coronel Rafael Daza Pichardo, poderá estar associada à eficácia do sistema de vigilância electrónica que está a operar na costa sul de Espanha e que está em fase de concurso para instalação também em Portugal, tal como o JN já noticiou.
Além das quase seis toneladas de haxixe apreendidas pela PJ, durante a operação a Guardia Civil já tinha apreendido em Espanha 2,3 toneladas do mesmo estupefaciente. Feitas as contas, fora m apreendidas um total de mais de 8,3 toneladas de droga, que eram geridas pela mesma rede, agora desmantelada, com a operação em Portugal.
Com os dois detidos foram apreendidos vários telemóveis com cartões de rede nacional. À partida tinham sido comprados especificamente para fazer a monitorização do transporte de droga, no percurso entre Sesimbra e a Galiza.
António Soares
Carlos Varela
Cerca de seis toneladas de haxixe foram apreendidas em Portugal, numa operação policial que juntou a Polícia Judiciária (PJ) e a Guardia Civil de Espanha e que levou à detenção de um total de 17 indivíduos. Um dos dois alegados cabecilhas da rede é um antigo e conhecido dirigente sindical da zona de Arosa.
A droga tinha como destino os cartéis galegos e a investigação tinha começado há um ano, trazendo inclusive ao nosso país elementos de investigação da Guardia Civil de Pontevedra, que acompanharam a Polícia Judiciária nas investigações.
Parte da droga foi apreendida no IP1, na zona de Leiria, dentro de um camião que tinha sido alugado em Espanha para fazer o transporte do haxixe, segundo adiantou o coordenador de investigação criminal Dias Santos, da Direcção Central de Investigação do Tráfico de Estupefacientes (DCITE) da PJ. "À frente da viatura onde seguia a droga, neste caso pólen de haxixe, seguia um automóvel, que funcionava como batedor", apontou Dias Santos. Os dois condutores foram detidos, e acabaram por ficar em prisão preventiva depois de terem sido presentes ontem à tarde, perante um juiz no tribunal de Almada.
A maior parte do haxixe estava, no entanto, escondido em casas abandonadas, na região de Sesimbra, mais concretamente em Azóia, junto à estrada que liga ao Cabo Espichel. Trata-se de edifícios cuja construção foi embargada há vários anos, existindo apenas as paredes e os telhados. Era numa dessas casas que a droga estava escondida, a pouco mais de dois quilómetros do mar, mas as autoridades ainda não sabem se o haxixe foi desembarcado ou não na zona.
De acordo com o coronel Rafael Daza Pichardo, comandante da Guardia Civil de Pontevedra, já tinha havido detenções em Espanha em Agosto e em Dezembro, incidindo sobre a mesma rede, que mais recentemente levaram à detenção dos líderes, que segundo soube o JN junto de fonte policial são Juan Salvador Rivadomar Padin e Guillermo Fernandez Sanchez.
Salvador Ribadomar era um conhecido sindicalista ligado às profissões do mar, que deixou o sindicalismo para se tornar empresário. A sua ligação ao tráfico de drogas era insuspeita e a detecção surpreendeu toda a gente. Ambos os alegados líderes do grupo eram da zona de Arosa, nas rias galegas, um a zona historicamente ligada ao tráfico de drogas. Mais detenções relacionadas com o caso poderão ocorrer.
Noutra acção que precedeu esta operação, há cerca de dois meses, foi apreendida uma lancha voadora, com cerca de duas toneladas de haxixe, em Alicante, no Mediterrâneo, que operava para a mesma rede galega. A operação recebeu a designação de "Ipanema".
A aparente alteração de rota do tráfico, segundo o coronel Rafael Daza Pichardo, poderá estar associada à eficácia do sistema de vigilância electrónica que está a operar na costa sul de Espanha e que está em fase de concurso para instalação também em Portugal, tal como o JN já noticiou.
Além das quase seis toneladas de haxixe apreendidas pela PJ, durante a operação a Guardia Civil já tinha apreendido em Espanha 2,3 toneladas do mesmo estupefaciente. Feitas as contas, fora m apreendidas um total de mais de 8,3 toneladas de droga, que eram geridas pela mesma rede, agora desmantelada, com a operação em Portugal.
Com os dois detidos foram apreendidos vários telemóveis com cartões de rede nacional. À partida tinham sido comprados especificamente para fazer a monitorização do transporte de droga, no percurso entre Sesimbra e a Galiza.
António Soares
Carlos Varela
sexta-feira
Apostar nas tortas de Azeitão foi uma doce ideia
Jornal "Diário de Notícias", 17 de Janeiro de 2008
Virar as costas a Pinhel, no distrito da Guarda, rumo a Azeitão (Setúbal) mudou-lhe a vida. Sem perder de vista as raízes ligadas à pastelaria, descobriu as célebres tortas, aprendeu o segredo e lançou-se no mercado. Começou uma aventura apenas apoiado pela mulher, vendendo porta a porta. Hoje, 13 anos volvidos, vai a caminho de um "pequeno império" que produz 10 mil tortas por dia, pelo preço unitário de 1,05 euros.
António Martins é o exemplo de um empresário que subiu a pulso. Paulatinamente. Já conquistou o País, agora as tortas de Azeitão vão a caminho da internacionalização. Aqui aplica-se a velha máxima: a necessidade aguça o engenho. Filho de padeiros, cedo se iniciou na actividade de pasteleiro. Chegou a produzir cavacas, mas sentiu na pele as dificuldades impostas pela globalização quando há duas décadas Portugal aderiu à UE. "Começámos a ter dificuldades. As pequenas empresas não tinham condições de entrar nas grandes superfícies e os espanhóis invadiram o País com produtos idênticos aos nossos, mas mais vistosos e com preços mais baixos. Deixámos de vender", diz. Mas aprendeu com o erro.
Desceu no mapa à procura de melhor sorte. Por terras do Sado conheceu as tortas de Azeitão. "Achei que era um produto de qualidade, mas que estava reduzido a um produto local, embora tivesse potencial para vir a ser comercializado a nível nacional", conta António Martins, admitindo ter sido esta perspectiva que lhe valeu o negócio da vida em Brejos de Azeitão. No passado, facturou mais de 2 milhões de euros.
O empresário apostou forte neste projecto. Começou por produzir tortas em pequenas quantidades, foi conquistando mercado e abriu horizontes. "Se as tortas já eram boas, passaram a ser melhores porque investimos nas melhores matérias- -primas e demos uma imagem de marca a conhecer ao consumidor, recorrendo à promoção publicitária", adianta, admitindo que o passo determinante foi ter adaptado a produção ao mercado das grandes superfícies. Vai para dez anos que assumiu as duas primeiras lojas no Jumbo de Setúbal e no Pão de Açúcar de Almada. "O sucesso de vendas foi tão espectacular que no ano seguinte pediram-me para assumir outras lojas. Aos poucos, cheguei às superfícies comerciais de todo o País. Claro que tive sempre de fazer investimentos. Um dos primeiros foi quando comprei um carro de frio", recorda. Mas o maior investimento está em curso, com a aquisição de um espaço onde há-de edificar a nova fábrica, na qual pretende reservar um espaço para exibir os melhores produtos tradicionais da região - do queijo de Azeitão, ao mel, passando pelo moscatel.
António Martins vai gastar 2,1 milhões de euros no novo projecto. Com um total 6 mil metros quadrados, sendo 2 mil de área coberta, junto à Estrada Nacional 10. Garante ao DN que as actuais instalações já limitam as ambições da empresa, onde trabalham 30 pessoas. Afinal, o empresário quer levar o seu produto às mesas do mundo e diz que, não tarda, a torta ultracongelada vai chegar a países como o Japão, Brasil, França, Espanha, Inglaterra e Alemanha.... E desta vez não receia a concorrência. É que as tortas de Azeitão "não são fáceis de fabricar. Quando eu comecei houve outros que também começaram, mas foram ficando pelo caminho. Não é fácil." Daí que exiba com orgulho o prémio Marca Sabor, conquistado entre mais de cem empresas.
Roberto Dores
Virar as costas a Pinhel, no distrito da Guarda, rumo a Azeitão (Setúbal) mudou-lhe a vida. Sem perder de vista as raízes ligadas à pastelaria, descobriu as célebres tortas, aprendeu o segredo e lançou-se no mercado. Começou uma aventura apenas apoiado pela mulher, vendendo porta a porta. Hoje, 13 anos volvidos, vai a caminho de um "pequeno império" que produz 10 mil tortas por dia, pelo preço unitário de 1,05 euros.
António Martins é o exemplo de um empresário que subiu a pulso. Paulatinamente. Já conquistou o País, agora as tortas de Azeitão vão a caminho da internacionalização. Aqui aplica-se a velha máxima: a necessidade aguça o engenho. Filho de padeiros, cedo se iniciou na actividade de pasteleiro. Chegou a produzir cavacas, mas sentiu na pele as dificuldades impostas pela globalização quando há duas décadas Portugal aderiu à UE. "Começámos a ter dificuldades. As pequenas empresas não tinham condições de entrar nas grandes superfícies e os espanhóis invadiram o País com produtos idênticos aos nossos, mas mais vistosos e com preços mais baixos. Deixámos de vender", diz. Mas aprendeu com o erro.
Desceu no mapa à procura de melhor sorte. Por terras do Sado conheceu as tortas de Azeitão. "Achei que era um produto de qualidade, mas que estava reduzido a um produto local, embora tivesse potencial para vir a ser comercializado a nível nacional", conta António Martins, admitindo ter sido esta perspectiva que lhe valeu o negócio da vida em Brejos de Azeitão. No passado, facturou mais de 2 milhões de euros.
O empresário apostou forte neste projecto. Começou por produzir tortas em pequenas quantidades, foi conquistando mercado e abriu horizontes. "Se as tortas já eram boas, passaram a ser melhores porque investimos nas melhores matérias- -primas e demos uma imagem de marca a conhecer ao consumidor, recorrendo à promoção publicitária", adianta, admitindo que o passo determinante foi ter adaptado a produção ao mercado das grandes superfícies. Vai para dez anos que assumiu as duas primeiras lojas no Jumbo de Setúbal e no Pão de Açúcar de Almada. "O sucesso de vendas foi tão espectacular que no ano seguinte pediram-me para assumir outras lojas. Aos poucos, cheguei às superfícies comerciais de todo o País. Claro que tive sempre de fazer investimentos. Um dos primeiros foi quando comprei um carro de frio", recorda. Mas o maior investimento está em curso, com a aquisição de um espaço onde há-de edificar a nova fábrica, na qual pretende reservar um espaço para exibir os melhores produtos tradicionais da região - do queijo de Azeitão, ao mel, passando pelo moscatel.
António Martins vai gastar 2,1 milhões de euros no novo projecto. Com um total 6 mil metros quadrados, sendo 2 mil de área coberta, junto à Estrada Nacional 10. Garante ao DN que as actuais instalações já limitam as ambições da empresa, onde trabalham 30 pessoas. Afinal, o empresário quer levar o seu produto às mesas do mundo e diz que, não tarda, a torta ultracongelada vai chegar a países como o Japão, Brasil, França, Espanha, Inglaterra e Alemanha.... E desta vez não receia a concorrência. É que as tortas de Azeitão "não são fáceis de fabricar. Quando eu comecei houve outros que também começaram, mas foram ficando pelo caminho. Não é fácil." Daí que exiba com orgulho o prémio Marca Sabor, conquistado entre mais de cem empresas.
Roberto Dores
terça-feira
Passagem de ano debaixo de água
"Jornal de Notícias", 31 de Dezembro de 2007
A transição de 2007 para 2008 promete ser arrojada em Sesimbra com uma centena de mergulhadores debaixo de água, 12 minutos de fogo-de-artifício, dois palcos de música e restaurantes e bares abertos até de manhã. A iniciativa inédita pretende fazer da vila um destino nacional para a passagem de ano.
"O programa destina-se a recolocar Sesimbra no mapa das festividades anuais, à semelhança do que acontece todos os anos no Carnaval", avançou ao JN Aleixo Terra-da-Motta, coordenador do Turifórum para o projecto. "Trata-se de um conjunto de actividades que passam pela abertura do comércio toda a noite, pelo fecho da marginal junto ao mar e pela colocação de dois palcos de música", explica.
À meia-noite, o espectáculo de luzes irá iluminar toda a baía. "Vamos meter debaixo de água cem mergulhadores que vão desenhar 2008 com as suas lanternas", refere o responsável. Vinte segundos depois inicia-se o espectáculo pirotécnico numa extensão de 1250 metros com 1750 disparos por minuto. "Pela primeira vez vai haver uma barreira de fogo desenhada de propósito para Sesimbra", adianta Aleixo Terra-da-Motta.
Por motivos de segurança serão estabelecidos dois perímetros de segurança, um no mar e outro em terra, devido ao lançamento do fogo-de-artifício e a toda a logística que implicará a colocação de 100 mergulhadores no mar. Esta é, aliás, a actividade mais complexa de todo o programa.
"A marginal de Sesimbra contará ainda com a presença de vários animadores de rua e dois palcos com música até às 2.30 horas. Na zona nascente estará a banda Cuba Libré e na zona poente actua a banda Grand'Área, seguida do DJ Monchike. A edição zero do "Reveillon de Sesimbra" implicou um investimento de 45 mil euros, a que se somam todas as dádivas feitas pelas empresas aderentes ao projecto.
Sandra Brazinha
A transição de 2007 para 2008 promete ser arrojada em Sesimbra com uma centena de mergulhadores debaixo de água, 12 minutos de fogo-de-artifício, dois palcos de música e restaurantes e bares abertos até de manhã. A iniciativa inédita pretende fazer da vila um destino nacional para a passagem de ano.
"O programa destina-se a recolocar Sesimbra no mapa das festividades anuais, à semelhança do que acontece todos os anos no Carnaval", avançou ao JN Aleixo Terra-da-Motta, coordenador do Turifórum para o projecto. "Trata-se de um conjunto de actividades que passam pela abertura do comércio toda a noite, pelo fecho da marginal junto ao mar e pela colocação de dois palcos de música", explica.
À meia-noite, o espectáculo de luzes irá iluminar toda a baía. "Vamos meter debaixo de água cem mergulhadores que vão desenhar 2008 com as suas lanternas", refere o responsável. Vinte segundos depois inicia-se o espectáculo pirotécnico numa extensão de 1250 metros com 1750 disparos por minuto. "Pela primeira vez vai haver uma barreira de fogo desenhada de propósito para Sesimbra", adianta Aleixo Terra-da-Motta.
Por motivos de segurança serão estabelecidos dois perímetros de segurança, um no mar e outro em terra, devido ao lançamento do fogo-de-artifício e a toda a logística que implicará a colocação de 100 mergulhadores no mar. Esta é, aliás, a actividade mais complexa de todo o programa.
"A marginal de Sesimbra contará ainda com a presença de vários animadores de rua e dois palcos com música até às 2.30 horas. Na zona nascente estará a banda Cuba Libré e na zona poente actua a banda Grand'Área, seguida do DJ Monchike. A edição zero do "Reveillon de Sesimbra" implicou um investimento de 45 mil euros, a que se somam todas as dádivas feitas pelas empresas aderentes ao projecto.
Sandra Brazinha
Regressou raridade da José Maria da Fonseca
Jornal "Setubalense", 31 de Dezembro de 2007
O moscatel da José Maria da Fonseca “Torna Viagem” andou vários meses a bordo do navio-escola Sagres passando por África e América do Sul.
O famoso Moscatel de Setúbal “Torna Viagem” da José Maria da Fonseca, já regressou de mais uma viagem por terras e portos Sul-americanos. O “Torna Viagem” viajou a bordo do navio-escola Sagres, que passou por Mindelo, Recife, Santos, Buenos Aires, Montevideu, Rio de Janeiro e Tenerife.
À semelhança do que já aconteceu no ano de 2000, por altura da comemoração dos 500 anos do descobrimento do Brasil, o navio-escola partiu a 29 de Junho de 2007, transportando 4 cascos de Moscatel de Setúbal e 2 cascos de Moscatel de Setúbal Roxo na sua jornada por terras e portos Sul-americanos. Antes da sua chegada a Lisboa, a 16 de Outubro, a Sagres atracou nos portos Sul-americanos de Recife, Santos, Buenos Aires, Montevideu e Rio de Janeiro.
A José Maria da Fonseca descobriu o “Torna Viagem” há mais de um século. Na época em que navios cruzavam os mares do mundo fazendo todo o tipo de comércio, era comum levarem à consignação cascos de Moscatel de Setúbal. Os comandantes, que recebiam pelo que vendiam, nem sempre os conseguiam comercializar todos. Na volta a Portugal, depois do périplo, em que se submetiam a diversos climas e significativas variações de temperatura, os cascos eram devolvidos à casa mãe. Ao serem abertos, o resultado era quase sempre uma grata surpresa: geralmente o vinho estava bastante melhor do que antes de embarcar. A passagem pelos trópicos, a caminho do Brasil, África ou Índia, quando atravessava por duas vezes a linha do Equador, uma na ida, outra na volta, parecia melhorar a qualidade do Moscatel de Setúbal e conferir-lhe grande complexidade.
“Com os choques térmicos sofridos durante a viagem, sabemos que o Moscatel Torna Viagem terá uma cor mais escura e características totalmente diferentes do que ficou cá”, diz António Soares Franco, presidente do conselho de administração da José Maria da Fonseca. Ao provar o Moscatel Torna Viagem, recém regressado, Domingos Soares Franco afirma que "O Moscatel ficou mais redondo, menos agreste. Está maravilhoso". Além das provas frequentes, os enólogos têm outra forma de avaliar as particularidades do “Torna Viagem”: um casco do mesmo vinho permaneceu na adega de Azeitão, enquanto os outros seis corriam os mares. O Testemunha, como é chamado pela JMF, serve para fazer a comparação com os que voltaram.
HISTÓRIA - O “Torna Viagem” nasce de um facto curioso. A José Maria da Fonseca, quando foi fundada em 1834 por José Maria da Fonseca, privilegiou a exportação dos seus vinhos em garrafas. O Moscatel era a excepção praticada na casa, mas foi desta forma que surgiu a raridade e a lenda do “Torna Viagem”. O Moscatel de Setúbal, vinho generoso, tradição da José Maria da Fonseca, é comercializado desde a fundação da empresa há mais de 170 anos. A sua vinificação assemelha-se à do vinho do Porto e da Madeira. A fermentação é interrompida com a adição de aguardente vínica, atingindo uma graduação alcoólica de 18 a 20º. Em seguida, o líquido é macerado por cinco meses em contacto com as películas da uva, para obter maior tipicidade. Por fim, é envelhecido em cascos de carvalho usado de 600 litros, por um período mínimo de 24 meses, antes de ser engarrafado. A José Maria da Fonseca mantém uma cave em Azeitão, chamada de adega dos Teares Velhos, dedicada exclusivamente ao envelhecimento dos moscatéis topo de gama.
O moscatel da José Maria da Fonseca “Torna Viagem” andou vários meses a bordo do navio-escola Sagres passando por África e América do Sul.
O famoso Moscatel de Setúbal “Torna Viagem” da José Maria da Fonseca, já regressou de mais uma viagem por terras e portos Sul-americanos. O “Torna Viagem” viajou a bordo do navio-escola Sagres, que passou por Mindelo, Recife, Santos, Buenos Aires, Montevideu, Rio de Janeiro e Tenerife.
À semelhança do que já aconteceu no ano de 2000, por altura da comemoração dos 500 anos do descobrimento do Brasil, o navio-escola partiu a 29 de Junho de 2007, transportando 4 cascos de Moscatel de Setúbal e 2 cascos de Moscatel de Setúbal Roxo na sua jornada por terras e portos Sul-americanos. Antes da sua chegada a Lisboa, a 16 de Outubro, a Sagres atracou nos portos Sul-americanos de Recife, Santos, Buenos Aires, Montevideu e Rio de Janeiro.
A José Maria da Fonseca descobriu o “Torna Viagem” há mais de um século. Na época em que navios cruzavam os mares do mundo fazendo todo o tipo de comércio, era comum levarem à consignação cascos de Moscatel de Setúbal. Os comandantes, que recebiam pelo que vendiam, nem sempre os conseguiam comercializar todos. Na volta a Portugal, depois do périplo, em que se submetiam a diversos climas e significativas variações de temperatura, os cascos eram devolvidos à casa mãe. Ao serem abertos, o resultado era quase sempre uma grata surpresa: geralmente o vinho estava bastante melhor do que antes de embarcar. A passagem pelos trópicos, a caminho do Brasil, África ou Índia, quando atravessava por duas vezes a linha do Equador, uma na ida, outra na volta, parecia melhorar a qualidade do Moscatel de Setúbal e conferir-lhe grande complexidade.
“Com os choques térmicos sofridos durante a viagem, sabemos que o Moscatel Torna Viagem terá uma cor mais escura e características totalmente diferentes do que ficou cá”, diz António Soares Franco, presidente do conselho de administração da José Maria da Fonseca. Ao provar o Moscatel Torna Viagem, recém regressado, Domingos Soares Franco afirma que "O Moscatel ficou mais redondo, menos agreste. Está maravilhoso". Além das provas frequentes, os enólogos têm outra forma de avaliar as particularidades do “Torna Viagem”: um casco do mesmo vinho permaneceu na adega de Azeitão, enquanto os outros seis corriam os mares. O Testemunha, como é chamado pela JMF, serve para fazer a comparação com os que voltaram.
HISTÓRIA - O “Torna Viagem” nasce de um facto curioso. A José Maria da Fonseca, quando foi fundada em 1834 por José Maria da Fonseca, privilegiou a exportação dos seus vinhos em garrafas. O Moscatel era a excepção praticada na casa, mas foi desta forma que surgiu a raridade e a lenda do “Torna Viagem”. O Moscatel de Setúbal, vinho generoso, tradição da José Maria da Fonseca, é comercializado desde a fundação da empresa há mais de 170 anos. A sua vinificação assemelha-se à do vinho do Porto e da Madeira. A fermentação é interrompida com a adição de aguardente vínica, atingindo uma graduação alcoólica de 18 a 20º. Em seguida, o líquido é macerado por cinco meses em contacto com as películas da uva, para obter maior tipicidade. Por fim, é envelhecido em cascos de carvalho usado de 600 litros, por um período mínimo de 24 meses, antes de ser engarrafado. A José Maria da Fonseca mantém uma cave em Azeitão, chamada de adega dos Teares Velhos, dedicada exclusivamente ao envelhecimento dos moscatéis topo de gama.
Espaço Solidário dá apoio a mais de 800 carenciados
"Jornal de Notícias", 21 de Dezembro de 2007
Mais de 800 pessoas são apoiadas pelo Espaço Solidário, inaugurado na Quinta do Conde faz hoje um ano, e que serve o concelho de Sesimbra. Trata-se de um serviço municipal que recebe roupa, brinquedos, mobiliário e electrodomésticos, artigos depois doados a famílias carenciadas.
De acordo com dados oficiais, o Espaço Solidário conta já com 202 utentes, famílias compostas em média por quatro elementos, ou seja, 808 pessoas. Ao longo dos últimos 12 meses, foram distribuídos mais de 20 mil artigos.
Os beneficiários do espaço são alvo de uma selecção criteriosa. "São pessoas que têm poucos rendimentos e que são sinalizadas pelos serviços técnicos da Câmara", conta a funcionária Patrícia Marquês, explicando que cada pessoa "escolhe a roupa consoante o agregado familiar".
Com apenas um ano de funcionamento, o Espaço Solidário superou todas as expectativas da Câmara. "Não estávamos à espera de uma rede de solidariedade tão grande", revelou ao JN a vereadora da Acção Social, Felícia Costa, lembrando que todos os utentes são acompanhados pelos serviços com o intuito de conhecer as suas reais necessidades. "Queremos agora começar a distribuir alimentos através de um acordo com operadores do Mercado da Quinta do Conde e do Banco Alimentar", adiantou.
Sandra Brazinha
Mais de 800 pessoas são apoiadas pelo Espaço Solidário, inaugurado na Quinta do Conde faz hoje um ano, e que serve o concelho de Sesimbra. Trata-se de um serviço municipal que recebe roupa, brinquedos, mobiliário e electrodomésticos, artigos depois doados a famílias carenciadas.
De acordo com dados oficiais, o Espaço Solidário conta já com 202 utentes, famílias compostas em média por quatro elementos, ou seja, 808 pessoas. Ao longo dos últimos 12 meses, foram distribuídos mais de 20 mil artigos.
Os beneficiários do espaço são alvo de uma selecção criteriosa. "São pessoas que têm poucos rendimentos e que são sinalizadas pelos serviços técnicos da Câmara", conta a funcionária Patrícia Marquês, explicando que cada pessoa "escolhe a roupa consoante o agregado familiar".
Com apenas um ano de funcionamento, o Espaço Solidário superou todas as expectativas da Câmara. "Não estávamos à espera de uma rede de solidariedade tão grande", revelou ao JN a vereadora da Acção Social, Felícia Costa, lembrando que todos os utentes são acompanhados pelos serviços com o intuito de conhecer as suas reais necessidades. "Queremos agora começar a distribuir alimentos através de um acordo com operadores do Mercado da Quinta do Conde e do Banco Alimentar", adiantou.
Sandra Brazinha
domingo
Deixou a PSP para ir à pesca
Jornal "Diário de Notícias", 24 de Novembro de 2007
Não andou a correr atrás de ladrões nem a vigiar suspeitos. E ser polícia não foi um daqueles sonhos de criança, que quase todos os rapazes já tiveram: ser polícia ou bombeiro. Entrou para a PSP aos 36 anos, já com posto de oficial obtido no Exército. O número dois da PSP, superintendente-chefe António Chumbinho, deu há um mês um passo ao lado e retirou-se de serviço, precisamente na véspera do seu 65.º aniversário. Agora com tempo livre, vai dedicá-lo à pesca e à família, confidenciou ao DN o ex-director nacional adjunto da PSP.
"Quando era miúdo queria ser maquinista de comboios", recorda o oficial, nascido em Grândola no dia 18 de Outubro de 1942. "Quando terminei o liceu, que fiz em Setúbal, decidi seguir a carreira militar. Tinha 19 anos quando ingressei na Academia Militar, em Lisboa, em 1962, para fazer a licenciatura", contou António Chumbinho.
Fez duas comissões de serviço como comandante de companhia em Moçambique e na Guiné, esta última interrompida quando ocorreu o 25 de Abril de 1974, regressando a Portugal em Outubro. Em 1978 foi convidado e fez duas comissões de serviço na PSP de Setúbal como segundo comandante distrital e depois como comandante. Transitou de tenente-coronel do Exército para intendente da PSP, onde ingressou definitivamente em 1987, no comando de Lisboa. Ascendeu na carreira até se tornar no número dois na hierarquia da PSP.
"Trabalhei até ao dia 17 de Outubro e no dia 18, quando fiz 65 anos, é que já não fui. Foi uma missão como qualquer outra, a de me retirar de serviço. Poderia ter saído antes, talvez há cinco anos - fiz 45 de serviço efectivo no Exército e na PSP - mas preferi continuar, porque não tinha outros projectos particulares e estava agarrado ao serviço público", explicou.
Casado, António Chumbinho, que mora em Azeitão (Setúbal), perto dos seus dois filhos e dos quatro netos, diz estar ainda "num processo de reorganização". E quanto ao ao futuro? "Vou estar mais disponível para a vida familiar e alguns entretenimentos. Gosto de ir à pesca. Antes já ia, mas pouco, porque me faltava o tempo. Trabalhava muitas horas, em média, 12 por dia."
"Quero dar especial atenção à família, que a vida activa na PSP condicionava muito. Nunca conseguia almoçar nem jantar com a minha mulher, porque chegava a casa muito tarde. Foi sempre ela que me deu apoio. Agora é tempo de ser eu a fazê-lo", concluiu.
Daniel Lam
Não andou a correr atrás de ladrões nem a vigiar suspeitos. E ser polícia não foi um daqueles sonhos de criança, que quase todos os rapazes já tiveram: ser polícia ou bombeiro. Entrou para a PSP aos 36 anos, já com posto de oficial obtido no Exército. O número dois da PSP, superintendente-chefe António Chumbinho, deu há um mês um passo ao lado e retirou-se de serviço, precisamente na véspera do seu 65.º aniversário. Agora com tempo livre, vai dedicá-lo à pesca e à família, confidenciou ao DN o ex-director nacional adjunto da PSP.
"Quando era miúdo queria ser maquinista de comboios", recorda o oficial, nascido em Grândola no dia 18 de Outubro de 1942. "Quando terminei o liceu, que fiz em Setúbal, decidi seguir a carreira militar. Tinha 19 anos quando ingressei na Academia Militar, em Lisboa, em 1962, para fazer a licenciatura", contou António Chumbinho.
Fez duas comissões de serviço como comandante de companhia em Moçambique e na Guiné, esta última interrompida quando ocorreu o 25 de Abril de 1974, regressando a Portugal em Outubro. Em 1978 foi convidado e fez duas comissões de serviço na PSP de Setúbal como segundo comandante distrital e depois como comandante. Transitou de tenente-coronel do Exército para intendente da PSP, onde ingressou definitivamente em 1987, no comando de Lisboa. Ascendeu na carreira até se tornar no número dois na hierarquia da PSP.
"Trabalhei até ao dia 17 de Outubro e no dia 18, quando fiz 65 anos, é que já não fui. Foi uma missão como qualquer outra, a de me retirar de serviço. Poderia ter saído antes, talvez há cinco anos - fiz 45 de serviço efectivo no Exército e na PSP - mas preferi continuar, porque não tinha outros projectos particulares e estava agarrado ao serviço público", explicou.
Casado, António Chumbinho, que mora em Azeitão (Setúbal), perto dos seus dois filhos e dos quatro netos, diz estar ainda "num processo de reorganização". E quanto ao ao futuro? "Vou estar mais disponível para a vida familiar e alguns entretenimentos. Gosto de ir à pesca. Antes já ia, mas pouco, porque me faltava o tempo. Trabalhava muitas horas, em média, 12 por dia."
"Quero dar especial atenção à família, que a vida activa na PSP condicionava muito. Nunca conseguia almoçar nem jantar com a minha mulher, porque chegava a casa muito tarde. Foi sempre ela que me deu apoio. Agora é tempo de ser eu a fazê-lo", concluiu.
Daniel Lam
Manuel Vilarinho acusado de tentar atropelar bombeiros
Jornal "Diário de Notícias", 7 de Outubro de 2007
Uma equipa de cinco elementos dos Bombeiros Voluntários de Setúbal ameaça apresentar uma queixa-crime contra o ex-presidente do Benfica Manuel Vilarinho, acusando-o de os ter impedido de entrar na sua propriedade, em Azeitão, para apagarem um incêndio, ao fim da tarde de sexta-feira. Adiantam que o proprietário da Quinta de Santiago os "insultou, tentou atropelar e ameaçou disparar contra eles". Manuel Vilarinho confirma que o incidente ocorreu, desmente aquelas acusações e recusa dar mais pormenores do caso.
O comandante da corporação, Paulo Sedas, confirmou ao DN que, "pouco antes das 18.00, foi recebida uma chamada relatando um foco de incêndio no perímetro do Parque Natural da Arrábida. Seguiram para o local um veículo de combate a incêndios florestais e cinco bombeiros".
O mesmo responsável recusou adiantar mais pormenores sobre o que sucedeu depois, "enquanto não se souber exactamente em concreto o que de facto aconteceu".
Um elemento da corporação, que preferiu não se identificar, declarou à Lusa que Manuel Vilarinho "tentou impedir a intervenção dos bombeiros, que se preparavam para apagar uma queima de sobrantes florestais, que ameaçava transformar-se num foco de incêndio, que poderia propagar-se à serra da Arrábida".Além disso, "insultou-nos, tentou atropelar-nos com uma motoquatro e ameaçou dar-nos um tiro com uma caçadeira, que nunca chegou a exibir", disse o mesmo bombeiro.
A confusão foi tanta, que compareceram no local elementos da GNR. Identificaram o dono do terreno e o chefe dos bombeiros que ali se encontrava de serviço. Fonte da GNR referiu que "a queima era de pouca monta e o proprietário tinha tomado as medidas necessárias para prevenir qualquer foco de incêndio".
Daniel Lam
Uma equipa de cinco elementos dos Bombeiros Voluntários de Setúbal ameaça apresentar uma queixa-crime contra o ex-presidente do Benfica Manuel Vilarinho, acusando-o de os ter impedido de entrar na sua propriedade, em Azeitão, para apagarem um incêndio, ao fim da tarde de sexta-feira. Adiantam que o proprietário da Quinta de Santiago os "insultou, tentou atropelar e ameaçou disparar contra eles". Manuel Vilarinho confirma que o incidente ocorreu, desmente aquelas acusações e recusa dar mais pormenores do caso.
O comandante da corporação, Paulo Sedas, confirmou ao DN que, "pouco antes das 18.00, foi recebida uma chamada relatando um foco de incêndio no perímetro do Parque Natural da Arrábida. Seguiram para o local um veículo de combate a incêndios florestais e cinco bombeiros".
O mesmo responsável recusou adiantar mais pormenores sobre o que sucedeu depois, "enquanto não se souber exactamente em concreto o que de facto aconteceu".
Um elemento da corporação, que preferiu não se identificar, declarou à Lusa que Manuel Vilarinho "tentou impedir a intervenção dos bombeiros, que se preparavam para apagar uma queima de sobrantes florestais, que ameaçava transformar-se num foco de incêndio, que poderia propagar-se à serra da Arrábida".Além disso, "insultou-nos, tentou atropelar-nos com uma motoquatro e ameaçou dar-nos um tiro com uma caçadeira, que nunca chegou a exibir", disse o mesmo bombeiro.
A confusão foi tanta, que compareceram no local elementos da GNR. Identificaram o dono do terreno e o chefe dos bombeiros que ali se encontrava de serviço. Fonte da GNR referiu que "a queima era de pouca monta e o proprietário tinha tomado as medidas necessárias para prevenir qualquer foco de incêndio".
Daniel Lam
Seis obras de arte pública criadas ao vivo no castelo
"Jornal de Notícias", 10 de Outubro de 2007
A pedra da região de Sesimbra não serve apenas para brita. É também matéria-prima para obras de arte. Prova disso são as seis esculturas expostas no castelo e que foram elaboradas ao vivo por sete artistas entre os dias 15 e 30 do mês passado. No âmbito da iniciativa "Escultura ao Vivo", promovida pela Câmara local, as obras vão, em breve, embelezar espaços públicos do concelho. "É um balanço extremamente positivo para os artistas, que deixam aqui a sua obra, e para Sesimbra que aumenta o seu património cultural e artístico", avançou ao JN o comissário da exposição, Carlos Bajouca. O escultor, de 51 anos, salienta que estes novos monumentos demonstram que "a pedra da região não serve só para calçada e gravilha". Sobre a obra "A Pesca do Espadarte", que construiu em conjunto com o cubano Hans Varela e que irá para a rotunda do Marco do Grilo, à entrada da vila, Carlos Bajouca realça que é "uma forma de homenagear os pescadores e a pesca do espadarte". Já o escultor Hans Varela, de 40 anos, frisa que a obra "representa Sesimbra em todo o seu esplendor". A mesma opinião tem Beatriz Cunha, de 48 anos "Foi tudo feito a um nível muito elevado em termos de convívio. E o local é maravilhoso", salienta a escultora que construiu uma "Alauda", que em latim significa Cotovia, a localidade para onde vai a peça. "É uma escrita musical, de fio ao vento, uma espécie de canto", descreveu. "Terra Mar" é o nome da escultura elaborada por João Antero, de 58 anos. "Na mesma pedra existe a terra e o mar, com um elemento orgânico no meio, uma árvore, que tenta representar o nascimento", salienta o professor, cuja obra será colocada no Parque Urbano da Quinta do Conde. "Foi uma iniciativa enriquecedora a todos os níveis", concluiu João Antero. Moisés Preto Paulo, 44 anos, elaborou "Severo Preto - O Homem do Leme", uma peça que será transferida para a nova marginal de Sesimbra. "Trata-se de uma homenagem à população local", disse o autor. Aplaudindo a iniciativa, Moisés Preto Paulo recorda que a iniciativa permitiu mostrar à população "como se fazem obras com escalas de exterior". "As pessoas têm curiosidade em saber como é que se transforma a matéria e como é que se forma uma obra de arte a partir de um calhau", corrobora João Renato, de 37 anos. Tendo como destino a Quinta do Conde, a peça "Os pioneiros" retrata, segundo o autor, "o surgimento dos primeiros habitantes naquela localidade". A "Homenagem ao Dador de Sangue", que também irá para a Quinta do Conde, foi trabalhada por Nelson Cardoso, de 49 anos. "Simboliza uma mulher sem rosto com o coração a sair", contou ao JN o escultor.
Sandra Brazinha
A pedra da região de Sesimbra não serve apenas para brita. É também matéria-prima para obras de arte. Prova disso são as seis esculturas expostas no castelo e que foram elaboradas ao vivo por sete artistas entre os dias 15 e 30 do mês passado. No âmbito da iniciativa "Escultura ao Vivo", promovida pela Câmara local, as obras vão, em breve, embelezar espaços públicos do concelho. "É um balanço extremamente positivo para os artistas, que deixam aqui a sua obra, e para Sesimbra que aumenta o seu património cultural e artístico", avançou ao JN o comissário da exposição, Carlos Bajouca. O escultor, de 51 anos, salienta que estes novos monumentos demonstram que "a pedra da região não serve só para calçada e gravilha". Sobre a obra "A Pesca do Espadarte", que construiu em conjunto com o cubano Hans Varela e que irá para a rotunda do Marco do Grilo, à entrada da vila, Carlos Bajouca realça que é "uma forma de homenagear os pescadores e a pesca do espadarte". Já o escultor Hans Varela, de 40 anos, frisa que a obra "representa Sesimbra em todo o seu esplendor". A mesma opinião tem Beatriz Cunha, de 48 anos "Foi tudo feito a um nível muito elevado em termos de convívio. E o local é maravilhoso", salienta a escultora que construiu uma "Alauda", que em latim significa Cotovia, a localidade para onde vai a peça. "É uma escrita musical, de fio ao vento, uma espécie de canto", descreveu. "Terra Mar" é o nome da escultura elaborada por João Antero, de 58 anos. "Na mesma pedra existe a terra e o mar, com um elemento orgânico no meio, uma árvore, que tenta representar o nascimento", salienta o professor, cuja obra será colocada no Parque Urbano da Quinta do Conde. "Foi uma iniciativa enriquecedora a todos os níveis", concluiu João Antero. Moisés Preto Paulo, 44 anos, elaborou "Severo Preto - O Homem do Leme", uma peça que será transferida para a nova marginal de Sesimbra. "Trata-se de uma homenagem à população local", disse o autor. Aplaudindo a iniciativa, Moisés Preto Paulo recorda que a iniciativa permitiu mostrar à população "como se fazem obras com escalas de exterior". "As pessoas têm curiosidade em saber como é que se transforma a matéria e como é que se forma uma obra de arte a partir de um calhau", corrobora João Renato, de 37 anos. Tendo como destino a Quinta do Conde, a peça "Os pioneiros" retrata, segundo o autor, "o surgimento dos primeiros habitantes naquela localidade". A "Homenagem ao Dador de Sangue", que também irá para a Quinta do Conde, foi trabalhada por Nelson Cardoso, de 49 anos. "Simboliza uma mulher sem rosto com o coração a sair", contou ao JN o escultor.
Sandra Brazinha
Meia tonelada de lixos retirada do mar
"Jornal de Notícias", 23 de Setembro de 2007
Mais de 500 quilos de lixo foram retirados ontem do mar de Sesimbra. O XII Encontro de Limpeza Subaquática decorreu junto à Praia do Ouro, no lado poente da vila. Pneus, garrafas, pilhas, frigideiras, um mega grelhador, covos de pesca, chapéus-de-sol, latas de tinta, tubos, plásticos e cordas foram alguns dos objectos encontrados no fundo do mar.
Assinalando o Dia Mundial da Limpeza de Praias, 56 mergulhadores recolheram 510 quilos de lixo, um registo inferior aos 724 quilos retirados do mar no ano passado. "A ideia é sensibilizar as pessoas para a importância da limpeza do meio marítimo", adiantou, ao JN, Luísa Fachada, directora do departamento de educação, cultura e lazer da Câmara Municipal de Sesimbra.
"As pessoas mandam até latas de tinta semi-cheias para dentro da água", lamenta João Ferreira, de 27 anos, membro do Núcleo de Actividades Subaquáticas do Instituto Superior Técnico, que colaborou com a autarquia na organização desta acção. Estreante nestas coisas, o lisboeta conta que encontrou "latas de bebida, garrafas de vidro e papel de jornal", acrescentando que houve também quem recolhesse pneus. "Certas coisas não vale a pena tirar do fundo do mar, porque há peixes pequenos que utilizam esses materiais para fugir dos grandes", considera, numa clara referência a objectos que serviam de habitat para algumas espécies.
A mesma questão preocupa Alexandra Figueiredo, uma professora de Tomar, de 30 anos, que levou até Sesimbra um total de 17 pessoas participantes num curso ligado à arqueologia subaquática. "Tudo o que tem derivantes de prata e mercúrio só polui e não permite que a vida se propague", frisa Alexandra Figueiredo. "Os covos poluem na mesma, mas servem de protecção a certo tipo de animais, permitindo a vida biológica", considera por outro lado.
Em comunicado, a autarquia sesimbrense informa que "uma simples folha de papel pode levar de três a seis meses a deteriorar-se, uma fralda descartável leva 450 anos a desaparecer e uma garrafa de plástico demora 500 anos a decompor-se", alertando assim para o problema da poluição marítima.
Sandra Brazinha
Mais de 500 quilos de lixo foram retirados ontem do mar de Sesimbra. O XII Encontro de Limpeza Subaquática decorreu junto à Praia do Ouro, no lado poente da vila. Pneus, garrafas, pilhas, frigideiras, um mega grelhador, covos de pesca, chapéus-de-sol, latas de tinta, tubos, plásticos e cordas foram alguns dos objectos encontrados no fundo do mar.
Assinalando o Dia Mundial da Limpeza de Praias, 56 mergulhadores recolheram 510 quilos de lixo, um registo inferior aos 724 quilos retirados do mar no ano passado. "A ideia é sensibilizar as pessoas para a importância da limpeza do meio marítimo", adiantou, ao JN, Luísa Fachada, directora do departamento de educação, cultura e lazer da Câmara Municipal de Sesimbra.
"As pessoas mandam até latas de tinta semi-cheias para dentro da água", lamenta João Ferreira, de 27 anos, membro do Núcleo de Actividades Subaquáticas do Instituto Superior Técnico, que colaborou com a autarquia na organização desta acção. Estreante nestas coisas, o lisboeta conta que encontrou "latas de bebida, garrafas de vidro e papel de jornal", acrescentando que houve também quem recolhesse pneus. "Certas coisas não vale a pena tirar do fundo do mar, porque há peixes pequenos que utilizam esses materiais para fugir dos grandes", considera, numa clara referência a objectos que serviam de habitat para algumas espécies.
A mesma questão preocupa Alexandra Figueiredo, uma professora de Tomar, de 30 anos, que levou até Sesimbra um total de 17 pessoas participantes num curso ligado à arqueologia subaquática. "Tudo o que tem derivantes de prata e mercúrio só polui e não permite que a vida se propague", frisa Alexandra Figueiredo. "Os covos poluem na mesma, mas servem de protecção a certo tipo de animais, permitindo a vida biológica", considera por outro lado.
Em comunicado, a autarquia sesimbrense informa que "uma simples folha de papel pode levar de três a seis meses a deteriorar-se, uma fralda descartável leva 450 anos a desaparecer e uma garrafa de plástico demora 500 anos a decompor-se", alertando assim para o problema da poluição marítima.
Sandra Brazinha
Governo chumba projecto na Mata de Sesimbra
Jornal "Diário de Notícias", 15 de Setembro de 2007
Isaltino de Morais considera "legítima" a decisão do Governo de não reconhecer o acordo que o próprio estabeleceu em 2003, enquanto ministro do Ambiente, com os promotores de um empreendimento turístico na Mata de Sesimbra. Mas ao DN lembrou que essa opção implicará o pagamento de uma indemnização enorme por parte do Estado. O processo, que conheceu ontem mais um episódio, tem mais de 30 anos de história."Na minha altura essa alternativa não existia e o caso estava a ser analisado por um tribunal arbitral internacional. O promotor pedia-nos uma indemnização de 12 milhões de contos (aproximadamente 60 milhões de euros) e não podíamos de forma alguma pagar. Se este Governo pode, ainda bem", afirmou ontem ao DN.
O actual autarca de Oeiras reagiu assim, com ironia, à decisão tomada ontem pelo ministro do Ambiente, Nunes Correia, de considerar "nulo" o acordo estabelecido há quatro anos entre o Estado, a autarquia de Sesimbra, a sociedade imobiliária Pelicano SA e sociedade Aldeia do Meco.
O objectivo inicial dos promotores era construir na zona do Meco, mas essa intenção foi inviabilizada após muitos anos de avanços e retrocessos judiciais. De forma a compensar esses direitos de construção, e depois do assunto ter passado por um tribunal arbitral, foi estabelecido o acordo que transferiu esses direitos de construção do Meco para a Mata de Sesimbra, permitindo ao promotor construir num local diferente.
Agora, ao analisar o milhão de metros quadrados de construção propostos no Plano de Pormenor (PP) apresentado pela autarquia para a zona sul da Mata, o Governo resolveu não aceitar os 315 mil metros quadrados que vêm "transferidos" do Meco. Nunes Correia disse que "o PP só estará em condições de ser aprovado se for deduzida a área". A justificação está no Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa, que impede grande pressão urbanística neste local de habitats importantes.
Nunes Correia assenta ainda a decisão no facto de o dito acordo, para ser válido, ter de pressupor a existência de um alvará de loteamento originalmente no Meco, emitido apenas no caso de os promotores serem proprietários dos terrenos. Porém, a Aldeia do Meco tinha assinado apenas um contrato de compra e venda sobre a área pretendida. Mais: para inviabilizar a consumação do projecto, em 2000, o então ministro José Sócrates ordenou a aquisição de uma parcela de terreno na área do loteamento do Meco, comprada pelo Instituto de Conservação da Natureza.
Estes argumentos expostos ontem levam o Governo a considerar que o alvará tem "boas razões para ser considerado nulo". Agora cabe à câmara reorganizar o PP e diminuir a sua carga. O DN tentou contactar o promotor mas não teve sucesso.
Rita Carvalho
Susana Leitão
Isaltino de Morais considera "legítima" a decisão do Governo de não reconhecer o acordo que o próprio estabeleceu em 2003, enquanto ministro do Ambiente, com os promotores de um empreendimento turístico na Mata de Sesimbra. Mas ao DN lembrou que essa opção implicará o pagamento de uma indemnização enorme por parte do Estado. O processo, que conheceu ontem mais um episódio, tem mais de 30 anos de história."Na minha altura essa alternativa não existia e o caso estava a ser analisado por um tribunal arbitral internacional. O promotor pedia-nos uma indemnização de 12 milhões de contos (aproximadamente 60 milhões de euros) e não podíamos de forma alguma pagar. Se este Governo pode, ainda bem", afirmou ontem ao DN.
O actual autarca de Oeiras reagiu assim, com ironia, à decisão tomada ontem pelo ministro do Ambiente, Nunes Correia, de considerar "nulo" o acordo estabelecido há quatro anos entre o Estado, a autarquia de Sesimbra, a sociedade imobiliária Pelicano SA e sociedade Aldeia do Meco.
O objectivo inicial dos promotores era construir na zona do Meco, mas essa intenção foi inviabilizada após muitos anos de avanços e retrocessos judiciais. De forma a compensar esses direitos de construção, e depois do assunto ter passado por um tribunal arbitral, foi estabelecido o acordo que transferiu esses direitos de construção do Meco para a Mata de Sesimbra, permitindo ao promotor construir num local diferente.
Agora, ao analisar o milhão de metros quadrados de construção propostos no Plano de Pormenor (PP) apresentado pela autarquia para a zona sul da Mata, o Governo resolveu não aceitar os 315 mil metros quadrados que vêm "transferidos" do Meco. Nunes Correia disse que "o PP só estará em condições de ser aprovado se for deduzida a área". A justificação está no Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa, que impede grande pressão urbanística neste local de habitats importantes.
Nunes Correia assenta ainda a decisão no facto de o dito acordo, para ser válido, ter de pressupor a existência de um alvará de loteamento originalmente no Meco, emitido apenas no caso de os promotores serem proprietários dos terrenos. Porém, a Aldeia do Meco tinha assinado apenas um contrato de compra e venda sobre a área pretendida. Mais: para inviabilizar a consumação do projecto, em 2000, o então ministro José Sócrates ordenou a aquisição de uma parcela de terreno na área do loteamento do Meco, comprada pelo Instituto de Conservação da Natureza.
Estes argumentos expostos ontem levam o Governo a considerar que o alvará tem "boas razões para ser considerado nulo". Agora cabe à câmara reorganizar o PP e diminuir a sua carga. O DN tentou contactar o promotor mas não teve sucesso.
Rita Carvalho
Susana Leitão
Castelo é ateliê para sete artesãos esculpirem pedra
"Jornal de Notícias", 18 de Setembro de 2007
O Castelo de Sesimbra está a servir de ateliê para sete escultores que, até 30 de Setembro, trabalham ao vivo pedra local transformando-a em esculturas. O Simpósio Internacional de Escultura decorre no âmbito da Sesimbra Art Spaces, Bienal Internacional de Artes Plásticas. "A pedra foi oferecida gratuitamente pelos industriais locais", adianta o comissário da exposição, Carlos Bajouca. Os blocos de brecha, a pedra local, darão lugar a seis esculturas que serão colocadas em diversos espaços públicos do concelho, como rotundas e avenidas. Sobre a obra que está a construir em conjunto com Hans Varela, que será composta por espadartes, Carlos Bajouca, de 50 anos, residente na Aldeia do Meco, salienta que é a maior de todas e que "vai ficar com nove ou dez toneladas". O professor João Antero, de 58 anos, é outro dos escultores que está a trabalhar um bloco de pedra. "É uma obra que vai tratar o mar e a montanha. Estabeleci que este projecto deveria estar de acordo com o meio", conta. Sobre a iniciativa, o escultor de Cucujães diz que "é sempre positivo haver estes encontros de cultura e é uma mais-valia para a terra".
"É sempre uma experiência muito interessante. Estou a ser muito bem recebida e o sítio é lindíssimo", enaltece a única mulher entre os escultores presentes. Beatriz Cunha, de 48 anos, está a criar uma escultura intitulada "Alauda", que quer dizer Cotovia, localidade onde ficará a obra. "É uma evocação do sentido, do tom. É uma espécie de escrita musical", salienta a lisboeta. "Eu vejo a pedra e a partir daí começo a trabalhar e vou decidindo o que fazer", explica, por outro lado, o brasileiro Nelson Cardoso, de 49 anos. Há 27 anos a viver em Colares, este escultor ainda não deu um nome à sua obra, mas frisa que "vai estar relacionada com a vida". O trabalho final vai ser colocado numa rotunda perto da Associação de Dadores de Sangue, na Quinta do Conde. Os trabalhos prolongam-se por mais 15 dias, tempo suficiente para que os escultores possam concluir as obras. Quem quiser assistir à criação das esculturas ao vivo pode visitar o Castelo de Sesimbra todos os dias, até ao fim do mês, entre as 10 e as 13 horas e entre as 15 e as 20 horas.
Sandra Brazinha
O Castelo de Sesimbra está a servir de ateliê para sete escultores que, até 30 de Setembro, trabalham ao vivo pedra local transformando-a em esculturas. O Simpósio Internacional de Escultura decorre no âmbito da Sesimbra Art Spaces, Bienal Internacional de Artes Plásticas. "A pedra foi oferecida gratuitamente pelos industriais locais", adianta o comissário da exposição, Carlos Bajouca. Os blocos de brecha, a pedra local, darão lugar a seis esculturas que serão colocadas em diversos espaços públicos do concelho, como rotundas e avenidas. Sobre a obra que está a construir em conjunto com Hans Varela, que será composta por espadartes, Carlos Bajouca, de 50 anos, residente na Aldeia do Meco, salienta que é a maior de todas e que "vai ficar com nove ou dez toneladas". O professor João Antero, de 58 anos, é outro dos escultores que está a trabalhar um bloco de pedra. "É uma obra que vai tratar o mar e a montanha. Estabeleci que este projecto deveria estar de acordo com o meio", conta. Sobre a iniciativa, o escultor de Cucujães diz que "é sempre positivo haver estes encontros de cultura e é uma mais-valia para a terra".
"É sempre uma experiência muito interessante. Estou a ser muito bem recebida e o sítio é lindíssimo", enaltece a única mulher entre os escultores presentes. Beatriz Cunha, de 48 anos, está a criar uma escultura intitulada "Alauda", que quer dizer Cotovia, localidade onde ficará a obra. "É uma evocação do sentido, do tom. É uma espécie de escrita musical", salienta a lisboeta. "Eu vejo a pedra e a partir daí começo a trabalhar e vou decidindo o que fazer", explica, por outro lado, o brasileiro Nelson Cardoso, de 49 anos. Há 27 anos a viver em Colares, este escultor ainda não deu um nome à sua obra, mas frisa que "vai estar relacionada com a vida". O trabalho final vai ser colocado numa rotunda perto da Associação de Dadores de Sangue, na Quinta do Conde. Os trabalhos prolongam-se por mais 15 dias, tempo suficiente para que os escultores possam concluir as obras. Quem quiser assistir à criação das esculturas ao vivo pode visitar o Castelo de Sesimbra todos os dias, até ao fim do mês, entre as 10 e as 13 horas e entre as 15 e as 20 horas.
Sandra Brazinha
Ministério do Ambiente trava projecto da Pelicano em Sesimbra
"Jornal de Negócios", 14 de Setembro de 2007
O Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional (MAOTDR) pronunciou-se hoje contra o projecto Pinhal do Atlântico, que a empresa de investimentos imobiliários Pelicano quer desenvolver em Sesimbra.
O Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional (MAOTDR) pronunciou-se hoje contra o projecto Pinhal do Atlântico, que a empresa de investimentos imobiliários Pelicano quer desenvolver em Sesimbra.
O Ministério "entendeu não estarem reunidas as condições para o reconhecimento da necessidade do projecto do Pinhal do Atlântico, em Sesimbra, por razões imperativas de interesse público". Essencialmente, os motivos deste "chumbo" passam pela excessiva edificação prevista para a mata de Sesimbra.
Em causa está um contrato que o próprio MAOTDR assinou em Março de 2003 com o município de Sesimbra e as sociedades Pelicano e Aldeia do Meco. Agora o Ministério não reconhece a aplicabilidade desse acordo.
Está pendente ainda na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo a emissão de um parecer sobre a versão final do plano de pormenor da zona sul da mata de Sesimbra, que prevê uma área bruta de construção de 1.034.072 metros quadrados, incluindo 315.000 metros quadrados resultantes do acordo do Meco.
O Ministério chefiado por Nunes Correia considera, contudo, que "o projecto que se pretende desenvolver na actual versão do plano de pormenor, considerado conjuntamente com o processo análogo em curso para a Zona Norte da Mata de Sesimbra e todo o conjunto de pretensões turísticas inventariadas, apresenta uma carga de ocupação/edificabilidade excessiva face às características do território e à importância do sistema ambiental e dos valores naturais em presença".
Assim, o MAOTDR propõe uma redução da carga de ocupação do projecto, sugerindo que o plano de pormenor "só estará em condições de ser aprovado se for deduzida a área de 315.000 metros quadrados". O projecto Pinhal do Atlântico corresponde a uma área total de construção de 44.650 metros quadrados e a uma carga de 1790 camas. A área de 315 mil metros quadrados a deduzir ao plano corresponde a uma capacidade turística total de 7.800 camas.
Segundo a agência Lusa, o ministro referiu ter já comunicado a decisão à autarquia e aos promotores, que reagiram com uma "atitude construtiva" de "compreensão". O Jornal de Negócios procurou obter uma reacção da Pelicano, mas tal não foi possível, por indisponibilidade dos responsáveis da empresa.
Apresentado em Dezembro de 2003, o projecto Pinhal do Atlântico representa um investimento de cerca de 800 milhões de euros. O prazo de conclusão deste empreendimento era então apontado para o ano 2015.
Miguel Prado
O Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional (MAOTDR) pronunciou-se hoje contra o projecto Pinhal do Atlântico, que a empresa de investimentos imobiliários Pelicano quer desenvolver em Sesimbra.
O Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional (MAOTDR) pronunciou-se hoje contra o projecto Pinhal do Atlântico, que a empresa de investimentos imobiliários Pelicano quer desenvolver em Sesimbra.
O Ministério "entendeu não estarem reunidas as condições para o reconhecimento da necessidade do projecto do Pinhal do Atlântico, em Sesimbra, por razões imperativas de interesse público". Essencialmente, os motivos deste "chumbo" passam pela excessiva edificação prevista para a mata de Sesimbra.
Em causa está um contrato que o próprio MAOTDR assinou em Março de 2003 com o município de Sesimbra e as sociedades Pelicano e Aldeia do Meco. Agora o Ministério não reconhece a aplicabilidade desse acordo.
Está pendente ainda na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo a emissão de um parecer sobre a versão final do plano de pormenor da zona sul da mata de Sesimbra, que prevê uma área bruta de construção de 1.034.072 metros quadrados, incluindo 315.000 metros quadrados resultantes do acordo do Meco.
O Ministério chefiado por Nunes Correia considera, contudo, que "o projecto que se pretende desenvolver na actual versão do plano de pormenor, considerado conjuntamente com o processo análogo em curso para a Zona Norte da Mata de Sesimbra e todo o conjunto de pretensões turísticas inventariadas, apresenta uma carga de ocupação/edificabilidade excessiva face às características do território e à importância do sistema ambiental e dos valores naturais em presença".
Assim, o MAOTDR propõe uma redução da carga de ocupação do projecto, sugerindo que o plano de pormenor "só estará em condições de ser aprovado se for deduzida a área de 315.000 metros quadrados". O projecto Pinhal do Atlântico corresponde a uma área total de construção de 44.650 metros quadrados e a uma carga de 1790 camas. A área de 315 mil metros quadrados a deduzir ao plano corresponde a uma capacidade turística total de 7.800 camas.
Segundo a agência Lusa, o ministro referiu ter já comunicado a decisão à autarquia e aos promotores, que reagiram com uma "atitude construtiva" de "compreensão". O Jornal de Negócios procurou obter uma reacção da Pelicano, mas tal não foi possível, por indisponibilidade dos responsáveis da empresa.
Apresentado em Dezembro de 2003, o projecto Pinhal do Atlântico representa um investimento de cerca de 800 milhões de euros. O prazo de conclusão deste empreendimento era então apontado para o ano 2015.
Miguel Prado
Cinco principais portos recebem 10,5 milhões
"Jornal de Negócios", 12 de Outubro de 2007
O Orçamento de Estado para 2008 consagra uma verba de 10,5 milhões de euros para os cinco principais portos nacionais. A Administração do Porto de Douro e Leixões é a mais beneficiada na repartição deste bolo, tendo-lhe sido atribuída uma verba de quatro milhões de euros, destinada ao financiamento de infra-estruturas portuárias.
O Orçamento de Estado para 2008 consagra uma verba de 10,5 milhões de euros para os cinco principais portos nacionais. A Administração do Porto de Douro e Leixões é a mais beneficiada na repartição deste bolo, tendo-lhe sido atribuída uma verba de quatro milhões de euros, destinada ao financiamento de infra-estruturas portuárias.
O Porto de Lisboa, por sua vez, foi contemplado com dois milhões de euros, o de Aveiro com 2,5 milhões e o de Setúbal e Sesimbra com um milhão de euros. Nestes três casos, as verbas são também totalmente destinadas ao financiamento de infra-estruturas.
Um caso diferente é o de Sines. Esta administração irá receber 922,5 mil euros, um montante que será aplicado na instalação de sistemas operacionais de supervisão e segurança e ordenamento e recuperação do território.
Celso Filipe
O Orçamento de Estado para 2008 consagra uma verba de 10,5 milhões de euros para os cinco principais portos nacionais. A Administração do Porto de Douro e Leixões é a mais beneficiada na repartição deste bolo, tendo-lhe sido atribuída uma verba de quatro milhões de euros, destinada ao financiamento de infra-estruturas portuárias.
O Orçamento de Estado para 2008 consagra uma verba de 10,5 milhões de euros para os cinco principais portos nacionais. A Administração do Porto de Douro e Leixões é a mais beneficiada na repartição deste bolo, tendo-lhe sido atribuída uma verba de quatro milhões de euros, destinada ao financiamento de infra-estruturas portuárias.
O Porto de Lisboa, por sua vez, foi contemplado com dois milhões de euros, o de Aveiro com 2,5 milhões e o de Setúbal e Sesimbra com um milhão de euros. Nestes três casos, as verbas são também totalmente destinadas ao financiamento de infra-estruturas.
Um caso diferente é o de Sines. Esta administração irá receber 922,5 mil euros, um montante que será aplicado na instalação de sistemas operacionais de supervisão e segurança e ordenamento e recuperação do território.
Celso Filipe
24 horas na vida de um submarino que navega há quarenta anos
"Jornal de Notícias", 8 de Outubro de 2007
Numa qualquer Marinha da OTAN, o lugar do submarino "Barracuda" seria, quando muito, no museu, mas não em Portugal, onde este navio, que navega há 40 anos, tem que ser mantido no mar até à chegada dos dois novos submarinos, em 2010. O JN embarcou durante 24 horas, a partir de Sesimbra, no "Barracuda" e confirmou que nada há que se compare às duras condições de vida que se vivem a bordo.
Ali convivem diariamente 54 homens, num espaço exíguo, dias e dias sem ver a luz do Sol. A mudança entre o dia e a noite substituída pela luz vermelha que se acende quando oficialmente o Sol desaparece na superfície. "Com os novos submarinos as condições vão melhorar", sustenta o comandante do navio, o capitão-tenente Mamede Alves. Ou melhor, já se pode, por exemplo, tomar banho, mesmo que apenas de dois em dois dias.
Para quem entra no "Barracuda" o primeiro choque é o cheiro uma mistura de óleos, combustível, corpos que não vêem água há dias e dias, o ar rarefeito que concentra os odores. E para quem sai são os que estão à superfície que notam a a diferença. Inevitavelmente.
É uma arma pura, o "Barracuda", onde tudo é sacrificado à eficácia no combate, à discrição e ao silêncio, pois não obstante os 40 anos deste navio os princípios mantêm-se na guerra submarina.
Desce-se a torre e o submarino começa a mergulhar, à ordem, a água entra e a pressão lá fora, nas águas negras, vai aumentando gradualmente.
Há um silêncio quase mortal e a guarnição vai desenvolvendo as tarefas com uma rotina feita de muita disciplina e descontracção. "Com licença", é a frase que mais se ouve, face à exiguidade do espaço, as deslocações obrigando a manobras cuidadosas para não bater com a cabeça em qualquer manivela ou manómetro.
É meio da manhã e o cozinheiro prepara o almoço - naquele dia era bacalhau com grão e batatas - numa cozinha virada para as duas únicas e minúsculas casas de banho do navio. Numa delas, permanece uma embalagem de toalhetes. "É o nosso banho", explica um marinheiro. Há uns anos, o segredo eram os perfumes de feira, usados aos litros, vencidos pelos mais modernos "dodots".
O submarino vai continuando a mergulhar até chegar aos 200 metros, o manómetro a indicar a profundidade e as anteparas das portas a torcerem pela pressão. A segurança está garantida, mas a idade do "Barracuda" já não lhe permite fazer isto muitas vezes, que a resistência dos materiais tem limites, mas ninguém liga muito a não ser os jornalistas. Na sala de comando, os operadores de sonar escutam os sons que vêm das profundidades.
O navio vai regressando à superfície até aos 12 metros, para renovar o ar. O periscópio sobe e divisa-se Sesimbra. As horas passam e o cansaço chega, com os homens a rodarem por escala nas mesmas camas, nos mesmos colchões. Tem que ser assim.
Passaram 24 horas, o navio está à tona de água. As escotilhas são abertas. Por fim, o ar fresco para nós, que a guarnição prossegue a missão.
Carlos Varela
Numa qualquer Marinha da OTAN, o lugar do submarino "Barracuda" seria, quando muito, no museu, mas não em Portugal, onde este navio, que navega há 40 anos, tem que ser mantido no mar até à chegada dos dois novos submarinos, em 2010. O JN embarcou durante 24 horas, a partir de Sesimbra, no "Barracuda" e confirmou que nada há que se compare às duras condições de vida que se vivem a bordo.
Ali convivem diariamente 54 homens, num espaço exíguo, dias e dias sem ver a luz do Sol. A mudança entre o dia e a noite substituída pela luz vermelha que se acende quando oficialmente o Sol desaparece na superfície. "Com os novos submarinos as condições vão melhorar", sustenta o comandante do navio, o capitão-tenente Mamede Alves. Ou melhor, já se pode, por exemplo, tomar banho, mesmo que apenas de dois em dois dias.
Para quem entra no "Barracuda" o primeiro choque é o cheiro uma mistura de óleos, combustível, corpos que não vêem água há dias e dias, o ar rarefeito que concentra os odores. E para quem sai são os que estão à superfície que notam a a diferença. Inevitavelmente.
É uma arma pura, o "Barracuda", onde tudo é sacrificado à eficácia no combate, à discrição e ao silêncio, pois não obstante os 40 anos deste navio os princípios mantêm-se na guerra submarina.
Desce-se a torre e o submarino começa a mergulhar, à ordem, a água entra e a pressão lá fora, nas águas negras, vai aumentando gradualmente.
Há um silêncio quase mortal e a guarnição vai desenvolvendo as tarefas com uma rotina feita de muita disciplina e descontracção. "Com licença", é a frase que mais se ouve, face à exiguidade do espaço, as deslocações obrigando a manobras cuidadosas para não bater com a cabeça em qualquer manivela ou manómetro.
É meio da manhã e o cozinheiro prepara o almoço - naquele dia era bacalhau com grão e batatas - numa cozinha virada para as duas únicas e minúsculas casas de banho do navio. Numa delas, permanece uma embalagem de toalhetes. "É o nosso banho", explica um marinheiro. Há uns anos, o segredo eram os perfumes de feira, usados aos litros, vencidos pelos mais modernos "dodots".
O submarino vai continuando a mergulhar até chegar aos 200 metros, o manómetro a indicar a profundidade e as anteparas das portas a torcerem pela pressão. A segurança está garantida, mas a idade do "Barracuda" já não lhe permite fazer isto muitas vezes, que a resistência dos materiais tem limites, mas ninguém liga muito a não ser os jornalistas. Na sala de comando, os operadores de sonar escutam os sons que vêm das profundidades.
O navio vai regressando à superfície até aos 12 metros, para renovar o ar. O periscópio sobe e divisa-se Sesimbra. As horas passam e o cansaço chega, com os homens a rodarem por escala nas mesmas camas, nos mesmos colchões. Tem que ser assim.
Passaram 24 horas, o navio está à tona de água. As escotilhas são abertas. Por fim, o ar fresco para nós, que a guarnição prossegue a missão.
Carlos Varela
quinta-feira
Escultura ao vivo em Sesimbra
Jornal “O Primeiro de Janeiro”, 11 de Agosto de 2007
Sete escultores vão executar, ao vivo, no Castelo de Sesimbra, entre 15 e 30 de Setembro, seis esculturas, que posteriormente serão colocadas em espaços públicos do concelho. A iniciativa decorre no âmbito da Quarta Bienal Internacional de Artes até 2 de Setembro.
No projecto, levado a cabo no âmbito da Quarta Bienal Internacional de Artes, inaugurada no passado dia 4 e que se prolonga até 2 de Setembro, estão envolvidos os escultores Moisés Preto Paulo, João Antero, Beatriz Cunha, João Renato, Nelson Cardoso, Carlos Bajouca e Hans Varela, que trabalharão “blocos de pedra da região”.Bajouca, que é também o comissário da exposição, e Varela trabalham juntos numa escultura de grandes dimensões, “pesando toneladas”.
Até agora denominada Exposição Internacional de Artes Plásticas, esta iniciativa da autarquia passa este ano a Bienal e ganha nova designação - Sesimbra Art Spaces/Espaços de Arte. Em declarações à Lusa, Bajouca explicou pretender-se, com a passagem a Bienal, por um lado, programar “com mais tempo” um evento que adquiriu já “bastante força” e, por outro, dar aos artistas convidados “mais tempo” para realizarem os seus trabalhos. Há “uma maior ambição” e o objectivo, acentua o escultor, é “consolidar” os ganhos da exposição, já conhecida além-fronteiras. Por seu lado, a vereadora da Cultura da autarquia, Felícia Costa, explica no catálogo da exposição que, com a alteração do nome do evento, se pretendeu “vincar a forte relação entre a mostra de arte e os lugares onde estarão expostas as obras e, ao mesmo tempo, abrir o evento aos milhares de turistas estrangeiros que nos visitam no Verão”.
--------------
Participantes
Mais de 100 artistas
Com trabalhos de escultura, pintura, fotografia, cerâmica e joalharia, participam na Bienal mais de 100 artistas, de Portugal, Suíça, Cuba, Japão, Angola, Brasil, Itália, Reino Unido, França e Rússia, entre outros. Tanto a vereadora como o comissário deram particular realce à participação da Associação de Famílias para a Integração da Pessoa Deficiente e da Sociedade dos Artistas Deficientes Manuais.
Sete escultores vão executar, ao vivo, no Castelo de Sesimbra, entre 15 e 30 de Setembro, seis esculturas, que posteriormente serão colocadas em espaços públicos do concelho. A iniciativa decorre no âmbito da Quarta Bienal Internacional de Artes até 2 de Setembro.
No projecto, levado a cabo no âmbito da Quarta Bienal Internacional de Artes, inaugurada no passado dia 4 e que se prolonga até 2 de Setembro, estão envolvidos os escultores Moisés Preto Paulo, João Antero, Beatriz Cunha, João Renato, Nelson Cardoso, Carlos Bajouca e Hans Varela, que trabalharão “blocos de pedra da região”.Bajouca, que é também o comissário da exposição, e Varela trabalham juntos numa escultura de grandes dimensões, “pesando toneladas”.
Até agora denominada Exposição Internacional de Artes Plásticas, esta iniciativa da autarquia passa este ano a Bienal e ganha nova designação - Sesimbra Art Spaces/Espaços de Arte. Em declarações à Lusa, Bajouca explicou pretender-se, com a passagem a Bienal, por um lado, programar “com mais tempo” um evento que adquiriu já “bastante força” e, por outro, dar aos artistas convidados “mais tempo” para realizarem os seus trabalhos. Há “uma maior ambição” e o objectivo, acentua o escultor, é “consolidar” os ganhos da exposição, já conhecida além-fronteiras. Por seu lado, a vereadora da Cultura da autarquia, Felícia Costa, explica no catálogo da exposição que, com a alteração do nome do evento, se pretendeu “vincar a forte relação entre a mostra de arte e os lugares onde estarão expostas as obras e, ao mesmo tempo, abrir o evento aos milhares de turistas estrangeiros que nos visitam no Verão”.
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Participantes
Mais de 100 artistas
Com trabalhos de escultura, pintura, fotografia, cerâmica e joalharia, participam na Bienal mais de 100 artistas, de Portugal, Suíça, Cuba, Japão, Angola, Brasil, Itália, Reino Unido, França e Rússia, entre outros. Tanto a vereadora como o comissário deram particular realce à participação da Associação de Famílias para a Integração da Pessoa Deficiente e da Sociedade dos Artistas Deficientes Manuais.
Mal-estar leva 22 crianças de Aldeia SOS ao hospital
"Jornal de Notícias", 12 de Agosto de 2007
Vinte e duas das 30 crianças que estão a passar férias no acampamento no Meco (concelho de Sesimbra) das Aldeias SOS tiveram que receber assistência médica durante o dia de ontem, devido a uma alegada intoxicação alimentar, apurou o JN junto dos bombeiros e de uma responsável daquela instituição.
Devido ao elevado número de vítimas, os Bombeiros Voluntários de Sesimbra e o INEM montaram um posto médico no acampamento para proceder aos primeiros cuidados e fazer a triagem dos casos mais graves, explicou, ao JN, Ricardo Cruz, comandante daquela corporação.
Catorze crianças foram encaminhadas para o SAP (Serviço de Atendimento Permanente) de Sesimbra, enquanto que as restantes oito foram transportadas ao Hospital Garcia de Orta, em Almada, para realizarem exames médicos. As crianças atingidas - com idades entre os 2 e os 17 anos - apresentavam falta de ar, mal-estar geral, desidratação, vómitos e diarreia. No entanto, ao final da tarde, já todas tinham tido alta médica e regressado ao acampamento.
Vera Jorge, psicóloga das Aldeias SOS, contou ao JN que os primeiros casos foram detectados durante a noite. "Duas crianças sentiram-se mal, apresentando vómitos e diarreia e foram de imediato levadas para o hospital", explicou, acrescentando que em 30 anos de colónia "foi a primeira vez que se registou uma situação deste género".
Durante a manhã, mais crianças começaram a apresentar os mesmos sintomas, tendo-se chegado a gerar alguma tensão no local, devido ao vai-e-vem de ambulâncias.
Até ontem ao final da tarde, Vera Jorge ainda não sabia o que terá provocado a intoxicação alimentar. "Tanto pode ter sido a água, como algum alimento. Nós disponibilizamos água engarrafada, mas às vezes os miúdos bebem água da rede", conta.
Adianta ainda que o jantar de sexta-feira foi bacalhau à braz, mas acrescenta que "foi feita uma vistoria aos alimentos que estão armazenados na cozinha e está tudo dentro dos prazos".
Durante a tarde, as crianças foram tendo tido alta e regressado ao acampamento. "Temos, no entanto, de nos manter vigilantes para o caso de haver alguma recaída", concluiu a responsável.
Fátima Mariano
Vinte e duas das 30 crianças que estão a passar férias no acampamento no Meco (concelho de Sesimbra) das Aldeias SOS tiveram que receber assistência médica durante o dia de ontem, devido a uma alegada intoxicação alimentar, apurou o JN junto dos bombeiros e de uma responsável daquela instituição.
Devido ao elevado número de vítimas, os Bombeiros Voluntários de Sesimbra e o INEM montaram um posto médico no acampamento para proceder aos primeiros cuidados e fazer a triagem dos casos mais graves, explicou, ao JN, Ricardo Cruz, comandante daquela corporação.
Catorze crianças foram encaminhadas para o SAP (Serviço de Atendimento Permanente) de Sesimbra, enquanto que as restantes oito foram transportadas ao Hospital Garcia de Orta, em Almada, para realizarem exames médicos. As crianças atingidas - com idades entre os 2 e os 17 anos - apresentavam falta de ar, mal-estar geral, desidratação, vómitos e diarreia. No entanto, ao final da tarde, já todas tinham tido alta médica e regressado ao acampamento.
Vera Jorge, psicóloga das Aldeias SOS, contou ao JN que os primeiros casos foram detectados durante a noite. "Duas crianças sentiram-se mal, apresentando vómitos e diarreia e foram de imediato levadas para o hospital", explicou, acrescentando que em 30 anos de colónia "foi a primeira vez que se registou uma situação deste género".
Durante a manhã, mais crianças começaram a apresentar os mesmos sintomas, tendo-se chegado a gerar alguma tensão no local, devido ao vai-e-vem de ambulâncias.
Até ontem ao final da tarde, Vera Jorge ainda não sabia o que terá provocado a intoxicação alimentar. "Tanto pode ter sido a água, como algum alimento. Nós disponibilizamos água engarrafada, mas às vezes os miúdos bebem água da rede", conta.
Adianta ainda que o jantar de sexta-feira foi bacalhau à braz, mas acrescenta que "foi feita uma vistoria aos alimentos que estão armazenados na cozinha e está tudo dentro dos prazos".
Durante a tarde, as crianças foram tendo tido alta e regressado ao acampamento. "Temos, no entanto, de nos manter vigilantes para o caso de haver alguma recaída", concluiu a responsável.
Fátima Mariano
Queima de resíduos suspensa na Arrábida
Jornal “Sol”, 10 de Agosto de 2007
Seis meses depois de a Comissão Ambiental da Secil ter validado os resultados dos testes de co-incineração no Outão, o processo continua a decorrer em tribunal, permanecendo suspenso.
Castanheira Barros, advogado que representa as autarquias de Setúbal, Sesimbra e Palmela, que avançaram com a providência cautelar para suspender as licenças da Secil, considera que os testes vão continua suspensos até haver uma decisão do Supremo Tribunal Administrativo.
«Neste momento a acção cautelar decorre no Supremo Tribunal Administrativo, onde só são admitidos casos excepcionais com importância fundamental, e primeiro o tribunal vai ter que se pronunciar se admite ou não o recurso e só se tiver os requisitos é que vai ser julgado. Até lá a queima de resíduos perigosos continua suspensa no Outão», disse hoje o advogado em declarações à Lusa.
Castanheira Barros explicou que apesar de a Secil estar a realizar um Estudo de Impacte Ambiental, este facto não serve para levantar a suspensão pois em causa estão também «questões de saúde pública».
Nuno Maia, porta-voz da Secil, explicou que a empresa está a realizar um Estudo de Impacte Ambiental que espera estar concluído em Setembro e admite que nesta altura todos os cenários são possíveis.
«O estudo está a decorrer e depois terá que ser aprovado pelas entidades competentes. Todos os cenários são admissíveis e em função do estudo e do andamento do processo judicial, vamos depois decidir qual o próximo passo», explicou.
Castanheira Barros explicou que as acções cautelares urgentes decorrem durante o período de férias judiciais e que a curto prazo poderá ser dada uma resposta.
«O caso de Souselas, onde também decorre uma acção cautelar, movida pela autarquia, pode ser decidido mais cedo, já em Agosto ou Setembro, mas teremos uma resposta a curto prazo para estas acções pois são consideradas urgentes. Quanto às outras acções que decorrem em tribunal, sobre Outão e Souselas, terá que se esperar mais algum tempo pois não são consideradas urgentes», referiu.
Seis meses depois de a Comissão Ambiental da Secil ter validado os resultados dos testes de co-incineração no Outão, o processo continua a decorrer em tribunal, permanecendo suspenso.
Castanheira Barros, advogado que representa as autarquias de Setúbal, Sesimbra e Palmela, que avançaram com a providência cautelar para suspender as licenças da Secil, considera que os testes vão continua suspensos até haver uma decisão do Supremo Tribunal Administrativo.
«Neste momento a acção cautelar decorre no Supremo Tribunal Administrativo, onde só são admitidos casos excepcionais com importância fundamental, e primeiro o tribunal vai ter que se pronunciar se admite ou não o recurso e só se tiver os requisitos é que vai ser julgado. Até lá a queima de resíduos perigosos continua suspensa no Outão», disse hoje o advogado em declarações à Lusa.
Castanheira Barros explicou que apesar de a Secil estar a realizar um Estudo de Impacte Ambiental, este facto não serve para levantar a suspensão pois em causa estão também «questões de saúde pública».
Nuno Maia, porta-voz da Secil, explicou que a empresa está a realizar um Estudo de Impacte Ambiental que espera estar concluído em Setembro e admite que nesta altura todos os cenários são possíveis.
«O estudo está a decorrer e depois terá que ser aprovado pelas entidades competentes. Todos os cenários são admissíveis e em função do estudo e do andamento do processo judicial, vamos depois decidir qual o próximo passo», explicou.
Castanheira Barros explicou que as acções cautelares urgentes decorrem durante o período de férias judiciais e que a curto prazo poderá ser dada uma resposta.
«O caso de Souselas, onde também decorre uma acção cautelar, movida pela autarquia, pode ser decidido mais cedo, já em Agosto ou Setembro, mas teremos uma resposta a curto prazo para estas acções pois são consideradas urgentes. Quanto às outras acções que decorrem em tribunal, sobre Outão e Souselas, terá que se esperar mais algum tempo pois não são consideradas urgentes», referiu.
'Pirata' roubou atenções
Jornal “Diário de Notícias”, 31 de Julho de 2007
Nas areias da praia de Sesimbra, venceu o incentivo familiar.
Pouco tempo bastou para que o areal da praia de Sesimbra se enchesse de obras primas, traçadas pela imaginação e por pequenas mãos apressadas. O relógio contava o tempo, que é de 50 minutos para o escalão A, e mais 10 para o B. Mas nem o sol escaldante impacientou as crianças, que só se cansaram na espera da chegada ao pódio.
Sem ou com todos os apetrechos apropriados, lá foram esculpindo na areia, tartarugas, cidades com vulcões, navios ou estrelas do mar. Uma Flor com dois monstros, ideia de Joana Machado, de 10 anos, acabou por arrebatar uma Menção Honrosa do escalão A. Incompatível? Não. Para quem, como ela, gosta de misturar flores com histórias de terror.
A imaginação de alguns participantes voou mais longe, até outras épocas. E levou Gonçalo Simões a utilizar materiais marinhos para adornar a figura retirada do areal. No seu Pirata, Gonçalo colocou uma concha branca a fingir de olho e teceu uma barba de algas. Com ele arrebatou o primeiro lugar do escalão B.
No grupo do mais pequenos, o Panda esculpido por Leonor Morais valeu-lhe o primeiro prémio. "Vejo muitas vezes o canal Panda e como gosto do urso decidi construi-lo", explicou Leonor, de férias em Sesimbra com os pais e avós. As famílias mostraram-se, aliás, fundamentais. Quase tão entusiasmados quanto os miúdos, iam incentivando os pequenos artistas, com dicas sobre a melhor forma de dar revelo à areia.
Para animar a pequenada e o atelier das Construções na Areia, Rita Martins - campeã nacional em 2006 - com a ajuda da irmã Joana e da mãe Maria da Guia, construiu, extra-concurso, um imponente leão.
Paula Mourato
Nas areias da praia de Sesimbra, venceu o incentivo familiar.
Pouco tempo bastou para que o areal da praia de Sesimbra se enchesse de obras primas, traçadas pela imaginação e por pequenas mãos apressadas. O relógio contava o tempo, que é de 50 minutos para o escalão A, e mais 10 para o B. Mas nem o sol escaldante impacientou as crianças, que só se cansaram na espera da chegada ao pódio.
Sem ou com todos os apetrechos apropriados, lá foram esculpindo na areia, tartarugas, cidades com vulcões, navios ou estrelas do mar. Uma Flor com dois monstros, ideia de Joana Machado, de 10 anos, acabou por arrebatar uma Menção Honrosa do escalão A. Incompatível? Não. Para quem, como ela, gosta de misturar flores com histórias de terror.
A imaginação de alguns participantes voou mais longe, até outras épocas. E levou Gonçalo Simões a utilizar materiais marinhos para adornar a figura retirada do areal. No seu Pirata, Gonçalo colocou uma concha branca a fingir de olho e teceu uma barba de algas. Com ele arrebatou o primeiro lugar do escalão B.
No grupo do mais pequenos, o Panda esculpido por Leonor Morais valeu-lhe o primeiro prémio. "Vejo muitas vezes o canal Panda e como gosto do urso decidi construi-lo", explicou Leonor, de férias em Sesimbra com os pais e avós. As famílias mostraram-se, aliás, fundamentais. Quase tão entusiasmados quanto os miúdos, iam incentivando os pequenos artistas, com dicas sobre a melhor forma de dar revelo à areia.
Para animar a pequenada e o atelier das Construções na Areia, Rita Martins - campeã nacional em 2006 - com a ajuda da irmã Joana e da mãe Maria da Guia, construiu, extra-concurso, um imponente leão.
Paula Mourato
Construções arrancam amanhã em três praias
Jornal “Diário de Notícias”, 29 de Julho de 2007
Quando, no Verão de 1952, o Diário de Notícias se lançou no Grande Concurso Infantil das Praias de Portugal, nunca imaginou que o êxito resultasse tão estrondoso. Mas a verdade é que a iniciativa pegou, enganou o tempo. Ganhou o nome limpo de Construções na Areia. E começa já amanhã a festejar a sua 50.ª edição, ao mesmo tempo que inaugura a época de 2007 nas praias de Santa Bárbara (Ribeira Grande), Sesimbra e Alagoa."O momento em que tudo começa é emocionante. Só quem passa por isso conhece aquela mistura de emoção e nervos no estômago", conta Rita Martins, vencedora da grande final das Construções na Areia de 2006. Os seus 15 anos foram moldados nas areias de Vila do Conde, desde os sete que os finais de tarde de férias são passados na praia, em família, a praticar técnicas e a conhecer as especificidades da matéria-prima a modelar.
"É um passatempo maravilhoso", assegura ao DN a jovem artista, convidada este ano para os ateliers paralelos por já não ter idade para participar no concurso propriamente dito. "Para mim, Verão sem as Construções nem sequer é já Verão." E porque há tradições que vale a pena manter, amanhã a aventura criativa repete-se uma vez mais, distribuída nesta sua nova etapa de 2007 por 28 praias do Norte e do Sul, Açores e Porto Santo.
Quando as 10.00 nos ponteiros indicarem o início dos primeiros trabalhos, a mesma sensação indefinível que Rita descreve vai animar os participantes a darem o melhor de si nos cerca de 50 minutos que têm para enformar a imaginação. Os seis aos dez anos concorrem no Escalão A, os 11 aos 14 no B. Todos, sem excepção, dispõem depois de um talhão de areia de quatro metros quadrados onde são senhores absolutos. Todos podem fazer uso de baldes de plástico para transportar a água, de anilinas solúveis para colorir a obra feita e de conchas, plantas, algas, seixos e apetrechos próprios para esculpir. O dia pertence-lhes. Tem sido assim ano após ano.
Depois do arranque explosivo de 1952, em 74 as Construções na Areia sofreram um interregno de cinco anos. Desde 1979, contudo, nunca mais pararam de somar gerações nas praias. Os avós vão dando lugar aos filhos e os filhos aos netos. Ninguém fica indiferente a cada uma das edições de alegria na arte que se sucedem, até hoje. Com passos certos numa caminhada segura, a velhinha iniciativa festeja este ano as bodas de ouro...
Ana Pago
Quando, no Verão de 1952, o Diário de Notícias se lançou no Grande Concurso Infantil das Praias de Portugal, nunca imaginou que o êxito resultasse tão estrondoso. Mas a verdade é que a iniciativa pegou, enganou o tempo. Ganhou o nome limpo de Construções na Areia. E começa já amanhã a festejar a sua 50.ª edição, ao mesmo tempo que inaugura a época de 2007 nas praias de Santa Bárbara (Ribeira Grande), Sesimbra e Alagoa."O momento em que tudo começa é emocionante. Só quem passa por isso conhece aquela mistura de emoção e nervos no estômago", conta Rita Martins, vencedora da grande final das Construções na Areia de 2006. Os seus 15 anos foram moldados nas areias de Vila do Conde, desde os sete que os finais de tarde de férias são passados na praia, em família, a praticar técnicas e a conhecer as especificidades da matéria-prima a modelar.
"É um passatempo maravilhoso", assegura ao DN a jovem artista, convidada este ano para os ateliers paralelos por já não ter idade para participar no concurso propriamente dito. "Para mim, Verão sem as Construções nem sequer é já Verão." E porque há tradições que vale a pena manter, amanhã a aventura criativa repete-se uma vez mais, distribuída nesta sua nova etapa de 2007 por 28 praias do Norte e do Sul, Açores e Porto Santo.
Quando as 10.00 nos ponteiros indicarem o início dos primeiros trabalhos, a mesma sensação indefinível que Rita descreve vai animar os participantes a darem o melhor de si nos cerca de 50 minutos que têm para enformar a imaginação. Os seis aos dez anos concorrem no Escalão A, os 11 aos 14 no B. Todos, sem excepção, dispõem depois de um talhão de areia de quatro metros quadrados onde são senhores absolutos. Todos podem fazer uso de baldes de plástico para transportar a água, de anilinas solúveis para colorir a obra feita e de conchas, plantas, algas, seixos e apetrechos próprios para esculpir. O dia pertence-lhes. Tem sido assim ano após ano.
Depois do arranque explosivo de 1952, em 74 as Construções na Areia sofreram um interregno de cinco anos. Desde 1979, contudo, nunca mais pararam de somar gerações nas praias. Os avós vão dando lugar aos filhos e os filhos aos netos. Ninguém fica indiferente a cada uma das edições de alegria na arte que se sucedem, até hoje. Com passos certos numa caminhada segura, a velhinha iniciativa festeja este ano as bodas de ouro...
Ana Pago
E o samba de Verão juntou mais de dez mil
“Jornal de Notícias”, 30 de Julho de 2007
Mais de dez mil pessoas assistiram anteontem ao Carnaval de Verão de Sesimbra, uma réplica do desfile carnavalesco de Inverno. Mais de 300 mascarados dançaram o samba e encantaram a multidão numa noite marcada pelo calor. Pela marginal de Sesimbra desfilaram as escolas de samba Bota no Rego, Saltaricos do Castelo, Trepa no Coqueiro e Unidos de Vila Zimbra.
Com um balanço bastante positivo, a iniciativa deverá repetir-se em 2008. "Estivemos com casa cheia e as pessoas gostaram muito", afirma Paulo Macedo, elemento da direcção do Trepa no Coqueiro. "Sesimbra, no Verão, precisa de ter animação extra", salienta o responsável, frisando que é preciso começar já a trabalhar para o Carnaval de Verão de 2008. Paulo Macedo critica,contudo, o facto de a publicidade ao evento ter sido diminuta. "Merecia um maior destaque, porque é um espectáculo de massas", diz
.Na assistência e surpeeendido estava o espanhol José Luiz, 40 anos. "É a primeira vez que venho a Sesimbra e isto para mim foi uma surpresa. Gostei muito", contou ao JN o residente em Cáceres. Surpreendida estava também Eunice Aníbal, 49 anos. "Nunca tinha visto o Carnaval de Sesimbra, nem mesmo o de Fevereiro. Fazem falta coisas como esta", afirma a palmelense.
"Acho mais graça ao Carnaval fora de época para desconcentrar estes manifestos de alegria, numa altura em que é bom fazer festas ao ar livre", salienta Eurico Pereira, 50 anos, de Lisboa. "Está muito bonito e engraçado. Deveria haver todos os anos", frisa a sesimbrense Luísa Lopes, 61 anos. "Anima a terra e traz alegria e som. É muito engraçado e giro", refere Isabel Godinho, 50 anos, residente em Torres Novas.
Para os elementos do desfile, o Carnaval de Verão é mais um pretexto para a diversão. "Tenho prazer em desfilar, gosto de sambar", afirma Carolina Cláudio, 10 anos. "Gosto do samba e da alegria que isto nos transmite", diz Patrícia Sargedas, 23 anos, também da Unidos de Vila Zimbra.
"Os fatos são muito caros e só os usamos duas vezes, no domingo e na terça-feira de Carnaval. Assim é mais uma oportunidade de os mostrar às pessoas", considera Sérgio Pinto, de 18 anos, elemento da bateria do Trepa no Coqueiro.
Sandra Brazinha
Mais de dez mil pessoas assistiram anteontem ao Carnaval de Verão de Sesimbra, uma réplica do desfile carnavalesco de Inverno. Mais de 300 mascarados dançaram o samba e encantaram a multidão numa noite marcada pelo calor. Pela marginal de Sesimbra desfilaram as escolas de samba Bota no Rego, Saltaricos do Castelo, Trepa no Coqueiro e Unidos de Vila Zimbra.
Com um balanço bastante positivo, a iniciativa deverá repetir-se em 2008. "Estivemos com casa cheia e as pessoas gostaram muito", afirma Paulo Macedo, elemento da direcção do Trepa no Coqueiro. "Sesimbra, no Verão, precisa de ter animação extra", salienta o responsável, frisando que é preciso começar já a trabalhar para o Carnaval de Verão de 2008. Paulo Macedo critica,contudo, o facto de a publicidade ao evento ter sido diminuta. "Merecia um maior destaque, porque é um espectáculo de massas", diz
.Na assistência e surpeeendido estava o espanhol José Luiz, 40 anos. "É a primeira vez que venho a Sesimbra e isto para mim foi uma surpresa. Gostei muito", contou ao JN o residente em Cáceres. Surpreendida estava também Eunice Aníbal, 49 anos. "Nunca tinha visto o Carnaval de Sesimbra, nem mesmo o de Fevereiro. Fazem falta coisas como esta", afirma a palmelense.
"Acho mais graça ao Carnaval fora de época para desconcentrar estes manifestos de alegria, numa altura em que é bom fazer festas ao ar livre", salienta Eurico Pereira, 50 anos, de Lisboa. "Está muito bonito e engraçado. Deveria haver todos os anos", frisa a sesimbrense Luísa Lopes, 61 anos. "Anima a terra e traz alegria e som. É muito engraçado e giro", refere Isabel Godinho, 50 anos, residente em Torres Novas.
Para os elementos do desfile, o Carnaval de Verão é mais um pretexto para a diversão. "Tenho prazer em desfilar, gosto de sambar", afirma Carolina Cláudio, 10 anos. "Gosto do samba e da alegria que isto nos transmite", diz Patrícia Sargedas, 23 anos, também da Unidos de Vila Zimbra.
"Os fatos são muito caros e só os usamos duas vezes, no domingo e na terça-feira de Carnaval. Assim é mais uma oportunidade de os mostrar às pessoas", considera Sérgio Pinto, de 18 anos, elemento da bateria do Trepa no Coqueiro.
Sandra Brazinha
Replantar o fundo do mar
Jornal “Diário de Notícias”, 28 de Julho de 2007
O trabalho é meticuloso e demorado. Recolher as plantas, transportá-las, atar os caules com ráfia, dando um nó para ficarem presos à grade, que depois é mergulhada na água. A mão humana, empenhada em reconstruir o que em tempos degradou, acaba aqui. Agora a natureza encarregar-se-á de fazer renascer a pradaria que há décadas povoou o fundo do mar no Portinho da Arrábida, em Sesimbra. O projecto Biomares, o primeiro do género no País, consiste nisto mesmo: replantar o fundo do mar.
Com a chegada das plantas, desaparecerá o "deserto" de vida que actualmente resta na zona, depois da pesca de arrasto da ganchorra, das correntes das embarcações que rapam o chão terem revolvido e devastado o fundo. Se a replantação funcionar, haverá uma explosão de biodiversidade, pois as plantas darão lugar a uma espécie de floresta submersa, explica Elsa Serrão, investigadora da Universidade do Algarve.
E à zona do Portinho poderão regressar espécies de interesse comercial como a raia ou o choco, mas também as de grande valor de conservação como o cavalo marinho, adianta Miguel Henriques, do Parque Natural da Arrábida. A pradaria funciona como uma maternidade, onde as espécies se abrigam dos predadores. Além disso, a existência de um tapete no fundo do mar ajuda a reter os sedimentos e a combater a erosão.
Foi pela mão do Secretário de Estado do Ambiente que ontem se deu mais um passo na recuperação deste habitat. De fato de mergulho, máscara e garrafa, Humberto Rosa fez questão de descer ao fundo do mar e colocar as estacas que suportam as grades com as plantas. Um momento de grande emoção, como o próprio confessou, pois foi naquelas frias águas que nos anos 80, ainda estudante de biologia e com o curso de mergulho acabado de tirar, mergulhou com Luís Saldanha, o célebre ocenógrafo e biólogo de quem foi aluno e cujo nome se aplica agora ao recente parque marinho.
A relação entre o parque, cujas restrições tanta polémica têm gerado, e este projecto foram sublinhadas pelo governante. "Sem ele não haveria este projecto", afirmou, pois seriam mantidas as ameaças à sobrevivência das espécies. Humberto Rosa mostrou-se ainda satisfeito com o que ouviu dos mergulhadores: dois anos após a criação do parque, já há diferenças na afluência de espécies.
Mas não é só na Arrábida que as pradarias estão em declínio. Nos estuários do Tejo, do Sado, no Mira e no Mondego praticamente desapareceram. Só subsistem na Ria Formosa. A protecção das zonas marinhas através de parques é, por isso, uma opção a desenvolver. Humberto Rosa lembrou que já há áreas protegidas com extensões marinhas, mas que ainda não possuem regulação, caso do Litoral de Esposende, Sudoeste Alentejano ou Berlengas.
Rita Carvalho
O trabalho é meticuloso e demorado. Recolher as plantas, transportá-las, atar os caules com ráfia, dando um nó para ficarem presos à grade, que depois é mergulhada na água. A mão humana, empenhada em reconstruir o que em tempos degradou, acaba aqui. Agora a natureza encarregar-se-á de fazer renascer a pradaria que há décadas povoou o fundo do mar no Portinho da Arrábida, em Sesimbra. O projecto Biomares, o primeiro do género no País, consiste nisto mesmo: replantar o fundo do mar.
Com a chegada das plantas, desaparecerá o "deserto" de vida que actualmente resta na zona, depois da pesca de arrasto da ganchorra, das correntes das embarcações que rapam o chão terem revolvido e devastado o fundo. Se a replantação funcionar, haverá uma explosão de biodiversidade, pois as plantas darão lugar a uma espécie de floresta submersa, explica Elsa Serrão, investigadora da Universidade do Algarve.
E à zona do Portinho poderão regressar espécies de interesse comercial como a raia ou o choco, mas também as de grande valor de conservação como o cavalo marinho, adianta Miguel Henriques, do Parque Natural da Arrábida. A pradaria funciona como uma maternidade, onde as espécies se abrigam dos predadores. Além disso, a existência de um tapete no fundo do mar ajuda a reter os sedimentos e a combater a erosão.
Foi pela mão do Secretário de Estado do Ambiente que ontem se deu mais um passo na recuperação deste habitat. De fato de mergulho, máscara e garrafa, Humberto Rosa fez questão de descer ao fundo do mar e colocar as estacas que suportam as grades com as plantas. Um momento de grande emoção, como o próprio confessou, pois foi naquelas frias águas que nos anos 80, ainda estudante de biologia e com o curso de mergulho acabado de tirar, mergulhou com Luís Saldanha, o célebre ocenógrafo e biólogo de quem foi aluno e cujo nome se aplica agora ao recente parque marinho.
A relação entre o parque, cujas restrições tanta polémica têm gerado, e este projecto foram sublinhadas pelo governante. "Sem ele não haveria este projecto", afirmou, pois seriam mantidas as ameaças à sobrevivência das espécies. Humberto Rosa mostrou-se ainda satisfeito com o que ouviu dos mergulhadores: dois anos após a criação do parque, já há diferenças na afluência de espécies.
Mas não é só na Arrábida que as pradarias estão em declínio. Nos estuários do Tejo, do Sado, no Mira e no Mondego praticamente desapareceram. Só subsistem na Ria Formosa. A protecção das zonas marinhas através de parques é, por isso, uma opção a desenvolver. Humberto Rosa lembrou que já há áreas protegidas com extensões marinhas, mas que ainda não possuem regulação, caso do Litoral de Esposende, Sudoeste Alentejano ou Berlengas.
Rita Carvalho
Protesto contra fecho de SAP sem aviso
“Jornal de Notícias”, 20 de Julho de 2007
Cerca de 500 centenas de pessoas manifestaram-se ontem contra o encerramento dos serviços de atendimento permanente (SAP) do Seixal e de Corroios em duas concentrações junto aos respectivos centros de saúde. Novas formas de luta estão prometidas para a próxima semana.
"Os utentes foram confrontados com o encerramento quando se deslocaram ao serviço", lamentou ao JN o presidente da Câmara Municipal do Seixal, Alfredo Monteiro, que também participou nos protestos. Considerando "inconcebível" a falta de aviso prévio, o autarca anunciou que vai pedir uma reunião "com a máxima urgência" à Sub-Região de Saúde de Setúbal, que acusa de ter tomado uma decisão de "gestão economicista onde as pessoas não contam".
Num concelho onde a falta de médicos de família afecta cerca de 55 mil utentes, um dos números mais elevados do país, Alfredo Monteiro salienta que se "está a canalizar mais gente para o Hospital Garcia de Orta, que há já muitos anos não tem capacidade de resposta".
Ontem começaram trambém a ser recolhidas assinaturas para contestar o fecho dos dois SAP. Para além da Câmara do Seixal, estiveram presentes representantes das juntas de freguesia, dos vários quadrantes políticos e das comissões de utentes da saúde do concelho.
"Pretendemos fazer uma grande acção para a semana", anunciou o representante dos utentes, José Sales. Corte de estradas, um cordão humano e manifestações junto aos centros de saúde ou em Lisboa frente ao Ministério da Saúde são alguns dos protestos que serão hoje ponderados numa reunião das comissões de utentes.
O JN tentou obter esclarecimentos por parte da Sub-Região de Saúde de Setúbal sobre as razões que levaram ao fecho dos dois SAP no concelho do Seixal. Segundo explicou à agência Lusa, o director clínico dos centros de Saúde de Sesimbra e Seixal, Jorge Domingues, o encerramento ficou a dever-se à falta de médicos e a Amora terá sido escolhida para acolher o SAP concelhio por ser mais central e ter melhores condições.
Pelo contrário, o SAP de Sesimbra vai funcionar 24 horas por dia, pelo menos até ao final de Setembro, anunciou a autarquia.
Sandra Brazinha
Cerca de 500 centenas de pessoas manifestaram-se ontem contra o encerramento dos serviços de atendimento permanente (SAP) do Seixal e de Corroios em duas concentrações junto aos respectivos centros de saúde. Novas formas de luta estão prometidas para a próxima semana.
"Os utentes foram confrontados com o encerramento quando se deslocaram ao serviço", lamentou ao JN o presidente da Câmara Municipal do Seixal, Alfredo Monteiro, que também participou nos protestos. Considerando "inconcebível" a falta de aviso prévio, o autarca anunciou que vai pedir uma reunião "com a máxima urgência" à Sub-Região de Saúde de Setúbal, que acusa de ter tomado uma decisão de "gestão economicista onde as pessoas não contam".
Num concelho onde a falta de médicos de família afecta cerca de 55 mil utentes, um dos números mais elevados do país, Alfredo Monteiro salienta que se "está a canalizar mais gente para o Hospital Garcia de Orta, que há já muitos anos não tem capacidade de resposta".
Ontem começaram trambém a ser recolhidas assinaturas para contestar o fecho dos dois SAP. Para além da Câmara do Seixal, estiveram presentes representantes das juntas de freguesia, dos vários quadrantes políticos e das comissões de utentes da saúde do concelho.
"Pretendemos fazer uma grande acção para a semana", anunciou o representante dos utentes, José Sales. Corte de estradas, um cordão humano e manifestações junto aos centros de saúde ou em Lisboa frente ao Ministério da Saúde são alguns dos protestos que serão hoje ponderados numa reunião das comissões de utentes.
O JN tentou obter esclarecimentos por parte da Sub-Região de Saúde de Setúbal sobre as razões que levaram ao fecho dos dois SAP no concelho do Seixal. Segundo explicou à agência Lusa, o director clínico dos centros de Saúde de Sesimbra e Seixal, Jorge Domingues, o encerramento ficou a dever-se à falta de médicos e a Amora terá sido escolhida para acolher o SAP concelhio por ser mais central e ter melhores condições.
Pelo contrário, o SAP de Sesimbra vai funcionar 24 horas por dia, pelo menos até ao final de Setembro, anunciou a autarquia.
Sandra Brazinha
Tróia recebe 'duelos' no mar
Jornal "Diário de Notícias", 19 de Julho de 2007
A quarta edição do Portugal Match Cup tem início hoje.
É num novo cenário marítimo, nas águas do oceano Atlântico e do rio Sado, que se realiza a quarta edição do Portugal Match Cup, prova da nona etapa do circuito internacional do World Match Racing Tour 2007/2008.
A entidade organizadora, Sun Sailing Team, juntamente com o Clube Naval de Sesimbra e os responsáveis do circuito internacional acreditam que a península de Tróia pode ser a sede do evento nos próximos três anos, contando com o apoio do Turismo de Portugal, do Tróia Resort e da Amorim Turismo.
Com um prize money de 108 mil euros, o Tróia Portugal Match Cup tem atraído skippers de renome mundial, especialmente timoneiros e tácticos da Taça América, como o australiano Peter Gilmour, o neozelandês Gavin Brady, táctico do BMW Oracle Racing Team, o italiano Paolo Cian, táctico do Team Shosholoza, e o francês Sébastien Col, táctico do Areva Challenge, todos eles participantes da série qualificatória Louis Vuitton Cup, realizada em Maio e Junho em Valência, Espanha.
As principais provas realizar-se--ão entre os dias 24 e 29. Hoje entram já nos campos de regatas as tripulações femininas internacionais e a nacional - com Rita Gonçalves - que disputarão uma fase independente, o Tróia Portugal Women's Cup. A vencedora integrará depois o quadro das principais tripulações masculinas internacionais, que conta ainda com a presença de Álvaro Marinho, campeão europeu na classe 470 e 4.º colocado nos Campeonatos do Mundo de Classes Olímpicas em Cascais.
Esta prova consta do calendário internacional da ISAF (Federação Internacional de Vela) e tem o Grau 1, o mais elevado em eventos internacionais da modalidade.
Além dos destaques internacionais, da presença feminina e da participação da equipa portuguesa, o evento também irá reunir jovens velejadores da classe Optmist que, em competição paralela, disputarão regatas à sua medida na baía de Sesimbra.
Nysse Arruda
A quarta edição do Portugal Match Cup tem início hoje.
É num novo cenário marítimo, nas águas do oceano Atlântico e do rio Sado, que se realiza a quarta edição do Portugal Match Cup, prova da nona etapa do circuito internacional do World Match Racing Tour 2007/2008.
A entidade organizadora, Sun Sailing Team, juntamente com o Clube Naval de Sesimbra e os responsáveis do circuito internacional acreditam que a península de Tróia pode ser a sede do evento nos próximos três anos, contando com o apoio do Turismo de Portugal, do Tróia Resort e da Amorim Turismo.
Com um prize money de 108 mil euros, o Tróia Portugal Match Cup tem atraído skippers de renome mundial, especialmente timoneiros e tácticos da Taça América, como o australiano Peter Gilmour, o neozelandês Gavin Brady, táctico do BMW Oracle Racing Team, o italiano Paolo Cian, táctico do Team Shosholoza, e o francês Sébastien Col, táctico do Areva Challenge, todos eles participantes da série qualificatória Louis Vuitton Cup, realizada em Maio e Junho em Valência, Espanha.
As principais provas realizar-se--ão entre os dias 24 e 29. Hoje entram já nos campos de regatas as tripulações femininas internacionais e a nacional - com Rita Gonçalves - que disputarão uma fase independente, o Tróia Portugal Women's Cup. A vencedora integrará depois o quadro das principais tripulações masculinas internacionais, que conta ainda com a presença de Álvaro Marinho, campeão europeu na classe 470 e 4.º colocado nos Campeonatos do Mundo de Classes Olímpicas em Cascais.
Esta prova consta do calendário internacional da ISAF (Federação Internacional de Vela) e tem o Grau 1, o mais elevado em eventos internacionais da modalidade.
Além dos destaques internacionais, da presença feminina e da participação da equipa portuguesa, o evento também irá reunir jovens velejadores da classe Optmist que, em competição paralela, disputarão regatas à sua medida na baía de Sesimbra.
Nysse Arruda
Fecho dos SAP de Corroios e do Seixal foi antecipado devido à falta de médicos
Jornal “Público”, 18 de Julho de 2007
O director clínico dos Centros de Saúde de Sesimbra e do Seixal, Jorge Domingues, admitiu hoje que houve uma decisão para acelerar o encerramento dos Serviços de Atendimento Permanente (SAP) de Corroios e do Seixal devido à falta de médicos.
"Não tínhamos médicos disponíveis para assegurar os dois SAP, de Corroios e do Seixal", disse o clínico, adiantando que a decisão de concentrar o atendimento permanente na Amora foi tomada pelo coordenador da Sub-Região de Setúbal e pelo Conselho de Administração dos Centros de Saúde de Sesimbra e do Seixal.
A decisão das autoridades locais de saúde está a ser contestada pela Comissão de Utentes, Juntas de Freguesia e Câmara Municipal, que convocaram duas acções de protesto que terão lugar amanhã nos SAP do Seixal (11h00) e de Corroios (17h00).
O encerramento dos dois SAP insere-se na "reestruturação iniciada o ano passado, com a junção dos Centros de Saúde do Seixal, Amora, Corroios e Sesimbra", explicou o director clínico.
"A reestruturação passou também pela abertura de quatro novas Unidades de Saúde Familiar (USF) em Fernão Ferro (Setembro 2006), Torre da Marinha/Pinhal de Frades (Janeiro 2007) e duas no Seixal (inauguradas segunda-feira)", acrescentou.
Jorge Domingues lembrou ainda que a concentração dos SAP na Amora vai permitir rentabilizar os recursos, disponibilizar um total de dez médicos naquele serviço, entre as 08h00 e as 24h00, e atribuir médico de família a mais de quatro mil dos cerca de cinquenta mil utentes sem médico no Concelho do Seixal.
Quanto à escolha da manutenção do SAP da Amora, em detrimento dos serviços de Corroios e do Seixal, Jorge Domingues esclareceu que se tratou de uma opção justificada pela centralidade da Amora e pela qualidade das instalações.
Jorge Domingues salientou ainda que os utentes do Centro de Saúde e extensões do Seixal, com excepção daqueles que não têm médico de família, só terão de recorrer ao SAP da Amora a partir das 20h00, altura em que deixam de ter atendimento na USF a que pertencem.
O director clínico dos Centros de Saúde de Sesimbra e do Seixal, Jorge Domingues, admitiu hoje que houve uma decisão para acelerar o encerramento dos Serviços de Atendimento Permanente (SAP) de Corroios e do Seixal devido à falta de médicos.
"Não tínhamos médicos disponíveis para assegurar os dois SAP, de Corroios e do Seixal", disse o clínico, adiantando que a decisão de concentrar o atendimento permanente na Amora foi tomada pelo coordenador da Sub-Região de Setúbal e pelo Conselho de Administração dos Centros de Saúde de Sesimbra e do Seixal.
A decisão das autoridades locais de saúde está a ser contestada pela Comissão de Utentes, Juntas de Freguesia e Câmara Municipal, que convocaram duas acções de protesto que terão lugar amanhã nos SAP do Seixal (11h00) e de Corroios (17h00).
O encerramento dos dois SAP insere-se na "reestruturação iniciada o ano passado, com a junção dos Centros de Saúde do Seixal, Amora, Corroios e Sesimbra", explicou o director clínico.
"A reestruturação passou também pela abertura de quatro novas Unidades de Saúde Familiar (USF) em Fernão Ferro (Setembro 2006), Torre da Marinha/Pinhal de Frades (Janeiro 2007) e duas no Seixal (inauguradas segunda-feira)", acrescentou.
Jorge Domingues lembrou ainda que a concentração dos SAP na Amora vai permitir rentabilizar os recursos, disponibilizar um total de dez médicos naquele serviço, entre as 08h00 e as 24h00, e atribuir médico de família a mais de quatro mil dos cerca de cinquenta mil utentes sem médico no Concelho do Seixal.
Quanto à escolha da manutenção do SAP da Amora, em detrimento dos serviços de Corroios e do Seixal, Jorge Domingues esclareceu que se tratou de uma opção justificada pela centralidade da Amora e pela qualidade das instalações.
Jorge Domingues salientou ainda que os utentes do Centro de Saúde e extensões do Seixal, com excepção daqueles que não têm médico de família, só terão de recorrer ao SAP da Amora a partir das 20h00, altura em que deixam de ter atendimento na USF a que pertencem.
Campanha antitabagismo chega à praia
"Jornal de Notícias", 18 de Julho de 2007
Os níveis de monóxido de carbono dos frequentadores das praias de São João, na Costa de Caparica, e do Ouro, em Sesimbra, foram testados, nos últimos dois dias, no âmbito da campanha "Help - Por uma vida sem tabaco", cujas tendas receberam uma centena de visitantes.
"Nos dois dias fizemos 100 medições, o que fica aquém dos números normais", lamentou o coordenador desta iniciativa, Saboga Nunes. Em média, por dia, a campanha recebe cerca de 300 visitantes, mas em Sesimbra e na Costa esse número não foi alcançado o que obrigou a uma mudança de estratégia. Em contrapartida, a fraca afluência de pessoas às tendas, em Sesimbra, por causa da chuva, e na Costa, devido à capacidade limitada do areal, permitiu "fazer um trabalho de profundidade no aconselhamento e avaliação do nível de monóxido de carbono no sangue".
O teste consiste em soprar para um aparelho que mede os níveis de monóxido de carbono. Taxas elevadas deste gás altamente tóxico, que também se encontra nos automóveis, aumentam os problemas cardíacos, de asfixia ou de formação de coágulos.
A campanha da Comissão Europeia visa convencer principalmente os jovens a não começarem a fumar ou a deixarem o vício. Mais testes estão agendados para amanhã entre as 10 e as 18 horas na Praia de Carcavelos.
Para quem quer deixar de fumar, Saboga Nunes aconselha uma visita ao site www.parar.net, do qual é coordenador, onde as pessoas podem seguir dez passos para largar o vício. "É uma estratégia de apoio imediato para que se possa deixar de fumar", explicou. Em Portugal, a marcação de consultas antitabágicas demora em média 139 dias.
Sandra Brazinha
Os níveis de monóxido de carbono dos frequentadores das praias de São João, na Costa de Caparica, e do Ouro, em Sesimbra, foram testados, nos últimos dois dias, no âmbito da campanha "Help - Por uma vida sem tabaco", cujas tendas receberam uma centena de visitantes.
"Nos dois dias fizemos 100 medições, o que fica aquém dos números normais", lamentou o coordenador desta iniciativa, Saboga Nunes. Em média, por dia, a campanha recebe cerca de 300 visitantes, mas em Sesimbra e na Costa esse número não foi alcançado o que obrigou a uma mudança de estratégia. Em contrapartida, a fraca afluência de pessoas às tendas, em Sesimbra, por causa da chuva, e na Costa, devido à capacidade limitada do areal, permitiu "fazer um trabalho de profundidade no aconselhamento e avaliação do nível de monóxido de carbono no sangue".
O teste consiste em soprar para um aparelho que mede os níveis de monóxido de carbono. Taxas elevadas deste gás altamente tóxico, que também se encontra nos automóveis, aumentam os problemas cardíacos, de asfixia ou de formação de coágulos.
A campanha da Comissão Europeia visa convencer principalmente os jovens a não começarem a fumar ou a deixarem o vício. Mais testes estão agendados para amanhã entre as 10 e as 18 horas na Praia de Carcavelos.
Para quem quer deixar de fumar, Saboga Nunes aconselha uma visita ao site www.parar.net, do qual é coordenador, onde as pessoas podem seguir dez passos para largar o vício. "É uma estratégia de apoio imediato para que se possa deixar de fumar", explicou. Em Portugal, a marcação de consultas antitabágicas demora em média 139 dias.
Sandra Brazinha
Automóveis deixam de aceder à falésia do Cabo Espichel
“Jornal de Notícias”, 1 de Junho de 2007
Sem demoras, a Câmara Municipal de Sesimbra decidiu ontem vedar o acesso automóvel à falésia do Cabo Espichel depois de, na quarta-feira, os bombeiros terem resgatado dos rochedos os corpos de uma mulher que se atirou de carro no local, e da filha deficiente. Blocos de cimento, dois pilaretes, grades e sinalização vertical a indicar que é proibido circular foram colocados, ontem à tarde, no local, de modo a impedir que os carros passem para as traseiras do Santuário.
"Vamos para já vedar o acesso automóvel naquela plataforma que fica por trás da igreja", avançou, ao JN, Augusto Pólvora, presidente da autarquia, considerando que esta medida irá "reduzir a possibilidade" das tragédias que ali ocorrem e que, segundo o responsável máximo pela Protecção Civil Municipal, não são um fenómeno novo.
Segundo o comandante dos Bombeiros Voluntários de Sesimbra, Ricardo Cruz, esta foi já "a quarta situação este ano no Cabo Espichel". Em 2006, a corporação registou pelo menos nove situações idênticas.
Os visitantes do santuário, edificado nos inícios do século XVIII, são unânimes quanto à necessidade de restringir o acesso a automóveis na zona da falésia. "Eu já lá vi um carro em baixo e acho que está na altura de se tomarem providências", afirma Manuel Pereira, de 63 anos, residente no Barreiro, que frequentemente vai passear até ao local. "Isto devia ter uma vedação para os carros não terem acesso", defende José Luís Passos, de Viana do Castelo, que visita o local entre três a quatro vezes por ano. "Devia haver também um muro ou gradeamento para as pessoas não se aproximarem da falésia", acrescenta.
A pensar também na segurança de quem se desloca a pé, a autarquia vai colocar avisos junto à falésia chamando a atenção para o perigo existente. No futuro, a Câmara pondera ainda vedar o acesso dos peões à zona mais perigosa.
Sandra Brazinha
Sem demoras, a Câmara Municipal de Sesimbra decidiu ontem vedar o acesso automóvel à falésia do Cabo Espichel depois de, na quarta-feira, os bombeiros terem resgatado dos rochedos os corpos de uma mulher que se atirou de carro no local, e da filha deficiente. Blocos de cimento, dois pilaretes, grades e sinalização vertical a indicar que é proibido circular foram colocados, ontem à tarde, no local, de modo a impedir que os carros passem para as traseiras do Santuário.
"Vamos para já vedar o acesso automóvel naquela plataforma que fica por trás da igreja", avançou, ao JN, Augusto Pólvora, presidente da autarquia, considerando que esta medida irá "reduzir a possibilidade" das tragédias que ali ocorrem e que, segundo o responsável máximo pela Protecção Civil Municipal, não são um fenómeno novo.
Segundo o comandante dos Bombeiros Voluntários de Sesimbra, Ricardo Cruz, esta foi já "a quarta situação este ano no Cabo Espichel". Em 2006, a corporação registou pelo menos nove situações idênticas.
Os visitantes do santuário, edificado nos inícios do século XVIII, são unânimes quanto à necessidade de restringir o acesso a automóveis na zona da falésia. "Eu já lá vi um carro em baixo e acho que está na altura de se tomarem providências", afirma Manuel Pereira, de 63 anos, residente no Barreiro, que frequentemente vai passear até ao local. "Isto devia ter uma vedação para os carros não terem acesso", defende José Luís Passos, de Viana do Castelo, que visita o local entre três a quatro vezes por ano. "Devia haver também um muro ou gradeamento para as pessoas não se aproximarem da falésia", acrescenta.
A pensar também na segurança de quem se desloca a pé, a autarquia vai colocar avisos junto à falésia chamando a atenção para o perigo existente. No futuro, a Câmara pondera ainda vedar o acesso dos peões à zona mais perigosa.
Sandra Brazinha
Mãe atira-se com filha do cabo Espichel
“Jornal de Notícias”, 31 de Maio de 2007
Um acto de desespero terá estado na origem da tragédia que ocorreu no Capo Espichel, em Sesimbra uma mulher de cerca de 50 anos, acompanhada pela filha, de 25, doente de paralisia cerebral, atirou-se do penhasco ao volante de um automóvel Citroen C3. A queda de mais de 100 metros e o embate nos rochedos foram fatais. Os cadáveres das duas mulheres foram, ontem à tarde, resgatados pelos Bombeiros de Sesimbra e levados para a morgue do Hospital Garcia de Orta, em Almada, depois de uma delicada operação que se prolongou durante várias horas.
O alerta para o desaparecimento foi dado, anteontem à noite, pelo marido, que estranhou o facto de a mulher e a filha não aparecerem em casa, em Alhos Vedros. De manhã, recebera no telemóvel uma mensagem da mulher, em jeito de despedida. Pedia-lhe desculpa pelo fardo que eram na sua vida, mas só à noite começou a perceber o real sentido daquela mensagem.
O homem ainda foi ao Hospital do Barreiro, onde a jovem era habitualmente seguida, mas ninguém as vira por ali. Foi então que participou o desaparecimento às autoridades, primeiro à PSP do Barreiro, depois à GNR da Moita. Ontem de manhã, decidiu ir procurá-las na zona do Cabo Espichel e foi ele quem viu o carro no fundo da falésia. Dirigiu-se à GNR de Alfarim que alertou a Polícia Marítima e os Bombeiros de Sesimbra, que accionaram os meios de resgate. No local estiveram também duas psicólogas, uma do INEM e outra dos bombeiros, que deram apoio ao marido, que preferiu não falar aos jornalistas. O caso foi participado ao Ministério Público, que decidirá, ou não, abrir um inquérito.
Ao que o JN apurou, a mulher não terá conseguido lidar com a notícia do avanço da doença da filha e com o "peso" que isso significava para o marido, padrasto da jovem. O desespero fê-la cumprir uma ameaça que já teria feito algumas vezes.
Segundo o 2º comandante dos Bombeiros de Sesimbra, Luís Saraiva, só este ano já houve três casos de pessoas que se atiraram daquele penhasco, dois deles com carros. Confrontada pelo JN, fonte da Câmara Municipal de Sesimbra disse que o assunto preocupa a autarquia e garantiu que, numa próxima reunião, será discutida uma proposta para vedar o acesso automóvel ao local.
Gina Pereira
Um acto de desespero terá estado na origem da tragédia que ocorreu no Capo Espichel, em Sesimbra uma mulher de cerca de 50 anos, acompanhada pela filha, de 25, doente de paralisia cerebral, atirou-se do penhasco ao volante de um automóvel Citroen C3. A queda de mais de 100 metros e o embate nos rochedos foram fatais. Os cadáveres das duas mulheres foram, ontem à tarde, resgatados pelos Bombeiros de Sesimbra e levados para a morgue do Hospital Garcia de Orta, em Almada, depois de uma delicada operação que se prolongou durante várias horas.
O alerta para o desaparecimento foi dado, anteontem à noite, pelo marido, que estranhou o facto de a mulher e a filha não aparecerem em casa, em Alhos Vedros. De manhã, recebera no telemóvel uma mensagem da mulher, em jeito de despedida. Pedia-lhe desculpa pelo fardo que eram na sua vida, mas só à noite começou a perceber o real sentido daquela mensagem.
O homem ainda foi ao Hospital do Barreiro, onde a jovem era habitualmente seguida, mas ninguém as vira por ali. Foi então que participou o desaparecimento às autoridades, primeiro à PSP do Barreiro, depois à GNR da Moita. Ontem de manhã, decidiu ir procurá-las na zona do Cabo Espichel e foi ele quem viu o carro no fundo da falésia. Dirigiu-se à GNR de Alfarim que alertou a Polícia Marítima e os Bombeiros de Sesimbra, que accionaram os meios de resgate. No local estiveram também duas psicólogas, uma do INEM e outra dos bombeiros, que deram apoio ao marido, que preferiu não falar aos jornalistas. O caso foi participado ao Ministério Público, que decidirá, ou não, abrir um inquérito.
Ao que o JN apurou, a mulher não terá conseguido lidar com a notícia do avanço da doença da filha e com o "peso" que isso significava para o marido, padrasto da jovem. O desespero fê-la cumprir uma ameaça que já teria feito algumas vezes.
Segundo o 2º comandante dos Bombeiros de Sesimbra, Luís Saraiva, só este ano já houve três casos de pessoas que se atiraram daquele penhasco, dois deles com carros. Confrontada pelo JN, fonte da Câmara Municipal de Sesimbra disse que o assunto preocupa a autarquia e garantiu que, numa próxima reunião, será discutida uma proposta para vedar o acesso automóvel ao local.
Gina Pereira
Eleitores votam orçamento
“Jornal de Notícias”, 29 de Maio de 2007
Os eleitores do concelho de Sesimbra são chamados, a partir de hoje, a escolher os destinos de parte do Orçamento municipal para 2008. O Orçamento Participativo dispõe de 500 mil euros, cerca de 5% do investimento camarário realizado em 2006.
"Queremos promover uma grande participação dos cidadãos nas decisões", afirma o presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Augusto Pólvora, adiantando que "a Autarquia vai ter a obrigação de cumprir e fazer cumprir as deliberações".
A Autarquia acredita que as escolhas da população irão recair sobre pequenos investimentos. "Muitas aldeias vão optar por realizar obras como abrigos, parques infantis ou arranjos de estradas", considera Augusto Pólvora.
As mesas de voto do concelho vão servir de palco para 12 foros territoriais, que vão eleger um total de 41 delegados até ao final de Junho. Os delegados vão auscultar a população da sua área de residência até Setembro, para depois apresentar e decidir nas assembleias de delegados quais os investimentos prioritários para a população.
A primeira sessão do Orçamento Participativo do Município de Sesimbra para 2008 realiza-se hoje, pelas 21.30 horas, no Auditório Conde de Ferreira, com o Foro Territorial de Sesimbra, para o qual foram afectos cerca de 79 mil euros, tendo em conta a área geográfica e o número de eleitores.
Sandra Brazinha
Os eleitores do concelho de Sesimbra são chamados, a partir de hoje, a escolher os destinos de parte do Orçamento municipal para 2008. O Orçamento Participativo dispõe de 500 mil euros, cerca de 5% do investimento camarário realizado em 2006.
"Queremos promover uma grande participação dos cidadãos nas decisões", afirma o presidente da Câmara Municipal de Sesimbra, Augusto Pólvora, adiantando que "a Autarquia vai ter a obrigação de cumprir e fazer cumprir as deliberações".
A Autarquia acredita que as escolhas da população irão recair sobre pequenos investimentos. "Muitas aldeias vão optar por realizar obras como abrigos, parques infantis ou arranjos de estradas", considera Augusto Pólvora.
As mesas de voto do concelho vão servir de palco para 12 foros territoriais, que vão eleger um total de 41 delegados até ao final de Junho. Os delegados vão auscultar a população da sua área de residência até Setembro, para depois apresentar e decidir nas assembleias de delegados quais os investimentos prioritários para a população.
A primeira sessão do Orçamento Participativo do Município de Sesimbra para 2008 realiza-se hoje, pelas 21.30 horas, no Auditório Conde de Ferreira, com o Foro Territorial de Sesimbra, para o qual foram afectos cerca de 79 mil euros, tendo em conta a área geográfica e o número de eleitores.
Sandra Brazinha
Co-incineração na Arrábida continua suspensa
Jornal “Sol”, 19 de Maio de 2007
A co-incineração de resíduos perigosos na cimenteira da Secil, na Arrábida, Setúbal, vai continuar suspensa na sequência de uma decisão do Tribunal Central Administrativo-Sul, que indeferiu os recursos apresentados pelo Ministério do Ambiente e pela Secil.
O Tribunal Central Administrativo-Sul confirmou assim a sentença de primeira instância do Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada que tinha determinado a suspensão da co-incineração naquela cimenteira.
O acórdão do tribunal Central Administrativo-Sul, datado de 10 de Maio, indeferiu os recursos apresentados pela Secil e pelo Ministério do Ambiente, tendo dado provimento apenas ao recurso interposto pelo Ministério da Economia, mas que não colide com as pretensões dos municípios de Palmela, Sesimbra e Setúbal de impedir a co-incineração.
Em conferência de imprensa, os presidentes das três câmaras municipais que apresentaram a providência cautelar congratularam-se com a decisão.
«Este despacho, favorável à Câmara Municipal de Setúbal, vem dar razão às questões que nós colocámos e dizer que os recursos da Secil e do Ministério do Ambiente não têm provimento», afirmou a presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira.
«O efeito principal deste acórdão é que se mantêm suspensas as operações de co-incineração de resíduos perigosos», acrescentou a autarca comunista, acompanhada pelos homólogos de Palmela, Ana Teresa Vicente, e de Sesimbra, Augusto Pólvora.
O advogado das três autarquias, Castanheira Barros, salientou que o acórdão do Tribunal Central Administrativo-Sul se refere ao «primeiro processo cautelar em que foi pedida a suspensão do despacho do ministro do Ambiente que dispensou a Secil da avaliação de impacte ambiental para efeito de co-incineração de resíduos industriais perigosos».
«Pedimos também nessa acção a proibição de realização dos testes e demais operações de co-incineração», acrescentou Castanheira Barros.
Por outro lado, as três autarquias reconheceram hoje ter sofrido um revés uma vez que o Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada indeferiu a providência cautelar na qual as autarquias pediam a suspensão das licenças ambiental, de instalação e de exploração atribuídas à cimenteira da Secil, no Outão.
«O juiz do Tribunal de Almada decidiu que não havia interesse em agir por parte dos 3 municípios que promoveram essa acção cautelar porque os testes de co-incineração já estavam suspensos», justificou o advogado Castanheira Barros.
«O juiz entendeu que o interesse em mover uma acção tem que ser um interesse actual e não eventual», acrescentou, salientando que os três municípios podem intentar uma acção idêntica em qualquer momento, caso seja levantada a suspensão dos testes e demais operações de co-incineração.
Castanheira Barros lembrou que neste momento «estão pendentes quatro acções relacionadas com a co-incineração no Outão - duas acções cautelares e duas acções administrativas especiais».
O Ministério do Ambiente e a Secil têm 15 dias para recorrer da decisão do Tribunal Central Administrativo-Sul sobre a primeira providência cautelar interposta pelos três municípios.
A co-incineração de resíduos perigosos na cimenteira da Secil, na Arrábida, Setúbal, vai continuar suspensa na sequência de uma decisão do Tribunal Central Administrativo-Sul, que indeferiu os recursos apresentados pelo Ministério do Ambiente e pela Secil.
O Tribunal Central Administrativo-Sul confirmou assim a sentença de primeira instância do Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada que tinha determinado a suspensão da co-incineração naquela cimenteira.
O acórdão do tribunal Central Administrativo-Sul, datado de 10 de Maio, indeferiu os recursos apresentados pela Secil e pelo Ministério do Ambiente, tendo dado provimento apenas ao recurso interposto pelo Ministério da Economia, mas que não colide com as pretensões dos municípios de Palmela, Sesimbra e Setúbal de impedir a co-incineração.
Em conferência de imprensa, os presidentes das três câmaras municipais que apresentaram a providência cautelar congratularam-se com a decisão.
«Este despacho, favorável à Câmara Municipal de Setúbal, vem dar razão às questões que nós colocámos e dizer que os recursos da Secil e do Ministério do Ambiente não têm provimento», afirmou a presidente da Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira.
«O efeito principal deste acórdão é que se mantêm suspensas as operações de co-incineração de resíduos perigosos», acrescentou a autarca comunista, acompanhada pelos homólogos de Palmela, Ana Teresa Vicente, e de Sesimbra, Augusto Pólvora.
O advogado das três autarquias, Castanheira Barros, salientou que o acórdão do Tribunal Central Administrativo-Sul se refere ao «primeiro processo cautelar em que foi pedida a suspensão do despacho do ministro do Ambiente que dispensou a Secil da avaliação de impacte ambiental para efeito de co-incineração de resíduos industriais perigosos».
«Pedimos também nessa acção a proibição de realização dos testes e demais operações de co-incineração», acrescentou Castanheira Barros.
Por outro lado, as três autarquias reconheceram hoje ter sofrido um revés uma vez que o Tribunal Administrativo e Fiscal de Almada indeferiu a providência cautelar na qual as autarquias pediam a suspensão das licenças ambiental, de instalação e de exploração atribuídas à cimenteira da Secil, no Outão.
«O juiz do Tribunal de Almada decidiu que não havia interesse em agir por parte dos 3 municípios que promoveram essa acção cautelar porque os testes de co-incineração já estavam suspensos», justificou o advogado Castanheira Barros.
«O juiz entendeu que o interesse em mover uma acção tem que ser um interesse actual e não eventual», acrescentou, salientando que os três municípios podem intentar uma acção idêntica em qualquer momento, caso seja levantada a suspensão dos testes e demais operações de co-incineração.
Castanheira Barros lembrou que neste momento «estão pendentes quatro acções relacionadas com a co-incineração no Outão - duas acções cautelares e duas acções administrativas especiais».
O Ministério do Ambiente e a Secil têm 15 dias para recorrer da decisão do Tribunal Central Administrativo-Sul sobre a primeira providência cautelar interposta pelos três municípios.
10 de Junho, Dia da Tropa
Jornal “Diário de Notícias”, 16 de Maio de 2007
As celebrações do 10 de Junho deste ano, que se realizam em Setúbal, confirmam a data como a da celebração efectiva do Dia das Forças Armadas, apesar de este continuar oficialmente marcado para 24 de Junho.
Esta data foi criada em 2003 por resolução do Conselho de Ministros e por iniciativa do então ministro da Defesa Paulo Portas. Mas, apesar da vontade expressa no ano passado pelo então recém-empossado Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, Cavaco Silva, de associar a instituição militar às comemorações do dia nacional - e da grandiosidade das cerimónias militares realizadas no Porto -, o Governo não anulou aquele diploma.
Fonte oficial do Estado-Maior- -General das Forças Armadas disse ontem ao DN desconhecer a realização de qualquer acto ou gesto no dia 24 de Junho, por menor que seja, tendo em conta que não faz sentido - até pelos custos associados - realizar dois grandes desfiles militares por ano e muito menos com duas semanas de diferença.
Recorde-se que, nas cerimónias de 2006 do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, Cavaco Silva declarou: "Considero o dia 10 de Junho a data indicada para prestar homenagem às instituições de maior relevo do País, onde, incontestavelmente, as Forças Armadas possuem lugar de destaque."
Como acrescentou então o Chefe do Estado "nem sempre é dada merecida divulgação e reconhecimento ao contributo das Forças Armadas para o desenvolvimento da sociedade, através da realização de tarefas essenciais para o bem-estar das populações", Setúbal vai assistir este ano a um conjunto de actividades complementares com esse objectivo, disseram ao DN fontes militares.
Um dos pontos altos dessas acções paralelas será o da demonstração, no rio Sado, de uma operação de busca e salvamento no mar - talvez a principal das missões de interesse público a cargo das Forças Armadas - com helicópteros EH101 (Força Aérea) e Lynx (Marinha), assim como de lanchas salva-vidas e motas de águas. Nas duas principais zonas de Setúbal onde se vão concentrar os eventos do 1o de Junho (Largo José Afonso, junto à capitania do porto, e Parque do Bonfim), os militares vão estar ao dispor das pessoas que se interessem pelo funcionamento de um caça F-16 ou de um helicóptero Alouette III, que queiram assistir à actuação de classes de ginástica (saltos de mesa alemã) da Academia Militar e do Colégio Militar ou, por exemplo, utilizar as torres de escalada da Marinha e do Exército.
A actuação conjunta das três bandas militares será outro momento curioso das celebrações do Dia de Portugal e das Forças Armadas, cujos eventos culturais incluem ainda exposições e a exibição da orquestra ligeira do Exército.
As cerimónias propriamente ditas do 10 de Junho devem seguir o modelo dos anos anteriores, começando oficialmente na véspera com a chegada do Presidente a Setúbal e um jantar em honra do Corpo Diplomático acreditado em Lisboa.
No próprio dia 10, domingo, Cavaco fará um primeiro discurso centrado nas Forças Armadas - e perante sete batalhões (menos três do que há um ano): dois do Exército, um da Marinha e outro da Força Aérea, um quinto das escolas de sargentos, um sexto das três academias militares e o último formado por alunos do Colégio Militar, dos Pupilos e do Colégio de Odivelas. Haverá ainda uma exibição dos Asas de Portugal, baptismos de mar em lanchas da Marinha e, em Azeitão, uma demonstração da escola equestre militar (conhecida como Reprise de Mafra).
O Chefe do Estado fará ainda um segundo discurso na sessão solene propriamente dita, seguindo-se o almoço oferecido pela Câmara Municipal de Setúbal.
As celebrações do 10 de Junho deste ano, que se realizam em Setúbal, confirmam a data como a da celebração efectiva do Dia das Forças Armadas, apesar de este continuar oficialmente marcado para 24 de Junho.
Esta data foi criada em 2003 por resolução do Conselho de Ministros e por iniciativa do então ministro da Defesa Paulo Portas. Mas, apesar da vontade expressa no ano passado pelo então recém-empossado Presidente da República e Comandante Supremo das Forças Armadas, Cavaco Silva, de associar a instituição militar às comemorações do dia nacional - e da grandiosidade das cerimónias militares realizadas no Porto -, o Governo não anulou aquele diploma.
Fonte oficial do Estado-Maior- -General das Forças Armadas disse ontem ao DN desconhecer a realização de qualquer acto ou gesto no dia 24 de Junho, por menor que seja, tendo em conta que não faz sentido - até pelos custos associados - realizar dois grandes desfiles militares por ano e muito menos com duas semanas de diferença.
Recorde-se que, nas cerimónias de 2006 do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, Cavaco Silva declarou: "Considero o dia 10 de Junho a data indicada para prestar homenagem às instituições de maior relevo do País, onde, incontestavelmente, as Forças Armadas possuem lugar de destaque."
Como acrescentou então o Chefe do Estado "nem sempre é dada merecida divulgação e reconhecimento ao contributo das Forças Armadas para o desenvolvimento da sociedade, através da realização de tarefas essenciais para o bem-estar das populações", Setúbal vai assistir este ano a um conjunto de actividades complementares com esse objectivo, disseram ao DN fontes militares.
Um dos pontos altos dessas acções paralelas será o da demonstração, no rio Sado, de uma operação de busca e salvamento no mar - talvez a principal das missões de interesse público a cargo das Forças Armadas - com helicópteros EH101 (Força Aérea) e Lynx (Marinha), assim como de lanchas salva-vidas e motas de águas. Nas duas principais zonas de Setúbal onde se vão concentrar os eventos do 1o de Junho (Largo José Afonso, junto à capitania do porto, e Parque do Bonfim), os militares vão estar ao dispor das pessoas que se interessem pelo funcionamento de um caça F-16 ou de um helicóptero Alouette III, que queiram assistir à actuação de classes de ginástica (saltos de mesa alemã) da Academia Militar e do Colégio Militar ou, por exemplo, utilizar as torres de escalada da Marinha e do Exército.
A actuação conjunta das três bandas militares será outro momento curioso das celebrações do Dia de Portugal e das Forças Armadas, cujos eventos culturais incluem ainda exposições e a exibição da orquestra ligeira do Exército.
As cerimónias propriamente ditas do 10 de Junho devem seguir o modelo dos anos anteriores, começando oficialmente na véspera com a chegada do Presidente a Setúbal e um jantar em honra do Corpo Diplomático acreditado em Lisboa.
No próprio dia 10, domingo, Cavaco fará um primeiro discurso centrado nas Forças Armadas - e perante sete batalhões (menos três do que há um ano): dois do Exército, um da Marinha e outro da Força Aérea, um quinto das escolas de sargentos, um sexto das três academias militares e o último formado por alunos do Colégio Militar, dos Pupilos e do Colégio de Odivelas. Haverá ainda uma exibição dos Asas de Portugal, baptismos de mar em lanchas da Marinha e, em Azeitão, uma demonstração da escola equestre militar (conhecida como Reprise de Mafra).
O Chefe do Estado fará ainda um segundo discurso na sessão solene propriamente dita, seguindo-se o almoço oferecido pela Câmara Municipal de Setúbal.
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