quinta-feira

O queijo de Anjo que ganha o mundo

Jornal “Diário de Notícias”, de 30 de Maio de 2008

Quando há 16 anos os irmãos Simões decidiriam investir algumas economias numa pequena queijaria na Quinta do Anjo (Palmela) estavam longe de imaginar que um dia os seus queijos iriam percorrer todo o País e cruzar fronteiras, rumo a lojas gourmet de Nova Iorque, Boston, Filadélfia ou Washington e a países como Luxemburgo, Angola, Canadá, Grã--Bretanha, Suíça e Holanda. "Isto era para a minha mulher e a minha cunhada terem o seu trabalho, mas já viu o que crescemos? Não é brincadeira, e olhe que são dos queijos mais caros do mundo", alerta orgulhoso o empresário Rui Simões.
Há alguns anos que este antigo serralheiro e o irmão eram donos de um rebanho de 200 ovelhas, mas limitavam-se a arrendar leite para a confecção de queijo. Até ao dia em que decidiram deitar mãos à obra e avançar para o seu próprio negócio. As mulheres não tinham emprego e talvez a queijaria Fernando & Simões, de produção artesanal, viesse a ser uma oportunidade para ambas. E foi.
Recorreram a um antigo queijeiro que durante meses lhes ensinou os segredos mais bem guardados do célebre queijo de Azeitão. Com uma produção diária de 50 litros de leite, provenientes das suas próprias ovelhas, começaram a confeccionar os primeiros exemplares. De pasta amarela e amanteigada, onde a flor do cardo "empresta" a enzima vegetal que faz coagular o leite. "Tirávamos entre 20 a 25 queijos por dia, que vendíamos à porta de casa", recorda Rui Simões, congratulando-se com a decisão de ter estabelecido uma parceria com a empresa Coalho, que assumiu a comercialização do produto.
Já lá vão dez anos que o negócio da vida se concretizou, sendo que o crescimento da firma se perfilou imparável. Hoje, a Fernando & Simões tem 800 ovelhas que chegam a dar dois mil litros de leite por dia, nos meses de maior produção, permitindo nesse período um fabrico diário de 1500 queijos achatados de 220 gramas, à ordem de quatro euros cada um.
"Mas isso é se for comprado aqui, na minha casa, porque aí fora vendem-nos a mais do dobro. Eu não posso fazer nada. Há dias fui a um restaurante, que é meu cliente, e os queijos que foram aqui comprados a menos de quatro euros, por ser para revenda, estavam a 12 euros na ementa. Tenho de me calar, é o negócio", admite,resignado, antes de partilhar o seu dia-a--dia na empresa onde são produzidos mais de metade dos célebres queijos de Azeitão certificados, que rendem uma facturação anual próxima do milhão de euros.
"É preciso ter paixão por isto. Entro aqui às 3.00 e nunca saio antes das 19.00. Até aos domingos tenho que vir voltar os queijos. É a única forma de manter a qualidade. De outra maneira não havia hipótese", revela, admitindo que já não se imagina "fora deste ambiente", onde tudo é branco, das paredes, às batas, até às botas, num cenário dominado pelo intenso cheiro a coalhada, que por momentos se entranha na própria roupa.
Em breve haverá mais trabalho na calha. É que a Fernando & Simões começou há uma semana a investir na produção de requeijão e tem já prevista, para Junho, o alargamento da actividade ao queijo fresco. Não vai haver lugar ao aumento dos actuais 12 postos de trabalho, mas será um passo para tentar manter os empregos na casa.
"Está tudo muito difícil e a toda hora fecham empresas. O queijo não é um artigo de primeira necessidade, pelo que queremos apresentar alternativas ao consumidor. Depois, o queijo de Azeitão estagnou e não está a responder ao poder de compra. Não podemos cruzar os braços", avisa.
Porque as vendas "já tiveram melhores dias", assume, a empresa da Quinta do Anjo mantém o mercado espanhol sob a mira, havendo já contactos com uma empresa de Madrid. Mas, por enquanto, as negociações estão mergulhadas num impasse.

Roberto Dores



Moscatel José Maria da Fonseca em leilão

Jornal “O Setubalense”, de 26 de Maio de 2008

Na próxima terça-feira a José Maria da Fonseca vai colocar no mercado o seu Moscatel Roxo Superior de 1960. Este lançamento será feito através de um leilão a realizar nas Caves da empresa, em Vila Nogueira de Azeitão, sendo antecedido por um jantar onde vinhos da José Maria da Fonseca estarão em harmonia com a cozinha do Chef Vítor Sobral.
Para enriquecer este leilão, farão parte dos lotes outros vinhos da José Maria da Fonseca. O destaque vai para alguns Moscatéis de Setúbal e Moscatéis Roxos mais antigos, os Torna Viagem, Periquitas antigos e o famoso José de Sousa de 1940 (a tal colheita esquecida durante anos debaixo de uma pilha de carvão).

Há cinco anos a proteger os direitos das crianças

Jornal “O Setubalense”, de 19 de Maio de 2008

Nasceu do sonho de uma mulher, que desejava criar uma instituição de defesa das crianças mais desprotegidas. Meninos de Oiro foi criada em Dezembro de 2002 devido à vontade de um pequeno grupo de voluntários, tendo sido constituída formalmente a 14 de Maio de 2003.
A conferência que a associação Meninos de Oiro levou à Escola Superior de Tecnologia de Setúbal tinha como tema “Vítimas de vítimas”, porque segundo Maria do Céu Guitart “quem vitimiza já foi vitimizado”.
Isto acaba por tornar-se um ciclo vicioso e à sociedade “tentar interromper e dar oportunidades às pessoas de não prosseguirem esse ciclo”, impedindo-as de magoar os outros, pelo simples motivo de também terem sido magoados e esse gesto ser assim uma vingança por tudo o que sofreram.
Quem já foi uma vítima precisa de “enfrentar os seus fantasmas”, isto é conseguir “enfrentar a sua própria infância sem dor, sem rancor, para depois conseguir não fazer novas vítimas”, explica a fundadora e presidente da associação.
Mas o mais importante não é ajudar as pessoas a aceitar o seu passado mas sim lutar para que não existam vítimas. É isso que Céu Guitart e a associação Meninos de Oiro fazem diariamente, apoiando neste momento cerca de 120 famílias de Azeitão, todas com crianças.
Esta acção é desenvolvida através do Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental, que é o principal projecto da instituição, através do qual prestam “todos os tipos de apoios que forem considerados relevantes para melhorarem o desempenho” quer das crianças quer das próprias famílias, como apoio psicológico, higiénico sanitário, escolar ou terapia da fala, por exemplo.
Enfim, a associação tenta “capacitar a família para que as crianças deixem de estar numa situação de risco ou mesmo de perigo”, de modo a evitar que as crianças tenham de ser institucionalizadas, porque “ tirar a criança à família é sempre de uma violência extrema”, esclarece Céu Guitart, que se mostra feliz por a associação nunca ter passado por esta situação.
No entanto, estão a acompanhar um caso, em articulação com uma equipa que trabalha junto do Ministério Público e do Tribunal de Família, em que se não conseguirem tornar essa “família mais funcional, poderá se chegar mesmo ao momento em que a criança terá de ser retirada”.
É a pensar nestas situações que Céu Guitart destaca a importância de avançar com o projecto do Centro de Acolhimento Temporário, um espaço que vai servir para “institucionalizar a criança o menor tempo possível” até se encontrar uma solução definitiva. Neste momento o projecto está à espera que a Câmara Municipal de Setúbal ceda um terreno para a construção do centro.

Funeral de Mariana Cunha realizou-se ontem

Jornal “O Setubalense”, de 9 de Maio de 2008

Mariana Relvas Cunha, a menina de 12 anos que faleceu na sequência de um acidente de viação ocorrido na última segunda-feira, teve ontem, durante as cerimónias fúnebres que se repartiram entre Sesimbra e Elvas, onde o corpo foi cremado, dezenas de pessoas que não quiseram deixar de lhe prestar a sua última homenagem. O corpo da pequena Mariana – filha e neta de uma das famílias mais tradicionais e conhecidas de Sesimbra – esteve em câmara ardente, desde quarta-feira, na Capela da Santa Casa da Misericórdia de Sesimbra de onde saiu, às 11 horas de quinta-feira, com destino a Elvas onde o corpo foi cremado. Os restos mortais da menina regressaram novamente à terra natal da sua família onde lhe foram prestadas as últimas exéquias.
Lembramos que Mariana foi aluna da Academia Luísa Todi – frequentada actualmente pelo seu único irmão, um ano mais novo - , em Setúbal, até ao último ano lectivo. Este era o primeiro ano de frequência do Sr. Peter’s Sckool e deixa nos que a conheceram e que com ela contactaram a lembrança de uma menina muito sossegada, obediente, meiga e introvertida.

Um morto em acidente com autocarro escolar

Jornal “Diário de Notícias”, de 6 de Maio de 2008

Uma aluna, de 12 anos, não resistiu a um acidente que envolveu um autocarro escolar, da empresa de transportes Luísa Todi, e um camião que carregava várias toneladas de brita. Cerca de 20 menores, entre os 11 e os 15 anos, regressavam ao Zambujal, em Sesimbra, depois de mais um dia de escola. Outras três crianças sofreram ferimentos ligeiros, sendo transferidas para o Hospital Garcia de Orta, em Almada.
Passava as 19.30 quando o corpo foi retirado da ambulância, após as tentativas frustradas de reanimação dos médicos do INEM. O pai da criança, sentado num rail junto à ambulância, aguentou a dor com as mãos a tapar o rosto e partiu para o Garcia de Orta, sem proferir uma palavra. O pânico continuava estampado no rosto dos familiares, que procuravam saber o que tinha acontecido numa das muitas curvas da Estrada Nacional 379, que liga Azeitão a Sesimbra.
A colisão ocorreu às 18.15 no Alto das Vinhas, junto à localidade de Maçãs. O autocarro circulava no sentido de Sesimbra e foi abalroado por um camião - cuja empresa não foi revelada pelas autoridades - que partiu as janelas do lado direito do veículo de transporte de passageiros. O camião seguiu desgovernado durante 50 metros, colidindo com um ligeiro, da empresa VisaBeira, que também circulava na faixa contrária. O motorista do camião escapou ileso.
O comandante dos bombeiros de Sesimbra admitiu que o condutor do camião terá calculado mal a curva, acabando por se despistar. Quando chegou ao local, explicou o mesmo responsável, encontrou um cenário de "pânico" entre as crianças, percebendo que a vítima mortal já se encontrava em estado muito grave. Carlos Oliveira, vereador da protecção civil, garantiu que o autocarro tinha as condições de segurança.
O Núcleo de Investigação de Acidentes da GNR esteve no local e investiga as causas do acidente, que poderia até ter tido " consequências ainda mais trágicas", diz Ruben Canteiro, pai de um dos alunos que ontem à noite foi assistido no hospital de Almada. Álvaro, de 12 anos, sofreu lesões no braço e na perna , mas segundo os familiares, não ficará internado na unidade. O DN tentou obter informações junto dos responsáveis do Hospital Garcia de Orta, que se recusaram a prestar esclarecimentos sobre o estado de saúde das outras duas vítimas.


Roberto Dores
Com K.C.

Aquacultura em alto mar para recuperar a pesca

Jornal “Diário de Notícias”, de 4 de Maio de 2008

A Câmara de Sesimbra quer relançar o sector da pesca no concelho com uma aposta centrada na aquacultura em alto mar. Depois da crise estrutural que deixou no desemprego mais de um milhar de profissionais da vila pesqueira nos últimos anos, a autarquia ambiciona agora abrir a costa à instalação de jaulas que permitam a criação de douradas, robalos e bivalves, assegurando que, apesar de o investimento de cada sistema orçar o milhão de euros, a rentabilidade "é garantida".
A autarquia ainda não sabe quanto pode custar o projecto, nem quando estará em condições de avançar com os concursos públicos, mas justifica a sua aposta com base numa estação-piloto que desde 2001 está a ser promovido em Olhão, pelo Instituto Nacional de Recursos Biológicos (IPIMAR), tendo sido alargada à possibilidade de concurso público na costa algarvia.
A designada aquacultura offshore, um ramo ainda por explorar em Portugal, surge como um negócio "altamente rentável", já que o milhão de euros investido em cada sistema, ao qual há que adicionar os custos de manutenção e produção, serão, segundo os técnicos ouvidos pelo DN, compensados com uma produção média anual de quatro mil toneladas de pescado.
O próprio ministro Jaime Silva é um adepto da produção de peixe em alto mar, já tendo feito saber que tenciona apostar neste sistema, justificando que a aquacultura em alto mar "permite a reposição de stocks no mar e possibilita uma produção superior à aquacultura tradicional, praticado em rias e sistemas lagunares".
"É este potencial que nós queremos aproveitar para dinamizarmos as nossas pescas", explica o presidente da Câmara de Sesimbra, Augusto Pólvora, alertando para "um conjunto de vantagens" relativamente à tradicional aquacultura praticada em tanques. É que nas jaulas fixadas em alto mar, que podem variar entre os 40 e 60 metros de cumprimento e 20 a 30 de altura, os peixes e os bivalves são criados praticamente no seu habite natural.
"Embora também sejam alimentados artificialmente, os peixes alimentam-se do próprio plâncton e depois vão criar mais músculo porque estão em mar aberto. Logo, estamos a falar de douradas, robalos, ostras e amêijoas de melhor qualidade", alertou o autarca, convicto de que existem condições para serem criados peixes com a marca "Sesimbra", o que considera "importante por dar uma boa projecção no mercado".
Augusto Pólvora alude ainda à capacidade instalada no concelho, depois do fim da pesca em Marrocos e das restrições impostas pelo Plano de Ordenamento do Parque da Arrábida. "Este projecto vai permitir a reciclagem de barcos, além de termos umas instalações muito boas ao nível do docapesca e do porto de descarga".

Lembrar Sebastião da Gama

Jornal “O Setubalense”, de 7 de Abril de 2008

O programa de comemorações do 84.º aniversário de Sebastião da Gama inclui diversas iniciativas. A data de nascimento do poeta, 10 de Abril, coincide com as comemorações do Dia Municipal da Arrábida.
A Câmara Municipal e a Associação Cultural Sebastião da Gama vão promover o programa comemorativo do 84.º aniversário do nascimento do poeta Sebastião da Gama que inclui passeios de reflexão, pela Arrábida, por locais por onde o homenageado passou.
Estes encontros, intitulados “Percursos de Sebastião da Gama”, com partida do Museu Sebastião da Gama, realizam-se nos dias 13, 20 e 27, das 10 às 13 horas, para o público em geral, e a 7, 8, 10, 15 e 17, das 14 às 16 horas, para escolas.
O dia do nascimento de Sebastião da Gama, 10 de Abril, é o ponto alto das comemorações. Um almoço-convívio, às 13 horas, no Hotel Clube de Azeitão, com amigos e alunos do poeta e pedagogo, integra um tributo a Joana Gama. Às 16 horas, o Salão Nobre dos Paços do Concelho recebe uma sessão solene de homenagem ao poeta da serra-mãe. O programa regressa a Azeitão, para um “Um Concerto de Aniversário de Sebastião da Gama e Dia Municipal da Arrábida”, com a participação da banda e do coro da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, às 21.30 horas, na sede desta associação.
Uma mostra de trabalhos, de vários artistas, alusivos a Sebastião da Gama, organizada pela Associação Ecos D’Art, está patente entre 12 e 26 de Abril, no Club Setubalense. A inauguração é as 16 horas.
“Conversas com Sebastião da Gama” é o mote de mais dois encontros. O primeiro, marcado para dia 19, às 18 horas, no Club Setubalense, incide sobre os alunos de Sebastião da Gama, enquanto o segundo, a 26, à mesma hora, no Museu Sebastião da Gama, em Azeitão, reflecte sobre a doutrina do homenageado enquanto pedagogo.
O programa comemorativo evoca o pioneiro na defesa da Arrábida, em particular quando, em 1947, ainda jovem, se insurgiu contra a devastação da Mata do Solitário.

domingo

Criança romena atropelada mortalmente

“Jornal de Notícias”, de 22 de Junho de 2008

Uma criança de três anos foi mortalmente atropelada, sexta-feira à noite, em Vendas de Azeitão, concelho de Setúbal, depois de ter saído disparada do quintal da casa onde morava com os pais, um casal oriundo da Roménia, apurou o JN junto dos Bombeiros Voluntários de Sesimbra, que acorreram ao local.
O acidente registou-se pelas 21.45 horas de anteontem, na Estrada Nacional 379, junto aos semáforos de Vendas de Azeitão. O menino foi colhido por um jipe quando atravessava a via, tendo sofrido uma pancada na cabeça, o que lhe provocou a morte imediata, explicou, ao JN, o subchefe Quintinho Machado, daquela corporação de bombeiros.
Quando chegaram ao local, já nada puderam fazer para salvar a criança. O corpo foi removido para a morgue do Hospital de São Bernardo, em Setúbal.
O condutor do veículo foi identificado no local pela Brigada de Trânsito da GNR, tendo sido submetido aos testes de despistagem de álcool e de substâncias estupefacientes. As circunstâncias em que tudo aconteceu estão agora a ser investigadas.

Fátima Mariano

Menino atropelado na primeira hora de férias

Jornal “Diário de Notícias”, de 22 de Junho de 2008

Acidente ensombrou dias de descanso em Vendas de Azeitão de família romena residente em Madrid. O filho de quatro anos, Daniel Raul Merce, foi brutalmente atropelado por um jipe quando fazia planos para a ida à praia, prevista para ontem. Pais da vítima exigem justiça.
Daniel Raul Merce, de quatro anos, tinha chegado a Vendas de Azeitão, em Setúbal, há cerca de uma hora para uns dias de férias. "Estava louco para ir à praia", contou a mãe ao DN, ontem. Mas ainda o pai não tinha descarregado totalmente a bagagem quando a tragédia ensombrou os dias de descanso a esta família romena residente em Madrid. A criança foi violentamente atropelada por um jipe, tendo morte imediata. O condutor parou e não acusou alcoolemia no teste, mas os pais garantem que "ia muito depressa" e pedem justiça, prometendo ficar em Portugal para acompanhar o processo jurídico.
Já passava das 21.00 de sexta--feira, mas a luz do dia ainda permitia uma boa visibilidade na Estrada Nacional 379, que passa a escasso dois metros das casas dos moradores da rua 25 de Abril. A família Merce, que fala um castelhano perfeito, tinha chegado instantes antes para uns dias de férias na casa do afilhado de Danut - o pai do menino -, um romeno que reside nas Vendas de Azeitão. Enquanto Maria Merce - a mãe - tratava da filha mais nova, ainda bebé, Daniel Raul ia brincando com os familiares, junto à estrada, mas em zona segura para os peões, de acordo com o progenitor.
"O meu afilhado estava com ele e não me preocupei. Estava a ouvi-lo dizer que amanhã [ontem] íamos à praia. Estava tão divertido!", recordou Danut, ao DN, sem conseguir conter as lágrimas, necessitando de ganhar fôlego para relatar o que viu. "Um jipe vinha a grande velocidade, quando só devia circular a 50 quilómetros/hora, e apanhou o meu filho aqui", disse, apontando para a berma, sendo ali visível uma travagem de cerca de 15 metros entre a estrada e suposto passeio.
"O menino foi projectado quase de 50 metros e ficou na faixa contrária com a cabeça desfeita. Veja lá a pancada, que o meu filho pesava 17 quilos e o jipe ficou com a óptica partida e com parte do pára-choques destruído", relatou, exibindo fotos do estado da viatura.
Ainda segundo o pai da vítima, o carro só viria a parar nos semáforos a cerca de 200 metros do local do embate. "Fez marcha atrás e pediu-nos desculpa. Disse que estava com muito pressa para chegar a Setúbal, mas isso não serve. Queremos que seja castigado", exige Danut Merce, de 26 anos, avisando que tem poder económico para levar o processo adiante.No momento do embate, o condutor terá chegado a desvalorizar a colisão, admitindo ter pensado que atropelara um cão, vindo a contrariar a versão dos pais, segundo a qual o menino estaria a brincar em lugar seguro.
O Núcleo de Investigação Criminal da GNR está a averiguar as causas do acidente. O corpo de Daniel Raul foi transportado para a morgue do hospital de Setúbal.


Roberto Dores

sexta-feira

Santos Populares de Sesimbra

Jornal "Público", de 19 de Junho de 2008

Marchas populares, ruas ornamentadas, bailes, noites de fado e espectáculos musicais são alguns dos destaques dos festejos dos Santos Populares, que decorrem por todo o concelho de Sesimbra, entre 20 e 30 de Junho.
O programa inclui uma Mostra de Caldeiradas, tradição típica da quadra, que conta com a participação de alguns restaurantes da vila. As marchas desfilam nos dias 23 e 30 de Junho, com a participação da Paróquia de Santiago e da Escola de Samba Bota no Rego, e no dia 27, na Quinta do Conde, com a participação do Centro Comunitário e da Associação para o Desenvolvimento da Quinta do Conde.

ONU quer pôr o Mundo a descascar batatas

Jornal “Diário de Notícias”, de 11 de Junho de 2008

Com uma história de mais de oito mil anos, as batatas foram consideradas na Europa alimento de pobres e até de animais, mas hoje a sua versatilidade culinária, riqueza nutricional e facilidade de cultivo tornaram-na obrigatória em todas as mesas. Com milhares de variedades a explorar, em tempo de crise mundial de cereais, as Nações Unidas e outras organizações querem maior atenção ao seu cultivo e utilização.
Bacalhau com batatas. Ou sardinhas e outros peixes frescos. Ou cabrito, borrego ou carne de porco. Ou como base de sopas. São tantos os pratos tradicionais portugueses que levam batatas que nos esquecemos que a "tradição" de a utilizar como acompanhamento, em termos históricos, é muito recente entre nós, datando do século XIX. É que a batata é originária da América do Sul, mais precisamente dos Andes, e só no século XVI os colonizadores espanhóis a trouxeram para a Europa, onde demoraria mais três séculos até se generalizar nas mesas. Agora, em plena crise mundial dos cereais, é para este tubérculo que os olhos do mundo se voltam, tendo a ONU declarado 2008 como Ano Internacional da Batata.
A produção de batata tem vindo a crescer em todo o mundo, graças sobretudo aos países em desenvolvimento da Ásia, África e América do Sul que quase dobraram essa produção desde 1991. A título de exemplo, Angola, desde que a guerra terminou, aumentou a produção em 1200%... Mas é a China que tem sido a maior responsável pelo aumento, sendo hoje o maior produtor mundial (seguida pela Rússia e pela Índia), o que pode parecer estranho, já que os pratos chineses que conhecemos nunca integram batatas. A razão será a de que exportam quase tudo.
O chefe de cozinha Luís Baena, actualmente nos hotéis Tivoli, trabalhou vários anos no Oriente, incluindo em Hong Kong e Macau, e conta que quando ia aos mercados do antigo território administrado por Portugal os chineses recebiam-no com a palavra "batata", uma das poucas que pronunciavam na nossa língua, sabendo já que esse era um dos produtos que tinha clientela certa entre os portugueses.
Aliás, além de ser uma excelente e barata fonte de nutrientes (uma batata de tamanho médio fornece, por exemplo, metade das necessidades diárias de vitamina C de um adulto e um quinto das de potássio), o tubérculo é conhecido entre os cozinheiros amadores e profissionais pela sua enorme versatilidade. Ou seja, além de alimentar, as batatas prestam-se a inúmeras preparações, associando-se com facilidade a outro sem número de ingredientes e temperos, sendo portanto uma boa inimiga da monotonia à mesa.
Em Portugal, as batatas apresentam-se das mais diversas formas culinárias, sendo que produzimos em 2006 (segundo dados do INE), 611 mil toneladas, para um consumo anual que ronda os cem quilos per capita. Ou seja, temos que recorrer à importação, sendo a França e a Espanha os principais fornecedores. Mas também exportamos, sendo o Reino Unido e a França os principais compradores. Em termos de distribuição territorial, a Beira Litoral é que mais produz (32% do total), seguindo-se Ribatejo e Oeste (23%) e Trás-os-Montes (21%). A qualidade das batatas transmontanas é bem conhecida (nomeadamente as de Chaves), tendo direito inclusive a Indicação Geográfica Protegida (IGP).
Mas isso não garante que, na hora de comprar, os portugueses se mostrem lá muito exigentes. "A maioria dos clientes só se preocupa com as cores da casca, se é vermelha, branca ou amarela", afirma Maria José Macedo, que há mais de 20 anos se estabeleceu na Quinta do Poial, em Azeitão, uma das pioneiras no cultivo biológico. Mesmo assim, ela considera que tem havido um aumento crescente do interesse por batatas diferentes, graças em parte ao crescimento do consumo gourmet, e tem vindo a plantar novas qualidades.
Luís Baena confirma que, mesmo para os profissionais, a informação sobre a origem e as diversas qualidades de batata é ainda bastante escassa em Portugal. "Normalmente, há as mesmas indicações que constam em algumas embalagens de supermercado, do género 'se são para fritar, cozer ou assar', mas ainda estamos muito limitados. Não tiramos partido da grande versatilidade que as batatas apresentam".
Pode ser que, a partir deste Ano Internacional da Batata e da escassez de outros "acompanhamentos", as coisas mudem, também aqui.


Duarte Calvão

domingo

Associação diz que a guerra contra a co-incineração «ainda não está perdida»

Jornal “Sol”, 22 de Janeiro de 2008

A Associação dos Cidadãos pela Arrábida e Estuário do Sado apelou hoje à adesão da população ao protesto contra a co-incineração de resíduos perigosos na Arrábida, que está marcado para sexta-feira à tarde, no Largo da Misericórdia, em Setúbal.

«Gostaríamos de ter uma grande adesão da população até porque a luta contra a co-incineração de resíduos industriais perigosos não está perdida, ao contrário do que o Governo pretende fazer crer», disse hoje Fernanda Rodrigues, da Associação de Cidadãos pela Arrábida e Estuário do Sado.
«Contamos com o apoio das três câmaras municipais - Palmela Sesimbra e Setúbal -, estando já confirmada a presença dos presidentes dos três municípios», acrescentou Fernanda Rodrigues, que está confiante de que a iniciativa terá o apoio de dirigentes locais dos principais partidos, incluindo o próprio Partido Socialista.
A decisão de convocar uma concentração contra a co-incineração de resíduos industriais perigosos, surge na sequência da decisão do Supremo Tribunal Administrativo, que revogou a suspensão da proibição da queima de resíduos perigosos na cimenteira da Secil, no Outão.
As Câmaras Municipal de Palmela, Sesimbra e Setúbal, que já declararam o seu apoio á iniciativa que terá lugar pelas 16:00, prosseguem também o combate contra a co-incineração da cimenteira da Secil, no Outão, no plano jurídico.
O advogado das três autarquias, castanheira Barros, requereu segunda-feira a nulidade do recente acórdão do Supremo Tribunal Administrativo (STA) que deu «luz verde» à co-incineração na cimenteira da Secil no Outão, Arrábida, Setúbal.
O requerimento de Castanheira Barros pretende que os pedidos sejam apreciados pela «Conferência de Juízes da Secção de Contencioso do STA», disse castanheira Barros.

Conquistar o mar

Jornal “Setubsalense”, de 14 de Janeiro de 2008

Quem quer ir de Azeitão até, por exemplo, à praia de Galápos, tem de vir primeiro a Setúbal e depois segue o trajecto normal pela estrada da Figueirinha.
Ou seja: lentamente, paulatinamente, com pezinhos de lã, temos vindo a perder lentamente as praias desta zona, para além de Tróia, que estará a médio prazo, fortemente condicionada.
Esta é uma típica noção de suposto desenvolvimento Setubalense, desde sempre: não está bom, vai ficando pior, ainda pior, até que... acabou-se.
Turismo de qualidade não se compadece com todos estes condicionalismos existentes, nem com estas mentalidades.
Solução preconizada: Juntar três ideias - chave já utilizadas em Setúbal – Reforço do primeiro pontão, construção de um segundo pontão, areia trazida da foz do rio e estacionamento na praia.
Vamos lá concretizar a ideia que tenho e ver se é boa.
O pontão da Figueirinha deve ser corrigido e aumentado, quer em largura, mas sobretudo em comprimento.
Sensivelmente a meio caminho entre a Figueirinha e a Praia dos Coelhos, construir um pontão bem feito no qual, à medida que se afasta de terra vai alargando, efectuar um alinhamento entre esses dois pontões e a parede natural existente na Praia dos Coelhos e, tal como fizeram em Albarquel, encher toda essa zona de areia, ficando uma Praia Grande, com início na Figueirinha, passando pelas ruínas da discoteca Seagull (ai que saudades, ai ai !!!), por Galápos, por Galapinhos e finalmente Praia dos Coelhos, ininterruptamente.
Esta Praia Grande teria então capacidade para acolher quatro filas de estacionamento (dentro na praia, tal como na Figueirinha), com uma estrada para lá e outra para cá, ligações a meio entre os dois sentidos e assim, quem viria de Setúbal, entraria ou sairia nesse estacionamento na zona da Figueirinha, que é a zona mais larga de toda a estrada e a única zona de acesso.
Conseguem imaginar o tamanho da praia, desde a Figueirinha, até quase à Arrábida? E a quantidade de estacionamento existente?
Rochas para construir o pontão não faltam em toda esta zona que assistiu, ao longo dos séculos, à queda de pedregulhos provenientes da Serra e que se encontram por ali espalhados (não seriam suficientes, mas era uma ajuda).
Areia também não falta. Basta ir à foz do rio Sado buscá-la, tal como se fez em Albarquel e encher a praia.
Não seria então permitido o estacionamento em toda a extensão da estrada da Figueirinha, facilitando-se os acessos rodoviários, o estacionamento e... tínhamos uma Praia Grande. Os restaurantes e bares vinham já a seguir, para além dos dois que já lá estão.
Já agora que estamos nessa zona. Porque é que nunca deixaram reconstruir a discoteca Seagull?
Era uma das melhores discotecas do país, conhecida em todo o lado, onde vinha gente de toda a parte, para poderem sentir a brisa marítima naquela varanda insubstituível.
O Seagull tornou-se, ao longo dos anos, muito mais do que uma simples discoteca. Era uma referência para nós, Setubalenses e também para quem que nos visitava. Os meus amigos e conhecidos dos mais variados locais do país, quando vinham cá, após um bom jantar setubalense, era destino obrigatório. Toda a gente ficava maravilhada. O pessoal de Lisboa era vê-los aos magotes nas noites de Sábado!
Já viram como está agora? Tudo em ruínas. Há 10 anos que está assim.
Dá vontade de chorar!
Para quem, como eu, tem o Seagull como parte integrante do seu roteiro afectivo, aperta-se-me o coração de tristeza, de melancolia e de revolta, sempre que passo por aquelas ruínas.
Mais um exemplo infeliz e triste da vocação que Setúbal tem e não aproveita.
Portanto, caros Setubalenses, ou recuperamos o rio e o mar definitivamente ou ficamos com uma vocação turística mais uma vez adiada.

Giovanni Licciardello

Incêndio desaloja família

Jornal “Diário de Notícias”, 17 de Outubro de 2007

Uma família de sete pessoas ficou ontem desalojada na sequência de um um incêndio que destruiu completamente a habitação onde moravam, em Brejos de Azeitão, Setúbal. Os desalojados vão ser acomodados temporariamente na casa de familiares, segundo à Lusa o coordenador da Protecção Civil Municipal de Setúbal, José Luís Bucho.
O coordenador da Protecção Civil Municipal adiantou ainda que a família vai procurar nova casa a partir de amanhã, beneficiando do apoio financeiro da Segurança Social previsto para estas situações, uma vez que perdeu todos os seus haveres e a casa onde morava.
Segundo José Luís Bucho, quando os bombeiros chegaram ao local, cerca das 13.30, a casa já estava envolta em chamas e ficou totalmente destruída. No local, estiveram elementos dos Bombeiros Sapadores de Setúbal, da Protecção Civil Municipal e da Segurança Social.

"O golfe em Portugal é feito só para turistas"

Jornal “Diário de Notícias”, 20 de Outubro de 2007

Pedro Figueiredo começou a dar as primeiras tacadas aos seis anos no campo da Quinta do Peru, em Azeitão, perto de Palmela, porque o pai é proprietário de um restaurante naquele empreendimento. Mas foi preciso o professor do clube de golfe convencê-lo a iniciar-se na prática da modalidade. Hoje é o número um do ranking da Federação Portuguesa de Golfe para amadores e mostra-se crítico para com a forma como a modalidade é tratada.
"No início não me sentia à vontade no campo porque não conhecia quem quer que fosse. Mas quando comecei a adaptar-me ao golfe, não mais parei de jogar", recordou ao DN sport o golfista, de 16 anos, natural de Paris (França), para onde os seus pais tinham emigrado. Antes do golfe, dedicava-se aos ténis e ao futebol na escola. Até que um dia, "por uma questão de disponibilidade de tempo", teve de optar entre as raquetes e os greens. O golfe levou a melhor. "Encaro-o também como um hobby, pois é uma maneira de me divertir", diz Pedro Figueiredo, que gosta de sair à noite com os amigos e frequentar a praia de dia de acordo com as possibilidades. Porém, antes das provas não ingere bebidas alcoólicas e tem cuidado com a alimentação.
Aos nove anos, sagrou-se campeão nacional de sub-12, a primeira grande proeza na sua carreira. Um ano depois começou a participar em torneios internacionais em vários países europeus, onde o melhor que conseguiu foi um segundo lugar na Suíça. Noutras competições, perdeu numa meia-final e alcançou um quarto lugar. Em 2007 ganhou seis torneios em Portugal e já contabiliza 27 provas a nível internacional.
Na semana passada, Pedro Figueiredo participou no Open de Madrid, em Espanha, a convite de Severiano Ballasteros, antigo campeão do mundo e figura lendária na modalidade. A oportunidade surgiu-lhe na sequência de um encontro, poucos dias antes, com o espanhol na Escola de Golfe, em Cascais. Só que a experiência madrilena não correu bem. "Joguei muito mal e talvez tenha sido o meu pior resultado neste ano. Terei sentido um pouco de responsabilidade ao ter jogado por tal convite", reconhece.
Aposta em tornar-se profissional no momento oportuno, ou seja, "dentro de cinco ou seis anos". Nessa altura, já terá 20 anos. Antes, porém, refere, "quero ir para os Estados Unidos da América seguir um curso universitário ligado à área da gestão, economia. Quando concluir o curso, regressarei à Europa e tornar-me-ei profissional com a possibilidade de jogar no circuito europeu".
Para já, Pedro Figueiredo frequenta o 11.º ano do curso de Economia, no Colégio St. Peter's School, em Palmela. Sempre que os torneios o obrigam a faltar às aulas, conta com o apoio dos responsáveis do colégio. "Ajudam-me imenso. Quando estou ausente enviam-me a matéria por e-mail para poder recuperar", nota.
Para 2008, o objectivo passa por ganhar um torneio internacional, e manter-se "o número um dos amadores". Sobre o panorama do golfe em Portugal, lamenta a "escassez de jovens praticantes devido aos elevados preços dos campos" (na ordem dos 150 euros) em comparação com outros países europeus. "O golfe em Portugal é feito só para turistas", critica Pedro Figueiredo. Mas conclui que também falta "um jogador ao nível dos melhores do mundo, um ídolo, de forma a impulsionar o golfe junto dos novos praticantes".


José Manuel Oliveira

Lembrar Sebastião da Gama

Jornal “O Setubalense”, 7 de Abril de 2008

O programa de comemorações do 84.º aniversário de Sebastião da Gama inclui diversas iniciativas. A data de nascimento do poeta, 10 de Abril, coincide com as comemorações do Dia Municipal da Arrábida.
A Câmara Municipal e a Associação Cultural Sebastião da Gama vão promover o programa comemorativo do 84.º aniversário do nascimento do poeta Sebastião da Gama que inclui passeios de reflexão, pela Arrábida, por locais por onde o homenageado passou.
Estes encontros, intitulados “Percursos de Sebastião da Gama”, com partida do Museu Sebastião da Gama, realizam-se nos dias 13, 20 e 27, das 10 às 13 horas, para o público em geral, e a 7, 8, 10, 15 e 17, das 14 às 16 horas, para escolas.
O dia do nascimento de Sebastião da Gama, 10 de Abril, é o ponto alto das comemorações. Um almoço-convívio, às 13 horas, no Hotel Clube de Azeitão, com amigos e alunos do poeta e pedagogo, integra um tributo a Joana Gama. Às 16 horas, o Salão Nobre dos Paços do Concelho recebe uma sessão solene de homenagem ao poeta da serra-mãe. O programa regressa a Azeitão, para um “Um Concerto de Aniversário de Sebastião da Gama e Dia Municipal da Arrábida”, com a participação da banda e do coro da Sociedade Filarmónica Perpétua Azeitonense, às 21.30 horas, na sede desta associação.
Uma mostra de trabalhos, de vários artistas, alusivos a Sebastião da Gama, organizada pela Associação Ecos D’Art, está patente entre 12 e 26 de Abril, no Club Setubalense. A inauguração é as 16 horas.
“Conversas com Sebastião da Gama” é o mote de mais dois encontros. O primeiro, marcado para dia 19, às 18 horas, no Club Setubalense, incide sobre os alunos de Sebastião da Gama, enquanto o segundo, a 26, à mesma hora, no Museu Sebastião da Gama, em Azeitão, reflecte sobre a doutrina do homenageado enquanto pedagogo.
O programa comemorativo evoca o pioneiro na defesa da Arrábida, em particular quando, em 1947, ainda jovem, se insurgiu contra a devastação da Mata do Solitário.

Câmara de Sesimbra exige a integração do concelho na rede de urgência

Jornal “Público”, 24 de Março de 2008

A Câmara Municipal de Sesimbra (CMS) não se conforma com a decisão do Ministério da Saúde pelo facto de não ter sido contemplada na rede de urgência e emergência, apesar de "preencher todos os critérios requeridos pelo Ministério". A 18 de Março, a autarquia (CDU) aprovou uma deliberação contra o Ministério, demonstrando a sua "frontal e absoluta discordância" com o despacho publicado no Diário da República a 28 de Fevereiro deste ano, no qual foram definidos e classificados os pontos da rede de urgência e emergência.
O presidente da Câmara de Sesimbra, Augusto Pólvora, lamentou esta decisão. "É inaceitável que sejamos tratados desta maneira”, já que o concelho preenche todos os critérios requeridos pelo Ministério da Saúde para ser incluído na rede de urgência.
Os critérios determinam que o tempo de acessibilidade na rede de urgência seja inferior a 30 minutos mas "se um doente for transportado de Sesimbra para o Garcia de Orta demora mais de 30 minutos para este ou qualquer outro hospital das proximidades", explicou Augusto Pólvora.
Outro dos critérios está relacionado com o número de população residente e flutuante, uma vez que "Sesimbra conta com um fluxo turístico bastante grande, o que abrange mais de 200 mil dormidas por ano em hotéis e residências, sobretudo aos fins-de-semana e durante o mês de Agosto".
A preocupação da autarquia prende-se com o facto deste despacho não contemplar um Serviço de Urgência Básico (SUB) para a área do Município de Sesimbra. "O nosso concelho tem uma afluência superior a 150 doentes por dia, número que aumenta para 200 por dia durante os meses de verão. Este factor devia ser suficiente para a construção de um SUB". O Ministério da Saúde "ainda não deu resposta à proposta de SUB apresentada, nem tão pouco marcou uma reunião para discussão da proposta, apesar das inúmeras tentativas da Câmara Municipal nesse sentido", informou o presidente da autarquia.
Para mostrar a sua indignação face à ausência do concelho no despacho e à situação geral da saúde no concelho, a câmara solicitou uma audiência à ministra da Saúde de forma a clarificarem a situação.
Na proposta apresentada pelo presidente da autarquia e pelo vereador do pelouro da Saúde reconhecem a "necessidade de melhoramento nos serviços de urgência", em grande parte devido à "sobrelotação das urgências no hospital Garcia de Orta e à necessidade de um reforço de médicos no centro de saúde da Quinta do Conde". A autarquia condena o referido despacho por "não cumprir a lei de bases da saúde e não se adaptar às condições da realidade nacional, nem às suas necessidades".

PSP detém futebolista no relvado e leva-o equipado e de chuteiras

Jornal “Diário de Notícias”, 18 de Março de 2008

O capitão de equipa do Grupo Desportivo de Sesimbra foi detido em pleno relvado, após o jogo de domingo frente ao Comércio e Indústria, pela PSP de Setúbal, sendo encaminhado para a esquadra da Bela Vista ainda equipado e de chuteiras. Nuno Silva é acusado de "injúrias" às autoridades, após uma cena de pancadaria na bancada, onde um director do Sesimbra foi violentamente agredido na cabeça, com duas muletas.
Rezam as crónicas que o encontro, a contar para a 1ª Divisão Distrital, disputado no Campo da Bela Vista, em Setúbal, decorria com fair-play até que uma azeda troca de palavras entre adeptos dos dois clubes resultou numa violenta agressão ao dirigente do Sesimbra Eduardo Rigor, que após ser atingido pelas muletas caiu no chão com o rosto coberto de sangue, perdendo os sentidos. A rixa estendeu-se às quatro linhas, com dois jogadores a saltarem para as bancadas.

Nuno Silva e Ricardo Rigor, filho do agredido, tentaram o ajuste de contas, enquanto a PSP procurava acalmar os ânimos, mas foram as palavras usadas por Nuno Silva contra as autoridades que levaram os agentes a detê-lo. O árbitro não expulsou ninguém e reatou o jogo, que teve 25 minutos de desconto. Após o apito final, os polícias dirigiram-se ao jogador, dando-lhe voz de prisão e pedindo-lhe que os acompanhasse, no carro da PSP, à esquadra.
"Nem deixaram o homem tomar banho", lamentou ao DN o presidente do Sesimbra, Sebastião Patrício, que estava no banco da equipa, avançando que o clube vai processar criminalmente o agressor de Eduardo Rigor, que está identificado e cujas muletas foram apreendidas, lamentando ainda o dirigente sesimbrense que "a polícia nada tenha feito para proteger o nosso director. Se o Nuno foi preso por dizer umas coisas, todos nós devíamos ser, porque também desabafámos a nossa revolta contra os polícias."
Foi a PSP que arranjou um fato-de-treino a Nuno Silva para que se protegesse do frio, depois de dar entrada na 2ª Esquadra. O jogador foi constituído arguído, sendo notificado para comparecer ontem no Tribunal de Setúbal, mas a audiência foi adiada para dia 1 de Abril. O jogo terminou empatado a uma bola.

Escuteiros espanhóis criticam MP de Sesimbra

Jornal “Diário de Notícias”, 17 de Março de 2008

Responsável do grupo de escuteiros espanhol acusado de homicídio negligente de um jovem de 13 anos, por alegado desrespeito pelas regras de prudência no âmbito de uma caminhada na serra da Arrábida, criticou ontem a acusação deduzida pelo Ministério Público (MP) de Sesimbra por não ter tido em conta o depoimento dos 23 jovens que participaram na actividade em que veio a falecer Diego Amador. César Gil Lamata, principal arguido do processo, garantiu que o jovem tinha problemas de saúde anteriores nunca revelados pela família.
Enrique Amador, pai do jovem falecido, garantiu, por sua vez, ao DN, que Diego era uma criança saudável, e que ainda viveria se a Asociación Grupo Lujan 102 tivesse tido as precauções mínimas, frisando ser estranho que, após esta acusação, aquele agrupamento de escuteiros de Madrid - que em Agosto de 2005 veio a Portugal realizar uns raids pela península de Setúbal - continue activo. "Eu e a minha esposa confiávamos naquele grupo de que Diego fez parte durante cinco anos. Sentimo-nos traídos. Esperamos que os escuteiros, enquanto instituição, castiguem devidamente a Asociación Grupo Lujan 102 de Madrid", disse.
A verdade sobre os contornos que provocaram a morte de Diego Amador, a 4 de Agosto daquele ano, durante uma caminhada de oito quilómetros entre a praia da Foz e a praia da Ribeira do Cavalo, em Sesimbra, alegadamente por exaustão física associada à exposição ao calor, só se irá saber, seguramente, durante o julgamento.
César Gil Lamata lembra que a acusação foi deduzida a 14 de Fevereiro deste ano e que os 23 jovens colegas de Diego foram ouvidos no tribunal de Madrid, a pedido do MP de Sesimbra, no dia 12, ou seja, dois dias antes. "Não houve tempo para que o magistrado acedesse aos depoimentos", criticou. Além de que, acrescentou, nunca o MP ouviu o cidadão português, conhecedor do terreno e da região, contactado pela associação para ajudar a preparar a actividade. Segundo César Gil Lamata, de 47 anos, os jovens iam naquele dia realizar uma caminhada de sete quilómetros, entre as oito da manhã e a uma da tarde, ao ritmo de um quilómetro por hora.
"Não se pode dizer, pois, que foram submetidos a um esforço sobre--humano", atestou, assegurando que o grupo de 24 jovens era acompanhado por duas viaturas de apoio, com alimentos, além de que, na zona em que Diego veio a falecer, "havia casas à volta, que, em caso de necessidade, disponibilizariam água". "É mentira que tivessem encontrado crianças desidratadas", garantiu, lamentando a morte de Diego. "A acusação do MP parece mais uma novela do que a descrição dos factos."
Enrique não se conforma e garante que o seu filho nunca teve historial clínico negativo. "Antes de morrer, arrastou-se com dores de cabeça e de barriga. Que barbaridade! Queremos justiça. Confiamos no tribunal português, e sabemos que não nos vai faltar", reagiu ao DN.

Morreu Joel Serrão, renovador da historiografia portuguesa

“Jornal de Notícias”, 7 de Março de 2008

Figura incontornável da historiografia portuguesa, Joel Serrão faleceu anteontem, em Sesimbra, vitimado por uma doença. Tinha 88 anos, muitos dos quais dedicados à investigação e à escrita. Publicou dezenas de obras, como o "Dicionário de História de Portugal", cuja primeira edição data dos anos 60 e ainda hoje é fonte de consulta obrigatória. Mas também escreveu monografias de cariz económico e social, além de textos sobre poetas. Foi pioneiro no estudo da História do século XIX em Portugal.
À obra de Joel Serrão - por muitos lembrado também como uma pessoa simples e civicamente interveniente - se deve, a par da de contemporâneos seus, a primeira aproximação às correntes historiográficas europeias do pós-guerra, sobretudo à revista francesa "Annales", fundada por Marc Bloch e Lucien Febvre. Hoje, é unânime a opinião de que foi um dos investigadores que mais contribuíram para uma visão de conjunto da história moderna portuguesa.
Nascido no Funchal em 1919, Joel Serrão licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. Foi professor do ensino secundário em várias cidades do país e também deu aulas em duas universidades da capital, tendo ainda sido membro do Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian.
Na opinião da investigadora Maria Filomena Mónica, Serrão "conseguiu olhar a História sem óculos ideológicos". "Dos intelectuais que viveram o antigo regime, Joel Serrão é o historiador que mais prezo, nomeadamente por ter sido capaz de fazer o 'Dicionário de História de Portugal', editado pela Figueirinhas, que é um trabalho imenso", disse.
Maria Filomena Mónica classificou ainda como "surpreendente" a ligação de Serrão à poesia. Na verdade, o ensaísta também estudou as figuras que se destacaram na evolução das ideias e da cultura, como Cesário Verde, Fernando Pessoa, Antero de Quental e António Sérgio, além de ter escrito obras de introdução às disciplinas filosóficas.
O historiador madeirense Nelson Veríssimo considera que Joel Serrão abriu muitas linhas de investigação em vários domínios. "A sua obra é notável, tendo introduzido em Portugal uma nova forma de pensar a História, a Sociologia e a História da Cultura e das Mentalidades", acrescentou.
O funeral sai às 10 horas de hoje da Igreja de Santo Condestável, em Lisboa, para o cemitério dos Olivais.

Isabel Peixoto

Italianos querem Cabo Espichel

Jornal “Diário de Notícias”, 3 de Março de 2008

Desde 1995, altura em que passou para as mãos do Estado português, que se desenham ideias sobre a melhor utilização a dar às albergarias do Cabo Espichel. Até agora, nada foi feito à excepção da recuperação, em 2000, da igreja de Nossa Senhora do Cabo. Mas, o futuro pode ser promissor. Para já, tudo o que existe são propostas privadas de um grupo francês e outro italiano, que segundo a autarquia de Sesimbra terá ligações ao Vaticano.
Os italianos serão os únicos a manter o seu interesse. O grupo quer transformar as albergarias num hotel de charme. Mas, para isso, necessitam da autorização da Igreja e do Estado (Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico). Já os franceses apresentaram uma proposta para um hotel direccionado à terceira idade, mas "nunca mais nos contactaram", assegura Augusto Pólvora, presidente da Câmara de Sesimbra.
Por isso, o autarca já marcou uma reunião, para meados deste mês, com os proprietários do Cabo. O objectivo é tentar inverter a situação que se criou em 1995, quando a confraria doou ao Estado a ala Norte, mas com a condição de restaurar todo o conjunto. O Estado não cumpriu, mas também não pode voltar a entregar a propriedade à igreja por erro de redacção do documento que não previa a reconversão, caso uma das partes falhasse. "Estamos num impasse que tem de ser resolvido e hoje o Estado pode resolver a questão com facilidade", garantiu ao DN o autarca.
Augusto Pólvora frisa que a autarquia não pode comprar o Cabo, mas pode servir de intermediária: "Temos um grupo italiano bastante interessado, mas antes de avançarmos com possíveis projectos temos de ter tudo bem resolvido", frisa. Até porque "há pequenas parcelas de terreno que pertencem a privados".
Entretanto, a autarquia vai avançar com uma recuperação no santuário do Cabo Espichel orçada em cerca de 150 mil euros. "Vamos tentar melhorar as condições de atractividade deste espaço", explicou Augusto Pólvora. A grande novidade é a instalação de uma rede eléctrica, visto que actualmente apenas a igreja tem electricidade aos dias de missa (domingo às 16.00), alimentada por um velhinho gerador. Será construído um parque de estacionamento com 150 lugares, os vãos da ala Norte serão finalmente entaipados e as albergarias pintadas. A câmara ainda não decidiu se vai proibir a circulação automóvel no cruzeiro: "As pessoas reagem muito mal à mudança. Mas o objectivo é libertar este espaço para as pessoas andarem à vontade", avançou.
A Casa da Água não vai ser requalificada mas "vai ser protegida. Vamos colocar uns portões para impedir o acesso e tentar dar-lhe um ar lavado", frisa o autarca. Tudo porque, "o aspecto abandonado incentiva ao vandalismo", lamenta.

Ameaça de bomba na escola de Azeitão

Jornal “O Setubalense”, 27 de Fevereiro de 2008

Uma chamada telefónica feita para a Escola Básica 2,3 de Azeitão dava conta de que daí a alguns minutos iria explodir uma bomba, o que acabou por provocar a evacuação daquele recinto educativo.
Pouco passava das 13.45 horas de anteontem quando o telefonista da Escola 2/3 de Azeitão, situada na rua António Maria Oliveira Parreira, em Vila Nogueira de Azeitão, recebeu uma chamada telefónica através da qual uma voz dava conta de que cerca de 15 minutos depois a escola “iria pelos ares” devido a explosão de uma bomba que se encontrava no interior do recinto escolar.
Clara Félix, presidente do Agrupamento Vertical de Escolas de Azeitão foi de imediato contactada e, tal como referiu a «O Setubalense», ficou “alguns momentos indecisa” sobre qual seria a melhor atitude a tomar, uma vez que deveria tratar-se de uma brincadeira de muito mau gosto. No entanto, “e como temos cerca de 800 crianças na escola, optei por não arriscar e contactei de imediato as autoridades” que, neste caso, “foram muito eficientes” e chegaram rapidamente ao local.
Com efeito, a partir do alerta dado pela escola, para o local deslocou-se a GNR, os Bombeiros Sapadores de Setúbal e uma ambulância do INEM, tendo a escola começado a ser de imediato evacuada. Também nesta ocasião, “tudo correu muito bem, até porque”, como nos explicou Clara Félix, “as crianças têm exercícios desta natureza ao longo do ano lectivo e pensaram tratar-se de mais um”, o que só começou a levantar algumas dúvidas “na media em que iam saindo e vendo o aparato de veículos de socorro que se encontravam no local”.
A presidente do Agrupamento diz não ter qualquer base a que possa associar esta brincadeira de mau gosto, “até porque se tratava de um dia completamente normal de aulas, sem qualquer exame agendado” ou até mesmo estar a decorrer “qualquer processo disciplinar”.
A GNR de Setúbal que esteve no local, adiantou a «O Setubalense», através do responsável pelo Destacamento de Setúbal, Major Tavares Belo, que fez “a deslocação dos meios necessários para o local”, confirmou a “realização de buscas de segurança” mas que “não havia qualquer fundamento” para a ameaça, “não tendo sido encontrado qualquer objecto explosivo”.

Ana Maria Santos

Sexagenária encontrada morta debaixo de carro semi-submerso

Jornal “O Setubalense”, 20 de Fevereiro de 2008

Suzete Valente, de 67 anos de idade, enfermeira reformada, foi anteontem descoberta morta debaixo de um carro semi-submerso pela enxurrada, em Vila Nogueira de Azeitão, quando regressava a casa com o medicamento para o seu cão.
Suzete Valente, de 67 anos de idade, natural do Barreiro, viúva e enfermeira reformada do Hospital Dona Estefânia, morava há cerca de três anos na Rua Helena da Conceição dos Santos e Silva, no ‘coração’ de Vila Nogueira de Azeitão. Terá sido atraiçoada pela enxurrada quando subia a rua, de regresso a casa, ficando presa por debaixo de um automóvel estacionado.
O corpo da sexagenária, já cadáver, foi encontrado por debaixo de um automóvel, na rua de acesso a sua residência, no meio de uma enxurrada naquela inclinada artéria. Só a autópsia, a ter lugar no cemitério do Hospital de S. Bernardo, deverá agora esclarecer a causa da morte.
A médica veterinária da “Vet Arrábida”, a última pessoa que falou com Suzete Valente falou, e as vizinhas da sexagenária, não colocam outra hipótese: a senhora “arriscou” subir a rua, de regresso a casa, e foi atraiçoada pela forte bátega de água, acabando entalada na parte debaixo de um carro estacionado.
Ângela Martins, directora técnica da clínica veterinária ‘VET Arrábida’, lamentou a morte desta “nossa cliente, pessoa simpática e activa, com grande estima pela sua companhia, o cão ‘Lamb’, que é cardíaco. A senhora esteve aqui depois das 11 horas e levou comprimidos para o seu animal. No regresso a casa, aconteceu a tragédia”, lamentou.
À reportagem de «O Setubalense», uma vizinha da malograda e antiga enfermeira do Hospital Dona Estefânia, confirmou que a senhora, de bom trato, “residia aqui há três anos”. Maria Luísa Alface garante ter falado com a malograda vizinha do lado “meia hora antes dela descer a rua”, mas “nunca pensei ser pela última vez…”
A inusitada enxurrada de água da manhã de anteontem, terá sido o factor para este incidente mortal. Maria Alface não coloca outra hipótese, e até garante que a última vez que viu uma descarga de água assim “foi há 20 anos”. Com um pormenor: Esta prolongada rua (do antigo posto da GNR), com ligação ao centro de Vila Nogueira, “canaliza muita água proveniente do Alto da Madalena”. Em sua opinião, “a senhora não conhecia bem a força traiçoeira que a água leva nesta zona. Foi apanhada pela enxurrada, não resistiu e acabou entalada debaixo do carro”, considera Maria Alface.
De resto, ainda na manhã de ontem, aquando da visita da nossa reportagem ao local, as laterais do passeio completamente escavadas pela força das águas, dava a entender a força com que as águas pluviais ali correram no dia anterior.

Teodoro João

“O segredo do sucesso passa pelo espírito de sacrifício”

Jornal “O Setubalense”, 18 de Fevereiro de 2008

A fábrica de tortas Azeitonense produz, em média, dez mil tortas por dia, emprega trinta funcionários e já gerou mais de dois milhões de euros. Actualmente, as tortas de Azeitão marcam presença em praticamente todas as superfícies comerciais, grandes e pequenas. Mas há treze anos, a realidade era outra, pois quem quisesse provar este afamado doce teria que se deslocar ao distrito de Setúbal.
O proprietário da fábrica, António Martins, pasteleiro e empresário, pegou nas tortas de Azeitão, um produto regional, que estava subvalorizado e deu-lhe uma marca. Inicialmente, começou a produzir queijadas em casa e a vender de porta a porta. Mas cedo se apercebeu da potencialidade da torta que, segundo o pasteleiro, “tinha características ideias para poder ser trabalhada não só a nível local mas também exterior, uma vez que, tem como recheio o doce de ovo que, ao contrário do creme, aguenta-se por mais tempo”. Assim iniciou, há treze anos, o fabrico deste doce, a nível nacional.
O negócio foi-se adaptando às grandes superfícies, “de forma lenta e sustentada”, refere. Há dez anos começou a fabricar para o hipermercado Jumbo, assumindo a loja de Setúbal e a de Almada. Logo no primeiro ano obteve “um sucesso extraordinário de vendas”, conta o empresário. Após esse período quiseram que vende-se para outras lojas, no entanto, António Martins indicou que não tinha condições para tal. “Eram necessários equipamentos como carros frigoríficos, que não eram fáceis de adquirir”, revela. Algo que foi conseguindo pouco a pouco.
A fábrica foi sofrendo reformas, aumentando à medida que o negócio crescia. Apesar do doce mais conhecido ser a torta de Azeitão, a fábrica Azeitonense também produz outros bolos. As queijadas de Azeitão, queijinhos de Azeitão, esses de Azeitão, cavacas e até bolos integrais são produzidos e vendidos ao público no número 438 da rua S. Gonçalo, em Brejos de Azeitão. Segundo o proprietário todos os bolos são confeccionados sempre “ao gosto do cliente”, com ingredientes o mais naturais possível e “não entrando em concorrências”.
Prova da qualidade de produção desta fábrica é o prémio “Sabor do ano 2008”, conquistado com as tortas e os esses de Azeitão, galardão muito reconhecido em França como símbolo de qualidade no sector alimentar. Esta distinção resultou de várias provas cegas, desprovidas de marca, realizada por vários consumidores anónimos.
Os dividendos que o empresário retira da fábrica servem, de acordo com o mesmo, para promover a marca, porque, “para singrar nas grandes superfícies, onde há muita competitividade, é preciso apostar na publicidade”, explica. Também usa esses lucros para aumentar os salários dos seus trabalhadores, porque “é importante que estejam motivados e não é com salários baixos que se vai para a frente”. Mas também é exigente e escolhe a dedo cada trabalhador, dando sempre preferência àqueles com formação superior. O resto do dinheiro serve para investir, se bem que, grande parte do dinheiro, diz, vai também para o Estado, através dos impostos que o empresário considera “muito altos”.
Para António Martins o segredo do seu sucesso passa, além de ter uma boa equipa de trabalho, pelo espírito de sacrifício que está patente, por exemplo, na ausência de férias. Confessa que “quem tem um negócio deixa de usufruir de outras coisas, há que estar sempre atento e não estagnar, pensar sempre dois ou três anos à frente, mas sempre com calma e segurança”.
No futuro pretende abrir uma nova fábrica, na Estrada Nacional 10, à saída da estação de Coina. O espaço terá dois mil metros quadrados de área coberta, com zona de estacionamento.
António Martins pretende reservar um espaço para uma loja onde irá comercializar vários produtos da região da Arrábida, como mel, queijo, moscatel, rebuçados e até artesanato. Neste campo ambiciona ainda criar um atelier onde haverá alguém a pintar azulejos e onde as pessoas possam encomendar painéis.
Este investimento de 2,1 milhões de euros traduz-se também numa aposta na exportação. O pasteleiro criou outros tamanhos de tortas (mini-tortas e miniaturas) a pensar no mercado internacional e noutro tipo de consumidores e eventos como casamentos, cocktails, etc. “Os ovos e o açúcar agradam a todas as bocas”, garante, daí a certeza do sucesso além fronteiras.

Vera Gomes

Cabo Espichel de cara lavada ainda este ano

“Jornal de Notícias”, 10 de Fevereiro de 2008

Abandonado há 10 anos, o santuário do Cabo Espichel, em Sesimbra, vai ser requalificado ainda este ano. As obras, orçadas em 100 mil euros, contemplam a construção de um parque de estacionamento com 150 lugares, a reabilitação da zona da Mãe de Água e o embelezamento exterior de toda a área envolvente ao santuário. "O que vamos fazer no imediato é tentar melhorar as condições de atractividade do espaço", avançou, ao JN, o presidente da Câmara de Sesimbra, Augusto Pólvora, após a sociedade Costlântica ter doado ao município os quatro hectares de terreno envolvente ao santuário.
Uma das intervenções prioritárias é a instalação de rede eléctrica, uma vez que actualmente apenas a igreja tem iluminação, alimentada por um gerador. "Estamos também em vias de conseguir um acordo com a Simarsul para o saneamento básico", adianta o autarca, referindo que, no próximo Verão, o espaço já irá ser palco de iniciativas culturais.
O santuário do Cabo Espichel entrou em declínio há 10 anos, quando a Confraria de Nossa Senhora do Cabo cedeu ao Estado a ala Norte para que o INATUR ali construísse uma pousada. Na altura, as casas estavam ocupadas por pescadores de Sesimbra, que pernoitavam no Cabo pelo menos durante a festa religiosa de Setembro. Os ocupantes foram despejados e todas as entradas para as casas foram vedadas com tijolo.
Entretanto, o INATUR já não quer construir uma pousada no local e autarquia está agora a desenvolver esforços para que a zona pertencente ao Estado possa ser dinamizada. "Estamos a tentar encontrar um outro promotor para instalar um programa misto de alojamento e comércio", adianta Augusto Pólvora. Quanto à ala Sul, que irá continuar na posse da igreja, o município espera conseguir que parte do piso térreo seja cedido para a instalação de serviços, que possam suportar os custos de recuperação do piso superior, que incluirá uma zona de recolhimento e alojamento.
O abandono do santuário tem contribuído para a sua degradação e quem até ali se desloca mostra-se satisfeito por a requalificação avançar finalmente. "Isto é um monumento e é pena estar a ser destruído", frisa José Costa, da Charneca de Caparica, considerando que a edificação de uma pousada seria o projecto ideal. Luísa Costa tem a mesma opinião que o marido e lamenta "estar tudo fechado e abandonado". "O que fizerem aqui fica melhor do que está", salienta por outro lado Francisco Marques, do Zambujal, considerando que é necessário conservar o espaço.
Sandra Brazinha

Traficantes de droga galegos guardavam haxixe em Sesimbra

“Jornal de Notícias”, 10 de Fevereiro de 2008

Cerca de seis toneladas de haxixe foram apreendidas em Portugal, numa operação policial que juntou a Polícia Judiciária (PJ) e a Guardia Civil de Espanha e que levou à detenção de um total de 17 indivíduos. Um dos dois alegados cabecilhas da rede é um antigo e conhecido dirigente sindical da zona de Arosa.
A droga tinha como destino os cartéis galegos e a investigação tinha começado há um ano, trazendo inclusive ao nosso país elementos de investigação da Guardia Civil de Pontevedra, que acompanharam a Polícia Judiciária nas investigações.
Parte da droga foi apreendida no IP1, na zona de Leiria, dentro de um camião que tinha sido alugado em Espanha para fazer o transporte do haxixe, segundo adiantou o coordenador de investigação criminal Dias Santos, da Direcção Central de Investigação do Tráfico de Estupefacientes (DCITE) da PJ. "À frente da viatura onde seguia a droga, neste caso pólen de haxixe, seguia um automóvel, que funcionava como batedor", apontou Dias Santos. Os dois condutores foram detidos, e acabaram por ficar em prisão preventiva depois de terem sido presentes ontem à tarde, perante um juiz no tribunal de Almada.
A maior parte do haxixe estava, no entanto, escondido em casas abandonadas, na região de Sesimbra, mais concretamente em Azóia, junto à estrada que liga ao Cabo Espichel. Trata-se de edifícios cuja construção foi embargada há vários anos, existindo apenas as paredes e os telhados. Era numa dessas casas que a droga estava escondida, a pouco mais de dois quilómetros do mar, mas as autoridades ainda não sabem se o haxixe foi desembarcado ou não na zona.
De acordo com o coronel Rafael Daza Pichardo, comandante da Guardia Civil de Pontevedra, já tinha havido detenções em Espanha em Agosto e em Dezembro, incidindo sobre a mesma rede, que mais recentemente levaram à detenção dos líderes, que segundo soube o JN junto de fonte policial são Juan Salvador Rivadomar Padin e Guillermo Fernandez Sanchez.
Salvador Ribadomar era um conhecido sindicalista ligado às profissões do mar, que deixou o sindicalismo para se tornar empresário. A sua ligação ao tráfico de drogas era insuspeita e a detecção surpreendeu toda a gente. Ambos os alegados líderes do grupo eram da zona de Arosa, nas rias galegas, um a zona historicamente ligada ao tráfico de drogas. Mais detenções relacionadas com o caso poderão ocorrer.
Noutra acção que precedeu esta operação, há cerca de dois meses, foi apreendida uma lancha voadora, com cerca de duas toneladas de haxixe, em Alicante, no Mediterrâneo, que operava para a mesma rede galega. A operação recebeu a designação de "Ipanema".
A aparente alteração de rota do tráfico, segundo o coronel Rafael Daza Pichardo, poderá estar associada à eficácia do sistema de vigilância electrónica que está a operar na costa sul de Espanha e que está em fase de concurso para instalação também em Portugal, tal como o JN já noticiou.
Além das quase seis toneladas de haxixe apreendidas pela PJ, durante a operação a Guardia Civil já tinha apreendido em Espanha 2,3 toneladas do mesmo estupefaciente. Feitas as contas, fora m apreendidas um total de mais de 8,3 toneladas de droga, que eram geridas pela mesma rede, agora desmantelada, com a operação em Portugal.
Com os dois detidos foram apreendidos vários telemóveis com cartões de rede nacional. À partida tinham sido comprados especificamente para fazer a monitorização do transporte de droga, no percurso entre Sesimbra e a Galiza.
António Soares
Carlos Varela

sexta-feira

Apostar nas tortas de Azeitão foi uma doce ideia

Jornal "Diário de Notícias", 17 de Janeiro de 2008

Virar as costas a Pinhel, no distrito da Guarda, rumo a Azeitão (Setúbal) mudou-lhe a vida. Sem perder de vista as raízes ligadas à pastelaria, descobriu as célebres tortas, aprendeu o segredo e lançou-se no mercado. Começou uma aventura apenas apoiado pela mulher, vendendo porta a porta. Hoje, 13 anos volvidos, vai a caminho de um "pequeno império" que produz 10 mil tortas por dia, pelo preço unitário de 1,05 euros.
António Martins é o exemplo de um empresário que subiu a pulso. Paulatinamente. Já conquistou o País, agora as tortas de Azeitão vão a caminho da internacionalização. Aqui aplica-se a velha máxima: a necessidade aguça o engenho. Filho de padeiros, cedo se iniciou na actividade de pasteleiro. Chegou a produzir cavacas, mas sentiu na pele as dificuldades impostas pela globalização quando há duas décadas Portugal aderiu à UE. "Começámos a ter dificuldades. As pequenas empresas não tinham condições de entrar nas grandes superfícies e os espanhóis invadiram o País com produtos idênticos aos nossos, mas mais vistosos e com preços mais baixos. Deixámos de vender", diz. Mas aprendeu com o erro.
Desceu no mapa à procura de melhor sorte. Por terras do Sado conheceu as tortas de Azeitão. "Achei que era um produto de qualidade, mas que estava reduzido a um produto local, embora tivesse potencial para vir a ser comercializado a nível nacional", conta António Martins, admitindo ter sido esta perspectiva que lhe valeu o negócio da vida em Brejos de Azeitão. No passado, facturou mais de 2 milhões de euros.
O empresário apostou forte neste projecto. Começou por produzir tortas em pequenas quantidades, foi conquistando mercado e abriu horizontes. "Se as tortas já eram boas, passaram a ser melhores porque investimos nas melhores matérias- -primas e demos uma imagem de marca a conhecer ao consumidor, recorrendo à promoção publicitária", adianta, admitindo que o passo determinante foi ter adaptado a produção ao mercado das grandes superfícies. Vai para dez anos que assumiu as duas primeiras lojas no Jumbo de Setúbal e no Pão de Açúcar de Almada. "O sucesso de vendas foi tão espectacular que no ano seguinte pediram-me para assumir outras lojas. Aos poucos, cheguei às superfícies comerciais de todo o País. Claro que tive sempre de fazer investimentos. Um dos primeiros foi quando comprei um carro de frio", recorda. Mas o maior investimento está em curso, com a aquisição de um espaço onde há-de edificar a nova fábrica, na qual pretende reservar um espaço para exibir os melhores produtos tradicionais da região - do queijo de Azeitão, ao mel, passando pelo moscatel.
António Martins vai gastar 2,1 milhões de euros no novo projecto. Com um total 6 mil metros quadrados, sendo 2 mil de área coberta, junto à Estrada Nacional 10. Garante ao DN que as actuais instalações já limitam as ambições da empresa, onde trabalham 30 pessoas. Afinal, o empresário quer levar o seu produto às mesas do mundo e diz que, não tarda, a torta ultracongelada vai chegar a países como o Japão, Brasil, França, Espanha, Inglaterra e Alemanha.... E desta vez não receia a concorrência. É que as tortas de Azeitão "não são fáceis de fabricar. Quando eu comecei houve outros que também começaram, mas foram ficando pelo caminho. Não é fácil." Daí que exiba com orgulho o prémio Marca Sabor, conquistado entre mais de cem empresas.

Roberto Dores

terça-feira

Passagem de ano debaixo de água

"Jornal de Notícias", 31 de Dezembro de 2007

A transição de 2007 para 2008 promete ser arrojada em Sesimbra com uma centena de mergulhadores debaixo de água, 12 minutos de fogo-de-artifício, dois palcos de música e restaurantes e bares abertos até de manhã. A iniciativa inédita pretende fazer da vila um destino nacional para a passagem de ano.
"O programa destina-se a recolocar Sesimbra no mapa das festividades anuais, à semelhança do que acontece todos os anos no Carnaval", avançou ao JN Aleixo Terra-da-Motta, coordenador do Turifórum para o projecto. "Trata-se de um conjunto de actividades que passam pela abertura do comércio toda a noite, pelo fecho da marginal junto ao mar e pela colocação de dois palcos de música", explica.
À meia-noite, o espectáculo de luzes irá iluminar toda a baía. "Vamos meter debaixo de água cem mergulhadores que vão desenhar 2008 com as suas lanternas", refere o responsável. Vinte segundos depois inicia-se o espectáculo pirotécnico numa extensão de 1250 metros com 1750 disparos por minuto. "Pela primeira vez vai haver uma barreira de fogo desenhada de propósito para Sesimbra", adianta Aleixo Terra-da-Motta.
Por motivos de segurança serão estabelecidos dois perímetros de segurança, um no mar e outro em terra, devido ao lançamento do fogo-de-artifício e a toda a logística que implicará a colocação de 100 mergulhadores no mar. Esta é, aliás, a actividade mais complexa de todo o programa.
"A marginal de Sesimbra contará ainda com a presença de vários animadores de rua e dois palcos com música até às 2.30 horas. Na zona nascente estará a banda Cuba Libré e na zona poente actua a banda Grand'Área, seguida do DJ Monchike. A edição zero do "Reveillon de Sesimbra" implicou um investimento de 45 mil euros, a que se somam todas as dádivas feitas pelas empresas aderentes ao projecto.
Sandra Brazinha

Regressou raridade da José Maria da Fonseca

Jornal "Setubalense", 31 de Dezembro de 2007

O moscatel da José Maria da Fonseca “Torna Viagem” andou vários meses a bordo do navio-escola Sagres passando por África e América do Sul.
O famoso Moscatel de Setúbal “Torna Viagem” da José Maria da Fonseca, já regressou de mais uma viagem por terras e portos Sul-americanos. O “Torna Viagem” viajou a bordo do navio-escola Sagres, que passou por Mindelo, Recife, Santos, Buenos Aires, Montevideu, Rio de Janeiro e Tenerife.
À semelhança do que já aconteceu no ano de 2000, por altura da comemoração dos 500 anos do descobrimento do Brasil, o navio-escola partiu a 29 de Junho de 2007, transportando 4 cascos de Moscatel de Setúbal e 2 cascos de Moscatel de Setúbal Roxo na sua jornada por terras e portos Sul-americanos. Antes da sua chegada a Lisboa, a 16 de Outubro, a Sagres atracou nos portos Sul-americanos de Recife, Santos, Buenos Aires, Montevideu e Rio de Janeiro.
A José Maria da Fonseca descobriu o “Torna Viagem” há mais de um século. Na época em que navios cruzavam os mares do mundo fazendo todo o tipo de comércio, era comum levarem à consignação cascos de Moscatel de Setúbal. Os comandantes, que recebiam pelo que vendiam, nem sempre os conseguiam comercializar todos. Na volta a Portugal, depois do périplo, em que se submetiam a diversos climas e significativas variações de temperatura, os cascos eram devolvidos à casa mãe. Ao serem abertos, o resultado era quase sempre uma grata surpresa: geralmente o vinho estava bastante melhor do que antes de embarcar. A passagem pelos trópicos, a caminho do Brasil, África ou Índia, quando atravessava por duas vezes a linha do Equador, uma na ida, outra na volta, parecia melhorar a qualidade do Moscatel de Setúbal e conferir-lhe grande complexidade.
“Com os choques térmicos sofridos durante a viagem, sabemos que o Moscatel Torna Viagem terá uma cor mais escura e características totalmente diferentes do que ficou cá”, diz António Soares Franco, presidente do conselho de administração da José Maria da Fonseca. Ao provar o Moscatel Torna Viagem, recém regressado, Domingos Soares Franco afirma que "O Moscatel ficou mais redondo, menos agreste. Está maravilhoso". Além das provas frequentes, os enólogos têm outra forma de avaliar as particularidades do “Torna Viagem”: um casco do mesmo vinho permaneceu na adega de Azeitão, enquanto os outros seis corriam os mares. O Testemunha, como é chamado pela JMF, serve para fazer a comparação com os que voltaram.
HISTÓRIA - O “Torna Viagem” nasce de um facto curioso. A José Maria da Fonseca, quando foi fundada em 1834 por José Maria da Fonseca, privilegiou a exportação dos seus vinhos em garrafas. O Moscatel era a excepção praticada na casa, mas foi desta forma que surgiu a raridade e a lenda do “Torna Viagem”. O Moscatel de Setúbal, vinho generoso, tradição da José Maria da Fonseca, é comercializado desde a fundação da empresa há mais de 170 anos. A sua vinificação assemelha-se à do vinho do Porto e da Madeira. A fermentação é interrompida com a adição de aguardente vínica, atingindo uma graduação alcoólica de 18 a 20º. Em seguida, o líquido é macerado por cinco meses em contacto com as películas da uva, para obter maior tipicidade. Por fim, é envelhecido em cascos de carvalho usado de 600 litros, por um período mínimo de 24 meses, antes de ser engarrafado. A José Maria da Fonseca mantém uma cave em Azeitão, chamada de adega dos Teares Velhos, dedicada exclusivamente ao envelhecimento dos moscatéis topo de gama.

Espaço Solidário dá apoio a mais de 800 carenciados

"Jornal de Notícias", 21 de Dezembro de 2007

Mais de 800 pessoas são apoiadas pelo Espaço Solidário, inaugurado na Quinta do Conde faz hoje um ano, e que serve o concelho de Sesimbra. Trata-se de um serviço municipal que recebe roupa, brinquedos, mobiliário e electrodomésticos, artigos depois doados a famílias carenciadas.
De acordo com dados oficiais, o Espaço Solidário conta já com 202 utentes, famílias compostas em média por quatro elementos, ou seja, 808 pessoas. Ao longo dos últimos 12 meses, foram distribuídos mais de 20 mil artigos.
Os beneficiários do espaço são alvo de uma selecção criteriosa. "São pessoas que têm poucos rendimentos e que são sinalizadas pelos serviços técnicos da Câmara", conta a funcionária Patrícia Marquês, explicando que cada pessoa "escolhe a roupa consoante o agregado familiar".
Com apenas um ano de funcionamento, o Espaço Solidário superou todas as expectativas da Câmara. "Não estávamos à espera de uma rede de solidariedade tão grande", revelou ao JN a vereadora da Acção Social, Felícia Costa, lembrando que todos os utentes são acompanhados pelos serviços com o intuito de conhecer as suas reais necessidades. "Queremos agora começar a distribuir alimentos através de um acordo com operadores do Mercado da Quinta do Conde e do Banco Alimentar", adiantou.

Sandra Brazinha

domingo

Deixou a PSP para ir à pesca

Jornal "Diário de Notícias", 24 de Novembro de 2007

Não andou a correr atrás de ladrões nem a vigiar suspeitos. E ser polícia não foi um daqueles sonhos de criança, que quase todos os rapazes já tiveram: ser polícia ou bombeiro. Entrou para a PSP aos 36 anos, já com posto de oficial obtido no Exército. O número dois da PSP, superintendente-chefe António Chumbinho, deu há um mês um passo ao lado e retirou-se de serviço, precisamente na véspera do seu 65.º aniversário. Agora com tempo livre, vai dedicá-lo à pesca e à família, confidenciou ao DN o ex-director nacional adjunto da PSP.

"Quando era miúdo queria ser maquinista de comboios", recorda o oficial, nascido em Grândola no dia 18 de Outubro de 1942. "Quando terminei o liceu, que fiz em Setúbal, decidi seguir a carreira militar. Tinha 19 anos quando ingressei na Academia Militar, em Lisboa, em 1962, para fazer a licenciatura", contou António Chumbinho.

Fez duas comissões de serviço como comandante de companhia em Moçambique e na Guiné, esta última interrompida quando ocorreu o 25 de Abril de 1974, regressando a Portugal em Outubro. Em 1978 foi convidado e fez duas comissões de serviço na PSP de Setúbal como segundo comandante distrital e depois como comandante. Transitou de tenente-coronel do Exército para intendente da PSP, onde ingressou definitivamente em 1987, no comando de Lisboa. Ascendeu na carreira até se tornar no número dois na hierarquia da PSP.

"Trabalhei até ao dia 17 de Outubro e no dia 18, quando fiz 65 anos, é que já não fui. Foi uma missão como qualquer outra, a de me retirar de serviço. Poderia ter saído antes, talvez há cinco anos - fiz 45 de serviço efectivo no Exército e na PSP - mas preferi continuar, porque não tinha outros projectos particulares e estava agarrado ao serviço público", explicou.

Casado, António Chumbinho, que mora em Azeitão (Setúbal), perto dos seus dois filhos e dos quatro netos, diz estar ainda "num processo de reorganização". E quanto ao ao futuro? "Vou estar mais disponível para a vida familiar e alguns entretenimentos. Gosto de ir à pesca. Antes já ia, mas pouco, porque me faltava o tempo. Trabalhava muitas horas, em média, 12 por dia."

"Quero dar especial atenção à família, que a vida activa na PSP condicionava muito. Nunca conseguia almoçar nem jantar com a minha mulher, porque chegava a casa muito tarde. Foi sempre ela que me deu apoio. Agora é tempo de ser eu a fazê-lo", concluiu.


Daniel Lam

Manuel Vilarinho acusado de tentar atropelar bombeiros

Jornal "Diário de Notícias", 7 de Outubro de 2007

Uma equipa de cinco elementos dos Bombeiros Voluntários de Setúbal ameaça apresentar uma queixa-crime contra o ex-presidente do Benfica Manuel Vilarinho, acusando-o de os ter impedido de entrar na sua propriedade, em Azeitão, para apagarem um incêndio, ao fim da tarde de sexta-feira. Adiantam que o proprietário da Quinta de Santiago os "insultou, tentou atropelar e ameaçou disparar contra eles". Manuel Vilarinho confirma que o incidente ocorreu, desmente aquelas acusações e recusa dar mais pormenores do caso.
O comandante da corporação, Paulo Sedas, confirmou ao DN que, "pouco antes das 18.00, foi recebida uma chamada relatando um foco de incêndio no perímetro do Parque Natural da Arrábida. Seguiram para o local um veículo de combate a incêndios florestais e cinco bombeiros".
O mesmo responsável recusou adiantar mais pormenores sobre o que sucedeu depois, "enquanto não se souber exactamente em concreto o que de facto aconteceu".
Um elemento da corporação, que preferiu não se identificar, declarou à Lusa que Manuel Vilarinho "tentou impedir a intervenção dos bombeiros, que se preparavam para apagar uma queima de sobrantes florestais, que ameaçava transformar-se num foco de incêndio, que poderia propagar-se à serra da Arrábida".Além disso, "insultou-nos, tentou atropelar-nos com uma motoquatro e ameaçou dar-nos um tiro com uma caçadeira, que nunca chegou a exibir", disse o mesmo bombeiro.
A confusão foi tanta, que compareceram no local elementos da GNR. Identificaram o dono do terreno e o chefe dos bombeiros que ali se encontrava de serviço. Fonte da GNR referiu que "a queima era de pouca monta e o proprietário tinha tomado as medidas necessárias para prevenir qualquer foco de incêndio".

Daniel Lam

Seis obras de arte pública criadas ao vivo no castelo

"Jornal de Notícias", 10 de Outubro de 2007

A pedra da região de Sesimbra não serve apenas para brita. É também matéria-prima para obras de arte. Prova disso são as seis esculturas expostas no castelo e que foram elaboradas ao vivo por sete artistas entre os dias 15 e 30 do mês passado. No âmbito da iniciativa "Escultura ao Vivo", promovida pela Câmara local, as obras vão, em breve, embelezar espaços públicos do concelho. "É um balanço extremamente positivo para os artistas, que deixam aqui a sua obra, e para Sesimbra que aumenta o seu património cultural e artístico", avançou ao JN o comissário da exposição, Carlos Bajouca. O escultor, de 51 anos, salienta que estes novos monumentos demonstram que "a pedra da região não serve só para calçada e gravilha". Sobre a obra "A Pesca do Espadarte", que construiu em conjunto com o cubano Hans Varela e que irá para a rotunda do Marco do Grilo, à entrada da vila, Carlos Bajouca realça que é "uma forma de homenagear os pescadores e a pesca do espadarte". Já o escultor Hans Varela, de 40 anos, frisa que a obra "representa Sesimbra em todo o seu esplendor". A mesma opinião tem Beatriz Cunha, de 48 anos "Foi tudo feito a um nível muito elevado em termos de convívio. E o local é maravilhoso", salienta a escultora que construiu uma "Alauda", que em latim significa Cotovia, a localidade para onde vai a peça. "É uma escrita musical, de fio ao vento, uma espécie de canto", descreveu. "Terra Mar" é o nome da escultura elaborada por João Antero, de 58 anos. "Na mesma pedra existe a terra e o mar, com um elemento orgânico no meio, uma árvore, que tenta representar o nascimento", salienta o professor, cuja obra será colocada no Parque Urbano da Quinta do Conde. "Foi uma iniciativa enriquecedora a todos os níveis", concluiu João Antero. Moisés Preto Paulo, 44 anos, elaborou "Severo Preto - O Homem do Leme", uma peça que será transferida para a nova marginal de Sesimbra. "Trata-se de uma homenagem à população local", disse o autor. Aplaudindo a iniciativa, Moisés Preto Paulo recorda que a iniciativa permitiu mostrar à população "como se fazem obras com escalas de exterior". "As pessoas têm curiosidade em saber como é que se transforma a matéria e como é que se forma uma obra de arte a partir de um calhau", corrobora João Renato, de 37 anos. Tendo como destino a Quinta do Conde, a peça "Os pioneiros" retrata, segundo o autor, "o surgimento dos primeiros habitantes naquela localidade". A "Homenagem ao Dador de Sangue", que também irá para a Quinta do Conde, foi trabalhada por Nelson Cardoso, de 49 anos. "Simboliza uma mulher sem rosto com o coração a sair", contou ao JN o escultor.

Sandra Brazinha

Meia tonelada de lixos retirada do mar

"Jornal de Notícias", 23 de Setembro de 2007

Mais de 500 quilos de lixo foram retirados ontem do mar de Sesimbra. O XII Encontro de Limpeza Subaquática decorreu junto à Praia do Ouro, no lado poente da vila. Pneus, garrafas, pilhas, frigideiras, um mega grelhador, covos de pesca, chapéus-de-sol, latas de tinta, tubos, plásticos e cordas foram alguns dos objectos encontrados no fundo do mar.
Assinalando o Dia Mundial da Limpeza de Praias, 56 mergulhadores recolheram 510 quilos de lixo, um registo inferior aos 724 quilos retirados do mar no ano passado. "A ideia é sensibilizar as pessoas para a importância da limpeza do meio marítimo", adiantou, ao JN, Luísa Fachada, directora do departamento de educação, cultura e lazer da Câmara Municipal de Sesimbra.
"As pessoas mandam até latas de tinta semi-cheias para dentro da água", lamenta João Ferreira, de 27 anos, membro do Núcleo de Actividades Subaquáticas do Instituto Superior Técnico, que colaborou com a autarquia na organização desta acção. Estreante nestas coisas, o lisboeta conta que encontrou "latas de bebida, garrafas de vidro e papel de jornal", acrescentando que houve também quem recolhesse pneus. "Certas coisas não vale a pena tirar do fundo do mar, porque há peixes pequenos que utilizam esses materiais para fugir dos grandes", considera, numa clara referência a objectos que serviam de habitat para algumas espécies.
A mesma questão preocupa Alexandra Figueiredo, uma professora de Tomar, de 30 anos, que levou até Sesimbra um total de 17 pessoas participantes num curso ligado à arqueologia subaquática. "Tudo o que tem derivantes de prata e mercúrio só polui e não permite que a vida se propague", frisa Alexandra Figueiredo. "Os covos poluem na mesma, mas servem de protecção a certo tipo de animais, permitindo a vida biológica", considera por outro lado.
Em comunicado, a autarquia sesimbrense informa que "uma simples folha de papel pode levar de três a seis meses a deteriorar-se, uma fralda descartável leva 450 anos a desaparecer e uma garrafa de plástico demora 500 anos a decompor-se", alertando assim para o problema da poluição marítima.

Sandra Brazinha

Governo chumba projecto na Mata de Sesimbra

Jornal "Diário de Notícias", 15 de Setembro de 2007

Isaltino de Morais considera "legítima" a decisão do Governo de não reconhecer o acordo que o próprio estabeleceu em 2003, enquanto ministro do Ambiente, com os promotores de um empreendimento turístico na Mata de Sesimbra. Mas ao DN lembrou que essa opção implicará o pagamento de uma indemnização enorme por parte do Estado. O processo, que conheceu ontem mais um episódio, tem mais de 30 anos de história."Na minha altura essa alternativa não existia e o caso estava a ser analisado por um tribunal arbitral internacional. O promotor pedia-nos uma indemnização de 12 milhões de contos (aproximadamente 60 milhões de euros) e não podíamos de forma alguma pagar. Se este Governo pode, ainda bem", afirmou ontem ao DN.
O actual autarca de Oeiras reagiu assim, com ironia, à decisão tomada ontem pelo ministro do Ambiente, Nunes Correia, de considerar "nulo" o acordo estabelecido há quatro anos entre o Estado, a autarquia de Sesimbra, a sociedade imobiliária Pelicano SA e sociedade Aldeia do Meco.
O objectivo inicial dos promotores era construir na zona do Meco, mas essa intenção foi inviabilizada após muitos anos de avanços e retrocessos judiciais. De forma a compensar esses direitos de construção, e depois do assunto ter passado por um tribunal arbitral, foi estabelecido o acordo que transferiu esses direitos de construção do Meco para a Mata de Sesimbra, permitindo ao promotor construir num local diferente.
Agora, ao analisar o milhão de metros quadrados de construção propostos no Plano de Pormenor (PP) apresentado pela autarquia para a zona sul da Mata, o Governo resolveu não aceitar os 315 mil metros quadrados que vêm "transferidos" do Meco. Nunes Correia disse que "o PP só estará em condições de ser aprovado se for deduzida a área". A justificação está no Plano Regional de Ordenamento do Território da Área Metropolitana de Lisboa, que impede grande pressão urbanística neste local de habitats importantes.
Nunes Correia assenta ainda a decisão no facto de o dito acordo, para ser válido, ter de pressupor a existência de um alvará de loteamento originalmente no Meco, emitido apenas no caso de os promotores serem proprietários dos terrenos. Porém, a Aldeia do Meco tinha assinado apenas um contrato de compra e venda sobre a área pretendida. Mais: para inviabilizar a consumação do projecto, em 2000, o então ministro José Sócrates ordenou a aquisição de uma parcela de terreno na área do loteamento do Meco, comprada pelo Instituto de Conservação da Natureza.
Estes argumentos expostos ontem levam o Governo a considerar que o alvará tem "boas razões para ser considerado nulo". Agora cabe à câmara reorganizar o PP e diminuir a sua carga. O DN tentou contactar o promotor mas não teve sucesso.

Rita Carvalho
Susana Leitão

Castelo é ateliê para sete artesãos esculpirem pedra

"Jornal de Notícias", 18 de Setembro de 2007

O Castelo de Sesimbra está a servir de ateliê para sete escultores que, até 30 de Setembro, trabalham ao vivo pedra local transformando-a em esculturas. O Simpósio Internacional de Escultura decorre no âmbito da Sesimbra Art Spaces, Bienal Internacional de Artes Plásticas. "A pedra foi oferecida gratuitamente pelos industriais locais", adianta o comissário da exposição, Carlos Bajouca. Os blocos de brecha, a pedra local, darão lugar a seis esculturas que serão colocadas em diversos espaços públicos do concelho, como rotundas e avenidas. Sobre a obra que está a construir em conjunto com Hans Varela, que será composta por espadartes, Carlos Bajouca, de 50 anos, residente na Aldeia do Meco, salienta que é a maior de todas e que "vai ficar com nove ou dez toneladas". O professor João Antero, de 58 anos, é outro dos escultores que está a trabalhar um bloco de pedra. "É uma obra que vai tratar o mar e a montanha. Estabeleci que este projecto deveria estar de acordo com o meio", conta. Sobre a iniciativa, o escultor de Cucujães diz que "é sempre positivo haver estes encontros de cultura e é uma mais-valia para a terra".
"É sempre uma experiência muito interessante. Estou a ser muito bem recebida e o sítio é lindíssimo", enaltece a única mulher entre os escultores presentes. Beatriz Cunha, de 48 anos, está a criar uma escultura intitulada "Alauda", que quer dizer Cotovia, localidade onde ficará a obra. "É uma evocação do sentido, do tom. É uma espécie de escrita musical", salienta a lisboeta. "Eu vejo a pedra e a partir daí começo a trabalhar e vou decidindo o que fazer", explica, por outro lado, o brasileiro Nelson Cardoso, de 49 anos. Há 27 anos a viver em Colares, este escultor ainda não deu um nome à sua obra, mas frisa que "vai estar relacionada com a vida". O trabalho final vai ser colocado numa rotunda perto da Associação de Dadores de Sangue, na Quinta do Conde. Os trabalhos prolongam-se por mais 15 dias, tempo suficiente para que os escultores possam concluir as obras. Quem quiser assistir à criação das esculturas ao vivo pode visitar o Castelo de Sesimbra todos os dias, até ao fim do mês, entre as 10 e as 13 horas e entre as 15 e as 20 horas.

Sandra Brazinha

Ministério do Ambiente trava projecto da Pelicano em Sesimbra

"Jornal de Negócios", 14 de Setembro de 2007

O Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional (MAOTDR) pronunciou-se hoje contra o projecto Pinhal do Atlântico, que a empresa de investimentos imobiliários Pelicano quer desenvolver em Sesimbra.
O Ministério do Ambiente, do Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional (MAOTDR) pronunciou-se hoje contra o projecto Pinhal do Atlântico, que a empresa de investimentos imobiliários Pelicano quer desenvolver em Sesimbra.
O Ministério "entendeu não estarem reunidas as condições para o reconhecimento da necessidade do projecto do Pinhal do Atlântico, em Sesimbra, por razões imperativas de interesse público". Essencialmente, os motivos deste "chumbo" passam pela excessiva edificação prevista para a mata de Sesimbra.
Em causa está um contrato que o próprio MAOTDR assinou em Março de 2003 com o município de Sesimbra e as sociedades Pelicano e Aldeia do Meco. Agora o Ministério não reconhece a aplicabilidade desse acordo.
Está pendente ainda na Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo a emissão de um parecer sobre a versão final do plano de pormenor da zona sul da mata de Sesimbra, que prevê uma área bruta de construção de 1.034.072 metros quadrados, incluindo 315.000 metros quadrados resultantes do acordo do Meco.
O Ministério chefiado por Nunes Correia considera, contudo, que "o projecto que se pretende desenvolver na actual versão do plano de pormenor, considerado conjuntamente com o processo análogo em curso para a Zona Norte da Mata de Sesimbra e todo o conjunto de pretensões turísticas inventariadas, apresenta uma carga de ocupação/edificabilidade excessiva face às características do território e à importância do sistema ambiental e dos valores naturais em presença".
Assim, o MAOTDR propõe uma redução da carga de ocupação do projecto, sugerindo que o plano de pormenor "só estará em condições de ser aprovado se for deduzida a área de 315.000 metros quadrados". O projecto Pinhal do Atlântico corresponde a uma área total de construção de 44.650 metros quadrados e a uma carga de 1790 camas. A área de 315 mil metros quadrados a deduzir ao plano corresponde a uma capacidade turística total de 7.800 camas.
Segundo a agência Lusa, o ministro referiu ter já comunicado a decisão à autarquia e aos promotores, que reagiram com uma "atitude construtiva" de "compreensão". O Jornal de Negócios procurou obter uma reacção da Pelicano, mas tal não foi possível, por indisponibilidade dos responsáveis da empresa.
Apresentado em Dezembro de 2003, o projecto Pinhal do Atlântico representa um investimento de cerca de 800 milhões de euros. O prazo de conclusão deste empreendimento era então apontado para o ano 2015.


Miguel Prado

Cinco principais portos recebem 10,5 milhões

"Jornal de Negócios", 12 de Outubro de 2007

O Orçamento de Estado para 2008 consagra uma verba de 10,5 milhões de euros para os cinco principais portos nacionais. A Administração do Porto de Douro e Leixões é a mais beneficiada na repartição deste bolo, tendo-lhe sido atribuída uma verba de quatro milhões de euros, destinada ao financiamento de infra-estruturas portuárias.
O Orçamento de Estado para 2008 consagra uma verba de 10,5 milhões de euros para os cinco principais portos nacionais. A Administração do Porto de Douro e Leixões é a mais beneficiada na repartição deste bolo, tendo-lhe sido atribuída uma verba de quatro milhões de euros, destinada ao financiamento de infra-estruturas portuárias.
O Porto de Lisboa, por sua vez, foi contemplado com dois milhões de euros, o de Aveiro com 2,5 milhões e o de Setúbal e Sesimbra com um milhão de euros. Nestes três casos, as verbas são também totalmente destinadas ao financiamento de infra-estruturas.
Um caso diferente é o de Sines. Esta administração irá receber 922,5 mil euros, um montante que será aplicado na instalação de sistemas operacionais de supervisão e segurança e ordenamento e recuperação do território.

Celso Filipe

24 horas na vida de um submarino que navega há quarenta anos

"Jornal de Notícias", 8 de Outubro de 2007

Numa qualquer Marinha da OTAN, o lugar do submarino "Barracuda" seria, quando muito, no museu, mas não em Portugal, onde este navio, que navega há 40 anos, tem que ser mantido no mar até à chegada dos dois novos submarinos, em 2010. O JN embarcou durante 24 horas, a partir de Sesimbra, no "Barracuda" e confirmou que nada há que se compare às duras condições de vida que se vivem a bordo.
Ali convivem diariamente 54 homens, num espaço exíguo, dias e dias sem ver a luz do Sol. A mudança entre o dia e a noite substituída pela luz vermelha que se acende quando oficialmente o Sol desaparece na superfície. "Com os novos submarinos as condições vão melhorar", sustenta o comandante do navio, o capitão-tenente Mamede Alves. Ou melhor, já se pode, por exemplo, tomar banho, mesmo que apenas de dois em dois dias.
Para quem entra no "Barracuda" o primeiro choque é o cheiro uma mistura de óleos, combustível, corpos que não vêem água há dias e dias, o ar rarefeito que concentra os odores. E para quem sai são os que estão à superfície que notam a a diferença. Inevitavelmente.
É uma arma pura, o "Barracuda", onde tudo é sacrificado à eficácia no combate, à discrição e ao silêncio, pois não obstante os 40 anos deste navio os princípios mantêm-se na guerra submarina.
Desce-se a torre e o submarino começa a mergulhar, à ordem, a água entra e a pressão lá fora, nas águas negras, vai aumentando gradualmente.
Há um silêncio quase mortal e a guarnição vai desenvolvendo as tarefas com uma rotina feita de muita disciplina e descontracção. "Com licença", é a frase que mais se ouve, face à exiguidade do espaço, as deslocações obrigando a manobras cuidadosas para não bater com a cabeça em qualquer manivela ou manómetro.
É meio da manhã e o cozinheiro prepara o almoço - naquele dia era bacalhau com grão e batatas - numa cozinha virada para as duas únicas e minúsculas casas de banho do navio. Numa delas, permanece uma embalagem de toalhetes. "É o nosso banho", explica um marinheiro. Há uns anos, o segredo eram os perfumes de feira, usados aos litros, vencidos pelos mais modernos "dodots".
O submarino vai continuando a mergulhar até chegar aos 200 metros, o manómetro a indicar a profundidade e as anteparas das portas a torcerem pela pressão. A segurança está garantida, mas a idade do "Barracuda" já não lhe permite fazer isto muitas vezes, que a resistência dos materiais tem limites, mas ninguém liga muito a não ser os jornalistas. Na sala de comando, os operadores de sonar escutam os sons que vêm das profundidades.
O navio vai regressando à superfície até aos 12 metros, para renovar o ar. O periscópio sobe e divisa-se Sesimbra. As horas passam e o cansaço chega, com os homens a rodarem por escala nas mesmas camas, nos mesmos colchões. Tem que ser assim.
Passaram 24 horas, o navio está à tona de água. As escotilhas são abertas. Por fim, o ar fresco para nós, que a guarnição prossegue a missão.


Carlos Varela

quinta-feira

Escultura ao vivo em Sesimbra

Jornal “O Primeiro de Janeiro”, 11 de Agosto de 2007

Sete escultores vão executar, ao vivo, no Castelo de Sesimbra, entre 15 e 30 de Setembro, seis esculturas, que posteriormente serão colocadas em espaços públicos do concelho. A iniciativa decorre no âmbito da Quarta Bienal Internacional de Artes até 2 de Setembro.
No projecto, levado a cabo no âmbito da Quarta Bienal Internacional de Artes, inaugurada no passado dia 4 e que se prolonga até 2 de Setembro, estão envolvidos os escultores Moisés Preto Paulo, João Antero, Beatriz Cunha, João Renato, Nelson Cardoso, Carlos Bajouca e Hans Varela, que trabalharão “blocos de pedra da região”.Bajouca, que é também o comissário da exposição, e Varela trabalham juntos numa escultura de grandes dimensões, “pesando toneladas”.
Até agora denominada Exposição Internacional de Artes Plásticas, esta iniciativa da autarquia passa este ano a Bienal e ganha nova designação - Sesimbra Art Spaces/Espaços de Arte. Em declarações à Lusa, Bajouca explicou pretender-se, com a passagem a Bienal, por um lado, programar “com mais tempo” um evento que adquiriu já “bastante força” e, por outro, dar aos artistas convidados “mais tempo” para realizarem os seus trabalhos. Há “uma maior ambição” e o objectivo, acentua o escultor, é “consolidar” os ganhos da exposição, já conhecida além-fronteiras. Por seu lado, a vereadora da Cultura da autarquia, Felícia Costa, explica no catálogo da exposição que, com a alteração do nome do evento, se pretendeu “vincar a forte relação entre a mostra de arte e os lugares onde estarão expostas as obras e, ao mesmo tempo, abrir o evento aos milhares de turistas estrangeiros que nos visitam no Verão”.

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Participantes
Mais de 100 artistas
Com trabalhos de escultura, pintura, fotografia, cerâmica e joalharia, participam na Bienal mais de 100 artistas, de Portugal, Suíça, Cuba, Japão, Angola, Brasil, Itália, Reino Unido, França e Rússia, entre outros. Tanto a vereadora como o comissário deram particular realce à participação da Associação de Famílias para a Integração da Pessoa Deficiente e da Sociedade dos Artistas Deficientes Manuais.